sábado, 27 de setembro de 2014

Gavião Arqueiro em LIBRAS (e não só em ASL).


Na edição americana número 19 de Hawkeye, de julho, o personagem fica temporariamente surdo, e o autor Matt Fraction viu aí uma boa ideia para divulgar a língua de sinais na edição, mostrando o herói se comunicando por meio dela (HQ é uma mídia altamente imagética e bem propensa a se fazer isso).


Acontece que a língua de sinais utilizada é a americana, conhecida como ASL (American Sign Language), que ao contrário do que muitos imaginam, não é a mesma usada no Brasil (muito menos é universal a língua de sinais que os surdos usam; sendo uma língua como cada uma é, são tão diferentes quanto o português é do inglês, por exemplo). Os autores buscaram inclusive ajuda de um intérprete para ajudar na composição dos quadros para passar a mensagem. Segue abaixo um exemplo do script de uma das páginas da história:


Meu amigo Guilherme me apresentou a sensacional ideia de iniciar uma campanha para que a obra seja publicada e TRADUZIDA para Libras aqui no Brasil. A detentora dos direitos de publicação do personagem no Brasil é a Panini, e ela já traduz mensalmente o herói para português. Seria uma ótima oportunidade para aqui no Brasil também divulgarmos nossa Língua Brasileira de Sinais usando um personagem bem conhecido (ele é o cara das flechas no filme dos Vingadores, e um dos mais aclamados pela crítica e público neste ano com as edições de Fraction!) e numa mídia altamente acessível e de muita penetração no público jovem e jovem adulto. 


Então está lançada da campanha #gaviaoarqueiroemlibras para sugerir ou forçar ou pressionar a Panini a traduzir não só os diálogos para o português como também para traduzir os desenhos (ou apresentar um adendo extra na edição nacional com a tradução) para Libras. A editora poderia assim ser tão inovadora aqui no País quanto foi a edição americana ao apresentar este elemento de inclusão tão pouco conhecido mas tão importante para boa parcela da população. 


Sei que modificar o desenho em si de David Aja (que por sinal é excelente e tá mandando muuuuuito bem em cada edição do Gavião!) pode ser difícil devido a alterações na obra e questões de direitos autorais em si, mas nada impede que a Panini poste, por exemplo, ao fim da revista um anexo com desenhos nacionais representando como são as palavras e expressões usadas na história mas na Língua Brasileira de Sinais.



Quem puder ajudar, repasse a ideia! Já enviei e-mails para a editora em seu site, seu blog e no hotsite dos Vingadores, além de pelo facebook. Queremos alcançar associações e entidades de surdos para oficializarem a petição por meios formais à Panini. 
Obrigado.






- Seriado sugerido: Switched at Birth.
- Dicionário online sugerido: http://www.acessibilidadebrasil.org.br/libras/
- Aplicativo sugerido: ProDeaf
< https://play.google.com/store/apps/details?id=com.Proativa.ProDeafMovel&hl=pt_BR > (para Android)
< https://itunes.apple.com/br/app/prodeaf-tradutor-para-libras/id651120192?mt=8 > (para IOS)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Aranha Pagando o Pato

Recentemente estava lendo algumas edições (bem) antigas da década de 70 da Marvel, e me deparei com um momento tão banal e ao mesmo tempo tão interessante que tive de contar aqui. Ela envolve nosso amigão da vizinhança, Homem-Aranha, e o inusitado Howard, o Pato.
Já falei de Howard anteriormente aqui no blog, mas antes de continuar preciso fazer uma leve correção. Segundo o excelente site Guia dos Quadrinhos, Howard já aparecera aqui no Brasil em outras edições que não as duas que eu havia narrado no post anterior. 
De personagem coadjuvante na revista do Homem-Coisa, Howard ganhou revista própria e chegou, inclusive, a ser candipato, digo, candidato à Presidente dos Estados Unidos nas eleições de 1976.



Na primeiríssima edição de sua revista solo, Howard conhece aquela que seria sua companheira, a estonteante Beverly Switzler, e recebe a participação especial do Cabeça de Teia nas páginas finais da história, mandado por J. J. Jameson para Cleveland a fim de tirar fotos de um suposto mutante novo com forma de pato, ajudando-o a resgatar a ruivíssima Bev de um supervilão improvável (Pro-Rata, o mago contabilista, uma das muitas críticas que Steve Gerber inseria em suas histórias). 
Eis que, na revista Marvel Treasury Edition #12, Gerber juntou The Duck and The Defenders, unindo-o ao time que também escrevia à época, quando o pato se mudou para Nova Iorque devido à campanha presidencial. Recém-chegados e andando pela vizinhança, o casal Howard e Bev encontraram um amigável casal e decidem buscar informações sobre um endereço. O casal era Peter Parker e Mary Jane. 
E aqui está o ponto alto da história, neste simples cameo que durou apenas uma página. Quando se vira, imediatamente Peter se lembra da bela ruiva e a cumprimenta, esquecendo-se que a conhecera sob a máscara do Homem-Aranha. A bem-humorada MJ, que na época não conhecia a identidade secreta do namorado, espirituosamente tenta contornar a situação, mas não sem antes provocar um quê de ciúmes no ranzinza pato falante que vai tirar satisfação com um Peter suando frio sem poder explicar.

