Mostrando postagens com marcador Madman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Madman. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de maio de 2012

Leituras Recentes 2

   Pessoal, mais uma vez estou aqui para comentar algumas leituras recentes que fiz, ou melhor, as leituras depois do primeiro post Leituras Recentes. Espero poder fornecer boas descrições das obras, ao mesmo tempo tentando não matar a história nem fazer spoiler, de tal forma que eu possa contribuir para a escolha de vocês sobre os próximos quadrinhos que querem ler (ou aqueles que não querem ler de jeito nenhum).





O Chinês americano
   Tomei conhecimento e tive interesse em ler essa obra porque foi uma das comentadas na I Jornada de Romances Gráficos (na UnB), assim como The Arrival (comentada também neste post). Dificilmente uma história em quadrinhos me surpreendeu tanto. Não esperava muito dela, apenas uma história interessante. Quando li, reparei que é uma história em quadrinhos com muita profundidade, que equilibra muito bem simplicidade e qualidade. São três enredos que se desenrolam conjuntamente: o do rei macaco (o macaco que queria ser mais que um macaco), o de Jin Wang (o Chinês que se mudou para os EUA e queria ser como seus colegas) e o de Danny e seu primo Chin-Kee (que é a paródia do arquétipo de um chinês, feita em formato de sitcom). Os três enredos, cada um a sua maneira, fala sobre o mesmo tema: o desejo de pertencer, a vontade de se sentir parte da comunidade onde se está. O Chinês americano é uma obra muito interessante e bem-humorada.



Jogos de poder volume 1
   Comprei Jogos de poder faz tempo, e sempre acabava lendo outra coisa antes, deixando-o para depois. Não sei exatamente por quê... não sei exatamente por que comprei também. O importante é que finalmente li. Achei legal. Não é uma obra excepcional, dessas que ficam pra sempre gravadas em nossa mente com aquela impressão de que gostamos muito. Mas é legal, valeu a pena ter lido. Uma dessas histórias de espionagem, com conspirações, tramoias e aquele velho conflito entre o agente e seu chefe e algumas surpresas no caminho. É um leitura bem dinâmica, rapidamente se lê a história toda. O volume 2 já saiu, já comprei o meu e estou esperando a hora em que a revista vai me chamar para que eu a leia.



Invasão dos mortos
   Invasão dos mortos é um desses quadrinhos em preto e branco de suspense, terror. Porém, esqueça zumbis se multiplicando por toda a cidade. A invasão é um tanto invisível, com possibilidade até de ser apenas uma armação de pessoas decididamente vivas. É nesse clima de mistério que uma trama bizarra, com personagens um tanto peculiares - como o próprio protagonista -, se desenrola. Leitura rápida e de qualidade.

Coleção DC 75 anos
   Essa coleção é um conjunto de quatro encadernados com histórias da DC. Cada uma delas representa um dos quadro períodos das histórias em quadrinhos de super-heróis. Começa pela Era de Ouro, onde constam as primeiras história de grandes ícones da DC, como Super-homem, Batman, Lanterna Verde  e Mulher Maravilha. No encadernado da Era de Prata vemos as histórias mais lúdicas e aventurescas dos personagens, também período em que o Flash passou a fazer mais sucesso. Na Era de Bronze, temos um tom mais sério e reflexivo de histórias maduras, como aquela em que Ricardito - ajudante do Arqueiro Verde - se envolve com drogas. Finalmente, na Era Moderna vemos o tom mais adulto e sombrio que os quadrinhos ganharam, onde se apresentam histórias do Monstro do Pântano de Allan Moore, Sandman e trechos do Cavaleiro das Trevas, entre outras. Cada encadernado vem com algumas páginas de explicação sobre esses períodos dos quadrinhos e seus marcos. Eu diria que são obras essenciais para quem gostaria de conhecer um pouco sobre a História das histórias em quadrinhos e ler bons exemplos de histórias publicadas em cada período, para perceber a grande diferença de estilos que os caracterizam.


The umbrella academy: a suíte do apocalipse

   Umbrella academy: a suíte do apocalipse é algo... diferente. Difícil até de explicar... Digamos que a a estrutura narrativa dela seja mais emocional do que racional. Eu sei que estou sendo vago, mas como disse, é difícil explicar. Minha impressão é a de que a obra é mais centrada nos sentimentos dos personagens, em seus conflitos (internos e com os outros), do que em coisas explicadinhas. Tem um pé na poesia e o outro na ludicidade. Tudo isso dentro de uma trama com super-heróis e vilões exóticos. Confesso que, com os comentários que eu havia ouvido sobre o Umbrella Academy, minha expectativa foi um tanto alta, e não correspondida. Porém, posso dizer que foi uma leitura que valeu a pena, dada a sua peculiaridade. Já saiu sequência, ainda estou decidindo se vou comprar... 


