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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Musa Nerd



Natalie Portman. Nascida há exatos 30 anos, em Jerusalém, como Natalie Hershlag. Oscar de melhor atriz de 2011 e vencedora do Globo de Ouro do mesmo ano, pelo excelente trabalho em Cisne Negro. Musa.
Neste post vou mostrar algumas razões que me levam a elegê-la Musa Nerd absoluta. Não só pela beleza, advinda da miscigenação tão própria de um estado como Israel (e o que a aproxima da beleza métis do Brasil também), mas também pelo seu trabalho.
Ainda bem novinha, perto dos 12 anos, conquistou o público na pele da pequena e eternamente lembrada Mathilda, contracenando ao lado de Jean Reno no cult filme O Profissional (1994). Mathilda era uma menina com uma trágica história que, ao ver toda a sua família assassinada, tem a forte presença de espírito de seguir em frente e fingir não conhecer ninguém. Assim ela acaba indo parar na casa de León, um matador profissional que a adota, o que leva a menina a seguir seus passos e querer se tornar ela mesma uma assassina profissional.

Na luta entra a manutenção da infância e a súbita passagem à vida adulta, Natalie nos mantém com maestria a tensão de menina-mulher na personagem de Mathilda. Ali a menina já dizia para o que veio, mostrando a ótima atriz que era (e que continuaria a ser).
Logo mais Natalie seria conhecida como a Princesa Amidala, que se envolveria com Anakin e se tornaria futuramente mãe de Leia e Luke Skywalker. Neste momento a jovem atriz chamaria a atenção do mundo nerd ao se lançar como a "nova Princesa Leia" no imaginário masculino de uma nova geração de cultuadores do universo de Guerra nas Estrelas (Star Wars).

Ao invés de se deixar levar pela fama, a atriz decidiu se afastar um tempo das telas e frequentou a prestigiada Harvard, onde cursou e se formou em Psicologia em 2003. Durante esse período, toda a experiência vivida e o conhecimento adquirido só a ajudaram a montar e compor seus futuros personagens. Um trabalho publicado pela menina pode ser lido aqui, em que aparece como coautora com seu nome verdadeiro, Natalie Hershlag (o sobrenome Portman ela retirou de sua avó), investigando a relação entre a consciência visual de crianças e o lóbulo frontal de seus cérebros. Segundo a moça, em entrevista dada à Rolling Stones, "Freud e seus seguidores são uma fraude."

Natalie, vegetariana desde a infância, viaja pelo mundo em campanhas sociais contra preconceito e pobreza, para ajudar mulheres, e também dando palestras sobre terrorismo. Vi certa vez uma entrevista dela falando sobre máscaras e todas suas alegorias e implicações, e ela demonstrou domínio do que falava, tudo bem embasado. Bonita, inteligente e engajada!

Depois de mostrar ao mundo como já estava bem crescidinha em Closer (2004), Natalie arrebatou também um monte de marmanjo não necessariamente ligado em cultura pop com sua provocante personagem stripper, sem deixar de mostrar todo seu talento artístico numa outra belíssima e marcante atuação no filme baseado numa peça de Patrick Marber.
"Saint spidersense, Spidey (ou 'santa espiadela, Tobey')!"

O carisma da moça só veio a aumentar quando, retornando ao mundo nerd, faz o papel da inglesa - com direito a sotaque e tudo - Evey na adaptação de V de Vingança (2006). Demonstrando coragem e maturidade, Natalie encarou a famosa cena em que raspa todo o cabelo. Não são todas as mulheres que conseguem ficar bem de cabelo curto, e Natalie ainda conseguiu se manter bela como sempre mesmo quase careca.

Após figurar ao lado da também belíssima Scarlett Johansson (que viria a fazer uma aparição marcante como Viúva Negra em Homem de Ferro 2) em A Outra (2008), recentemente a atriz voltou a figurar na mídia mundial ao encarnar a bailarina frágil e delicada que se transfigura em seu nêmesis numa bela interpretação em Cisne Negro, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro como melhor atriz. Mais que merecido no papel que mostra as angústias e obstinações por trás do glamour do mundo do balé*.


Em maio último, a atriz apareceu como Jane Foster, a mortal que fisgou o coração do Deus do Trovão no filme do Thor. Para aumentar ainda mais sua ligação com o mundo geek, um fato pouco sabido por muitos é que a personagem Queda (Freefall) do Gen13, de acordo com seu cocriadorJ. Scott Campbell, teve sua aparência baseada em Natalie Portman. Na revista Gen13Zine (publicada pela Wildstorm) foi mostrado, inclusive, que as medidas da personagem são idênticas às medidas da atriz.
Natalie Portman se lançou neste ano ainda como garota-propaganda da Dior, num comercial veiculado aqui no Brasil durante os intervalos do Oscar. Vocês podem conferir o belíssimo vídeo apresentando a atriz em toda sua beleza e carisma nas sugestões abaixo.
A atriz comemora hoje seu aniversário de 30 anos - o mesmo dia do aniversário de minha mãe - , tendo nascido, coincidentemente, no mesmo ano em que eu mesmo nasci. Parabéns, Natalie. Parabéns, mãe!





Vídeo sugerido1: comercial da Dior estrelado por Natalie.
Vídeo sugerido 2: trailer com a cena não censurada de Natalie Portman.
* Livro sugerido: Dicionário de Nomes Próprios, de Amélie Nothomb.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre Mês das Mulheres, machismo, movies, Movimentos e... mórmons (?!?)