[sal+buscema+and+steve+gerber.+the+duck+and+the+defenders.+page.+008.jpg]

Beverly: "Com licença, você parece bem inofensivo, poderia..."
Peter: "Pois não? Ah... oi! Como você está? Não te vejo desde..."
Mary Jane: "Desde antes de nós estarmos juntos, eu espero..."

Uma situação, como disse, bem banal, mas que poderia muito bem acontecer e causar esses estranhos constrangimentos para alguém que usa uma máscara escondendo seu rosto e sai por aí salvando milhares de cidadãos por ano.
Palmas para Steve Gerber, por captar essa nuance super-heroica comicamente, em apenas uma página, de maneira simples mas magistral. 
Waaaugh!

PS - Hoje Steve Gerber, falecido em 2008, faria 66 anos. Parabéns a este grande escritor.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Piada Mortal (de Morrison?)


Explicar piada é uma das piores coisas que existem, mas às vezes isso te revela coisas para as quais você não havia se atentado antes. Na primeira vez em que li a supracitada história de Alan Moore e Brian Bolland, ainda na infância, confesso que inicialmente não entendi a piada que Coringa conta para o Batman e a relação disso com a história.

Relembrando, Batman havia acabado de propor ao Palhaço do Crime para ambos trabalharem juntos, ao passo que Coringa contou a famosa piada sobre dois lunáticos que tentavam fugir do asilo pela cobertura, um deles conseguindo pular até o prédio ao lado enquanto o outro se acovardou. O primeiro, então, liga sua lanterna e propõe ao segundo que caminhe sobre o vão entre os prédios por cima do facho de luz de sua lanterna.
"Acha que eu sou louco? E se você apagar a luz enquanto eu estiver no meio do caminho?"

Meu irmão foi quem, anos depois, me contou que, na verdade, a piada fazia alusão aos próprios Batman e Coringa, sendo Batman o lunático com a lanterna ligada pedindo para Coringa atravessar para seu lado sobre o facho de luz (mais sobre isto no fim do post*).
Daí vem a famosa cena do Homem-Morcego não apenas sorrindo, como rindo, e depois ainda gargalhando ao lado do vilão.
Uma das maiores críticas que eu já vi sobre a história (que é um show de narração, narrativa, transições entre cenas e casamento entre texto e imagem) foram justamente sobre esse final. Como pode o Batman, usualmente soturno e sério como poucos, não apenas sorrir (?) como também rir (??) e ainda por cima gargalhar (???) ao lado da pessoa que acabou de ALEIJAR sua amiga e filha do Comissário Gordon (?!?!) e  ESPANCOU SEU PUPILO ATÉ A MORTE (?!?!?!?!?).
Eis que, nesta semana, no podcast de Kevin Smith sobre o Homem-Morcego, Fatman on Batman, Grant Morrison surge com sua interpretação do final desta história, o que levou a explosões de comentários em fóruns pela internet afora. Talvez pelo revisionismo 25 anos depois de a obra ter sido publicada, seja pela polêmica e impactante visão que sua interpretação dá para o final da obra em si mexendo com alguns dos cânones do universo DC, ou seja pelas impressionantes pistas de que os argumentos que levam a esta interpretação já estavam todos lá no original há um quarto de século, só ninguém não viu até hoje! Ou não quis ver...
Morrison explicou a piada para o incrédulo Kevin Smith e para nós. Uma piada de matar, está lá, desde o título: A Piada Mortal. Segundo Morrison, Batman quebra o pescoço de Coringa e o MATA no fim da história.
Vamos rever a cena:

Reparem que, ao gargalhar, Batman se aproxima e estica o braço em direção ao Coringa (no ombro ou no pescoço?). A silhueta de Batman mantém-se toda negra, no escuro, porém seus olhos e sorrisos sinistramente mantêm-se visíveis, o que juntamente com as orelhas de seu capuz quase parecendo chifres lhe dão um aspecto maligno, quase demoníaco. A "câmera", ou ponto de vista, desce do foco principal da cena e não nos permite mais ver o que acontece com os dois, tampouco com os braços de Batman ao redor do Palhaço. A onomatopeia do carro de polícia chegando começa a tomar conta dos painéis ao tempo em que deixamos de perceber as onomatopeias das gargalhadas, talvez substituindo-as, talvez porque essas cessaram. Percebam que nos três últimos quadrinhos o "EEEEE" pode muito bem ser entendido como um grito, talvez. Os pés dos personagens não se tornam mais visíveis, então não sabemos se Coringa ainda permanece de pé. A luz refletida na poça d'água marca a divisão em polos opostos dos dois antagonistas; porém, no último quadro, esta luz é apagada. Bom, uma das metáforas mais manjadas para o fim da vida é a de uma luz sendo apagada, e o som cessando...
Se formos ler a história atentamente, perceberemos que Alan Moore pode ter plantado esta ideia desde o início. O primeiro diálogo entre Batman e o "Coringa", ainda no Asilo Arkham, já demonstra:
"Sobre o que vai acontecer conosco. No fim. Nós vamos matar um ao outro, não?"

