Mostrando postagens com marcador Grant Morrison. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grant Morrison. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Piada Mortal (de Morrison?)


Explicar piada é uma das piores coisas que existem, mas às vezes isso te revela coisas para as quais você não havia se atentado antes. Na primeira vez em que li a supracitada história de Alan Moore e Brian Bolland, ainda na infância, confesso que inicialmente não entendi a piada que Coringa conta para o Batman e a relação disso com a história.

Relembrando, Batman havia acabado de propor ao Palhaço do Crime para ambos trabalharem juntos, ao passo que Coringa contou a famosa piada sobre dois lunáticos que tentavam fugir do asilo pela cobertura, um deles conseguindo pular até o prédio ao lado enquanto o outro se acovardou. O primeiro, então, liga sua lanterna e propõe ao segundo que caminhe sobre o vão entre os prédios por cima do facho de luz de sua lanterna.
"Acha que eu sou louco? E se você apagar a luz enquanto eu estiver no meio do caminho?"

Meu irmão foi quem, anos depois, me contou que, na verdade, a piada fazia alusão aos próprios Batman e Coringa, sendo Batman o lunático com a lanterna ligada pedindo para Coringa atravessar para seu lado sobre o facho de luz (mais sobre isto no fim do post*).
Daí vem a famosa cena do Homem-Morcego não apenas sorrindo, como rindo, e depois ainda gargalhando ao lado do vilão.
Uma das maiores críticas que eu já vi sobre a história (que é um show de narração, narrativa, transições entre cenas e casamento entre texto e imagem) foram justamente sobre esse final. Como pode o Batman, usualmente soturno e sério como poucos, não apenas sorrir (?) como também rir (??) e ainda por cima gargalhar (???) ao lado da pessoa que acabou de ALEIJAR sua amiga e filha do Comissário Gordon (?!?!) e  ESPANCOU SEU PUPILO ATÉ A MORTE (?!?!?!?!?).
Eis que, nesta semana, no podcast de Kevin Smith sobre o Homem-Morcego, Fatman on Batman, Grant Morrison surge com sua interpretação do final desta história, o que levou a explosões de comentários em fóruns pela internet afora. Talvez pelo revisionismo 25 anos depois de a obra ter sido publicada, seja pela polêmica e impactante visão que sua interpretação dá para o final da obra em si mexendo com alguns dos cânones do universo DC, ou seja pelas impressionantes pistas de que os argumentos que levam a esta interpretação já estavam todos lá no original há um quarto de século, só ninguém não viu até hoje! Ou não quis ver...
Morrison explicou a piada para o incrédulo Kevin Smith e para nós. Uma piada de matar, está lá, desde o título: A Piada Mortal. Segundo Morrison, Batman quebra o pescoço de Coringa e o MATA no fim da história.
Vamos rever a cena:

Reparem que, ao gargalhar, Batman se aproxima e estica o braço em direção ao Coringa (no ombro ou no pescoço?). A silhueta de Batman mantém-se toda negra, no escuro, porém seus olhos e sorrisos sinistramente mantêm-se visíveis, o que juntamente com as orelhas de seu capuz quase parecendo chifres lhe dão um aspecto maligno, quase demoníaco. A "câmera", ou ponto de vista, desce do foco principal da cena e não nos permite mais ver o que acontece com os dois, tampouco com os braços de Batman ao redor do Palhaço. A onomatopeia do carro de polícia chegando começa a tomar conta dos painéis ao tempo em que deixamos de perceber as onomatopeias das gargalhadas, talvez substituindo-as, talvez porque essas cessaram. Percebam que nos três últimos quadrinhos o "EEEEE" pode muito bem ser entendido como um grito, talvez. Os pés dos personagens não se tornam mais visíveis, então não sabemos se Coringa ainda permanece de pé. A luz refletida na poça d'água marca a divisão em polos opostos dos dois antagonistas; porém, no último quadro, esta luz é apagada. Bom, uma das metáforas mais manjadas para o fim da vida é a de uma luz sendo apagada, e o som cessando...
Se formos ler a história atentamente, perceberemos que Alan Moore pode ter plantado esta ideia desde o início. O primeiro diálogo entre Batman e o "Coringa", ainda no Asilo Arkham, já demonstra:
"Sobre o que vai acontecer conosco. No fim. Nós vamos matar um ao outro, não?"

Os negritos em ACONTECER, FIM e MATAR não são meus, já estão nos originais. Bruce ainda conversa umas três vezes com o lunático psicopata, e em todas elas ele faz menção a essa possibilidade: "Não quero que nenhum de nós mate o outro no fim... mas estamos esgotando as alternativas", e também "entraremos numa rota suicida (...) que vai levar nós dois à morte".
Várias coisas me agradam nos autores britânicos de quadrinhos, como Neil Gaiman, Alan Moore e Grant Morrison, e uma delas é o tratamento de cada história como uma obra literária, como arte, e não mero entretenimento, usando e abusando de intercontextualidades, referências, jogos de palavra, metalinguagem, e o uso magistral do casamento argumento e arte. Se Alan Moore realmente queria dar margem a parecer que Batman matou o Coringa no fim da história, parece que ele deu vários indícios sim, e não só no pleno título da história apenas. Nada que o autor já não tenha em outras obras, tais como Watchmen, por exemplo. 
 Um dos aspectos mais importantes dos quadrinhos enquanto mídia, se não o mais importante, é a chamada sarjeta, ou o espaço entre um painel e outro. Diferentemente de filmes, que também são quadros de imagens sequenciais, nas histórias em quadrinhos esta sarjeta é preenchida pelos leitores; ou melhor, por cada leitor, em cada situação em que a lê, interpretando esta passagem de uma imagem à outra com sua visão própria. 
Um bom autor é aquele que consegue contar uma boa história e ainda assim aproveitar o recurso da sarjeta para que o leitor preencha os vazios, gerando sua própria interpretação sem cair no non sequitur. Acredito que Alan Moore, reinterpretado por Grant Morrison duas décadas depois, conseguiu isso.
Pode não ser única interpretação, mas, pra mim, faz realmente todo o sentido, pois prefiro acreditar nisso do que num Batman gargalhando e botando os braços no ombrinho do maníaco sádico e homicida que aleijou sua amiga e matou seu "filho" como era interpretado canonicamente até então.
Por que é tão difícil mexer nesse cânone? Por que tantas respostas exacerbadas contra essa visão? Afinal de contas, o Batman pode sentar ou não pode? Em tempo, o próprio Bolland, coautor da obra e que teve acesso ao roteiro antes de ser desenhado, já havia levantado essa possibilidade desde 2008.
killing-joke-bolland-suggestion
Porém, na internet, estão rolando outras interpretações possíveis para o porquê do som ter terminado e os faróis da polícia terem se apagado. Aparentemente, o que os policiais presenciaram após Batman ter posto a mãozinha sobre o ombro do Coringa foi isso aqui:


* Porém, o melhor da piada é que, no penúltimo quadrinho da história, não é que o farol da viatura refletido na água não forma exatamente um facho de luz? Um facho de luz que depois é... apagado? 
Hein, entenderam a piada, hã, hã?!?

domingo, 20 de maio de 2012

Leituras Recentes 2

   Pessoal, mais uma vez estou aqui para comentar algumas leituras recentes que fiz, ou melhor, as leituras depois do primeiro post Leituras Recentes. Espero poder fornecer boas descrições das obras, ao mesmo tempo tentando não matar a história nem fazer spoiler, de tal forma que eu possa contribuir para a escolha de vocês sobre os próximos quadrinhos que querem ler (ou aqueles que não querem ler de jeito nenhum).