Um amigo meu me mandou este link para ler e comentar, que tratava sobre as mulheres nas adaptações de quadrinhos para o cinema. Continuando o Mês das Mulheres aqui no blog, transcrevo de forma sucinta e resumida o breve diálogo que travamos eu, Guilherme e Chiko sobre o assunto (perdoem a nossa informalidade, hehehe):

Chiko: Para mim, vocês dois são OS CARAS dos quadrinhos, é uma mídia que eu boio um pouco, sou muito mais seguro em cinema, mas.... vi um texto e pensei, vou mandar pros caras, e perguntar o que eles acham. Deem uma lida:


Abraços!
Guilherme: Eu exploraria mais o paradoxo da Mulher Maravilha. Pois ela foi considerada uma personagem que representa o feminismo por ser a primeira super-heroína a ter suas próprias histórias. Já a personagem... Não só foi a precursora do modelo de uniforme mulher-objeto (bastante criticado por algumas feministas), como atendia a todos os fetiches de seu criador. Botinha, laço e bandeira americana... E o pior: você sabe qual era a fraqueza dela no início da carreira? Ser amarrada por homens. Apesar de toda sua força, quando era segurada por um homem, perdia os poderes. Sentiu?

Rodrigo: Eu ia falar exatamente isso! Parafraseando eu mesmo, de um post antigo do Ficção HQ: "Ícone feminista, é até de se estranhar esta escolha, visto a quantidade de fetiches que caracterizam a própria personagem. Uma semideusa grega, com corpo perfeito, vestida com a bandeira americana (estrelinhas e tudo), laçadeira, que perdia sua força quando presa por um homem!"

Realmente, o que o cara falou da Carol Ferris foi legal, ela era dona da da empresa e CHEFE do Hal Jordan! Isso em plena década de 60! Massa, né? Mas acho que nunca exploraram legal esse fato... vamos ver como o farão no filme do Lanterna. Realmente a Lois é a mais próxima de mulher independente e forte e tudo o mais que eles falam. Nunca gostei muito da Lois, talvez por tabela já que eu nunca gostei do Super, mas olhando assim até que ela é meio porreta, e afinal de contas, ela é a Escolhida, the chosen one, certo? Se o Super é o Salvador na Terra, o epítome da perfeição a ser alcançada, ser escolhida por ele deve dar uma moral da p*#&a pra ela, não?
Mas percebam bem, até hoje não lançaram um filme de uma heroína nos cinemas (Elektra se não me engano foi direto pra locadora, né?). Nunca deram destaque também nos filmes em que elas aparecem, como por exemplo uma Tempestade liderando os X-Men ou uma Vespa liderando os Vingadores. Elas ainda são relegadas a segundo plano e a estereótipos.
Paralelo a isso, eu mesmo tô até me surpreendendo com a quantidade absurda e cada vez maior de predileção minha particular por mulheres fortes nos quadrinhos. Desde a minha escolha da Mary Jane como uma das personagens at all mais queridas, até minha paixão por Jessica Jones e Mina Murray da Liga Extraordinária (a HQ, jamais o filme!).
Chiko: Saindo um pouco do assunto, mas ainda ficando no tema "mulheres e como são vistas no mundo do entretenimento": vocês sabiam que Hugh Hefner era influente nos movimentos políticos e sociais que marcaram o mundo nos anos 50, 60 e 70 ou mesmo às causas feministas? Ele se aproveitava que seu programa de tevê era produzido de forma independente, levou artistas e intelectuais negros à televisão numa época em que estes tinham espaço limitado, além de ajudar a romper a barreira que impedia comediantes negros de alcançar o mainstream (para isto, sua decisão de escalar Dick Gregory num show comprado por empresários sulistas foi crucial). Atuou para mudar leis que regulavam o aborto e impediam a comercialização de contraceptivos em vários estados dos Estados Unidos.
Voltando, bacana saber dessas histórias...
Interessante seria ver personagens como Lara Croft, que é "independente" mas não deixa de representar o fetiche masculino, já que deve ter sido criada por homem.
Isso me leva à "Saga Crepúsculo", li o primeiro livro e parei de ler o 2º, vi os dois filmes... e acho increvelmente irônico, um livro escrito por uma mulher e dirigido por outra ser tão "antifeminista", já que a personagem Bella só quer saber de correr atras do macho-alfa dela, e sempre é a "donzela" em perigo. Mais interessante é você perceber que a autora, como uma MÓRMON, prega a "abstinência" usando de metáfora o abraço vampírico (nada contra os mórmons, apenas apontando um fato).

Rodrigo: Legal o lance do Hefner, não sabia (Stan Lee meio que fez um cameo em homenagem ao playboy no primeiro filme do Homem de Ferro, né?). Bom, se um dia tiverem colhões de lançar um filme ou seriado sobre Jessica Jones, por exemplo, os produtores com certeza se surpreenderão com a boa receptividade do público, não só feminino como masculino também! Super-herói não é só coisa de menino, e até os meninos gostam de ver uma saia com cérebro e atitude de vez em quando, certo?


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

TRONitruante

Há algumas semanas fui ao cinema assistir Tron: O Legado. Minha expectativa era pouca com relação ao filme, não lembrava quase nada do primeiro (também pudera, fora lançado em 1982, eu tinha um aninho de vida!), mas fui mesmo assim.
Não sei se devido a essa falta de expectativa, mas eu me amarrei no filme! Muito! Sério mesmo, sei lá, eu devia estar num dia bom, achando tudo legal, mas gostei bastante. É claro que o filme ainda tem lá seus clichês hollywoodianos, tem muitas falhas de roteiro, em algumas partes é meio previsível, não está nada preocupado com qualquer plausibilidade (po, o mínimo possível de plausibilidade para garantir a suspensão da descrença, né?), mas me cativou por um motivo simples: a ambientação.