Os negritos em ACONTECER, FIM e MATAR não são meus, já estão nos originais. Bruce ainda conversa umas três vezes com o lunático psicopata, e em todas elas ele faz menção a essa possibilidade: "Não quero que nenhum de nós mate o outro no fim... mas estamos esgotando as alternativas", e também "entraremos numa rota suicida (...) que vai levar nós dois à morte".
Várias coisas me agradam nos autores britânicos de quadrinhos, como Neil Gaiman, Alan Moore e Grant Morrison, e uma delas é o tratamento de cada história como uma obra literária, como arte, e não mero entretenimento, usando e abusando de intercontextualidades, referências, jogos de palavra, metalinguagem, e o uso magistral do casamento argumento e arte. Se Alan Moore realmente queria dar margem a parecer que Batman matou o Coringa no fim da história, parece que ele deu vários indícios sim, e não só no pleno título da história apenas. Nada que o autor já não tenha em outras obras, tais como Watchmen, por exemplo. 
 Um dos aspectos mais importantes dos quadrinhos enquanto mídia, se não o mais importante, é a chamada sarjeta, ou o espaço entre um painel e outro. Diferentemente de filmes, que também são quadros de imagens sequenciais, nas histórias em quadrinhos esta sarjeta é preenchida pelos leitores; ou melhor, por cada leitor, em cada situação em que a lê, interpretando esta passagem de uma imagem à outra com sua visão própria. 
Um bom autor é aquele que consegue contar uma boa história e ainda assim aproveitar o recurso da sarjeta para que o leitor preencha os vazios, gerando sua própria interpretação sem cair no non sequitur. Acredito que Alan Moore, reinterpretado por Grant Morrison duas décadas depois, conseguiu isso.
Pode não ser única interpretação, mas, pra mim, faz realmente todo o sentido, pois prefiro acreditar nisso do que num Batman gargalhando e botando os braços no ombrinho do maníaco sádico e homicida que aleijou sua amiga e matou seu "filho" como era interpretado canonicamente até então.
Por que é tão difícil mexer nesse cânone? Por que tantas respostas exacerbadas contra essa visão? Afinal de contas, o Batman pode sentar ou não pode? Em tempo, o próprio Bolland, coautor da obra e que teve acesso ao roteiro antes de ser desenhado, já havia levantado essa possibilidade desde 2008.
killing-joke-bolland-suggestion
Porém, na internet, estão rolando outras interpretações possíveis para o porquê do som ter terminado e os faróis da polícia terem se apagado. Aparentemente, o que os policiais presenciaram após Batman ter posto a mãozinha sobre o ombro do Coringa foi isso aqui:


* Porém, o melhor da piada é que, no penúltimo quadrinho da história, não é que o farol da viatura refletido na água não forma exatamente um facho de luz? Um facho de luz que depois é... apagado? 
Hein, entenderam a piada, hã, hã?!?

domingo, 11 de agosto de 2013

Super Dia dos Pais

batman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
 Sequência de imagens feitas pelo ilustrador Andry Rajoelina para homenagear os heróis da Liga da Justiça levando seus filhos para a escola, como um presente especial neste dia dos pais para os fãs de HQ que já chegaram ou estão chegando nesta fase da vida também. 
superman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
aquaman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
arqueiro verde liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
É emblemático perceber que muitos dos "filhos" nada mais são que os herdeiros de tais heróis, muito condizente com a questão do Legado tão fortemente marcado nas histórias da DC Comics. O que nos traz a pergunta: "Será que a nossa imensa coleção que há tantos anos zelosamente guardamos será uma boa herança aos nossos filhos? Eles se interessarão por elas?"

Por outro lado, a imagem do Lanterna Verde levando um filho gerado apenas na força de vontade é bastante melancólica...
lanterna verde liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Em contraste, o superacelerado Flash só podia levar seu pimpolho, como não poderia deixar de ser... correndo, é claro!
flash liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Para finalizar, mesmo não sendo um pai, não podíamos deixar de mostrar a também icônica Mulher-Maravilha (e mais uma vez a representatividade majoritariamente masculina dos heróis é refletida nestas ilustrações, pois há apenas a imagem de uma heroína): 
mulher maravilha liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Na verdade, a resposta para a pergunta que fiz acima pode ser resumida de tal forma: "Talvez eles não se interessem pelas revistas velhas e desgastadas, com folhas amareladas e cheirando a pó e mofo, mas os valores preconizados por estes heróis e suas virtudes serão sim um belo legado a deixar para os filhos".

Feliz dia dos pais!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Caros amigos,
   gostaria de anunciar que agora estou postando notícias nas páginas da Omninérdia, junto com outras duas pessoas. O enfoque lá é outro: mais notícias, posts mais curtos, e história em quadrinhos é apenas um dos assuntos a serem tratados dentro do grande espectro do que se diz nerd. Tentarei continuar postando comentários sobre HQs que li lá. E, eventualmente, quando me ocorrer de escrever algo maior e mais profundo sobre quadrinhos, voltarei a postar aqui.
   O blog ficção HQ continuará no ar, para que o material já escrito fique à disposição de todos. E o Rodrigo, que sempre veio escrevendo comigo neste espaço, continuará aqui também (além de me dar diversas sugestões de sobre o que escrever na Omninérdia).

http://www.facebook.com/Omninerdia

http://www.twitter.com/Omninerdia

 www.gplus.to/Omninerdia

http://www.youtube.com/Omninerdia


Abraços!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Perguntas que não querem calar...

