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domingo, 10 de outubro de 2010

Irreverência ou Cópia?

Vocês já imaginaram um confronto entre o Sentinela da Marvel contra o Super-Homem da DC? Eu lhes digo que este embate já ocorreu! Conto mais ao fim deste... e de quebra ainda dou um cube papercraft único e exclusivo do Overman!
Como o Guilherme já bem disse em um post anterior (há um ano), há personagens que são bastante parecidos com outros. Há alguns casos que são por coincidência, há alguns que são verdadeiramente plagiados (conscientemente ou não), e há outros cujas semelhanças são propositada e intencionalmente forçadas. Bom, não sei em quais casos cada um que apresentarei abaixo se enquadra, mas busquei sortear um elenco que apresente casos curiosos e até versões engraçadas de outros personagens, inclusive em outras mídias que não quadrinhos (ou BD ou comics).


Capitães Marvel
Um jovem que adora usar jeans e roupinhas datadas que, após descobrir acidentalmente algo incomum numa caverna, ao emitir determinado comportamento (verbal ou gestual), é tomado por forças desconhecidas e troca de corpo com uma versão super-heroica adulta mais forte, mais resistente, capaz de voar e dotado de uma consciência ou sabedoria acima da de qualquer ser humano. E essa versão "aprimorada" responde pela alcunha de Capitão Marvel. Bom... qual dos dois? Os dois! Durante uma intriga sobre os direitos do Capitão Marvel entre a DC Comics e a Fawcett Comics (a primeira alegava ser o Capitão uma versão do Super-Homem), a Marvel conseguiu os direitos sobre o nome Capitão Marvel e publicou seu próprio personagem, obrigando a DC a lançar seu personagem, após adquiri-lo, sob o título de Shazam em suas capas (daí a famosa confusão de muitos acharem que Shazam é o nome do herói). E por conta disso também, a Marvel é obrigada a lançar a cada ano ou dois alguma publicação com o título Captain Marvel na capa para não perder seu direito sobre o nome (daí a quantidade de personagens diferentes na própria Marvel usando o mesmo pseudônimo). A única distinção entre a versão da DC e a da Marvel é que esta última trocou as características místicas/divinas por habilidades científicas/alienígenas.


Mads and Freaks

Personagem cômico, com nome que lembra algo louco ou esquisito, de pele azul, uniforme inteiriço monotônico, com uma exclamação no peito como emblema, e com uma espécie de raiozinho estilizado na testa ou cabelo, que ganhou reflexos extraordinários após um tipo de acidente. Segundo o criador de Madman, Mike Allred, ao criar Freakazoid, Bruce Timm o informou que Madman era uma das fontes inspiradoras de seu personagem. A controvérsia ocorreu quando Allred percebeu que, fora isso, nenhuma outra referência ou crédito foram feitos após a exibição do desenho animado, o que o chateou um pouco e o deixou um pouco desconfortável, apesar de reconhecer que seu próprio personagem, Madman, também é influenciado por muitas outras fontes. Mas a exclamação no peito ainda o perturba...


Harry Hunter ou Timothy Potter

Um garoto inglês mediano, franzino, de cabelos escuros e despenteados e óculos de armação plástica escura e redonda, órfão, que em seu aniversário de 12 anos descobre ter uma origem secreta que não conhecia e possuir um potencial (ou está destinado a) para ser o (ou um dos) mais poderoso(s) mago(s) quando crescer, ao ser abordado por indivíduos já experientes com magia, que ganha como presente destes uma coruja de estimação, e a partir daí tem acesso a um mundo cheio de criaturas fantásticas e misticismo. Óbvio que as semelhanças acabam por aí, mas como são muitas! Os rumos que Harry Potter toma em sua série de livros infanto-juvenis não se comparam com os que Tim Hunter toma em Livros da Magia, sob o selo adulto da Vertigo (apesar de que, em determinado momento da série, o autor Peter Gross brincou com as similitudes fazendo com que um irmão de criação de Tim, ao usar um artefato que o faz ficar parecido com Tim, tome um trem na plataforma 9 1/2 da estação King’s Cross, fazendo-o assim uma versão alternativa de Harry Potter). Digno de gentleman o comentário do Sr. Gaiman sobre o suposto plágio de sua obra, dizendo que ambos apenas beberam das mesmas fontes: "Não fui o primeiro autor a criar um jovem mago com potencial, nem Rowling foi a primeira a mandá-lo para a escola. Não são as ideias que importam e sim o que você faz com elas."