Adorei o clima gerado no mundo dentro da Grade (ou Rede), não só os efeitos visuais, o contraste das roupas fluorescentes e negras, o "cenário" de desolação do mundo sem sol, mas também devido à ambientação e à atmosfera gerada pela música. Parabéns à sonografia e à soundtrack do filme. Só por isso o filme já vale, mas gostei também da interpretação de Jeff Bridges.

Eu comecei falando tudo isso porque - e quem anda frequentando as bancas nestas últimas semanas pode ter reparado - algumas revistas Marvel recentes têm apresentado capas variantes, ou capas B, mesclando o Universo Marvel ao Universo de Tron.

É um redesenho de alguns uniformes de personagens conhecidos da editora imaginados como seriam dentro do mundo virtual do filme, com as partes fluorescentes e tudo o mais. Vocês podem conferir nas edições Homem-Aranha 109, Homem-de-Ferro & Thor 09, Wolverine 74, e Novos Vingadores 83, estampadas ao longo deste post. Boa jogada da Panini ao fazer isto aqui no Brasil, estão de parabéns!

Nos Estados Unidos, as capas alternativas também apresentaram versões Tron de mais outros personagens. Não sei se a Panini exibirá todas as demais imagens em outras edições, então quem gostou ou tiver curiosidade, estão aí as outras (destaque para a Mulher-Aranha, sempre linda, e pro Motoqueiro Fantasma pilotando uma Lightcycle):


Esse filme do Tron me fez relembrar a década de 80 e a visão sci-fi da época. Não sei, mas pra mim a década de 80 foi meio bizarra, ao mesmo tempo em que era um período meio dark, meio depressivo, sombrio, também era um período que se firmava como promessa futurista, talvez devido aos avanços (na época) da informática e sua incipiente popularização, sei lá. Tenho essa impressão. Daí o visual futuro-gótico do filme.


Taí o teste trava-língua pro trovador não trocar:
e tome o trovejante Thor todo tonitruante em Tron!

Aliterações trava-línguas à parte, devemos nos lembrar também da profusão de filmes de ficção científica e futuristas durante essa fase. Sugiro alguns deles logo embaixo (se alguém se lembrar de algum outro que eu não contemplei, estejam à vontade nos comentários).
O Cavaleiro da Lua portando os discos de informação também ficou bem bacana. A própria roupa do Homem-Aranha na primeira imagem lá em cima ficou bem legal, poderia até ser um novo uniforme mais estiloso. Só não gostei muito da imagem da Miss Marvel, abaixo, quase não parece ter sido "tronificada".

As capas variantes foram lançadas nas seguintes edições originais norte-americanas (respectivamente): Amazing Spider-man #651 (com Homem-Aranha, arte de Mark Brooks), Captain America #612 (Capitão América, por Mark Brooks), Invincible Iron Man #33 (Homem de Ferro, por Brandon Petersen), Wolverine #4 (Wolverine, por Brandon Petersen), Avengers #7 (Mulher-Aranha, por Brandon Petersen), Incredible Hulks #618 (Motoqueiro Fantasma, por Mark Brooks), Avengers Academy #7 (Mercúrio, por Brandon Petersen), Thor #617 (Thor, por Brandon Petersen), Secret Avengers #7 (Cavaleiro da Lua, por Mark Brooks), New Avengers #7 (Miss Marvel, por Mark Brooks).
Só senti falta de um personagem nessa homenagem (ou seria propaganda?), mas não é um herói e sim um vilão:
UlTRON...




Filme sugerido 1: Tron: O Legado (TRON: Legacy, 2010), obviamente.

Filme sugerido 2: Tron (TRON, 1982).

Filme sugerido 3: O Passageiro do Futuro (The Lawnmower Man, 1992).

Filme sugerido 4: Pesadelos Diabólicos (Nightmares, 1983); são quatro contos, mas recomendo um deles, "O Bispo da Batalha", que me fez ficar um bom tempo sem jogar fliperama/arcade...

Filme sugerido 5: O Último Guerreiro das Estrelas (The Last Starfighter, 1984).

Desenho animado (anime) sugerido: Voltron (ゴライオン Goraion, 1984).

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Iron Easter Eggs

Antes que façam trocadilhos infames com o título do post, cabe esclarecer o que são easter eggs. Em inglês, significam literalmente ovos de páscoa, mas nesse caso específico, é o nome que se dá a surpresas ou qualquer coisa oculta, geralmente em tom de brincadeira, em aplicativos, softwares, programas, jogos, páginas, músicas, filmes, etc., intencionalmente para que os usuários ou consumidores procurem e achem. Tentarei aqui expor alguns easter eggs escondidos nos dois filmes do Homem de Ferro.
Bom, começo com um dos mais conhecidos. A imagem do escudo do Capitão América. Causou o maior rebuliço, vários sites postavam a imagem que, durante o filme, era quase impossível de se perceber. Mas estava lá, no cantinho, entre um monte de tranqueira, no laboratório de Tony Stark.

O que era pra ser apenas uma brincadeira inserida por um dos especialistas em efeitos especiais, numa apresentação de trailer só pra equipe do filme, acabou agradando Jon Favreau e Kevin Feige, que decidiram manter a cena desse jeito. Contrariamente ao que esperavam, muita gente percebeu, o que causou o maior frisson em fóruns pela internet. O diretor decidiu, então, dar mais força pra brincadeira e inseriu uma cena inteira no segundo filme apenas para mostrar que o escudo, bom, não era bem um escudo, apenas uma tranqueira mesmo, e sua única utilidade deu o tom da comicidade na tela (muitos no cinema não entenderam a piada, obviamente).
Outra aparição digna de nota é a do Mandarim. Pois é, ele apareceu no primeiro filme! De modo bem sutil, mas apareceu. Não apenas na forma da organização Dez Anéis, a qual pertence o vilão que o sequestrou nas montanhas logo no início da história (vide a imagem que abre este post acima, e repare no painel ao fundo). Ao que parece, na novelização que fizeram do filme, Raza (é o nome do vilão) fala “…the man whose ring I wear.” Reparem bem na mão de Raza: um anel.