O Chinês americano
   Tomei conhecimento e tive interesse em ler essa obra porque foi uma das comentadas na I Jornada de Romances Gráficos (na UnB), assim como The Arrival (comentada também neste post). Dificilmente uma história em quadrinhos me surpreendeu tanto. Não esperava muito dela, apenas uma história interessante. Quando li, reparei que é uma história em quadrinhos com muita profundidade, que equilibra muito bem simplicidade e qualidade. São três enredos que se desenrolam conjuntamente: o do rei macaco (o macaco que queria ser mais que um macaco), o de Jin Wang (o Chinês que se mudou para os EUA e queria ser como seus colegas) e o de Danny e seu primo Chin-Kee (que é a paródia do arquétipo de um chinês, feita em formato de sitcom). Os três enredos, cada um a sua maneira, fala sobre o mesmo tema: o desejo de pertencer, a vontade de se sentir parte da comunidade onde se está. O Chinês americano é uma obra muito interessante e bem-humorada.



Jogos de poder volume 1
   Comprei Jogos de poder faz tempo, e sempre acabava lendo outra coisa antes, deixando-o para depois. Não sei exatamente por quê... não sei exatamente por que comprei também. O importante é que finalmente li. Achei legal. Não é uma obra excepcional, dessas que ficam pra sempre gravadas em nossa mente com aquela impressão de que gostamos muito. Mas é legal, valeu a pena ter lido. Uma dessas histórias de espionagem, com conspirações, tramoias e aquele velho conflito entre o agente e seu chefe e algumas surpresas no caminho. É um leitura bem dinâmica, rapidamente se lê a história toda. O volume 2 já saiu, já comprei o meu e estou esperando a hora em que a revista vai me chamar para que eu a leia.



Invasão dos mortos
   Invasão dos mortos é um desses quadrinhos em preto e branco de suspense, terror. Porém, esqueça zumbis se multiplicando por toda a cidade. A invasão é um tanto invisível, com possibilidade até de ser apenas uma armação de pessoas decididamente vivas. É nesse clima de mistério que uma trama bizarra, com personagens um tanto peculiares - como o próprio protagonista -, se desenrola. Leitura rápida e de qualidade.

Coleção DC 75 anos
   Essa coleção é um conjunto de quatro encadernados com histórias da DC. Cada uma delas representa um dos quadro períodos das histórias em quadrinhos de super-heróis. Começa pela Era de Ouro, onde constam as primeiras história de grandes ícones da DC, como Super-homem, Batman, Lanterna Verde  e Mulher Maravilha. No encadernado da Era de Prata vemos as histórias mais lúdicas e aventurescas dos personagens, também período em que o Flash passou a fazer mais sucesso. Na Era de Bronze, temos um tom mais sério e reflexivo de histórias maduras, como aquela em que Ricardito - ajudante do Arqueiro Verde - se envolve com drogas. Finalmente, na Era Moderna vemos o tom mais adulto e sombrio que os quadrinhos ganharam, onde se apresentam histórias do Monstro do Pântano de Allan Moore, Sandman e trechos do Cavaleiro das Trevas, entre outras. Cada encadernado vem com algumas páginas de explicação sobre esses períodos dos quadrinhos e seus marcos. Eu diria que são obras essenciais para quem gostaria de conhecer um pouco sobre a História das histórias em quadrinhos e ler bons exemplos de histórias publicadas em cada período, para perceber a grande diferença de estilos que os caracterizam.


The umbrella academy: a suíte do apocalipse

   Umbrella academy: a suíte do apocalipse é algo... diferente. Difícil até de explicar... Digamos que a a estrutura narrativa dela seja mais emocional do que racional. Eu sei que estou sendo vago, mas como disse, é difícil explicar. Minha impressão é a de que a obra é mais centrada nos sentimentos dos personagens, em seus conflitos (internos e com os outros), do que em coisas explicadinhas. Tem um pé na poesia e o outro na ludicidade. Tudo isso dentro de uma trama com super-heróis e vilões exóticos. Confesso que, com os comentários que eu havia ouvido sobre o Umbrella Academy, minha expectativa foi um tanto alta, e não correspondida. Porém, posso dizer que foi uma leitura que valeu a pena, dada a sua peculiaridade. Já saiu sequência, ainda estou decidindo se vou comprar... 


Camelot 3000
   Li Camelot 3000 por ser uma história muito bem comentada. Ela já ganha crédito pela originalidade do enredo: em um futuro distante (ano 3000), uma grande ameaça alienígena paira sobre o planeta Terra. Nesse momento, cumpre-se a profecia de que o Rei Arthur voltaria à Inglaterra quando a terra mais precisasse dele. Ele então parte em busca das encarnações dos heróis da távola redonda. Diferente, né? Quanto ao desenvolvimento da trama, vale lembrar que a história é relativamente antiga. Alguns aspectos dela são ainda um tanto inocentes, mas de uma maneira geral é boa. Levando também em consideração o tempo em que foi lançada, entendo porque foi tão aclamada: trouxe a tona temas sobre os quais não se falava na época. Veja por exemplo o caso de Tristão, que encarnou em um corpo feminino, mas tem a alma masculina. Só recentemente outros direcionamentos sexuais passaram a ser abordados em histórias da Marvel e DC. Já em 82 o tema foi abordado nesta história, e com que simbolismo mais refinado! Acredito que seja uma obra interessante para os leitores de quadrinhos em geral, e indispensável para quem se interessa por ler história clássicas, que estavam a frente de sua época, e para quem gosta bastante da lenda dos cavaleiros da távola redonda. E, é claro, da belíssima arte de Brian Bolland.



Ao coração da tempestade
   Uma história bem legal sobre um dos mais ilustres quadrinistas do mundo. Ao coração da tempestade é uma autobiografia de Will Eisner. Enquanto viaja no trem rumo a Segunda Guerra Mundial, o autor relembra toda a sua vida, desde a infância (quando se mudou de bairro e logo passou a ser perseguido pelos garotos da rua por ser judeu, estigma que gerou vários outros problema ao longo dos anos). A história aborda a maneira como ele enxergava seu pai, as dificuldades financeiras pelas quais sua família passou, sua perseguição pela arte da pintura e desenho, até conseguir se tornar um quadrinista, quando foi convocado para a guerra. Indispensável para quem gosta do gênero biográfico em quadrinhos, tão em voga ultimamente.




Batman anual 3 - a origem sangrenta do Coringa
   Esse encadernado traz uma outra versão da origem do Coringa, diferente daquela a que estamos acostumados desde a Piada Mortal (Allan Moore), que também serviu de referência para o primeiro filme do Batman. Em A origem sangrenta do Coringa, vemos o vilão antes de se tornar o palhaço do crime. Vemos o quanto ele é naturalmente talentoso em roubos e com armas. E vemos a ascensão e constante popularização de um herói encapuzado dando sentido, aos poucos, à existência de um criminoso que não encontrava rival. Ao mesmo tempo, a história mostra (ou antecipa) o impacto que o vilão terá na vida do homem morcego. Para quem gosta de Batman, para quem gosta do Coringa, para quem gosta de origens... este encadernado é uma boa opção.