Sandmare

Ente místico ou abstrato, solitário, pálido, alto e magro, de cabelos negros desgrenhados que costuma trajar uma capa, reina na dimensão dos sonhos com capacidade de mandar pesadelos aos mortais, porém sendo dependente destes para existir, com poder ilimitado em seu reino, mas que às vezes se arrisca no mundo desperto. Será que só eu via semelhança entre os dois? Tudo bem que um é sombrio e do mal, e o outro... não, mais ou menos, sei lá. Pesadelo, vilão da Marvel, e Sandman, "herói" da DC. Curioso observar que as vestes de cada um refletem a época em que foram concebidos, sendo o uniforme do Pesadelo meio lisérgico, típico do pensamento dos anos 60, em contraste com o gótico cru e mais punk de Sandman, da década de 80. Mais engraçado que isso, porém, é o fato de a entidade maléfica usar roupa colorida verde e a entidade mais "boazinha" (se é que esses termos se aplicam) abusar do preto sóbrio...


Halloween Mask
Personagem mezzo sádico/mezzo cômico, sem inibições psicológicas ou sociais, insano, característico por sua face verde emoldurando um largo sorriso, vestido de terno, com poderes de mudança de forma limitada apenas por sua imaginação, reflexos aumentados, que frequentemente parece ignorar a gravidade, cuja origem está associada de alguma forma com o Deus Loki. Um é o famosíssimo Máskara (cuja origem relacionada a Loki só existe na versão cinematográfica), e o outro é o não tão conhecido Halloween Jack, da também não tão conhecida linha 2099 do Universo Marvel.




Nightspawn
Um negro que foi imbuído de poderes mas sabe que seu fim está próximo e que se vê obrigado a usá-los, usa uma máscara que cobre toda a face e uma longa capa vermelha quase viva, que lhe confere, assim como sua veste, uma variedade de capacidades, tais como planar no ar, curar feridas, aumentar seus reflexos. Olhem bem pro design do uniforme dos dois aí em cima. Nightwatch foi um personagem secundário (ou seria terciário ou quaternário?) que apareceu em algumas brevíssimas histórias do Homem-Aranha aqui no Brasil - pouco depois que Todd McFarlane deixou de desenhá-lo -, e que não fez muito sucesso. Ganhou seu uniforme tecnológico de uma versão futura de si mesmo que estava prestes a morrer. Spawn é a cria mais conhecida de Todd McFarlane - desenhista que alavancou durante um bom tempo a popularidade do Aranha enquanto o desenhava -, um dos carro-chefes da Image quando fora criada logo após a saída de McFarlane da Marvel. É um soldado do inferno que possui um traje simbiótico e que, quanto mais usa seus dons, mais se aproxima de ter sua alma destinada ao inferno.
Agora vejam o traje e a pose do Gatuno, inimigo do Aranha, desenhado por Todd McFarlane, pouco antes de criar o Spawn, enquanto ainda desenhava o Amigão da Vizinhança pela Marvel, ao lado... Sucessão de coincidências?