Nada de mais, certo? Certo, não fosse o fato de que, após trair Raza, com quem estava mancomunado, a primeira coisa que Obadiah Stane faz é retirar o anel do mesmo e tomá-lo para si, passando a usá-lo em sua mão até o fim do filme.
Ora, Mandarim é o arqui-inimigo do Ferroso, conhecido principalmente por manipular dez anéis energéticos altamente poderosos, tanto individualmente quanto em conjunto. Teria esse anel de Raza sido dado a ele pelo Mandarim em pessoa? Por isso Stane o tomou para si, sabendo de seu poder? Talvez na história adaptada para as telas os anéis não contenham poder físico em si, mas sim poder de influência, de status, de posição. Usar um dos dez anéis é garantia de posição de liderança na organização Dez Anéis? Bom, passemos ao segundo filme e, olhem só, outro inimigo de Stark, no caso Justin Hammer (em excelente atuação de Sam Rockwell), traz consigo, em todas as cenas, um pequeno detalhe em sua mão direita (no dedo mínimo, mais especificamente):
Podemos tirar duas conclusões disso: a primeira é que, possivelmente, a produção dos filmes do Homem de Ferro vem plantando pistas e dicas sobre o surgimento e ascensão do grande inimigo do Latinha, preparando o terreno sutilmente em dois filmes para depois mostrar o grande vilão por trás de toda a trama, aquele que poderia estar manipulando as cordas de todos os antagonistas de Tony Stark como um mestre titereiro, por detrás das cortinas. E a segunda conclusão é que, com esse ritmo de um anel por filme, vai ser preciso mais sete ou oito filmes para finalmente chegarmos ao chefão final, o big boss a ser derrotado na última fase...
Porém, o diretor realmente está muito a fim de colocar o Mandarim num dos filmes do Homem de Ferro, e parece que o fará exatamente no terceiro da série: "I look at Mandarin more like how in 'Star Wars' you had the Emperor, but Darth Vader is the guy you want to see fight". Jon Favreau falou também sobre a dificuldade de se inserir um vilão tão ligado à magia como o Mandarim num universo tão tecnológico como o do Homem de Ferro, porém, com o filme de Thor* vindo aí, e posteriormente o filme dos Vingadores** unindo a versão mítica do deus nórdico com a tecnologia do nosso playboy...
Há muitas formas de se fazer isso, e eu quero muito ver como farão, torcendo por um bom roteiro e uma boa trama. Apenas mais uma imagem para deixá-los com uma pulga atrás da orelha, retirada do primeiro filme (reparem bem na mão de Rhodes, deixada intencionalmente à mostra nesta tomada):
*Falando no Deus do Trovão... um dos easter eggs mais legais em Iron Man 2 foi apresentado na cena em que Tony visita Ivan Vanko (Mickey Rourke, perfeito também em sua caracterização) na prisão. A câmera vem acompanhado Stark pelos corredores até que Stark segue e esta para de repente, mostrando uma cena ocorrendo ao fundo. Numa das celas, um sujeito loiro, alto, é fotografado (veja aqui, aos 1min18s do vídeo). A tomada é muuuuito rápida, mal dá pra se ver o sujeito na cela sendo fotografado.


A pergunta é: pra que deixar a câmera parada, enquanto Stark prossegue, e registrar essa cena? A resposta talvez esteja na última do filme. É, a famosa cena pós-creditos. Revejam-na. Eu pergunto: qual é o último som da filmagem, que encerra em definitivo o filme? Pois é, um trovão. E qual foi o elemento mais conspícuo na cena brevíssima da prisão? Um flash (em inglês, um "relâmpago"). Captaram a associação? Isso tudo em conjunto me faz crer que o sujeito preso não é o Sawyer, de Lost... **Falando nos Vingadores... Eu achava que, na cena em que Tony conversa com Nick Fury sobre a Iniciativa Vingadores, estaria estampada dentro do arquivo a foto do Thor. Mas não mostraram nada de seu conteúdo. Mas mostraram (?)*** muito mais coisas fora da pasta. Retirei essas imagens do blog Cave Beneath the Mansion, em que aparecem mais bem explicadas, e acrescentei algumas outras. No quadro ao fundo podem ser vistos lugares específicos do globo circulados. A S.H.I.E.D. estaria observando ou catalogando "avistamentos" nesses locais para sua iniciativa, agora que Tony sabe a resposta da pergunta que Fury lhe fez no primeiro filme: "Você acha que é o único super-herói no mundo?". As suposições seriam (veja no quadro): Interior dos EUA: localização do martelo de Thor (marcado no primeiro quadro talvez a cratera onde o encontraram). Costa Oeste: o próprio Homem de Ferro. Costa Leste: Hulk (e a repórter no quadro seguinte estaria falando da destruição perpetrada pelo Hulk no campus da universidade). No Círculo Polar Ártico (Groenlândia ou Islândia): o corpo congelado do Capitão América. Meio do Oceano Atlântico (Atlântida?): Namor. No último quadro é mostrado interior da África (Wakanda?), com possível Pantera Negra, e centro da Europa (Alemanha?), em que muitos supõem se tratar do Caveira Vermelha.
Há ainda os pertences do pai de Tony, Howard Stark, e as tralhas em seu baú. Há quem veja, na foto acima, um mapa da Antártida. E o que diabos há de tão interessante assim no continente gelado? Hmmm, Terra Selvagem, alguém disse? Será? Apesar de mais ligada à cosmologia mutante, a "região perdida no tempo" apareceu recorrentemente no run de Brian Michael Bendis à frente dos Vingadores, relacionada inclusive à própria S.H.I.E.L.D. e algo de podre dentro da instituição, e poderia render boas histórias.
Uma última aparição especial: no primeiro filme, enquanto Tony pilota a armadura Mark 2 e decide ver quão alto ele pode chegar, é possível ver que o atual recorde de altitude é do Lockheed SR-71 "Blackbird", que, por coincidência (ou não) é o mesmo modelo do jato pilotado pelos X-Men, o X-Jet.