Batman - a queda do morcego (volume 1)


   Republicação do arco de histórias do Batman que aparentemente inspirou o terceiro filme da franquia, o volume 1 (e por enquanto, o único relançado) narra os planos de Bane para cansar, na verdade, estafar o homem-morcego, física e psiquicamente, deixando-o totalmente suscetível a uma derrota pelo vilão. A história é boa, demonstra - pra mim - a única forma de vencer o herói.




Batman (de Grant Morrison)
   Normalmente, só comento os encadernados, quando muito minisséries. História em quadrinhos mensal, não. Mas abro uma exceção, porque Grant Morrison realmente é um escritor diferenciado. Tenho que dar razão ao Rodrigo quando ele diz que é um dos melhores autores de quadrinhos. Seu trabalho com o Batman é bom em tantos aspectos que o espaço aqui fica pouco para comentá-lo. Acredito que a característica mais marcante para mim foi a tal da hipercontinuidade: Morrison não considera que existem histórias escritas do Batman que, na verdade, nunca aconteceram. Muito embora aquele Batman da Era de Prata já não tenha nada a ver com o Batman pós Frank Miller, Morrison abraça todo o seu passado, todas as suas histórias (inclusive de outras mídias, como os filmes do morcego atuais e antigos) para compor, de alguma forma, sua história agora. Ele traz diversos elementos do passado do vigilante, mesmo aqueles não compatíveis com a versão sombria de agora. E faz uma verdadeira ode ao personagem, tratando-o como um personagem extremamente icônico, praticamente sacro. Quem ainda tiver a oportunidade de comprar as revistas em lojas especializadas, em sebos de quadrinhos ou lojas virtuais que mantêm números antigos (ou mesmo pedir números atrasados na sua banca predileta), vale muito a pena (li e estou sugerindo aqui as edições de 58 a 89). Um conselho: leia as revistas acessando informações sobre elas em blogs que comentem as histórias número a número, porque muitas referências podem passar batidas mesmo para um fã de longa data.




Madman comics 1 - curso-relâmpago para quem quer se divertir
   As histórias de Madman comics 1 têm uma boa dose de ação e mistério, permeada por ironias e situações inusitadas. Por um lado, tenho a impressão de que as histórias tiram um bom sarro do modelo clássico de quadrinhos de super-heróis, por outro acho que podem ser consideradas também homenagens, mas honestamente fico na dúvida. Imagine um herói tendo uma epifania sobre suas motivações, seus medos, sobre a existência e o julgamento divino... enquanto luta contra um brutamontes sem pele chamado Homem-músculo. É por aí... Mas não espere rir. Na minha avaliação não é o tipo de humor que faz a gente rir, e sim aquele que faz a gente ver graça, ou ironia, sem dar risadas.




Lex Luthor - homem de aço
   Nesta história vemos Lex Luthor sem ser naquela visão maniqueísta de mente maligna, gênio do mal. Vemos em Lex Luthor - homem de aço o impacto psicológico que a existência e aparição de um ser como o Super-homem gerou em uma pessoa como ele. A desconfiança, o medo natural que se sente diante de um ser tão poderoso, e uma total falta de capacidade de aceitar que um alienígena seja eleito o herói dos humanos. Vemos na história, curta e sem muita ação, mais focada na psicologia, uma possível razão para que ele tenha se transformado no temível vilão.


Fracasso de Público 2 - desencontro de titãs
   O encadernado Fracasso de público 2 - desencontro de titãs trata de histórias mais realistas, com pessoas normais, naturalmente cheias de defeitos, dificuldades e extravagâncias. Está repleta de metalinguagem e de muitos enquadramentos interessantes e originais dos painéis dos quadrinhos. Desde as personagens (uma delas acredita piamente que outra é uma vilã totalmente polarizada, mas lembre-se: é uma história realista) até os enredos em si, sendo que um deles é justamente sobre um autor que criou um personagem em quadrinhos no qual foi inspirado um grande sucesso de uma grande editora, só que o criador nunca recebeu um centavo por isso. Ele continua lutando por seus direitos, mas também não é nenhum especialista em direito, tampouco conta com a bondade de um excelente advogado cego que o ajude voluntariamente. Os outros enredos envolvem problemas com os vizinhos, romance, ciúmes e coisas da vida normal, retratados com humor e uma boa dose de sensibilidade. 





Zoo 2 - Jogos de caçadores
   A aguardada continuação de Zoo, que já comentei em outro post como uma das melhores histórias quadrinhos nacionais que já li. Zoo 2 também conta com uma entrevista com autor aqui no blog, às vésperas de seu lançamento nacional. O que posso comentar dessa obra é que Nestablo Ramos se superou. Aprofundou-se ainda mais nesse mundo onde os animais são a raça dominante e os humanos, bichinhos de estimação, usados também em testes químicos, como   fonte de alimento e suas partes usadas em roupas. Uma história extremamente reflexiva, cuja continuação supera a primeira edição em elaboração, sutileza e complexidade, afinal o tema é aprofundado, enredos correm paralelos dentro da trama principal e existem dicas que se conectam com a primeira edição e vão desvendando os mistérios de toda a história, além dos novos e interessantes personagens. Agora só falta a terceira e última edição, que certamente terá reviravoltas e as muitas surpresas características das duas obras já publicadas.


A box of bunny suicides

   Poucas coisas são perturbadoramente tão engraçadas quanto Bunny Suicides. O princípio é muito simples: coelhinhos fofinhos suicidas, que se empenham em morrer (com toda a calma e serenidade do mundo) das formas mais inusitadas e mirabolantes possíveis. Eu sei, falando assim parece morbidez sádica... Mas os coelhinhos são muito criativos. Elaboram verdadeiros planos de morte, bem originais e criativos. Na maior parte das vezes basta uma página, de um único desenho, sem balões. E as mortes muitas vezes não chegam a aparecer, ficam apenas deduzíveis. É difícil explicar como isso pode se tornar engraçado, então dê uma "lida" na imagem abaixo e veja se pega o espírito da coisa.





Necronauta - o soldado assombrado e outras histórias
   Já que comentei acima Zoo, vou falar também de Necronauta, outra obra que foi produzida pela HQM. Este encadernado reúne histórias publicadas pelo autor, Danilo Beyruth, normalmente de forma independente. As histórias são de leitura bem rápida e quase todas são em preto e branco. O conceito do personagem é, na minha visão, seu ponto forte: Necronauta é uma espécie de salva-vidas de espíritos, que por algum motivo ainda não chegaram à luz. Cada história narra o que prendeu o espírito ao limbo (ou de que forma ele se perdeu ali) e qual abordagem o "herói" usa para salvá-los. Vale a pena ler para conhecer.