Camelot 3000
   Li Camelot 3000 por ser uma história muito bem comentada. Ela já ganha crédito pela originalidade do enredo: em um futuro distante (ano 3000), uma grande ameaça alienígena paira sobre o planeta Terra. Nesse momento, cumpre-se a profecia de que o Rei Arthur voltaria à Inglaterra quando a terra mais precisasse dele. Ele então parte em busca das encarnações dos heróis da távola redonda. Diferente, né? Quanto ao desenvolvimento da trama, vale lembrar que a história é relativamente antiga. Alguns aspectos dela são ainda um tanto inocentes, mas de uma maneira geral é boa. Levando também em consideração o tempo em que foi lançada, entendo porque foi tão aclamada: trouxe a tona temas sobre os quais não se falava na época. Veja por exemplo o caso de Tristão, que encarnou em um corpo feminino, mas tem a alma masculina. Só recentemente outros direcionamentos sexuais passaram a ser abordados em histórias da Marvel e DC. Já em 82 o tema foi abordado nesta história, e com que simbolismo mais refinado! Acredito que seja uma obra interessante para os leitores de quadrinhos em geral, e indispensável para quem se interessa por ler história clássicas, que estavam a frente de sua época, e para quem gosta bastante da lenda dos cavaleiros da távola redonda. E, é claro, da belíssima arte de Brian Bolland.



Ao coração da tempestade
   Uma história bem legal sobre um dos mais ilustres quadrinistas do mundo. Ao coração da tempestade é uma autobiografia de Will Eisner. Enquanto viaja no trem rumo a Segunda Guerra Mundial, o autor relembra toda a sua vida, desde a infância (quando se mudou de bairro e logo passou a ser perseguido pelos garotos da rua por ser judeu, estigma que gerou vários outros problema ao longo dos anos). A história aborda a maneira como ele enxergava seu pai, as dificuldades financeiras pelas quais sua família passou, sua perseguição pela arte da pintura e desenho, até conseguir se tornar um quadrinista, quando foi convocado para a guerra. Indispensável para quem gosta do gênero biográfico em quadrinhos, tão em voga ultimamente.




Batman anual 3 - a origem sangrenta do Coringa
   Esse encadernado traz uma outra versão da origem do Coringa, diferente daquela a que estamos acostumados desde a Piada Mortal (Allan Moore), que também serviu de referência para o primeiro filme do Batman. Em A origem sangrenta do Coringa, vemos o vilão antes de se tornar o palhaço do crime. Vemos o quanto ele é naturalmente talentoso em roubos e com armas. E vemos a ascensão e constante popularização de um herói encapuzado dando sentido, aos poucos, à existência de um criminoso que não encontrava rival. Ao mesmo tempo, a história mostra (ou antecipa) o impacto que o vilão terá na vida do homem morcego. Para quem gosta de Batman, para quem gosta do Coringa, para quem gosta de origens... este encadernado é uma boa opção.


Batman - a queda do morcego (volume 1)


   Republicação do arco de histórias do Batman que aparentemente inspirou o terceiro filme da franquia, o volume 1 (e por enquanto, o único relançado) narra os planos de Bane para cansar, na verdade, estafar o homem-morcego, física e psiquicamente, deixando-o totalmente suscetível a uma derrota pelo vilão. A história é boa, demonstra - pra mim - a única forma de vencer o herói.




Batman (de Grant Morrison)
   Normalmente, só comento os encadernados, quando muito minisséries. História em quadrinhos mensal, não. Mas abro uma exceção, porque Grant Morrison realmente é um escritor diferenciado. Tenho que dar razão ao Rodrigo quando ele diz que é um dos melhores autores de quadrinhos. Seu trabalho com o Batman é bom em tantos aspectos que o espaço aqui fica pouco para comentá-lo. Acredito que a característica mais marcante para mim foi a tal da hipercontinuidade: Morrison não considera que existem histórias escritas do Batman que, na verdade, nunca aconteceram. Muito embora aquele Batman da Era de Prata já não tenha nada a ver com o Batman pós Frank Miller, Morrison abraça todo o seu passado, todas as suas histórias (inclusive de outras mídias, como os filmes do morcego atuais e antigos) para compor, de alguma forma, sua história agora. Ele traz diversos elementos do passado do vigilante, mesmo aqueles não compatíveis com a versão sombria de agora. E faz uma verdadeira ode ao personagem, tratando-o como um personagem extremamente icônico, praticamente sacro. Quem ainda tiver a oportunidade de comprar as revistas em lojas especializadas, em sebos de quadrinhos ou lojas virtuais que mantêm números antigos (ou mesmo pedir números atrasados na sua banca predileta), vale muito a pena (li e estou sugerindo aqui as edições de 58 a 89). Um conselho: leia as revistas acessando informações sobre elas em blogs que comentem as histórias número a número, porque muitas referências podem passar batidas mesmo para um fã de longa data.




Madman comics 1 - curso-relâmpago para quem quer se divertir
   As histórias de Madman comics 1 têm uma boa dose de ação e mistério, permeada por ironias e situações inusitadas. Por um lado, tenho a impressão de que as histórias tiram um bom sarro do modelo clássico de quadrinhos de super-heróis, por outro acho que podem ser consideradas também homenagens, mas honestamente fico na dúvida. Imagine um herói tendo uma epifania sobre suas motivações, seus medos, sobre a existência e o julgamento divino... enquanto luta contra um brutamontes sem pele chamado Homem-músculo. É por aí... Mas não espere rir. Na minha avaliação não é o tipo de humor que faz a gente rir, e sim aquele que faz a gente ver graça, ou ironia, sem dar risadas.