*** Uma ressalva a ser feita aqui, por isso a dúvida se realmente são easter eggs ou não. Há um fenômeno perceptivo conhecido como pareidolia, caracterizado por se achar significados e significantes em estímulos aleatórios ou vagos (como achar imagens de figuras religiosas em vidros), também conhecido como o vulgar "achar pelo em ovo". Há que se ter cuidado, porque quem procura acha o que está procurando, mesmo que aquilo não esteja lá, e pode bem ser o caso dessas imagens nos filmes, de simplesmente significar NADA.

Mas, se significar algo mesmo... bem, talvez estejamos caminhando para um futuro com um possível seriado da Marvel na televisão? Julguem vocês e me digam sobre a possível imagem do corpo congelado do Capitão encontrado numa cena deletada do filme Incrível Hulk (que pode ser vista inteira aqui, no blog Alternative Prison). Montagem, fake? Easter egg? Pareidolia?





Seriado sugerido: Fringe.
Trilogia de filmes sugeridos: Matrix.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dos quadrinhos para as telonas


Aproveitando o recente lançamento do filme Homem de Ferro 2 nos cinemas, e também que diversos filmes de super-heróis foram lançados ultimamente (mais do que em qualquer outra época), coloco aqui minhas listinhas de 5 piores e 5 melhores adaptações dos quadrinhos para as telonas. Ah... O Homem de Ferro não está em nenhuma das duas, o que é ruim por um lado, e bom por outro.

Os 5 piores

Só um esclarecimento: estou levando em conta apenas os filmes mais recentes. Não dá pra comparar os filmes de hoje com os do Homem-aranha com óculos de natação, de um passado remoto.

5º lugar: X-men Origens – Wolverine. O filme até que ficou legal, mas... Puxa, é o Wolverine! A história dele, que ficou em segredo nos quadrinhos por anos e anos! Mas, em vez de fazer algo do caralho, optaram por fazer um filme “para todas as idades”. E aquele final... Ah, aquele final desgraçado! (Se você ainda não assistiu, pule para o próximo, porque eu vou contar. Pule agora!). Balas de adamantium perfurando uma caixa craniana de adamantium? Essa foi a melhor explicação que o roteirista achou para a amnésia? Com todo o histórico (já prontinho, era só ler) formado nas HQs? Na cena em que ele vê a mulher de seu passado nos laboratórios, pensei: Massa! Eram tudo implantes de memória. Afinal, esse é o Wolverine. Porém, eles optaram por “O cérebro pode regenerar, mas suas memórias não retornarão”. Por favor! E a cena depois dos créditos? Fiquei esperando um tempão só para ouvir uma piadinha sem graça.

4º lugar: O Homem-Aranha 3. O filme tem umas falhas bem chatas e apela para o melodrama, além de não retratar o Venom como seria digno dele. Contudo, também tem pontos positivos, por isso está no quarto. Não vou falar mais sobre esse filme porque já escrevi um tópico inteiro sobre ele. Se quiser, dá uma olhada, aqui no blog mesmo, em Não vou falar sobre Watchmen e leia o que penso sobre o Homem-aranha 3.

3º lugar: Motoqueiro Fantasma. Eu não gosto muito histórias do personagem em si, mas o filme, para mim, foi um verdadeiro fiasco. Ouvi dizer que o Nicholas Cage gosta tanto do Motoqueiro que quis fazer seu filme... Poxa, se ele gosta mesmo do personagem, deveria não ter feito, para preservá-lo. Os efeitos visuais ficaram legais, beleza, mas a historinha... Isso sem falar que, quando você acha que ele vai fazer alguma coisa realmente foda, ele (suspense...) aponta o dedo. Seus inimigos devem ter se cagado de medo, e então, quando tudo que ele faz é apontar, “Ufa! Que alívio. Me borrei todo à toa”.

2º lugar: Justiceiro – em Zona de Guerra. O filme é tosco. Apela para violência, fazendo do anti-herói um verdadeiro sanguinário quase desmiolado. Além do que as formas bizarras com que ele mata os inimigos são simplesmente hilárias, de tão absurdas. Bom... há quem goste desse estilo. Definitivamente não é o meu. O que ele tem de bom, para mim, são as referências que o vilão da história – o Retalho – faz ao Coringa de Jack Nicholson. Para saber em mais detalhes o que penso sobre esse filme, leia aqui no blog o post Justiceiro – em Zona de Guerra.

1º lugar: The Spirit. Não me lembro de alguma outra vez eu considerar tão seriamente a possibilidade de sair no meio da sessão do filme quanto nesse caso. Afinal, meu dinheiro eu já tinha perdido mesmo, não precisava perder meu tempo também. Efetivamente só não saí porque estava com amigos... e a sugestão do filme foi minha. Me desculpem! Eu não tinha como saber... O filme é muito psicodélico, uma maluquice sem sentido. Tem plástica de arte, mas é só visual mesmo. Desculpem-me se alguém gostou, mas, em resumo, eu achei uma verdadeira porcaria! A pior adaptação dos quadrinhos e um dos piores filmes que eu já assistir. E pensar que The Spirit tem histórias tão boas nos quadrinhos... Will Eisner deve se remexer no túmulo toda vez que mais alguém assiste ao filme.