 Projeto Superpowers
   Uma história de Alex Ross e Jim Krueger, com um monte de personagens da década de 30, aqui revitalizados e remodelados. Um encadernado com arte muito bem feita e uma história envolvente, mostrando o que aconteceu no mundo depois que esses heróis venceram os vilões. Bem, nem todos... Os personagens da história são bastante marcantes e a trama muito bem desenvolvida, começando com o Combatente Ianque - um dos muitos heróis patrióticos do período - já velho, questionando seu passado. Um mistério abre a história, pois não sabemos exatamente que grande pecado ele cometeu, nem o que ele deve fazer para reverter esse quadro. Considero Projeto Superpowers uma das leituras  recentes mais agradáveis que fiz, dessas que dá um sensação de "que pena!" quando a história acaba. Ouvi dizer que a história tem continuação. Espero que tenham a sensatez e a boa vontade de continuar publicando no Brasil. Curiosidade: quem tiver o encadernado de Tom Strong - No Final dos Tempos pode tentar encontrar alguns personagens retratados tanto nesta quanto naquela obra.




Vigor Mortis Comix
   Taí um revista inusitada. Trata-se de uma espécie de terrir erótico, com histórias bastante originais. A primeira, por exemplo, fala sobre um zumbi em busca de um relacionamento com uma mulher, embora sempre fique no dilema entre manter essa ligação e comer seu cérebro. Em outra história, o protagonista, em fuga, atropela o cafetão de algumas prostitutas. Agradecidas, elas criam uma espécie de harém, que também serve como fortaleza: quando os mafiosos vêm atrás dele, elas pegam suas metralhadoras e defendem-no sem medo. Dá pra acreditar nessas histórias? Entre elas, também existe uma metalinguagem em tom tragicômico sobre pessoas que trabalham ou gostam de quadrinhos, além da criativa forma em que cada história se interliga sutilmente com outra. Para quem está procurando uma leitura bem diferente, Vigor Mortis Comix é uma ótima opção. 


Namor - as profundezas

  Esse encadernado ganhou minha admiração logo na primeira página (retratada ao lado). A imagem do submarino, imerso nessa grande escuridão, dá uma verdadeira impressão das profundezas do oceano, onde certamente a luz já não chega, e o silêncio é dominante. Como a história de Namor - as profundezas conta sobre um grupo de exploradores que se veem totalmente isolados do restante do mundo (e fragilizados mentalmente por conta disso), nada mais representativo do que essa imagem. Namor mesmo é personagem coadjuvante dela. O protagonista é um pesquisador, desses que desmistificam lendas, tentando provar que Namor é apenas um mito. A trama não é nada aventuresca, e sim tem uma pegada bem puxada para o suspense e até terror, onde nosso conhecido personagem é retratado como aquele que provoca o medo. A cena em que, rodeado pelo negrume do abismo profundo, o casco de aço frio do navio contrasta com um vislumbre do peito nu do Príncipe Submarino é excelente! Nunca gostei muito do Namor, nem de suas histórias, mas é o que sempre digo: bons escritores são capazes de fazer boas histórias com qualquer personagem. 


Transmetropolitan 2 - tesão pela vida
   No leituras recentes 1 comentei sobre o primeiro volume, falando das características gerais da obra. Então... no segundo volume elas se mantêm. Spider Jerusalém continua no grande centro urbano que ele adora (re-re-re, só pra ir na onda de sarcasmo do protagonista. Ele detesta cidade), em sua vida de jornalista bonzinho (re-re-re-re). O futuro não é exatamente um lugar legal, e Warren Ellis explora bem tudo de ruim que pode acontecer com a sociedade. Transmetropolitan 2 vem com mais 6 histórias (e a Panini está seguindo a cronologia de lançamento original, diferente de como foi feito anteriormente), sendo que a primeira metade traz três histórias meio que fechadas, ácidas mas em algum sentido também tocantes. A segunda metade envolve um moleque sem cabeça que diz ser filho do nosso delicado repórter (re-re-re-re-re-re-re-re) e um cachorro-policial em busca de vingança por ter perdido seu pau grande e precioso devido a uma encrenca com o Spider. E você pensando que o Warren Ellis não conseguiria degradar mais o futuro da raça humana...

The arrival
   Este é um encadernado particularmente muito interessante. The Arrival narra a história de um estrangeiro chegando em um país estranho. Aliás, talvez seja mais adequado dizer que a obra mostra essa chegada. Digo isso porque não há um balão de fala ou pensamento em todo o encadernado, o que o torna bem compatível com seu propósito: não importa que versão você compre dele (americana, francesa...), não importa a língua que você fala, você pode "ler" essa HQ. Tampouco importa de onde você seja: as imagens retratadas na história são completamente alienígenas, você capta a impressão de estranheza que o protagonista sente independente de seu país. Ao mesmo tempo, é tudo mais ou menos familiar. E ainda passa a impressão não de que se está chegando a outro planeta, mas de que é uma história de época, que ocorreu no passado. Isso porque o livro é todo desenhado como se fosse um álbum de fotografias antigo. Tantas qualidades assim em um quadrinhos que não tem uma fala me obrigam a dizer que é uma história em quadrinhos sem igual. Tanta adequação da forma e conteúdo ao tema aproxima o encadernado de uma poesia, me obrigando a qualificá-lo como uma verdadeira obra de arte. 


Logicomix
   Logicomix é um desses quadrinhos mais ou menos biográficos, mais ou menos didáticos. E interessante, no início da história um dos autores já começa falando com os leitores, dizendo que não é um manual de introdução à Lógica, é uma narrativa. Essa metalinguagem permanece durante toda história, que é entrecortada pelos encontros dos próprios autores e pessoas envolvidas na produção da obra (que está bem em suas mãos). O  eixo central é uma palestra de Russel (um dos grandes nomes da Matemática e da Lógica) sobre o uso da lógica nas relações humanas, às vésperas de estourar a Segunda Guerra Mundial. Ele discorre sobre sua vida, sobre a matemática, sobre Lógica, sobre pessoas, sobre loucura... Um prato cheio para quem gosta de refletir, principalmente sobre as certezas e incertezas da vida. E para quem gostaria de conhecer um pouquinho sobre a história da Lógica, ainda que (assim como eu) não entenda muito de matemática (imagino que para os que entendem, deve ser mais apreciada ainda). Muito bom!


Vikings - a viúva do inverno
   Esse encadernado é composto por uma história fechada (ou aparentemente) dentro da obra Northlanders, que aqui no Brasil ficou conhecida como Vikings, a partir do momento em que foi publicada pela revista Vertigo. A viúva do inverno é ambientada em uma pequena cidade que decide fechar suas portas para evitar o contágio da Peste Negra. Parece uma decisão óbvia, né? Acontece que fechar as portas no início do inverno significa que haverá racionamento dos mantimentos, pessoas insatisfeitas e atritos internos. Em meio a tudo isso, a protagonista, que acabou de perder o marido, tenta criar sua filha. Essa história não é um épico medieval. Embora guarde algumas das características desse gênero, o ponto central no enredo é a sobrevivência em meio a dificuldades extremas.