- Se o Exterminador tem fator de cura, por que é caolho?



- Como é que a Mulher-Maravilha sabe onde está seu avião invisível? E quando sabe, como ela encontra a porta para entrar?

- Seria a Mulher-invisível a mulher mais satisfeita do universo Marvel?
- Se o Super-homem tem supervisão e superaudição, e visão de raio-X, como é que ele é pego de surpresa tantas vezes?
- Se o Super-homem é invulnerável, porque é que ele vive caindo pelos cantos, tonto com as pancadas que levou de algum vilão?

- Será que o Flash não é capaz de mais do que uma rapidinha?
- Se o Ajax é transmorfo, por que ele continua aparecendo careca, feio e verde?


- Se o Rhino fica preso dentro da sua armadura, como ele vai ao banheiro?
- Por que a maioria esmagadora dos personagens são brancos?
- Se o Coisa não tem orelhas, como é que ele escuta?



- Qual é o segredo da eterna juventude dos super-heróis?
- Quantos pedaços de kryptonita existem na Terra, afinal?
- Se o Super-homem tivesse um filho com a Mulher Maravilha, qual é o intermediário entre o aço e o barro?
- Como é que o anel do Lanterna Verde funcionava embaixo de uma lâmpada incandescente amarela?
- Onde o Wolverine guarda as garras quando o desenhista as faz maior que seu antebraço?


- Como o Eléktron consegue respirar quando fica do tamanho de um átomo, se uma molécula de oxigênio tem o dobro do seu tamanho?
- Como o Fanático e Tufão viram o pescoço com aqueles capacetes?

 

- Se a Mulher-Maravilha é invulnerável, porque ela se defende das balas com seus braceletes?
- Será que Hank Pym e a Janet já tiveram relações em suas formas de Gigante e Vespa ao mesmo tempo?
- Porque a Mulher-Gavião, vindo de um planeta tecnologicamente superior, usa armas medievais da Terra? E asas artificiais para voar?
- Por que a mania de usar cueca fora da calça nunca sai de moda?
- Se Namor é um ser que vive debaixo dágua, pra que diabos ele voa? De quem herdou as asinhas? E como é que asinhas de passarinho nos tornozelos sustentam ele no ar?


- Se os Inumanos não são humanos e vêm de um cultura completamente diferente, por que usam nomes da mitologia terrestre, como Medusa e Triton?
- Será que o Chamber tem a chance de comer um bife mal passado?



- Como o super-homem faz pra congelar as coisas com seu supersopro sem jogá-las longe, ou soprar as coisas longe sem congelar?
- Como diabos ninguém questionou quando o Visão, um robô, teve filhos??? E nenhum deles era sequer vermelhinho... Será que ninguém confiava muito na fidelidade da Wanda e deixaram quieto?
- Como a máscara do Sr. Milagre entra na boca dele?


- Como o Tocha Humana respira quando está em chamas se todo o oxigenio ao seu redor está em combustão?
- O Manto já pegou ou não a Adaga?
- Por que as pessoas que são presas com gelo, ou mesmo congeladas, nunca sentem frio?
- Como é que o Motoqueiro pronuncia o "p" e o "b", se são sons bilabiais?


- Por que todos os personagens estrangeiros só falam na língua natal quando falam "oi", "tchau", "sim", "não", "amigo" ou "colega"?
- Por que todos os alienígenas só invadem a Terra pelos Estados Unidos?
- Afinal de contas, quantas flechas cabem naquela aljava do Gavião Arqueiro?
- De onde é mesmo que o Batman tira o escudo?


  Obviamente, não consegui esgotar o tema. Se você também tiver uma perguntinha que te tira o sono, acrescente nos comentário!


domingo, 20 de maio de 2012

Leituras Recentes 2

   Pessoal, mais uma vez estou aqui para comentar algumas leituras recentes que fiz, ou melhor, as leituras depois do primeiro post Leituras Recentes. Espero poder fornecer boas descrições das obras, ao mesmo tempo tentando não matar a história nem fazer spoiler, de tal forma que eu possa contribuir para a escolha de vocês sobre os próximos quadrinhos que querem ler (ou aqueles que não querem ler de jeito nenhum).





O Chinês americano
   Tomei conhecimento e tive interesse em ler essa obra porque foi uma das comentadas na I Jornada de Romances Gráficos (na UnB), assim como The Arrival (comentada também neste post). Dificilmente uma história em quadrinhos me surpreendeu tanto. Não esperava muito dela, apenas uma história interessante. Quando li, reparei que é uma história em quadrinhos com muita profundidade, que equilibra muito bem simplicidade e qualidade. São três enredos que se desenrolam conjuntamente: o do rei macaco (o macaco que queria ser mais que um macaco), o de Jin Wang (o Chinês que se mudou para os EUA e queria ser como seus colegas) e o de Danny e seu primo Chin-Kee (que é a paródia do arquétipo de um chinês, feita em formato de sitcom). Os três enredos, cada um a sua maneira, fala sobre o mesmo tema: o desejo de pertencer, a vontade de se sentir parte da comunidade onde se está. O Chinês americano é uma obra muito interessante e bem-humorada.