Os 5 melhores

5º lugar: 300. Não gostei tanto assim de Os 300 de Esparta, os quadrinhos... nem gostei muito do filme também. Porém, nas telonas eles contaram a história presente nos quadrinhos e chegaram a acrescentar personagens e aumentar a história de uma maneira criativa. Dou o quinto lugar a 300 por ter sido uma das poucas adaptações que, na minha opinião, ficou melhor do que o original.



4º lugar: Sin City. Foi uma das adaptações mais fiéis dos quadrinhos para as telonas. A linguagem visual foi respeitada, apesar das dificuldades de se adaptar o estilo preto-e-branco impresso por Frank Miller, além de ter feito um bom compêndio das histórias presentes nos encadernados.

3º lugar: Homem-Aranha. Assim que saí do cinema, fiquei com a sensação de “podia ser melhor”. Porém, com o tempo percebi que o filme é muito bom em sua própria simplicidade. Foi um retrato bem fiel e digno da origem do aracnídeo, assim como retratou bem o confronto do herói com aquele que foi um de seus maiores inimigos – o Duende Verde original. Me refiro à época em que ele era tão bom que conseguiu se manter morto. Após renascer das cinzas deixou de ser, na minha opinião, um grande ícone do passado para se tornar mais um vilão que retornou (em busca de vingança, como os demais). Quando passou a liderar os Thunderbolts e ao fim da guerra civil ele se afastou ainda mais do velho Norman Osborn para se transformar em um personagem totalmente diferente. O filme capta a essência do vilão tradicional...


2º lugar: Batman – O Cavaleiro das Trevas. Não foi bem uma adaptação, já que a história dos quadrinhos de mesmo nome não teve relação com o filme. Porém, considerando que o título é apenas uma menção ao clássico, e não uma tentativa de adaptação, foi um dos meus filmes inspirados em quadrinhos prediletos. O vilão Coringa é um dos pontos mais fortes, chamando a atenção por ter várias de suas facetas representadas no filme. Além disso, o tema foi interessante, a história foi muito adulta e existem diversos subenredos dentro da trama principal. ringa, que m vlorada, que chama muito a atençaleiro das Trevas adaptaç se adaptar o estilo preto-e-branco impresso por Frank Miller.

1º lugar: V de Vingança. É claro que eu estou sendo bastante parcial: histórias de manipulação da informação ao estilo 1984 são minhas prediletas. Além disso, a adaptação foi bem feita, preservando grande parte da história e ainda fazendo alguns acréscimos e mudanças interessantes, como a knife time (a cena da faca no final do filme) e o final, que ficou diferente e interessante. Legal observar que dentro da multidão de Vs também estavam presentes os atores que representaram os personagens mortos durante a história. Pessoas morrem, ideias permanecem...


sábado, 5 de dezembro de 2009

Justiceiro - em zona de guerra





Recentemente assisti ao novo filme do Justiceiro... Não ficou sabendo? Talvez porque não tenha ido para os cinemas, mas direto para o DVD. E mesmo o DVD não teve lá muita divulgação... Enfim, eu assisti. E entendi porque não tinha ficado sabendo da existência do filme antes: em geral não fazem publicidade de filmes tipo B.


Violência gratuita e surreal

O filme abusa de cenas de pancadaria desnecessária e violência impossível. É tosco! O Justiceiro arranca cabeça de um com uma facada, enfia a lâmina na parte de cima do crânio de outro e mata mais um, na mesma cena, enfiando o pé de uma cadeira na cabeça dele com um chute. Sentiu?

O filme todo é um clichê de anti-herói, desses que a gente assiste anos depois e morre de rir. Chamo a esse tipo de filme de paródia não-intencional: o cara trabalha todos os elementos de clichê e exagero que poderiam classificar o filme como uma paródia, só que ele não teve a intenção de fazer uma paródia, mas a de fazer um trabalho sério. Não faz mal, a gente ri da tosquice do filme assim mesmo, principalmente quando a roupa dos atores e toda a forçação na história já não forem considerados comuns daqui a alguns anos. Tem uma cena realmente hilária: uns capangas estão brincando de le Parkour no alto dos prédios (até agora não entendi qual é o propósito disso dentro da narrativa) e um deles, quando pula dando uma cambalhota no ar, leva um míssil em pleno ar! É sério. Até os outros capangas que estavam com ele arregalam os olhos, sem acreditar que o Justiceiro realmente foi tão tosco assim. Não está acreditando? Veja por si mesmo: http://www.youtube.com/watch?v=RUv1NfYGYyU

Retalho e Coringa

O que foi bom no filme, na minha opinião, foi uma referência ao Coringa interpretado pelo Jack Nicholson (imagino que tenha sido uma referência. Se não foi, o roteirista tem uma incrível habilidade em fazer coisas não-intencionais, para o bem e para o mal). Particularmente gosto de referências, não sei se deu para notar aqui no blog, re-re-re. O vilão do filme é o Retalho. Durante uma luta entre ele e o lunático... digo, o herói... digo, o anti-herói tosco... É o seguinte: no início do filme o Justiceiro acerta um mafioso, que cai em um triturador de vidro. Isso o dilacera por inteiro. Um cirurgião reconstrói seu rosto. Em seguida, o médico o desenfaixa. O mafioso usa um espelho de mão só para ver o quanto ficou desconfigurado. Com sua sanidade abalada, ele adota o codinome Retalho. Reconhece essa história de algum lugar? Em vez de um triturador de vidro, um caldeirão com produtos químicos? Em vez de Retalho, Coringa? Já na aparência, Retalho se assemelha mais ao Coringa interpretado por Heath Ledger.