   À medida que for lendo mais quadrinhos, vou comentando aqui com vocês. Tenho aqui na minha prateleira, ainda esperando para ser lido: Daytripper,   dos irmãos Bá e Moon; Jimmy Corrigan - o menino mais esperto do mundo; Retalhos e Cicatrizes. Depois que ler eu comento.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Algumas leituras recentes

Fazia um tempo que não escrevia aqui, mas estou de volta. Vou aproveitar para comentar as histórias que li nesse período de ausência, partindo do princípio que sempre tem alguém que vê um encadernado nas lojas e gostaria de ter uma opinião. Bom, pelo menos eu sou assim. E como existem revistas novas e outra antigas nesse grupo de potenciais compras, vou simplesmente comentar tudo o que li nesses meses.

Oceano
Oceano é a primeira da lista porque foi a que mais gostei. Há que se considerar que eu já estava com vontade de comprá-la há um tempo, que eu gosto da estética do espaço sideral e que gosto de Warren Ellis. Mas nem por isso quer dizer que não teria senso crítico em relação a obra, além do que minha expectativa já estava alta, somando todos os fatores.
Para quem gosta de ficção futurista, principalmente as que se passam no espaço, essa é uma boa história, que no caso está no formato de quadrinhos. Poderia ser um livro, poderia ser um filme. Aliás, a linguagem que o autor usa nessa história é bastante cinematográfica. As imagens estão bem bonitas, souberam aproveitar a beleza do espaço sideral e dar a ele seu devido espaço (desculpe o trocadilho infame) nas páginas do encadernado. O tema é interessante: uma história de mistério entremeada por uma visão de futuro, da exploração espacial e da humanidade. Recomendo muito esse encadernado!

Transmetropolitan
Já que comecei com uma obra de Warren Ellis, vou dar sequência com outras. Transmetropolitan também se passa no futuro, mas esqueça as belas visões dos planetas e estrelas... Aqui o tema central é a Terra, mais precisamente uma imensa cidade, para a qual o protagonista é forçado a voltar após anos de isolamento. Os desenhos são sujos, representando a visão de futuro retratada, principalmente no que tange centros urbanos, diferenças econômicas e sociais, megaempresas, seitas religiosas (ou pseudorreligiosas)... Aparentemente Ellis dá vazão a todo o seu pessimismo em relação ao futuro da humanidade nessa história, e através da voz de Spider Jerusalem liberta todo o seu criticismo em relação aos asssuntos abordados. Boa história, aguardo a continuação...

RED
Também li RED, do mesmo autor. Trata-se de uma revista em 74 páginas sobre um ex-agente secreto, ex-mercenário ou ex-algo-do-tipo que tava quieto, curtindo uma folga, até mexerem com ele. Foi a história na qual se basearam para fazer o filme de mesmo nome (que, confesso, ainda não assisti). Bom, é uma história legal, mas é bem rápida. Em uma sentada você lê inteira. Não tem a mesma profundidade e riqueza que as obras do Ellis em geral têm, mas é divertida.

O Invencível Homem de Ferro: Extremis
Para fechar a sequência de obras do Warren Ellis, Extremis. OK, trata-se de uma história do Homem de Ferro, personagem que nunca me agradou muito nos quadrinhos, com exceção de uma certa saga da armadura viva. Acredito que escritor bom pega qualquer personagem e faz uma boa história. É o caso em Extremis. Não existe nada de muito diferente das histórias comuns do Homem de Ferro, no que tange a ambientação, mas tem a pegada do Ellis. Além disso, ele realmente transformou o Tony Stark em um verdadeiro homem-máquina. Não quero estragar a surpresa para quem ainda não leu...

Tocha Humana: Recriando uma Lenda

Saio das obras de Ellis, mas como falei no Homem de Ferro, começo a sequência Marvel, já com um grande autor, que é Alex Ross. Comentei em post anterior a qualidade de suas obras em uma das minhas favoritas, que é Os maiores super-heróis do mundo. Em Tocha, a arte não é dele, nem o roteiro, mas a história foi escrita por ele e Mike Carey. Não sei se por influência do pintor de quadrinhos ou não, a história ficou bem legal. Ele tira da sepultura (embora não tenha sido o primeiro) o Tocha Humana original (aquele da Segunda Guerra Mundial, que lutou ao lado do Capitão América e Namor) e remonta o quebra-cabeça de sua origem. Dá um novo ar ao personagem, que não retornou com sua compaixão, e um drama especial em relação a sua própria longevidade, além de colocá-lo dentro de uma história, no mínimo, peculiar. Vale a pena essa minissérie em duas edições, mesmo para aqueles que não acompanharam a história do Tocha original ou não se interessam muito pelo personagem, como eu.

Mitos Marvel
Falando em origens, o encadernado Mitos Marvel apresenta uma releitura dos mais famosos heróis da Marvel, como Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Trata-se de um releitura mais atualizada, moderna... legal, mas também não traz nada de novo ou muito original. Para quem não conhece muito bem o mundo dos super-heróis da Marvel e estiver interessado em uma leitura sobre suas origens, é uma boa compra.


Magneto: Testamento
Um outro caso é Magneto: Testamento. Sua origem é remontada com bastante precisão histórica. Todos sabem que Magneto foi um refugiado judeu dos campos de concentração nazista, mas nunca tinham parado para contar como ele realizou essa proeza, principalmente levando em conta que só foi desenvolver seus poderes muito tempo depois. Na minha opinião, a maior qualidade da obra pode ser considerada também seu maior defeito. Como disse, Magneto não desenvolveu seus poderes no período. Então, os leitores que estiverem esperando o vilão fantasiado, ou mesmo um momento de fúria em que seus poderes se manifestam temporiamente, vão se frustrar. Por outro lado, a história é bem verossímil e poderia ser muito bem a narração de sobrevivência de um judeu qualquer, sem poderes.

Wolverine: Inimigo de Estado
Boa história. Ambientada no cenário mais atual da Marvel, com a retomada do conceito Wolverine: máquina de matar. Um tanto exagerada, como não é raro nos roteiros de Mark Millar. Enredo bem amarrado, conta com a participação também de outros personagens do universo Marvel e consegue prender a atenção e interesse do leitor. Fazia tempo que eu não lia Wolverine. Desde que ele se tornou o personagem megapop da Marvel, tendo história própria, nos X-Men e também nos Vingadores, enjoei um pouco. Wolverine: Inimigo de Estado, porém, valeu a pena.

Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado
Achei a leitura um pouco cansativa. E também houve uma quebra de expectativa, pois esperava ler as primeiras histórias do Surfista: o planeta sendo tomado por Galactus, ele se transformando em seu arauto, o ataque do devorador de mundos à Terra, a revolta do Surfista e sua prisão ao nosso planeta. Só que a Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado narra exatamente a fase posterior a isso, ou seja, ele preso à Terra e tentando escapar dela. Aparentemente foi o período de maior sucesso do personagem. As reflexões dele sobre os terráqueos também foram legais. Contudo, achei seus constantes pensamentos melodramáticos um tanto chatos, e as histórias não fluem muito bem. Enfim, essa leitura eu não recomendo, a não ser aos fãs incondicionais do Surfista Prateado, ou àqueles que conhecem essa fase específica e gostariam de ler.