Jogos de poder volume 1
   Comprei Jogos de poder faz tempo, e sempre acabava lendo outra coisa antes, deixando-o para depois. Não sei exatamente por quê... não sei exatamente por que comprei também. O importante é que finalmente li. Achei legal. Não é uma obra excepcional, dessas que ficam pra sempre gravadas em nossa mente com aquela impressão de que gostamos muito. Mas é legal, valeu a pena ter lido. Uma dessas histórias de espionagem, com conspirações, tramoias e aquele velho conflito entre o agente e seu chefe e algumas surpresas no caminho. É um leitura bem dinâmica, rapidamente se lê a história toda. O volume 2 já saiu, já comprei o meu e estou esperando a hora em que a revista vai me chamar para que eu a leia.



Invasão dos mortos
   Invasão dos mortos é um desses quadrinhos em preto e branco de suspense, terror. Porém, esqueça zumbis se multiplicando por toda a cidade. A invasão é um tanto invisível, com possibilidade até de ser apenas uma armação de pessoas decididamente vivas. É nesse clima de mistério que uma trama bizarra, com personagens um tanto peculiares - como o próprio protagonista -, se desenrola. Leitura rápida e de qualidade.

Coleção DC 75 anos
   Essa coleção é um conjunto de quatro encadernados com histórias da DC. Cada uma delas representa um dos quadro períodos das histórias em quadrinhos de super-heróis. Começa pela Era de Ouro, onde constam as primeiras história de grandes ícones da DC, como Super-homem, Batman, Lanterna Verde  e Mulher Maravilha. No encadernado da Era de Prata vemos as histórias mais lúdicas e aventurescas dos personagens, também período em que o Flash passou a fazer mais sucesso. Na Era de Bronze, temos um tom mais sério e reflexivo de histórias maduras, como aquela em que Ricardito - ajudante do Arqueiro Verde - se envolve com drogas. Finalmente, na Era Moderna vemos o tom mais adulto e sombrio que os quadrinhos ganharam, onde se apresentam histórias do Monstro do Pântano de Allan Moore, Sandman e trechos do Cavaleiro das Trevas, entre outras. Cada encadernado vem com algumas páginas de explicação sobre esses períodos dos quadrinhos e seus marcos. Eu diria que são obras essenciais para quem gostaria de conhecer um pouco sobre a História das histórias em quadrinhos e ler bons exemplos de histórias publicadas em cada período, para perceber a grande diferença de estilos que os caracterizam.


The umbrella academy: a suíte do apocalipse

   Umbrella academy: a suíte do apocalipse é algo... diferente. Difícil até de explicar... Digamos que a a estrutura narrativa dela seja mais emocional do que racional. Eu sei que estou sendo vago, mas como disse, é difícil explicar. Minha impressão é a de que a obra é mais centrada nos sentimentos dos personagens, em seus conflitos (internos e com os outros), do que em coisas explicadinhas. Tem um pé na poesia e o outro na ludicidade. Tudo isso dentro de uma trama com super-heróis e vilões exóticos. Confesso que, com os comentários que eu havia ouvido sobre o Umbrella Academy, minha expectativa foi um tanto alta, e não correspondida. Porém, posso dizer que foi uma leitura que valeu a pena, dada a sua peculiaridade. Já saiu sequência, ainda estou decidindo se vou comprar... 


Camelot 3000
   Li Camelot 3000 por ser uma história muito bem comentada. Ela já ganha crédito pela originalidade do enredo: em um futuro distante (ano 3000), uma grande ameaça alienígena paira sobre o planeta Terra. Nesse momento, cumpre-se a profecia de que o Rei Arthur voltaria à Inglaterra quando a terra mais precisasse dele. Ele então parte em busca das encarnações dos heróis da távola redonda. Diferente, né? Quanto ao desenvolvimento da trama, vale lembrar que a história é relativamente antiga. Alguns aspectos dela são ainda um tanto inocentes, mas de uma maneira geral é boa. Levando também em consideração o tempo em que foi lançada, entendo porque foi tão aclamada: trouxe a tona temas sobre os quais não se falava na época. Veja por exemplo o caso de Tristão, que encarnou em um corpo feminino, mas tem a alma masculina. Só recentemente outros direcionamentos sexuais passaram a ser abordados em histórias da Marvel e DC. Já em 82 o tema foi abordado nesta história, e com que simbolismo mais refinado! Acredito que seja uma obra interessante para os leitores de quadrinhos em geral, e indispensável para quem se interessa por ler história clássicas, que estavam a frente de sua época, e para quem gosta bastante da lenda dos cavaleiros da távola redonda. E, é claro, da belíssima arte de Brian Bolland.