Em resumo, minha opinião sobre Justiceiro - Em zona de guerra é a de que ele segue o mesmo padrão do filme do Justiceiro lançado há alguns anos, só que praticamente sem enredo, defeito que tentam preencher (sem sucesso) com cenas brutais de sangue desmedido.

Filmes recomendados: Ruas de Fogo (excelente exemplo de paródia não-intencional nos dias de hoje). Justiceiro – Em zona de guerra (excelente exemplo de paródia não-intencional de amanhã).

terça-feira, 28 de abril de 2009

NÃO VOU FALAR SOBRE WATCHMEN

Vou falar sobre o filme Homem-aranha 3. É, sim, eu sei, faz tempo que saiu e o assunto do momento é o Watchmen, bem mais recente. Só que acontece que às vezes eu preciso de um tempo para assimilar um filme. Saio da sala de cinema, penso algumas coisas, considero que não gostei muito (ou nada) do filme e, passado algum tempo, penso melhor e percebo que gostei. Meio estranho, tudo bem... eu sou meio estranho mesmo... Talvez bastante... pensando bem é mais provável que eu seja extremamente estranho... Bem, independente da minha estranheza, ainda assim, tenho essa limitação. À princípio, não gostei muito da versão cinematográfica de Watchmen. Contudo, saí do cinema pensando a mesma coisa quando assisti ao Homem-aranha, hoje gosto bastante. Aconteceu o mesmo com o HA2, também mudei radicalmente de opinião. E detestei HA3, hoje já acho que não gosto muito, mas é um filme que tem pontos positivos e pontos negativos. Enfim, chegamos ao assunto...

Alguns motivos para não gostar do Homem-aranha 3

- A primeira falha no filme, que salta aos olhos, é um pequeno meteoro, contendo o simbionte alienígena, cair bem ao lado da moto do Peter. De tantos lugares no mundo, de tantos lugares dentro a NY, ele caiu justamente próximo ao super-herói da cidade. Tudo bem, as Guerras Secretas são complexas demais para serem retratadas no filme, fugiria ao tema central, mas o filho astronauta do JJ já havia sido introduzido no HA2. Seria bem melhor dar uma explicação parecida com a do desenho animado da década de 90 do que apelar para a coincidência suprema.
- O sentimentalismo rolou solto. Começa com a Tia May relembrando Ben Parker e dando a aliança para o Peter. Ele fica sozinho no restaurante, leva o fora da MJ no parque e, no final, depois de outras cenas dramáticas, tem aquela historinha do Homem-Areia, que vou comentar à parte.
- Mary Jane, a adorada personagem dos quadrinhos, ficou parecendo a carente mais volúvel que já vi. Essa já é uma crítica que leva em conta os antecessores. Ela passou pelo Flash, pelo Harry, depois pelo filho do JJ no segundo, e no terceiro, após uma briguinha relativamente normal com o Peter, na primeira ocasião, ela beija o Harry. Puxa!
- E depois? Harry, assumidamente vilão, a ameaça para fazer o que ele quer. A MJ obedeceria simplesmente? Daria aquele fora sinistro no Peter, inventando que se apaixonou por outro, sem sequer avisar ao Peter que o Harry quer matá-lo?
- Uma crítica que não poderia faltar: o Peter do mal não convenceu. No meio termo entre fazer com que o Peter do mal ficasse cruel ou parecesse um panaca hilário, nenhum dos dois ficou muito bom.
- Ainda abordando o Peter do mal, mas mudando o enfoque... Eu não sabia que ele sabia tocar piano. Tá bom, tá bom, eu sou chato, é verdade, mas achei no mínimo inverossímil ele simplesmente desenvolver um talento relâmpago, embora tenha gostado da imbecilidade dele em querer provocar uma mulher usando outra. Gostei porque isso sim é real, e inteiramente cruel.
- Na cena em que Peter se livra do simbionte, na igreja, ele vê a “gosma” sair do corpo dele e ir caindo, mas não se preocupa em saber o que aconteceu com ela depois. Nem dá quaisquer indícios de que achou que ela tivesse morrido. Apenas se livrou dela... não é atitude de super-herói responsável.
- Outra crítica que não poderia faltar: o Venon não convence. Não só não o fizeram com a corpulência que tem nos quadrinhos, embora isso fosse plenamente possível, já que ele foi feito com efeitos de computador (mas tudo bem, a gente releva por ser uma adaptação); como não o fizeram sinistro. Ele não tem metade do peso do personagem que é um dos mais adorados vilões do Aranha.
- E, obviamente, ele não teve espaço na história. Tudo bem, se queriam focar essa história no uniforme negro, que fizessem outro filme para o Venon. Se só poderiam fazer tudo nesse filme, que dessem mais espaço para ele. É chato dizer isso, mas o tempo que a trama do Homem-Areia tomou já bastaria para dar mais enfoque no Venon. É chato porque o Homem-Areia é um dos personagens que ficou mais legal.
- Apesar disso, houve algumas falhas com o Homem-Areia também. Para mim não colou essa de que foi ele que matou o Tio Ben. Mas, tudo bem, eles queriam que esse problema do assassinato do tio fosse superado no último filme da trilogia. Só que ele o matou não intencionalmente? A questão não é perdoar? Não é “não se igualar ao vilão”? Não é “não matar o assassino por maior dor que tenha provocado”? Seria uma real superação que ele conseguisse fazer isso se tivesse sido realmente intencional.
- E, para piorar, o Homem-Aranha, depois de saber que o cara não matou o tio acidentalmente, simplesmente deixa-o ir embora, como se ele deixasse de ser um criminoso porque confessou o crime (doloso), como se ter uma história triste servisse de justificativa para sair impune.
- Ainda abordando a cena final, uma crítica pensando no conjunto: no primeiro filme, HA luta contra o Duende em uma ponte, a MJ fica prestes a cair lá de cima algumas vezes. No segundo, o Aranha a lança para cima e ela fica nas alturas novamente. No terceiro, o vilão Venon a prende na teia no alto de um prédio, e ela fica prestes a cair várias vezes. O que é isso? Os vilões do aracnídeo têm complexo de King Kong? Ainda bem que a MJ não tem medo de altura. Temo, porém, que desenvolva esse trauma.
- E talvez o maior defeito do HA3: os dois primeiros foram muito bons. Assim, comparativamente, o terceiro ficou bem atrás.