Os Patos

Um pato meio humanoide, falante, que usa roupas (mas não usa calças!), gravata, chapéu azul, bravo e de pavio curto. Donald é um dos mais conhecidos e queridos personagens de Walt Disney, e dispensa apresentações. Howard também é muito querido pelos fãs que o conhecem, um personagem que infelizmente foi severamente boicotado no Brasil. Apesar de já ter atuado ao lado do Homem-Aranha, do Dr. Estranho, do Homem-Coisa, da Mulher-Hulk, entre outros, e ter ganhado uma minissérie pelo selo adulto da Marvel, Marvel Max, nunca teve uma história sequer publicada no Brasil. Sua única aparição em uma edição nacional só ocorreu numa história isolada durante a Guerra Civil e em duas páginas da saga Invasão Secreta, juntamente com outras dezenas de personagens ao redor (e assim não poderiam tirá-lo da cena), sem nenhuma menção ou explicação qualquer. Suas histórias geralmente apresentam sátiras sociais, paródias com outras ficções, e é quase existencialista, além de bem humoradas. Como a Disney reivindicava muitas semelhanças entre os personagens, a Marvel decidiu então fazer com que o cínico pato Howard usasse calças, para diferenciá-los... Uma pena tal personagem nunca ter tido oportunidade aqui no Brasil.


Sentriumph
Herói loiro, poderosíssimo, capaz de derrotar o Super-Homem*, manipula o espectro eletromagnético, garantindo-lhe ampliada percepção sensorial, superforça, invulnerabilidade, voo, geração de rajadas de energia pelas mãos ou olhos, um dos maiores se não o maior herói de sua época, ajudou (em retcon) a fundar a maior equipe de super-heróis do planeta, esquecido por estes mesmos heróis e apagado da memória de todos como se nunca tivesse sido, e relegado ao esquecimento. Quando voltou a reencontrar seus antigos companheiros, estava mentalmente instável, ora tornando-se supervilão, ora se redimindo. Pois é, essa é a premissa do Sentinela, herói que causou um verdadeiro furor quando surgiu, devido a seu imenso poder e sua grande tragédia. Mas é também a mesma premissa de Triunfo, personagem pequeno que algumas - poucas - vezes atuou ao lado da Liga da Justiça. Sensação de déjà vu...
*Para quem gostaria de ver um combate entre Sentinela e o Super-Homem, ele já aconteceu sim! É só buscarem a Liga da Justiça de Grant Morrison, no arco Crise Interdimensional. Neste arco, com a participação especial do Capitão Marvel (Shazam) e de alguns gênios da 5ª dimensão, Triunfo enfrenta o Último Filho de Krypton.
Além de citar o caso, já mostrado lá em cima no início do post, do "super-herói" brasileiro Overman e de Space Ghost, ambos com identidades mais que secretas debaixo de uma máscara que nunca tiram, não poderia deixar de falar também dos Amigos da Justiça!
O patriótico Major Glory (pastiche tanto do Capitão América quanto do Super-Homem), the Infraggable Krunk (versão em negativo do Incrível Hulk), and Valhallen - palavra-valise ou portmanteau de Valhalla e Van Halen -, Deus Viking do Rock (alusão ao deus nórdico do trovão, Thor), formam um grupo desajustado de heróis do desenho animado apresentado pelo canal de TV a cabo Cartoon Network.


Os Ratos
Para finalizar, uma tirinha bem antiga de Fernando Gonsalez, com seu personagem-título, uma ratazana de esgoto, Níquel Náusea, encontrando seu parônimo(?) mais guti-guti, Mickey Mouse!
E aí, faltou alguma irreverência/referência que eu deixei de citar?


Filme sugerido: O Homem que Copiava (2003), de Jorge Furtado.
Comemoração ou tradição sugerida: festa de halloween.
Música sugerida: "Jump", de Van Halen.
Série de livros sugeridos: Harry Potter (a heptalogia).
Cubecraft sugerido: Overman (inédito, autoria própria).
HQ online sugerida: Tio Patinhas e Pato Donald em Dream of a Life Time (que talvez tenha inspirado o filme A Origem - Inception).
Posts sugeridos: Influências e Semelhanças do blog Alternative Prison.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

M S P 5 0 e +

Ano passado Mauricio de Sousa completou 50 anos de carreira. Para comemorar o feito, convidaram 50 artistas brasileiros para fazerem algo, em seu próprio estilo, com os personagens de Mauricio, e o resultado foi o ótimo encadernado MSP 50.
O elenco de peso chamado incluía quadrinhistas, cartunistas, caricaturistas e desenhistas já consagrados e belas surpresas emergentes para homenagear a festividade. Interessante notar que, desde aquela primeira tirinha do Franjinha e Bidu, em 18 de julho de 1959, o próprio traço de Mauricio se modificou bastante, e a maior graça neste encadernado foi ver justamente personagens tão conhecidos nossos em versões as mais diversas possíveis (vejam os diferentes Chico Bento abaixo).