Ao coração da tempestade
   Uma história bem legal sobre um dos mais ilustres quadrinistas do mundo. Ao coração da tempestade é uma autobiografia de Will Eisner. Enquanto viaja no trem rumo a Segunda Guerra Mundial, o autor relembra toda a sua vida, desde a infância (quando se mudou de bairro e logo passou a ser perseguido pelos garotos da rua por ser judeu, estigma que gerou vários outros problema ao longo dos anos). A história aborda a maneira como ele enxergava seu pai, as dificuldades financeiras pelas quais sua família passou, sua perseguição pela arte da pintura e desenho, até conseguir se tornar um quadrinista, quando foi convocado para a guerra. Indispensável para quem gosta do gênero biográfico em quadrinhos, tão em voga ultimamente.




Batman anual 3 - a origem sangrenta do Coringa
   Esse encadernado traz uma outra versão da origem do Coringa, diferente daquela a que estamos acostumados desde a Piada Mortal (Allan Moore), que também serviu de referência para o primeiro filme do Batman. Em A origem sangrenta do Coringa, vemos o vilão antes de se tornar o palhaço do crime. Vemos o quanto ele é naturalmente talentoso em roubos e com armas. E vemos a ascensão e constante popularização de um herói encapuzado dando sentido, aos poucos, à existência de um criminoso que não encontrava rival. Ao mesmo tempo, a história mostra (ou antecipa) o impacto que o vilão terá na vida do homem morcego. Para quem gosta de Batman, para quem gosta do Coringa, para quem gosta de origens... este encadernado é uma boa opção.


Batman - a queda do morcego (volume 1)


   Republicação do arco de histórias do Batman que aparentemente inspirou o terceiro filme da franquia, o volume 1 (e por enquanto, o único relançado) narra os planos de Bane para cansar, na verdade, estafar o homem-morcego, física e psiquicamente, deixando-o totalmente suscetível a uma derrota pelo vilão. A história é boa, demonstra - pra mim - a única forma de vencer o herói.




Batman (de Grant Morrison)
   Normalmente, só comento os encadernados, quando muito minisséries. História em quadrinhos mensal, não. Mas abro uma exceção, porque Grant Morrison realmente é um escritor diferenciado. Tenho que dar razão ao Rodrigo quando ele diz que é um dos melhores autores de quadrinhos. Seu trabalho com o Batman é bom em tantos aspectos que o espaço aqui fica pouco para comentá-lo. Acredito que a característica mais marcante para mim foi a tal da hipercontinuidade: Morrison não considera que existem histórias escritas do Batman que, na verdade, nunca aconteceram. Muito embora aquele Batman da Era de Prata já não tenha nada a ver com o Batman pós Frank Miller, Morrison abraça todo o seu passado, todas as suas histórias (inclusive de outras mídias, como os filmes do morcego atuais e antigos) para compor, de alguma forma, sua história agora. Ele traz diversos elementos do passado do vigilante, mesmo aqueles não compatíveis com a versão sombria de agora. E faz uma verdadeira ode ao personagem, tratando-o como um personagem extremamente icônico, praticamente sacro. Quem ainda tiver a oportunidade de comprar as revistas em lojas especializadas, em sebos de quadrinhos ou lojas virtuais que mantêm números antigos (ou mesmo pedir números atrasados na sua banca predileta), vale muito a pena (li e estou sugerindo aqui as edições de 58 a 89). Um conselho: leia as revistas acessando informações sobre elas em blogs que comentem as histórias número a número, porque muitas referências podem passar batidas mesmo para um fã de longa data.




Madman comics 1 - curso-relâmpago para quem quer se divertir
   As histórias de Madman comics 1 têm uma boa dose de ação e mistério, permeada por ironias e situações inusitadas. Por um lado, tenho a impressão de que as histórias tiram um bom sarro do modelo clássico de quadrinhos de super-heróis, por outro acho que podem ser consideradas também homenagens, mas honestamente fico na dúvida. Imagine um herói tendo uma epifania sobre suas motivações, seus medos, sobre a existência e o julgamento divino... enquanto luta contra um brutamontes sem pele chamado Homem-músculo. É por aí... Mas não espere rir. Na minha avaliação não é o tipo de humor que faz a gente rir, e sim aquele que faz a gente ver graça, ou ironia, sem dar risadas.




Lex Luthor - homem de aço
   Nesta história vemos Lex Luthor sem ser naquela visão maniqueísta de mente maligna, gênio do mal. Vemos em Lex Luthor - homem de aço o impacto psicológico que a existência e aparição de um ser como o Super-homem gerou em uma pessoa como ele. A desconfiança, o medo natural que se sente diante de um ser tão poderoso, e uma total falta de capacidade de aceitar que um alienígena seja eleito o herói dos humanos. Vemos na história, curta e sem muita ação, mais focada na psicologia, uma possível razão para que ele tenha se transformado no temível vilão.


Fracasso de Público 2 - desencontro de titãs
   O encadernado Fracasso de público 2 - desencontro de titãs trata de histórias mais realistas, com pessoas normais, naturalmente cheias de defeitos, dificuldades e extravagâncias. Está repleta de metalinguagem e de muitos enquadramentos interessantes e originais dos painéis dos quadrinhos. Desde as personagens (uma delas acredita piamente que outra é uma vilã totalmente polarizada, mas lembre-se: é uma história realista) até os enredos em si, sendo que um deles é justamente sobre um autor que criou um personagem em quadrinhos no qual foi inspirado um grande sucesso de uma grande editora, só que o criador nunca recebeu um centavo por isso. Ele continua lutando por seus direitos, mas também não é nenhum especialista em direito, tampouco conta com a bondade de um excelente advogado cego que o ajude voluntariamente. Os outros enredos envolvem problemas com os vizinhos, romance, ciúmes e coisas da vida normal, retratados com humor e uma boa dose de sensibilidade. 