Lex Luthor - homem de aço
   Nesta história vemos Lex Luthor sem ser naquela visão maniqueísta de mente maligna, gênio do mal. Vemos em Lex Luthor - homem de aço o impacto psicológico que a existência e aparição de um ser como o Super-homem gerou em uma pessoa como ele. A desconfiança, o medo natural que se sente diante de um ser tão poderoso, e uma total falta de capacidade de aceitar que um alienígena seja eleito o herói dos humanos. Vemos na história, curta e sem muita ação, mais focada na psicologia, uma possível razão para que ele tenha se transformado no temível vilão.


Fracasso de Público 2 - desencontro de titãs
   O encadernado Fracasso de público 2 - desencontro de titãs trata de histórias mais realistas, com pessoas normais, naturalmente cheias de defeitos, dificuldades e extravagâncias. Está repleta de metalinguagem e de muitos enquadramentos interessantes e originais dos painéis dos quadrinhos. Desde as personagens (uma delas acredita piamente que outra é uma vilã totalmente polarizada, mas lembre-se: é uma história realista) até os enredos em si, sendo que um deles é justamente sobre um autor que criou um personagem em quadrinhos no qual foi inspirado um grande sucesso de uma grande editora, só que o criador nunca recebeu um centavo por isso. Ele continua lutando por seus direitos, mas também não é nenhum especialista em direito, tampouco conta com a bondade de um excelente advogado cego que o ajude voluntariamente. Os outros enredos envolvem problemas com os vizinhos, romance, ciúmes e coisas da vida normal, retratados com humor e uma boa dose de sensibilidade. 





Zoo 2 - Jogos de caçadores
   A aguardada continuação de Zoo, que já comentei em outro post como uma das melhores histórias quadrinhos nacionais que já li. Zoo 2 também conta com uma entrevista com autor aqui no blog, às vésperas de seu lançamento nacional. O que posso comentar dessa obra é que Nestablo Ramos se superou. Aprofundou-se ainda mais nesse mundo onde os animais são a raça dominante e os humanos, bichinhos de estimação, usados também em testes químicos, como   fonte de alimento e suas partes usadas em roupas. Uma história extremamente reflexiva, cuja continuação supera a primeira edição em elaboração, sutileza e complexidade, afinal o tema é aprofundado, enredos correm paralelos dentro da trama principal e existem dicas que se conectam com a primeira edição e vão desvendando os mistérios de toda a história, além dos novos e interessantes personagens. Agora só falta a terceira e última edição, que certamente terá reviravoltas e as muitas surpresas características das duas obras já publicadas.


A box of bunny suicides

   Poucas coisas são perturbadoramente tão engraçadas quanto Bunny Suicides. O princípio é muito simples: coelhinhos fofinhos suicidas, que se empenham em morrer (com toda a calma e serenidade do mundo) das formas mais inusitadas e mirabolantes possíveis. Eu sei, falando assim parece morbidez sádica... Mas os coelhinhos são muito criativos. Elaboram verdadeiros planos de morte, bem originais e criativos. Na maior parte das vezes basta uma página, de um único desenho, sem balões. E as mortes muitas vezes não chegam a aparecer, ficam apenas deduzíveis. É difícil explicar como isso pode se tornar engraçado, então dê uma "lida" na imagem abaixo e veja se pega o espírito da coisa.





Necronauta - o soldado assombrado e outras histórias
   Já que comentei acima Zoo, vou falar também de Necronauta, outra obra que foi produzida pela HQM. Este encadernado reúne histórias publicadas pelo autor, Danilo Beyruth, normalmente de forma independente. As histórias são de leitura bem rápida e quase todas são em preto e branco. O conceito do personagem é, na minha visão, seu ponto forte: Necronauta é uma espécie de salva-vidas de espíritos, que por algum motivo ainda não chegaram à luz. Cada história narra o que prendeu o espírito ao limbo (ou de que forma ele se perdeu ali) e qual abordagem o "herói" usa para salvá-los. Vale a pena ler para conhecer.


 Projeto Superpowers
   Uma história de Alex Ross e Jim Krueger, com um monte de personagens da década de 30, aqui revitalizados e remodelados. Um encadernado com arte muito bem feita e uma história envolvente, mostrando o que aconteceu no mundo depois que esses heróis venceram os vilões. Bem, nem todos... Os personagens da história são bastante marcantes e a trama muito bem desenvolvida, começando com o Combatente Ianque - um dos muitos heróis patrióticos do período - já velho, questionando seu passado. Um mistério abre a história, pois não sabemos exatamente que grande pecado ele cometeu, nem o que ele deve fazer para reverter esse quadro. Considero Projeto Superpowers uma das leituras  recentes mais agradáveis que fiz, dessas que dá um sensação de "que pena!" quando a história acaba. Ouvi dizer que a história tem continuação. Espero que tenham a sensatez e a boa vontade de continuar publicando no Brasil. Curiosidade: quem tiver o encadernado de Tom Strong - No Final dos Tempos pode tentar encontrar alguns personagens retratados tanto nesta quanto naquela obra.