Chico Bento, nos traços de
Vitor Cafaggi, Erica Awano, Lelis,
Benett (em cima) e Julia Bax (os dois de baixo).

Infelizmente alguns artistas não impuseram seu estilo pessoal e resolveram imitar o próprio desenho do grupo Mauricio de Sousa, não sei se por não entenderem a proposta ou se foi a escolha deles para homenagear o desenhista, como foi o caso de Spacca e Antônio Cedraz, em sua história sobre Cascão e a seca. Ou, quem sabe, uma crítica velada? Explico isso melhor no fim do post.
A abertura, com Laerte, já inaugura o uso da metalinguagem que vai permear grande parte da obra. Falando em recorrência, o Astronauta foi, de longe, o mais ubíquo, dentre o rol de personagens a serem utilizados, figurando em 7 das 50 historinhas.

Astronauta, por
Marcelo Campos/Renato Guedes, Jean Okada, e Fábio Moon/Gabriel .


Alguns artistas, obviamente, ficaram em suas áreas e preferiram fazer apenas uma caricatura ou uma charge, parabenizando os 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, o que torna ainda mais rico e diversificado o encadernado, como foi o caso de Dalcio Machado, Baptistão, Fernandes, Cau Gomez e Angeli. Quanto a esses dois últimos, uma consideração extremamente pessoal minha. A charge de Angeli mostra um personagem genérico dele (punk narigudo) com uma tatuagem do Bidu nas costas. E só. Pra mim, ou isso demonstra preguiça, falta de inspiração, ou mesmo falta de interesse de um dos mais conhecidos cartunistas do Brasil. Não sei, talvez seja só eu mesmo, cansado das egotrips mais-do-mesmo semanais de Angeli. Pois bem, comparem com a de Cau Gomez. É o conceito é quase o mesmo, mas a execução. Po, em apenas duas imagens, Cau Gomez consegue nos passar uma verdadeira história, apresentando um personagem com personalidade, ao mostrar um carinha grande sendo tatuado com o rosto da Mônica, e dando toda uma comicidade na sua narração. Excelente! Pessoalmente acho que Angeli deveria tomar o exemplo de seu colega... Valeu, Cau, muito boa!
Horácio,
o tiranossauro herbívoro existencial,
de Raphael Salimena.

Agora, algumas rápidas considerações sobre algumas das histórias destacadas e seus autores:

O Horácio de Raphael Salimena é visualmente muito massa, e a história não deixa por menos o tom que o dinossaurinho verde sempre teve. Daniel Brandão nos traz uma nostálgica visão sobre os 50 anos com toda a turma da Mônica já envelhecida. Lelis apresenta um estilo de pintura muito bem ilustrado. O traço meio "sujo" e underground de Orlandeli casou bem com a figura do Capitão Feio, numa história bem atual sobre seu sumiço e... retorno?
Capitão Feio e sujo pelo traço "feio e sujo" de Orlandeli.


Antonio Eder se permite uma auto-homenagem (como já havia feito anteriormente com o Gralha) bem divertida e com muitas referências a elementos astrológicos, matemáticos, abstratos, brincando bastante com a própria linguagem dos quadrinhos. Muito boa!

Antonio Eder subvertendo,

mais uma vez, a ordem de leitura dos quadrinhos.


Ivan Reis, desnecessário dizer, tão acostumado com capas e colantes, fez questão de mostrar super-heróis em seu conto, e é claro que eles não eram páreo para uma menininha dentuça e seu coelhinho... falando nisso, o grande desenhista da DC nos mostra uma Mônica e uma Magali lindas! (diferentemente do coitado do Cebolinha...)
Mônica e Magali,
belíssimas na arte de Ivan Reis, e um Cebolinha nem tão belo assim...