Zoo 2 - Jogos de caçadores
   A aguardada continuação de Zoo, que já comentei em outro post como uma das melhores histórias quadrinhos nacionais que já li. Zoo 2 também conta com uma entrevista com autor aqui no blog, às vésperas de seu lançamento nacional. O que posso comentar dessa obra é que Nestablo Ramos se superou. Aprofundou-se ainda mais nesse mundo onde os animais são a raça dominante e os humanos, bichinhos de estimação, usados também em testes químicos, como   fonte de alimento e suas partes usadas em roupas. Uma história extremamente reflexiva, cuja continuação supera a primeira edição em elaboração, sutileza e complexidade, afinal o tema é aprofundado, enredos correm paralelos dentro da trama principal e existem dicas que se conectam com a primeira edição e vão desvendando os mistérios de toda a história, além dos novos e interessantes personagens. Agora só falta a terceira e última edição, que certamente terá reviravoltas e as muitas surpresas características das duas obras já publicadas.


A box of bunny suicides

   Poucas coisas são perturbadoramente tão engraçadas quanto Bunny Suicides. O princípio é muito simples: coelhinhos fofinhos suicidas, que se empenham em morrer (com toda a calma e serenidade do mundo) das formas mais inusitadas e mirabolantes possíveis. Eu sei, falando assim parece morbidez sádica... Mas os coelhinhos são muito criativos. Elaboram verdadeiros planos de morte, bem originais e criativos. Na maior parte das vezes basta uma página, de um único desenho, sem balões. E as mortes muitas vezes não chegam a aparecer, ficam apenas deduzíveis. É difícil explicar como isso pode se tornar engraçado, então dê uma "lida" na imagem abaixo e veja se pega o espírito da coisa.





Necronauta - o soldado assombrado e outras histórias
   Já que comentei acima Zoo, vou falar também de Necronauta, outra obra que foi produzida pela HQM. Este encadernado reúne histórias publicadas pelo autor, Danilo Beyruth, normalmente de forma independente. As histórias são de leitura bem rápida e quase todas são em preto e branco. O conceito do personagem é, na minha visão, seu ponto forte: Necronauta é uma espécie de salva-vidas de espíritos, que por algum motivo ainda não chegaram à luz. Cada história narra o que prendeu o espírito ao limbo (ou de que forma ele se perdeu ali) e qual abordagem o "herói" usa para salvá-los. Vale a pena ler para conhecer.


 Projeto Superpowers
   Uma história de Alex Ross e Jim Krueger, com um monte de personagens da década de 30, aqui revitalizados e remodelados. Um encadernado com arte muito bem feita e uma história envolvente, mostrando o que aconteceu no mundo depois que esses heróis venceram os vilões. Bem, nem todos... Os personagens da história são bastante marcantes e a trama muito bem desenvolvida, começando com o Combatente Ianque - um dos muitos heróis patrióticos do período - já velho, questionando seu passado. Um mistério abre a história, pois não sabemos exatamente que grande pecado ele cometeu, nem o que ele deve fazer para reverter esse quadro. Considero Projeto Superpowers uma das leituras  recentes mais agradáveis que fiz, dessas que dá um sensação de "que pena!" quando a história acaba. Ouvi dizer que a história tem continuação. Espero que tenham a sensatez e a boa vontade de continuar publicando no Brasil. Curiosidade: quem tiver o encadernado de Tom Strong - No Final dos Tempos pode tentar encontrar alguns personagens retratados tanto nesta quanto naquela obra.




Vigor Mortis Comix
   Taí um revista inusitada. Trata-se de uma espécie de terrir erótico, com histórias bastante originais. A primeira, por exemplo, fala sobre um zumbi em busca de um relacionamento com uma mulher, embora sempre fique no dilema entre manter essa ligação e comer seu cérebro. Em outra história, o protagonista, em fuga, atropela o cafetão de algumas prostitutas. Agradecidas, elas criam uma espécie de harém, que também serve como fortaleza: quando os mafiosos vêm atrás dele, elas pegam suas metralhadoras e defendem-no sem medo. Dá pra acreditar nessas histórias? Entre elas, também existe uma metalinguagem em tom tragicômico sobre pessoas que trabalham ou gostam de quadrinhos, além da criativa forma em que cada história se interliga sutilmente com outra. Para quem está procurando uma leitura bem diferente, Vigor Mortis Comix é uma ótima opção. 