Vigor Mortis Comix
   Taí um revista inusitada. Trata-se de uma espécie de terrir erótico, com histórias bastante originais. A primeira, por exemplo, fala sobre um zumbi em busca de um relacionamento com uma mulher, embora sempre fique no dilema entre manter essa ligação e comer seu cérebro. Em outra história, o protagonista, em fuga, atropela o cafetão de algumas prostitutas. Agradecidas, elas criam uma espécie de harém, que também serve como fortaleza: quando os mafiosos vêm atrás dele, elas pegam suas metralhadoras e defendem-no sem medo. Dá pra acreditar nessas histórias? Entre elas, também existe uma metalinguagem em tom tragicômico sobre pessoas que trabalham ou gostam de quadrinhos, além da criativa forma em que cada história se interliga sutilmente com outra. Para quem está procurando uma leitura bem diferente, Vigor Mortis Comix é uma ótima opção. 


Namor - as profundezas

  Esse encadernado ganhou minha admiração logo na primeira página (retratada ao lado). A imagem do submarino, imerso nessa grande escuridão, dá uma verdadeira impressão das profundezas do oceano, onde certamente a luz já não chega, e o silêncio é dominante. Como a história de Namor - as profundezas conta sobre um grupo de exploradores que se veem totalmente isolados do restante do mundo (e fragilizados mentalmente por conta disso), nada mais representativo do que essa imagem. Namor mesmo é personagem coadjuvante dela. O protagonista é um pesquisador, desses que desmistificam lendas, tentando provar que Namor é apenas um mito. A trama não é nada aventuresca, e sim tem uma pegada bem puxada para o suspense e até terror, onde nosso conhecido personagem é retratado como aquele que provoca o medo. A cena em que, rodeado pelo negrume do abismo profundo, o casco de aço frio do navio contrasta com um vislumbre do peito nu do Príncipe Submarino é excelente! Nunca gostei muito do Namor, nem de suas histórias, mas é o que sempre digo: bons escritores são capazes de fazer boas histórias com qualquer personagem. 


Transmetropolitan 2 - tesão pela vida
   No leituras recentes 1 comentei sobre o primeiro volume, falando das características gerais da obra. Então... no segundo volume elas se mantêm. Spider Jerusalém continua no grande centro urbano que ele adora (re-re-re, só pra ir na onda de sarcasmo do protagonista. Ele detesta cidade), em sua vida de jornalista bonzinho (re-re-re-re). O futuro não é exatamente um lugar legal, e Warren Ellis explora bem tudo de ruim que pode acontecer com a sociedade. Transmetropolitan 2 vem com mais 6 histórias (e a Panini está seguindo a cronologia de lançamento original, diferente de como foi feito anteriormente), sendo que a primeira metade traz três histórias meio que fechadas, ácidas mas em algum sentido também tocantes. A segunda metade envolve um moleque sem cabeça que diz ser filho do nosso delicado repórter (re-re-re-re-re-re-re-re) e um cachorro-policial em busca de vingança por ter perdido seu pau grande e precioso devido a uma encrenca com o Spider. E você pensando que o Warren Ellis não conseguiria degradar mais o futuro da raça humana...

The arrival
   Este é um encadernado particularmente muito interessante. The Arrival narra a história de um estrangeiro chegando em um país estranho. Aliás, talvez seja mais adequado dizer que a obra mostra essa chegada. Digo isso porque não há um balão de fala ou pensamento em todo o encadernado, o que o torna bem compatível com seu propósito: não importa que versão você compre dele (americana, francesa...), não importa a língua que você fala, você pode "ler" essa HQ. Tampouco importa de onde você seja: as imagens retratadas na história são completamente alienígenas, você capta a impressão de estranheza que o protagonista sente independente de seu país. Ao mesmo tempo, é tudo mais ou menos familiar. E ainda passa a impressão não de que se está chegando a outro planeta, mas de que é uma história de época, que ocorreu no passado. Isso porque o livro é todo desenhado como se fosse um álbum de fotografias antigo. Tantas qualidades assim em um quadrinhos que não tem uma fala me obrigam a dizer que é uma história em quadrinhos sem igual. Tanta adequação da forma e conteúdo ao tema aproxima o encadernado de uma poesia, me obrigando a qualificá-lo como uma verdadeira obra de arte. 


Logicomix
   Logicomix é um desses quadrinhos mais ou menos biográficos, mais ou menos didáticos. E interessante, no início da história um dos autores já começa falando com os leitores, dizendo que não é um manual de introdução à Lógica, é uma narrativa. Essa metalinguagem permanece durante toda história, que é entrecortada pelos encontros dos próprios autores e pessoas envolvidas na produção da obra (que está bem em suas mãos). O  eixo central é uma palestra de Russel (um dos grandes nomes da Matemática e da Lógica) sobre o uso da lógica nas relações humanas, às vésperas de estourar a Segunda Guerra Mundial. Ele discorre sobre sua vida, sobre a matemática, sobre Lógica, sobre pessoas, sobre loucura... Um prato cheio para quem gosta de refletir, principalmente sobre as certezas e incertezas da vida. E para quem gostaria de conhecer um pouquinho sobre a história da Lógica, ainda que (assim como eu) não entenda muito de matemática (imagino que para os que entendem, deve ser mais apreciada ainda). Muito bom!