Liga da Justiça por Grant Morrison
Muito boas as histórias desse encadernado. Bem ao estilo Liga da Justiça mesmo - grandiosas, ameças cataclísmicas -, com o estilo do Grant Morrison, autor que eu particularmente gosto. É verdade que só li as histórias porque foram escritas por ele (eu e o Rodrigo, atualmente, compramos mais pelos nomes dos autores do que pelos personagens da capa). Histórias de aventura, também um tanto exageradas, em uma formação da Liga com alguns dos personagens mais marcantes da DC. Já li algumas edições posteriores, que vão além do encadernado, e vejo que vale a pena. Tomara que não interrompam a publicação dos encadernados no Brasil, que a Liga da Justiça de Grant Morrison não fique apenas no volume 1.


Pixu
Pixu está numa linha mais alternativa de quadrinhos. Publicado pela Devir Livraria, narra uma história de terror com arte em preto e branco. Ou melhor, preto, branco e tons de cinza. Quando digo arte em preto, branco e tons de cinza, quero dizer que ela foi feita assim mesmo, nada a ver com aquelas versões econômicas de material estrangeiro. O uso dessa arte é, aliás, um de seus pontos fortes: dar um ar mais sombrio à obra. O enredo é interessante, original (bom, pelo menos para mim, mas não sou grande conhecedor de histórias de terror). O tipo de terror que eu gosto, em que o foco é na tensão, no suspense, no mistério. E é a história que te deixa apreensivo, não a quantidade de sangue. Leitura rápida também. Uma boa parte dos quadrinhos não tem texto, e mesmo que você passe lentamente por eles, não deve demorar mais que duas sentadas para terminar a leitura. Mas vale a pena.


EntreQuadros #1
Essa eu encontrei, por acaso, em um banca muito específica daqui de Brasília. Publicação independente de Mário César, com o selo Quarto Mundo. Algumas histórias curtas e divertidas, um tanto inusitadas e com uma boa dose de humor. Leitura rápida, bem rápida. De preço acessível, bem acessível (R$5,00). Não deve ser fácil encontrá-la em qualquer lugar para compra, por isso indico o site do Mário, http://www.masquemario.net/, a quem estiver interessado.

Zoo
Outra obra que li mais ou menos no mesmo período que as demais foi Zoo, de Nestablo Ramos, um autor aqui de Brasília. Porém, como já escrevi um post só sobre ela, quem quiser saber minha opinião sobre a obra pode ler o post mais antigo. Aqui, basta dizer que a obra ganhou o troféu Bigorna e que aguardo ansiosamente a continuação (prevista para Outubro, na Festcomics). E, como já me perguntaram onde comprar, em Brasília só vi a obra sendo vendida na Livraria Cultura. Indico também o site http://projetozoo.blogspot.com/, que tem um banner para compra.

Eu sou Legião
História de conspiração, envolvendo nazismo e o sobrenatural. Trama intrigante, bem amarrada, que mistura eventos totalmente verossímeis com o sobrenatural de uma maneira muito bem arquitetada. Um monte de personagens e bastante informação. Eu sou Legião é o tipo do encadernado que tem que ler com atenção aos detalhes, e preferencialmente ler mais de uma vez, para que após o final, algumas outras peças se encaixem na releitura. Leitura densa, mais lenta. Só não gostei muito das quebras de página, mas isso é um detalhe muito técnico, que de forma nenhuma prejudica a qualidade da obra.


Um Sinal do Espaço
Muito bom. Apesar de antiga, a história é bem interessante, envolvente. Tem lá suas limitações ligadas ao tempo em que foi produzida, mas não deixa de ser atual. Praticamente um policial, com uma dose de conspiração. Vi algumas semelhanças com essa história e Contato (o filme. Ainda não li o livro, embora já o tenha. Me disseram que são bem diferentes...). O enredo flui e vai gerando uma curiosidade em relação ao próximo capítulo. Destaque especial para arte de Eisner, que trabalha sua técnica de não utilizar a divisão em "requadros rígidos" (o quadrinho convencional) de maneira inigualável. Em diversas páginas ele usa o que chama, no seu livro Quadrinhos e Arte Sequencial, de "página como metaquadrinho". Aí vemos coisas fantásticas, como o desenho de um túnel ou formato do interior de um avião sendo usados como delimitação do quadrinho, no lugar dos quadrinhos convencionais.
Pequenos Milagres
Will Eisner também, então já é de se esperar algo de qualidade. Em Pequenos Milagres, o autor narra quatro histórias que se passam em um bairro judeu. Como ele mesmo diz, na abertura do romance gráfico, "os contos neste livro se parecem com as histórias que meus pais chamavam de 'meinsas'. E, embora sem apócrifos, eles foram destilados das minhas lembranças, que eram um patrimônio comum da nossa família". Quatro histórias interessantes e, de alguma maneira, tocantes. Leitura rápida, e de boa qualidade.

The Spirit: As Novas Aventuras
The Spirit: as novas aventuras reúne histórias do personagem The Spirit, mas não as escritas por Eisner, seu criador. A proposta foi justamente pegar grandes nomes dos quadrinhos atuais para que eles pudessem escrever histórias com o personagem, em uma espécie de homenagem. Trata-se de uma compilação de histórias interessantes, com destaque especial para as primeiras, escritas por ninguém menos que Alan Moore. Não é preciso já conhecer The Spirit nem ter lido nada dele. Vale a pena!

The Boys: o Nome do Jogo
Uma visão completamente diferente dos super-heróis. Ou melhor, dos seres com superpoderes que se intitulam super-heróis, mas na verdade são pessoas muitas vezes vaidosas e prepotentes, quando não mimadas, que estão apenas interessadas no retorno de vendas dos seus produtos. E os "garotos" que dão o nome a obra, no caso, formam uma equipe com a incumbência de segurar esse pessoal. Para quem está afim de novidade, de um enfoque diferente sobre um planeta com superseres, The Boys é uma boa pedida.

Os escapistas
Taí uma revista que trabalha a metalinguagem já em sua proposta. Trata-se de uma história em quadrinhos sobre alguém que faz história em quadrinhos. A história real de sua luta incansável para produzir quadrinhos. Em determinados momentos, trechos do Escapista - personagem que ele resgatou do fundo do baú - em situações que representam o próprio autor, tentando se livrar das dificuldades e problemas que apareceram no caminho. Os escapistas retrata o verdadeiro sonho de muitos leitores de quadrinhos, que não é o impossível "ser um herói com superpoderes", e sim o de trabalhar com quadrinhos, ou criar seu próprio personagem e que ele faça sucesso. De quebra, ainda é uma miniautobiografia (acho que bati meu recorde de prefixos nessa) do autor. Recomendo para leitores que tenham esse sonho.