Namor - as profundezas

  Esse encadernado ganhou minha admiração logo na primeira página (retratada ao lado). A imagem do submarino, imerso nessa grande escuridão, dá uma verdadeira impressão das profundezas do oceano, onde certamente a luz já não chega, e o silêncio é dominante. Como a história de Namor - as profundezas conta sobre um grupo de exploradores que se veem totalmente isolados do restante do mundo (e fragilizados mentalmente por conta disso), nada mais representativo do que essa imagem. Namor mesmo é personagem coadjuvante dela. O protagonista é um pesquisador, desses que desmistificam lendas, tentando provar que Namor é apenas um mito. A trama não é nada aventuresca, e sim tem uma pegada bem puxada para o suspense e até terror, onde nosso conhecido personagem é retratado como aquele que provoca o medo. A cena em que, rodeado pelo negrume do abismo profundo, o casco de aço frio do navio contrasta com um vislumbre do peito nu do Príncipe Submarino é excelente! Nunca gostei muito do Namor, nem de suas histórias, mas é o que sempre digo: bons escritores são capazes de fazer boas histórias com qualquer personagem. 


Transmetropolitan 2 - tesão pela vida
   No leituras recentes 1 comentei sobre o primeiro volume, falando das características gerais da obra. Então... no segundo volume elas se mantêm. Spider Jerusalém continua no grande centro urbano que ele adora (re-re-re, só pra ir na onda de sarcasmo do protagonista. Ele detesta cidade), em sua vida de jornalista bonzinho (re-re-re-re). O futuro não é exatamente um lugar legal, e Warren Ellis explora bem tudo de ruim que pode acontecer com a sociedade. Transmetropolitan 2 vem com mais 6 histórias (e a Panini está seguindo a cronologia de lançamento original, diferente de como foi feito anteriormente), sendo que a primeira metade traz três histórias meio que fechadas, ácidas mas em algum sentido também tocantes. A segunda metade envolve um moleque sem cabeça que diz ser filho do nosso delicado repórter (re-re-re-re-re-re-re-re) e um cachorro-policial em busca de vingança por ter perdido seu pau grande e precioso devido a uma encrenca com o Spider. E você pensando que o Warren Ellis não conseguiria degradar mais o futuro da raça humana...

The arrival
   Este é um encadernado particularmente muito interessante. The Arrival narra a história de um estrangeiro chegando em um país estranho. Aliás, talvez seja mais adequado dizer que a obra mostra essa chegada. Digo isso porque não há um balão de fala ou pensamento em todo o encadernado, o que o torna bem compatível com seu propósito: não importa que versão você compre dele (americana, francesa...), não importa a língua que você fala, você pode "ler" essa HQ. Tampouco importa de onde você seja: as imagens retratadas na história são completamente alienígenas, você capta a impressão de estranheza que o protagonista sente independente de seu país. Ao mesmo tempo, é tudo mais ou menos familiar. E ainda passa a impressão não de que se está chegando a outro planeta, mas de que é uma história de época, que ocorreu no passado. Isso porque o livro é todo desenhado como se fosse um álbum de fotografias antigo. Tantas qualidades assim em um quadrinhos que não tem uma fala me obrigam a dizer que é uma história em quadrinhos sem igual. Tanta adequação da forma e conteúdo ao tema aproxima o encadernado de uma poesia, me obrigando a qualificá-lo como uma verdadeira obra de arte. 


Logicomix
   Logicomix é um desses quadrinhos mais ou menos biográficos, mais ou menos didáticos. E interessante, no início da história um dos autores já começa falando com os leitores, dizendo que não é um manual de introdução à Lógica, é uma narrativa. Essa metalinguagem permanece durante toda história, que é entrecortada pelos encontros dos próprios autores e pessoas envolvidas na produção da obra (que está bem em suas mãos). O  eixo central é uma palestra de Russel (um dos grandes nomes da Matemática e da Lógica) sobre o uso da lógica nas relações humanas, às vésperas de estourar a Segunda Guerra Mundial. Ele discorre sobre sua vida, sobre a matemática, sobre Lógica, sobre pessoas, sobre loucura... Um prato cheio para quem gosta de refletir, principalmente sobre as certezas e incertezas da vida. E para quem gostaria de conhecer um pouquinho sobre a história da Lógica, ainda que (assim como eu) não entenda muito de matemática (imagino que para os que entendem, deve ser mais apreciada ainda). Muito bom!


Vikings - a viúva do inverno
   Esse encadernado é composto por uma história fechada (ou aparentemente) dentro da obra Northlanders, que aqui no Brasil ficou conhecida como Vikings, a partir do momento em que foi publicada pela revista Vertigo. A viúva do inverno é ambientada em uma pequena cidade que decide fechar suas portas para evitar o contágio da Peste Negra. Parece uma decisão óbvia, né? Acontece que fechar as portas no início do inverno significa que haverá racionamento dos mantimentos, pessoas insatisfeitas e atritos internos. Em meio a tudo isso, a protagonista, que acabou de perder o marido, tenta criar sua filha. Essa história não é um épico medieval. Embora guarde algumas das características desse gênero, o ponto central no enredo é a sobrevivência em meio a dificuldades extremas.


   À medida que for lendo mais quadrinhos, vou comentando aqui com vocês. Tenho aqui na minha prateleira, ainda esperando para ser lido: Daytripper,   dos irmãos Bá e Moon; Jimmy Corrigan - o menino mais esperto do mundo; Retalhos e Cicatrizes. Depois que ler eu comento.