Vikings - a viúva do inverno
   Esse encadernado é composto por uma história fechada (ou aparentemente) dentro da obra Northlanders, que aqui no Brasil ficou conhecida como Vikings, a partir do momento em que foi publicada pela revista Vertigo. A viúva do inverno é ambientada em uma pequena cidade que decide fechar suas portas para evitar o contágio da Peste Negra. Parece uma decisão óbvia, né? Acontece que fechar as portas no início do inverno significa que haverá racionamento dos mantimentos, pessoas insatisfeitas e atritos internos. Em meio a tudo isso, a protagonista, que acabou de perder o marido, tenta criar sua filha. Essa história não é um épico medieval. Embora guarde algumas das características desse gênero, o ponto central no enredo é a sobrevivência em meio a dificuldades extremas.


   À medida que for lendo mais quadrinhos, vou comentando aqui com vocês. Tenho aqui na minha prateleira, ainda esperando para ser lido: Daytripper,   dos irmãos Bá e Moon; Jimmy Corrigan - o menino mais esperto do mundo; Retalhos e Cicatrizes. Depois que ler eu comento.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

(des) Construção

Olá!
Voltando ao tema da semana anterior, quando tratei sobre usos criativos do formato específico da mídia "quadrinhos" por meio de escadas desenhadas, ora se confundindo com os painéis da página, ora guiando o olhar do leitor e ditando a ordem de leitura pela tela, hoje apresento uma desconstrução desse mesmo formato.
Mas vamos começar por uma tira do início do século passado, do visionário Winsor McCay, intitulada Little Sammy Sneeze, que sempre girava em torno do pequeno Sammy do título espirrando e as consequências de sua poderosa e inconveniente esternutação. Mas eis que chega um ponto em que McCay se pergunta: e se o espirro de Sammy não afetasse as pessoas ou o ambiente ao seu redor, mas afetasse a própria noção de "ao seu redor" existente na tirinha? O resultado foi a excelente quebra da moldura da página (lembrando, isso se deu ainda na primeira década do séc. XX, por volta de 1904 a 1908)!
Do argentino Liniers, selecionei essas duas tirinhas de Macanudo. Na primeira, apenas uma maneira bem criativa de se aproveitar a forma da tira para narrar uma história, chamada Esquina. Simples, mas eloquente em sua simplicidade. Notem como a "ordem cronológica" dos acontecimentos nesta historinha não segue o padrão da esquerda para a direita, mas sim das bordas para o centro.
Nesta outra (ainda Macanudo, de Liniers), ele extrapola as margens de um quadro, e conta uma história a partir disso, brincando com a própria disposição da tira no formato de quadros sequenciais. Logo abaixo, uma outra versão baseada na mesma ideia ou conceito, mas retirada do hilário blog Um Sábado Qualquer, com Deus conversando com Adão.
Mais outra tira de Um Sábado Qualquer, usando duas linhas para dar um efeito diferenciado na descontrução do formato dos quadrinhos. Em baixo desta, outra com o tema parecido que encontrei na internet, chamada Borderline, de Adam Koford, com linhas coloridas em verde destacando cada parte da história sendo contada, de forma a melhorar seu entendimento (pois estamos tão condicionados com a forma padrão ou "canônica" de ler uma tira que quando nos vemos frente a uma forma diferenciada, achamos mais difícil compreendê-la).
Essas duas últimas nos remetem à primeira imagem de Madman no início deste post (já que falei de Madman, fiquem aqui com um uso bem criativo das "páginas" de uma edição, formando uma única imagem panorâmica ao longo de toda a revista). Exemplos como este há diversos, selecionei apenas alguns para demonstrar a desconstrução da ordem de leitura a que estamos acostumados.
Mas vamos partir agora para o estudo de caso que prometi. Com vocês, Sr. Alan Moore e toda a sua genialidade (mas não nos esqueçamos da importantíssima ajuda dos desenhos de Rick Veitch, sem os quais a história não teria sido possível). Tido como o responsável pela desconstrução do super-herói (com Watchmen), Moore no final do século iniciou o que ele chamou de reconstrução do gênero. Um dos selos responsáveis por isso foi America´s Best Comics (ou ABC), em que o mago barbudo lançou vários títulos, dentro da revista Tomorrow Stories, e entre eles Greyshirt, uma homenagem direta a The Spirit, do Eisner. Todas as histórias de Greyshirt não possuem foco no personagem em si, mas nos vilões que este enfrenta. É da segunda edição de Tomorrow Stories que retiro essa história. Atenção aos detalhes, abaixo.