Tudo bem, eu não devo ter falado muita novidade até agora. Talvez uma ou outra opinião que já não tenha lido ou ouvido em outro lugar. Agora vamos aos pontos positivos...

Alguns motivos para gostar do Homem-aranha 3

- O Homem-Areia ficou muito bem caracterizado. Tanto na aparência, quanto naquele dilema entre ser vilão ou não, quanto sua história.
- Tobey Maguire. O cara nasceu para fazer o papel do Peter Parker. Não consigo assistir a outro filme dele sem me lembrar do Peter em algum momento.
- As cenas foram muito bem produzidas, principalmente as de ação, que exigiam efeitos especiais. Particularmente gostei do primeiro combate entre ele e o Harry, e da cena de transformação do Homem-Areia, ele tentando pegar a corrente e depois se reconstituindo. Ficou ótima do ponto de vista de produção, estética e carga dramática.
- A amnésia do Harry faz referência à própria história do Duende Verde. Nos quadrinhos, já o pai, Norman, sofreu de amnésia (mais de uma vez) e deixou de atormentar o Homem Aranha por algum tempo. A referência ficou legal.
- A fama do herói, e principalmente o deslumbramento com ela, foi uma fraqueza no personagem demonstrada na trama. Achei interessante, embora acredite que o tema tenha mais relação com outros personagens, como o Capitão América.
- O aparecimento da Gwen Stacey também. Parecia que ela ficaria simplesmente de fora da versão cinematográfica. E já que falamos dos pares românticos do Peter, legal que ele tenha dado em cima da Betty Brant enquanto estava com o uniforme negro. Referência bacana também.
- Aliás, o Peter do mal faz algumas coisas que o Peter bonzinho, vamos dizer, que o Peter “bocozinho” não faz. Ele tem mais atitude, pede um emprego fixo e o dobro do salário pelas fotos. É bom porque não ficou totalmente polarizado: Peter do bem, tudo de bom. Peter do mal, tudo de ruim. Algumas coisas no Peter mais... digamos, incisivo... mostram que o “do mal” também tem características positivas.
- O terceiro filme da trilogia manteve o humor. Existem cenas hilárias, como a conversa do Peter com o francês no restaurante.
- A clássica cena do sino nos quadrinhos, quando ele se livra do simbionte, foi retratada com fidelidade nas telonas.
- Harry se redime. Fez coisas erradas, caçou o Homem-Aranha por analisar mal uma situação, mas no final se redimiu, ajudando o herói.
- E o mais importante, o mais interessante, o ponto mais positivo do filme na minha opinião. A simbologia se manteve e foi bem retratada. O uniforme negro representa o lado negro do Peter Parker, representa desconsiderar que “grandes poderes traz grande responsabilidade”. Peter se deixa dominar pelo sentimento de rancor. Isso nubla sua visão, fazendo-o confundir justiça com vingança (ele não estranhou que Tia May não ficou contente ao saber que o assassino do tio Ben morreu? Pelas mãos do Homem-aranha, que ela considerava uma boa pessoa?). Ele se deixou controlar pela raiva e pela ambição. Sentiu a sensação de ter superpoderes e não se prender a um código moral. Essa liberdade o seduziu e o fez se sentir mais poderoso. Quando sucumbe à tentação, Peter se torna outra pessoa. Essas coisas, dentro do filme, são representadas pela ação do uniforme negro. Com tudo isso, ele mostrou o que diferencia um herói de um vilão e como o poder pode inclinar uma pessoa para o lado da vilania, se não for forte e não tiver um rígido código de ética. Quando o poder cai nas mãos de um fraco, como o confuso Eddie Brock, torna-se uma arma perigosa e descontrolada.

E agora uma característica que ainda não sei se é boa ou ruim. Boa porque faz uma referência, mesmo que (não sei) não intencional. Ruim porque faz referência a algo que particularmente não gosto. O filme retratou a última fase do herói que eu li, e inclusive motivo pelo qual parei: o Homem-Aranha deixou de ser um herói, solucionador de problemas, para ser um fardo, gerador de problemas. Nos quadrinhos, essa foi a minha visão, quando as histórias pararam de ter um motivo e começaram a se restringir à vingança de vilões. E não foi o que aconteceu em HA3? Harry se vingando. Homem-Areia, inicialmente, gera problemas, mas depois busca vingança, juntamente com Venon, que é basicamente movido pelo ódio contra o herói. Não chega a ser um problema no filme, mas nos quadrinhos... Os mesmos vilões, sempre em busca de vingança, é cansativo. Não estou acompanhando a fase atual do Aranha. Espero que tenha saído da mesmice. Embora eu tenha ouvido falar sobre uma tal ideia demoníaca um tanto infeliz...

No final das contas, achei o filme legal. Tem lá suas falhas e não é tão bom quanto os anteriores, mas a simbologia ao uniforme, que acho muito boa, pesa mais a favor.