Então é isso! No momento estou lendo Do Inferno, não sei se vou escrever sobre essa obra, porque pretendo ainda fazer um post só sobre Alan Moore. Tenho aqui, além dele, o terceiro volume da Liga Extraordinária. Então, quem sabe em um post futuro eu comente essas duas obras, e outras que estão na minha prateleira, só esperando para serem lidas, tais como Jogos de Poder, The umbrella academy: A Suíte do Apocalipse, Camelot 3000, O Chinês Americano... Se alguém quiser que eu comente uma obra específica, diga o nome nos comentários que se eu já tiver lido ou um dia ler, comento em outro post.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

L'esprit d'escalier


Devido às atribulações do final do ano passado, este blog ficou um tempo parado e sem muitas atualizações. Por conta disso, alguns momentos específicos propícios a uma postagem foram perdidos e alguns posts interessantes perderam o sentido de serem feitos após passada a época certa, ou o timing perfeito.
Em francês, há uma expressão comumente utilizada para representar essa sensação de arrependimento de poder ter usado um comentário inteligente no momento apropriado mas só perceber isso quando este momento já passou. (Troque a palavra "comentário" pela palavra "postagem", atualizando o termo para a nossa contemporaneidade, e você saberá mais ou menos o que eu quis dizer). Para o português, podemos traduzir a expressão l'esprit d'escalier como "o espírito da escada".
Em homenagem a esta expressão, farei um post sobre... escadas!
Sim, escadas, e como estas podem e foram usadas de maneiras bem criativas nos quadrinhos, aproveitando o próprio formato desta mídia.

Vamos começar pela criativa disposição da montagem de uma página feita por Frank Quitely, primeiramente na obra We3, escrita por Grant Morrison. Falar do argumento de Morrison é chover no molhado, eu mesmo o considero um dos três grandes autores da atualidade (ao lado dos unânimes Alan Moore e Neil Gaiman), mas agora chamo a atenção para a excelente narrativa gráfica desenvolvida pelos desenhos de Quitely. A página inteira serve de molde para o "bunker" dentro da casa, e cada quadro equivale a um andar, digamos assim.
Pouco depois o mesmo Frank Quitely (também ao lado de Morrison), agraciou-nos com mais uma bela página abusando da mídia "história em quadrinhos" na forma de contar e mostrar uma história, na edição número 5 de Grandes Astros: Superman, em que o Homem de Aço visita Luthor na prisão. O próprio cenário se funde com a diagramação e disposição dos quadros, e vice-versa. Reparem no cabeludo ao centro, na parte inferior da imagem, encostado na sarjeta que divide os quadros como se fosse uma viga da prisão onde se encontra. Reparem também, quando Lex desce a escada, como as pernas de um guarda complementam o desenho de outro quadro. Outro mestre nesta arte de fundir o quadro com o cenário é J. H. Williams III (de Batwoman e Promethea, como a ilustração no início do post).
Pesquisando na internet, encontrei essas duas tiras de 1934, chamadas Gasoline Alley, de Frank King. Adorei como a ação da história faz o olhar do leitor percorrer a página de uma forma não usual, sem seguir necessariamente a ordem linear a que estamos acostumados nos quadrinhos ocidentais (esquerda para direita, e de cima para baixo).

Reparem como esta inovadora maneira de se seguir a ordem de leitura se parece com aquela apresentada por Antonio Eder, mais recentemente, com o personagem O Gralha, conforme visto abaixo.
Antonio Eder depois fez uma autorreferência (parece feio, mas agora "autorreferência" se escreve assim após o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, ok?) quando participou do encadernado MSP 50, conforme mostrei aqui no blog há algum tempo. Reparem como o caminho percorrido pelos personagens em perseguição é que guiam a ordem de leitura não linear de cada quadro.

Isto tudo me faz lembrar do Monte Olimpo - inspirado em Escher, talvez? - como imaginado por George Pérez e John Byrne, quando a Mulher-Maravilha o visitava (local onde o senso de direção e gravidade não lineares deixaram até mesmo o Super-Homem confuso). As escadas de Hogwarts não se comparam a isso...
São inovações assim que fazem dos quadrinhos uma mídia única, pois tais efeitos são impossíveis de serem reproduzidos em literatura ou no cinema, por exemplo.
As histórias em quadrinhos possuem um diferencial muito grande em relação a essas citadas mídias. Enquanto nos cinemas uma imagem é seguida de outra, nos quadrinhos eles se apresentam simultaneamente, e é esse caráter simultâneo e ao mesmo tempo sequencial que diferencia esta mídia específica. O leitor, assim, tem o controle sobre a ordem em que quer ver cada imagem, podendo subir, descer, correr com os olhos e voltar quando quiser para onde quiser. A literatura também permite a releitura, mas não tem o poder da imagem à sua disposição. Uma pena que poucos autores e desenhistas usem essa possibilidade narrativa que os quadrinhos apresentam às suas mãos. Os casos que apresentei aqui são poucos, usando apenas o apoio "cenográfico" de escadas na montagem dos painéis de uma página, mas a ousadia pode ser muito maior.
Fiquem aqui com um exemplo criado por Frank Miller para a revista Elektra.

No próximo post, vou apresentar mais quebras da linearidade usando e ousando os aspectos próprios da mídia (sem mostrar escada alguma!), e também um estudo de caso com uma pequena obra de Alan Moore...





Música sugerida: Stairway to Heaven, Led Zeppelin.
Obra de arte sugerida 1: Relativity, de M.C.Escher.
Obra de arte sugerida 2: House of Stairs, de M.C.Escher.
Links sugeridos: Greatest spiral stairs
Prateleira dos sonhos:




terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ideia de Um Milhão

Quem quer um milhão?
A DC quer. Era 1998, e alguém na editora teve a ideia de supor: “se a revista Action Comics, de 1938 (aquela em que aparece o Super-Homem pela primeira vez), seguisse sua continuidade mensal, quando será que ela chegaria ao número um milhão?” E eles chegaram ao ano 85.271. E resolveram fazer uma saga sobre isso. E esta saga de dez anos atrás já continha DICAS SOBRE O FINAL DE BLACKEST NIGHT. O quê? Isso mesmo. Voltemos a isso depois...
Grant Morrison, então levando o título da Liga da Justiça, foi o responsável por escrever a minissérie principal, que repercutiu por todas as publicações da DC. O que mais ressalta, primeiramente, nessa saga, foi o fato de que ela não se estendeu ao longo de vários e vários meses. Inovadoramente, ela foi feita toda em apenas um mês, abarcando cerca de 40 edições. Pois é, todas as edições da DC de novembro daquele ano estamparam a numeração 1.000.000 em suas capas, retomando sua sequência normal no mês seguinte.

O plot da história é fraquíssimo: no século 853 (!), a Legião da Justiça Alfa, formada por descendentes da atual Liga (!!), resolve convocar a Liga da Justiça de hoje para participar de uns joguinhos olímpicos meta-humanos no futuro (!!!) para homenagearem o primeiro Super-Homem, que está vivo (!!!!) naquela época e vai retornar de seu exílio no Sol (!!!!!). Apesar desse mote ridículo, a execução da ideia é bem rápida, dinâmica, e quero neste post resgatar alguns bons conceitos apresentados em DC Um Milhão. E falar como ela já predizia o futuro de Blackest Night.