A página é dividida em quatro quadros. Reparem que no canto esquerdo de cada quadro há uma data, de exatos 20 anos de diferença entre uma e outra, em ordem decrescente do alto até abaixo. Reparem na decadência do prédio, de baixo para cima, e na evolução do letreiro, onde vemos o nome Greyshirt (de modo bem eisneriano), ao longo das décadas.
Na segunda página, Moore, com a ajuda dos desenhos de Rick Veitch, utiliza o artifício de apresentar-nos o ano em questão dentro do próprio cenário em que transcorre a história. Reparem o calendário no primeiro quadro, um cartaz de um festival no segundo, outro calendário no terceiro, e, muy sutilmente, no canto inferior esquerdo da página, uma manchete de jornal indicando que Hitler invadiu a Polônia. Nesta página podemos perceber uma constante ao longo das décadas: um rapazinho/jovem/senhor/velho de roupas verdes e óculos de aros redondos.
Finalmente, já na terceira página, Moore e Veitch confiam que o leitor já tenha entendido o esquema e deixam de apresentar o ano em que cada painel é narrado. Reparem bem, exatamente como na história do Super-Homem com Lex Luthor do último post, os corpos das pessoas de épocas distintas se complementam na escadaria, numa ilusão de ótica entre os quadros 2 e 3 e entre 3 e 4 (desculpem, apareceu uma escada outra vez...).
Com a palavra, Alan Moore: "Em uma das histórias de Greyshit em Tomorrow Stories, nós fizemos algo bastante peculiar com o layout dos painéis. Um apartamento, num mesmo prédio, em cada página. Para adicionar outro elemento, nós fizemos com que os painéis do topo acontecessem em 1999, o segundo painel em cada página tomasse lugar em 1979, o painel de baixo deste em 1959, e na base de cada página se visse a base do edifício como era em 1939, quando ainda era um prédio novo. Nós fomos capazes de contar, por meio de uma complicada ginástica narrativa, uma interessante historinha apresentada através de 60 anos da história do edifício, com personagens ficando mais velhos dependendo em que painel e em que período de tempo eles estavam. Isto é algo que não se pode fazer em nenhum outro meio que não nos quadrinhos (comics)."
Alguém duvida do mestre Moore? É por estas e outras que o barbudo de Northampton é tido como um dos mais criativos e inovadores autores a explorar tão bem esta mídia, não só pelo conteúdo riquíssimo, como também pela forma inusitada. Se vocês notarem bem, esta história específica pode ser lida de várias maneiras possíveis. Pode ser lida da maneira usual, uma página seguida da outra, lendo os quadros de cima para baixo a como tradicionalmente estamos acostumados. Pode ser lida, ainda, tomando-se cada época individualmente, como por exemplo os quadros passados em 1999, e lendo-os em ordem (os primeiros quadros de cada página, depois os segundos quadros de cada página, os terceiros, e por fim lendo apenas os últimos quadros de cada página até o final). Pode ser lida também por ordem cronológica, ou seja, começando com a história isolada que transcorre em 1939, depois partindo para a história de 1959, até chegar à história mais recente, de 1999. Ou pode ser lida de baixo para cima em cada página (lendo o último quadro da página 1, depois o penúltimo, depois o segundo e finalmente o primeiro quadro; após isso repetindo esta ordem na página 2 e assim por diante). Todos esses modos trazem histórias fechadas entre si, o mais impressionante de tudo, todas as histórias, não importa a ordem em que forem lidas, ainda trarão elementos coesivos entre uma e outra, com a arte se complementando em vários pontos. A última página ainda traz uma "queda" conceitual através dos quadros e através das décadas. E toda essa riqueza em apenas 8 páginas de história...
Adoro essas quebras na narrativa, com várias possibilidades de sequenciamento sem manter a linearidade cartesiana. Adoro essas inovações, quando bem executadas, e essas desconstruções de padrões, sejam nos quadrinhos ou em qualquer outra mídia ou forma de arte. Isso força nosso cérebro a trabalhar de maneiras diferentes e não usuais, e serve como um bom exercício mental. Não concordam?