Yabu também puxa uma sardinha pra seu lado e apresenta um diferente conceito sobre a turma, interessante, sobre um futuro distópico e cheio de anagramas, hehehehe. Muito boas também as aparências de Franjinha e Marina mais realistas, por Otoniel Oliveira, falando justamente sobre desenhos.
Yabu inovando conceitos e brincando com anagramas
sobre a menina mais forte do mundo e o dono da lua.


Uma das melhores versões deste encadernado, na minha humilde opinião, foi a de Samuel Casal para a turma do Penadinho. Invertendo as cores de modo a que as sarjetas (espaço entre os quadrinhos) e a própria página ficassem em preto, conseguiu imprimir um tom mórbido ao pessoal do cemitério, muitíssimo bem estilizados, homenageando ainda el dia de los muertos mexicano. Riquíssimo. Excelente!

Todo o estilo de Samuel Casal para a turma do Penadinho.


Pra quem curte o estilo mangá, Erica Awano faz um belo trabalho, limpo, bonito. Fábio Lyra nos presenteia com um conto psicodélico, lisérgico, bem anos 70, com Rolo, Tina e o Louco. Falando no Louco, sempre adorei o personagem, e fiquei feliz em ver que muitos quadrinhistas representaram-no neste especial de aniversário, como Jean Galvão, ou Laudo, ou mesmo em participações especiais como o "curupira" da história de Julia Bax. Ainda sobre insanidades, há que se destacar o trabalho louco de Rafael Sica com o Cebolinha. Achei meio sinistro, e até meio pesado perto do tom das outras histórias, mas essa é apenas uma interpretação que tive. O conto é interessante também por isso, por abrir várias possibilidades, e não consigo deixar de imaginar uma cebola de verdade ao ver os olhos espiralados do Cebolinha...
Cebolinha mentalmente perturbado,
numa história - curiosamente, sem o Louco - de Rafael Sica.


O grande Fernando Gonsales, de quem sou fã confesso, famosíssimo por Níquel Náusea, sacaneou o próprio traço para mostrar como, mesmo não sabendo desenhar, tem sempre alguém, em algum lugar, desenhando a Turma da Mônica por aí. E quem é que nunca fez isso quando lia esses gibis na infância? Falando em infância, me chamou bastante atenção a turma do Cabeça Oca de Christine Queiroz, que não conhecia. Adorei a personagenzinha da Mariana: "A Maiana é a Monca!", muito bom! A história de Guazzelli também é sensacional. Sutil, inovadora, não apresenta nenhum personagem de Mauricio de Sousa, mas faz uma ótima homenagem envolvendo o planeta Marte... E finalmente, mas não menos importante, a belíssima história, no belíssimo traço de Vitor Cafaggi (do excelente Puny Parker), sobre um passarinho verde!

A singela e sensível homenagem de Vitor Cafaggi a Chico Bento.



A variedade de estilos é ponto alto, seja no traço anguloso e retilíneo de José Aguiar, seja no curvilíneo e redondo de João Marcos, seja no preto e branco de Mascaro, nos tons pastéis de Fido Nesti ou mesmo no colorido de Jô Oliveira.
O problema da obra, belíssima em seu conjunto, concepção e realização, é devido a toda a polêmica que envolve os Estúdios Mauricio de Sousa e a questão dos créditos de seus trabalhos. Apesar de possuir mais de 50 roteiristas e desenhistas em sua equipe, nenhum destes é creditado como autor ou artista nas revistas da Turma da Mônica. Deem uma olhada: em todas elas há apenas a assinatura de Mauricio de Sousa (apesar de, há anos, Mauricio ser criticado por ter abandanado o desenho para se tornar unicamente empresário). Questionado sobre isso, Mauricio se defende alegando que isso é para evitar acirramento de vaidades entre os da sua equipe, e também devido a problemas de copyright, pois, segundo o próprio, "um artista tendo seu nome na frente de um personagem pode, mais tarde, reclamar algum tipo de direitos sobre ele. Claro que perderá na justiça, mas é algo que não há necessidade no meu pessoal. Assim, nas minhas revistas isso não acontecerá." Engraçado que, há décadas, as grandes editoras norte-americanas trabalham indicando os devidos créditos a seus autores...
O traço torto de Fernando Gonsales
é explicado (?) em sua participação no especial de 50 anos.