Muito boa, por exemplo, a descrença inicial de Caçadora, Oráculo e de Zauriel, que perguntam qual seria a probabilidade de haver vida humana, que dirá descendentes deles, daqui a tanto tempo. E, é claro, a atitude de Batman frente a essa historinha mal contada de jogos e desafios no futuro: “O presente é que me preocupa” (vide a mesma atitude na obra Terra 2, também do Morrison):Mas o Batman Um Milhão decide que ele deve ir, mesmo à força, e derrota o atual usando uma técnica de luta física e psíquica, mandando sua essência ao futuro. Diana não nega sua ascendência grega e fica toda excitadinha com a perspectiva de olimpíadas de superseres... Outra ideia bem bacana é o simbolismo dos heróis da Legião da Justiça, cada um radicado num planeta do sistema solar, espelhando a visão morrisoniana do panteão da DC: Flash, o mais rápido, é o guardião de Mercúrio; Mulher-Maravilha é de Vênus; Netuno, é claro, fica com Aquaman; Batman monitora Plutão, o planeta-prisão do sistema (punidor como o Hades); Saturno (Cronos) fica com o Homem-Hora, que já havia aparecido anteriormente numa história da Liga de Morrison; Júpiter, com sua grandiosidade, é sede da LJA Um Milhão; Starman opera em Urano (o Céu); e mais tarde descobrimos que Marte ainda é vigiado por Ajax, claro.
A Legião da Justiça Alfa diz que ficará na nossa época para manter o mundo a salvo, e assim fica a deixa pra história se espalhar para outros títulos, a fim de os leitores conhecerem os poderes (apelativos) dos heróis do século 853. Super Um Milhão, por exemplo, além de dez novos supersentidos (adquiridos pela Dinastia Super quando o Super-Homem do séc. 67 casou-se com uma ser da 5ª Dimensão), da super-hipnose e da supertelecinese, capaz de soprar uma lua de órbita e de calcular bilhões de probabilidades simultaneamente, é descrito como “mais rápido que um táquion, mais poderoso que a gravidade de um buraco negro, capaz de transpor anos-luz com um salto”. Mas, sem o supersol de sua era para abastecer seus poderes, começa a perdê-los um a um no presente... (boa jogada dos argumentistas para trabalharem um carinha tão fuderoso).

É claro que a coisa toda ia dar merda. Assim que são mandados para o futuro, descobrimos que Solaris, o computador solar, na verdade havia mandado um vírus para infectar toda a humanidade no passado para enfim conseguir sua vingança contra a Dinastia Super-Homem e substituir o sol, mancomunado com o imortal Vandal Savage. Agora me digam: pra que diabos um supercomputador iria querer substituir o sol??? Uaréva...

Destaque especial deve ser dado, entre todas as edições, para a Starman 1.000.000, a melhor história individual da saga. O Starman do futuro conversa com Ted Knight, o Starman original, e conta como, durante uns três milênios, não houve nenhum Starman, e como alguns da linhagem até mesmo foram vilões. Ponto para James Robinson (escritor da ótima fase do Starman), e maior ainda quando diz que sua "cria", Jack Knight, NÃO é o maior Starman, e que na verdade foi até esquecido no futuro... coragem do autor, e humildade, visto que quem já leu concorda que acontece justamente o contrário com Jack Knight.

Os conceitos legais extraídos de DC Um Milhão: os ícones que dão superpoderes. Achei muito boa a ideia, bastante significativa, principalmente no universo DC, em que os próprios heróis são bastante emblemáticos e icônicos. É só ver o quanto os escudos de cada superser representam e são seguidos, com vários carregando o S estilizado, e outros com o morcego no peito. No ano 85.271, vestir um relâmpago amarelo com fundo vermelho lhe dá supervelocidade momentânea! A própria Legião dos Super-Heróis ("só" mil anos no futuro a partir daqui), já utilizava bastante esse conceito das imagens representando seus heróis e poderes. Todo o universo DC é focado nestes símbolos heroicos, como visto nessa imagem idealizada para Crise de Identidade:

Outro conceito legal: daqui a tanto tempo, a própria noção de espaço vai ser diferente. A humanidade descobriu como manipular espaços tesseracts, de quarta dimensão, para fazer megalópoles inteiras superpopulosas caberem em espaços exíguos conservando o meio ambiente.
E a própria noção de informação como riqueza na comunicação mais rápida que a luz. O planeta Mercúrio, colonizado no futuro, é uma infocracia, quem detém informação detém o poder, e a própria se desatualiza muito rapidamente, ainda mais num futuro em que sua troca é multiplicada por um milhão! Globalização nada, "Sistema-Solarização" é o futuro! E a Neuronet, sintonizada diretamente em seu cérebro, seria o canal de informações no séc. 853. Bem bacana.

Outra proposta muita boa é a que justifica a presença de Robin, o droide-prodígio parceiro do Batman Um Milhão. Ele guarda a essência de seu mestre de antes do massacre que matou sua família e milhares de inocentes. Robin seria então a inocência, a pureza de Batman, uma neurocópia otimista de sua infância preservada no droide para sempre lembrá-lo de equilibrar as trevas com a luz ainda não corrompida neste inferno que se tornou Plutão. Interessante essa visão de parceiros-mirins...

Curioso observar como Grant Morrison já plantou, há mais de dez anos, elementos que depois ele mesmo resgataria, agora que é um dos caras que mandam na DC. Por exemplo, o conceito da Dinastia Super-Homem, o sol tirânico Solaris e o próprio Super do séc. 853 reaparecem na sua obra Grandes Astros: Superman, assim como o Super-Homem primordial exilado dentro do Sol.

Até mesmo uma ideia não tão boa assim, como o "punching time", teve sua origem aqui. Se alguém se lembra (e não gostou) do Superboy Primordial alterando a realidade através de socos em Crise Infinita, saibam que o Super Um Milhão atravessou a barreira do tempo através de socos anos antes:


Num especial publicado um ano depois da saga, inédito no Brasil, chamado DC One Million 80-Page Giant, são apresentadas pequenas histórias ambientadas no ano 85.271, e assim descobrimos a origem do Eléktron Um Milhão (muito legal a história), sabemos um pouco mais sobre a Legion of Executive Familiars, liderada por Kryto-9, e uma boa história chamada Crisis One Million, em que a Legião da Justiça Alfa encontra sua contraparte do universo de Qward. Curioso observar o uniforme da híbrida Mulher-Coruja (ao lado, lembra quem?), e perceber como algo parecido com o gerador de azar gerando sorte no reversoverso de Qward seria novamente utilizado em Terra 2. Além do mais, percebam a presença de outras versões, como Batman de 1889, Batmirim, Super do Reino do Amanhã e de Red Son, entre outros, já antevendo a Crise Final e o Multiverso de Morrison (?), na história:

Falando em antever, a PREVISÃO PARA BLACKEST NIGHT: em Martian Manhunter 1.000.000, ficamos sabendo que Ajax ainda está vivo no séc. 853, e se tornou uno com o solo marciano. E aqui ele faz uma revelação a Kyle Rayner: "Foi você, afinal, quem me resgatou quando tudo estava enegrecido." E continua: "Há uma mensagem que quero que entregue ao meu eu de sua época"...Hmmmm, quando tudo estiver enegrecido... quer uma referência mais óbvia a Blackest Night? Já que sabemos que o marciano está do lado negro agora, nos States, resta esperar. Será que Kyle é quem vai salvá-los e trazê-los de volta? Vamos aguardar a resposta em alguns meses... mas não um milhão deles!

- Filme sugerido 1: Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008).

- Filme sugerido 2: Timecrimes (Los Cronocrímenes, 2007).