(No próximo post: Mês das Mulheres!)



Videoclipe sugerido: Imitation of Life, de REM.
Filme sugerido 1: Amnésia (Memento, 2000).
Filme sugerido 2: Elefante (Elephant, 2003).
Música sugerida 1: Construção, de Chico Buarque.
Música sugerida 2: Borderline, da Madonna.
Link sugerido: arquitetura e quadrinhos.

domingo, 10 de outubro de 2010

Irreverência ou Cópia?

Vocês já imaginaram um confronto entre o Sentinela da Marvel contra o Super-Homem da DC? Eu lhes digo que este embate já ocorreu! Conto mais ao fim deste... e de quebra ainda dou um cube papercraft único e exclusivo do Overman!
Como o Guilherme já bem disse em um post anterior (há um ano), há personagens que são bastante parecidos com outros. Há alguns casos que são por coincidência, há alguns que são verdadeiramente plagiados (conscientemente ou não), e há outros cujas semelhanças são propositada e intencionalmente forçadas. Bom, não sei em quais casos cada um que apresentarei abaixo se enquadra, mas busquei sortear um elenco que apresente casos curiosos e até versões engraçadas de outros personagens, inclusive em outras mídias que não quadrinhos (ou BD ou comics).


Capitães Marvel
Um jovem que adora usar jeans e roupinhas datadas que, após descobrir acidentalmente algo incomum numa caverna, ao emitir determinado comportamento (verbal ou gestual), é tomado por forças desconhecidas e troca de corpo com uma versão super-heroica adulta mais forte, mais resistente, capaz de voar e dotado de uma consciência ou sabedoria acima da de qualquer ser humano. E essa versão "aprimorada" responde pela alcunha de Capitão Marvel. Bom... qual dos dois? Os dois! Durante uma intriga sobre os direitos do Capitão Marvel entre a DC Comics e a Fawcett Comics (a primeira alegava ser o Capitão uma versão do Super-Homem), a Marvel conseguiu os direitos sobre o nome Capitão Marvel e publicou seu próprio personagem, obrigando a DC a lançar seu personagem, após adquiri-lo, sob o título de Shazam em suas capas (daí a famosa confusão de muitos acharem que Shazam é o nome do herói). E por conta disso também, a Marvel é obrigada a lançar a cada ano ou dois alguma publicação com o título Captain Marvel na capa para não perder seu direito sobre o nome (daí a quantidade de personagens diferentes na própria Marvel usando o mesmo pseudônimo). A única distinção entre a versão da DC e a da Marvel é que esta última trocou as características místicas/divinas por habilidades científicas/alienígenas.


Mads and Freaks

Personagem cômico, com nome que lembra algo louco ou esquisito, de pele azul, uniforme inteiriço monotônico, com uma exclamação no peito como emblema, e com uma espécie de raiozinho estilizado na testa ou cabelo, que ganhou reflexos extraordinários após um tipo de acidente. Segundo o criador de Madman, Mike Allred, ao criar Freakazoid, Bruce Timm o informou que Madman era uma das fontes inspiradoras de seu personagem. A controvérsia ocorreu quando Allred percebeu que, fora isso, nenhuma outra referência ou crédito foram feitos após a exibição do desenho animado, o que o chateou um pouco e o deixou um pouco desconfortável, apesar de reconhecer que seu próprio personagem, Madman, também é influenciado por muitas outras fontes. Mas a exclamação no peito ainda o perturba...


Harry Hunter ou Timothy Potter

Um garoto inglês mediano, franzino, de cabelos escuros e despenteados e óculos de armação plástica escura e redonda, órfão, que em seu aniversário de 12 anos descobre ter uma origem secreta que não conhecia e possuir um potencial (ou está destinado a) para ser o (ou um dos) mais poderoso(s) mago(s) quando crescer, ao ser abordado por indivíduos já experientes com magia, que ganha como presente destes uma coruja de estimação, e a partir daí tem acesso a um mundo cheio de criaturas fantásticas e misticismo. Óbvio que as semelhanças acabam por aí, mas como são muitas! Os rumos que Harry Potter toma em sua série de livros infanto-juvenis não se comparam com os que Tim Hunter toma em Livros da Magia, sob o selo adulto da Vertigo (apesar de que, em determinado momento da série, o autor Peter Gross brincou com as similitudes fazendo com que um irmão de criação de Tim, ao usar um artefato que o faz ficar parecido com Tim, tome um trem na plataforma 9 1/2 da estação King’s Cross, fazendo-o assim uma versão alternativa de Harry Potter). Digno de gentleman o comentário do Sr. Gaiman sobre o suposto plágio de sua obra, dizendo que ambos apenas beberam das mesmas fontes: "Não fui o primeiro autor a criar um jovem mago com potencial, nem Rowling foi a primeira a mandá-lo para a escola. Não são as ideias que importam e sim o que você faz com elas."



Sandmare

Ente místico ou abstrato, solitário, pálido, alto e magro, de cabelos negros desgrenhados que costuma trajar uma capa, reina na dimensão dos sonhos com capacidade de mandar pesadelos aos mortais, porém sendo dependente destes para existir, com poder ilimitado em seu reino, mas que às vezes se arrisca no mundo desperto. Será que só eu via semelhança entre os dois? Tudo bem que um é sombrio e do mal, e o outro... não, mais ou menos, sei lá. Pesadelo, vilão da Marvel, e Sandman, "herói" da DC. Curioso observar que as vestes de cada um refletem a época em que foram concebidos, sendo o uniforme do Pesadelo meio lisérgico, típico do pensamento dos anos 60, em contraste com o gótico cru e mais punk de Sandman, da década de 80. Mais engraçado que isso, porém, é o fato de a entidade maléfica usar roupa colorida verde e a entidade mais "boazinha" (se é que esses termos se aplicam) abusar do preto sóbrio...


Halloween Mask
Personagem mezzo sádico/mezzo cômico, sem inibições psicológicas ou sociais, insano, característico por sua face verde emoldurando um largo sorriso, vestido de terno, com poderes de mudança de forma limitada apenas por sua imaginação, reflexos aumentados, que frequentemente parece ignorar a gravidade, cuja origem está associada de alguma forma com o Deus Loki. Um é o famosíssimo Máskara (cuja origem relacionada a Loki só existe na versão cinematográfica), e o outro é o não tão conhecido Halloween Jack, da também não tão conhecida linha 2099 do Universo Marvel.