Por isso minha dúvida lançada lá em cima: teriam alguns artistas aproveitado a deixa e feito uma leve cutucada na própria edição de homenagem a Mauricio de Sousa? Teria sido por isso que Fernando Gonsales, na voz de Bidu, teria escrito "Na verdade, sou um falso Bidu! Não fui desenhado nos Estúdios Mauricio de Sousa!"? Bom, talvez não.
E a ironia cabe aqui. O mais interessante do encadernado MSP 50 é justamente vermos ilustrações originais, versões novas, com traços diferenciados e pontos de vista tão singulares, com conceitos novos, de personagens tão conhecidos, pelas mãos de vários e competentes artistas nacionais, devidamente creditados.

Independente dessa polêmica toda, Mauricio de Sousa ainda é, de longe, o mais bem-sucedido quadrinhista brasileiro, e sua Turma da Mônica Jovem foi a maior jogada editorial de 2008, tornando-se indiscutivelmente o maior sucesso do mercado de quadrinhos brasileiro nos últimos anos, superando as vendagens inclusive da primeira tiragem da Turma da Mônica na década de 70.

Domingo, dia 15 de agosto - ontem! -, foi lançada durante a Bienal do Livro em São Paulo a coletânea MSP + 50, reunindo outros 50 nomes dos quadrinhos nacionais para darem suas versões e visões sobre os personagens de Mauricio de Sousa. Se repetir o nível da primeira, vai ser muito bom, e eu não duvido de que seja! Prévias aqui e aqui.





-Cube papercraft sugerido: Horácio (feito por mim mesmo, hehehe).

-Blog sugerido: Horacio Esperante (em português e em esperanto, feito por um colega brasiliense, para quem gosta de Horácio e quiser aprender um pouco mais sobre la universala lingvo).

-"HQ digital" sugerida 1: homenagem da Turma do Penadinho à morte do Michael Jackson (prévia oficial não finalizada disponível online).

-"HQ digital" sugerida 2: conto sobre encontro entre Franjinha, Astronauta, Piteco e outros (prévia não oficial não finalizada disponível online).

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SOM e FÚRIA II

Post rápido, por dois motivos.

Primeiro, para dizer que já chegou ao Brasil Guerra dos Reis, que mostrará o destino de Raio Negro e dos Inumanos partindo pra cima dos Krees e reivindicando o trono imperial da raça, entrando em choque com os Shiars liderados por Vulcano, conforme já havia anunciado em post anterior. Parece interessante (como o Doggma, do excelente Black Zombie, já havia dito).
Em segundo lugar, para compartilhar este inédito e exclusivo cube papercraft do rei dos Inumanos, feito por mim mesmo.

Cubecrafts seriam algo como versões estilizadas ou hiperdeformadas (criadas pelo designer Christopher Beaumont) de personagens famosos da cultura pop, como dos quadrinhos, que anda fazendo sucesso na net atualmente (vide Sedentário Hiperativo e Puny Parker). Fiz este aqui em homenagem a um personagem de que gosto bastante, Raio Negro. Até onde eu saiba, é o único cubecraft já feito dele, e disponibilizo de antemão pra quem quiser montar e ter esse bonequinho simpático na sua estante, hehehe. Não levam cola, são fáceis de se montar, e servem como um bom presentinho nerd, ou uma lembrancinha feita à mão para aqueles momentos em que você não sabe o que dar de presente para alguém.

Para download em melhor definição, cliquem aqui.

(se porventura o link não funcionar, informem nos comentários).

Ainda em relação ao artigo anterior sobre Raio Negro, já havia falado que a Panini iria relançar Terra X, agora em versão integral. Pois é, lançou, já li, e aguardem um post futuro sobre isso aqui no blog...