Nightspawn
Um negro que foi imbuído de poderes mas sabe que seu fim está próximo e que se vê obrigado a usá-los, usa uma máscara que cobre toda a face e uma longa capa vermelha quase viva, que lhe confere, assim como sua veste, uma variedade de capacidades, tais como planar no ar, curar feridas, aumentar seus reflexos. Olhem bem pro design do uniforme dos dois aí em cima. Nightwatch foi um personagem secundário (ou seria terciário ou quaternário?) que apareceu em algumas brevíssimas histórias do Homem-Aranha aqui no Brasil - pouco depois que Todd McFarlane deixou de desenhá-lo -, e que não fez muito sucesso. Ganhou seu uniforme tecnológico de uma versão futura de si mesmo que estava prestes a morrer. Spawn é a cria mais conhecida de Todd McFarlane - desenhista que alavancou durante um bom tempo a popularidade do Aranha enquanto o desenhava -, um dos carro-chefes da Image quando fora criada logo após a saída de McFarlane da Marvel. É um soldado do inferno que possui um traje simbiótico e que, quanto mais usa seus dons, mais se aproxima de ter sua alma destinada ao inferno.
Agora vejam o traje e a pose do Gatuno, inimigo do Aranha, desenhado por Todd McFarlane, pouco antes de criar o Spawn, enquanto ainda desenhava o Amigão da Vizinhança pela Marvel, ao lado... Sucessão de coincidências?



Os Patos

Um pato meio humanoide, falante, que usa roupas (mas não usa calças!), gravata, chapéu azul, bravo e de pavio curto. Donald é um dos mais conhecidos e queridos personagens de Walt Disney, e dispensa apresentações. Howard também é muito querido pelos fãs que o conhecem, um personagem que infelizmente foi severamente boicotado no Brasil. Apesar de já ter atuado ao lado do Homem-Aranha, do Dr. Estranho, do Homem-Coisa, da Mulher-Hulk, entre outros, e ter ganhado uma minissérie pelo selo adulto da Marvel, Marvel Max, nunca teve uma história sequer publicada no Brasil. Sua única aparição em uma edição nacional só ocorreu numa história isolada durante a Guerra Civil e em duas páginas da saga Invasão Secreta, juntamente com outras dezenas de personagens ao redor (e assim não poderiam tirá-lo da cena), sem nenhuma menção ou explicação qualquer. Suas histórias geralmente apresentam sátiras sociais, paródias com outras ficções, e é quase existencialista, além de bem humoradas. Como a Disney reivindicava muitas semelhanças entre os personagens, a Marvel decidiu então fazer com que o cínico pato Howard usasse calças, para diferenciá-los... Uma pena tal personagem nunca ter tido oportunidade aqui no Brasil.


Sentriumph
Herói loiro, poderosíssimo, capaz de derrotar o Super-Homem*, manipula o espectro eletromagnético, garantindo-lhe ampliada percepção sensorial, superforça, invulnerabilidade, voo, geração de rajadas de energia pelas mãos ou olhos, um dos maiores se não o maior herói de sua época, ajudou (em retcon) a fundar a maior equipe de super-heróis do planeta, esquecido por estes mesmos heróis e apagado da memória de todos como se nunca tivesse sido, e relegado ao esquecimento. Quando voltou a reencontrar seus antigos companheiros, estava mentalmente instável, ora tornando-se supervilão, ora se redimindo. Pois é, essa é a premissa do Sentinela, herói que causou um verdadeiro furor quando surgiu, devido a seu imenso poder e sua grande tragédia. Mas é também a mesma premissa de Triunfo, personagem pequeno que algumas - poucas - vezes atuou ao lado da Liga da Justiça. Sensação de déjà vu...
*Para quem gostaria de ver um combate entre Sentinela e o Super-Homem, ele já aconteceu sim! É só buscarem a Liga da Justiça de Grant Morrison, no arco Crise Interdimensional. Neste arco, com a participação especial do Capitão Marvel (Shazam) e de alguns gênios da 5ª dimensão, Triunfo enfrenta o Último Filho de Krypton.
Além de citar o caso, já mostrado lá em cima no início do post, do "super-herói" brasileiro Overman e de Space Ghost, ambos com identidades mais que secretas debaixo de uma máscara que nunca tiram, não poderia deixar de falar também dos Amigos da Justiça!
O patriótico Major Glory (pastiche tanto do Capitão América quanto do Super-Homem), the Infraggable Krunk (versão em negativo do Incrível Hulk), and Valhallen - palavra-valise ou portmanteau de Valhalla e Van Halen -, Deus Viking do Rock (alusão ao deus nórdico do trovão, Thor), formam um grupo desajustado de heróis do desenho animado apresentado pelo canal de TV a cabo Cartoon Network.


Os Ratos
Para finalizar, uma tirinha bem antiga de Fernando Gonsalez, com seu personagem-título, uma ratazana de esgoto, Níquel Náusea, encontrando seu parônimo(?) mais guti-guti, Mickey Mouse!
E aí, faltou alguma irreverência/referência que eu deixei de citar?


Filme sugerido: O Homem que Copiava (2003), de Jorge Furtado.
Comemoração ou tradição sugerida: festa de halloween.
Música sugerida: "Jump", de Van Halen.
Série de livros sugeridos: Harry Potter (a heptalogia).
Cubecraft sugerido: Overman (inédito, autoria própria).
HQ online sugerida: Tio Patinhas e Pato Donald em Dream of a Life Time (que talvez tenha inspirado o filme A Origem - Inception).
Posts sugeridos: Influências e Semelhanças do blog Alternative Prison.