quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Milagres, Maravilhas e plágios

ENTENDA DE UMA VEZ POR TODAS TODO O CASO MIRACLEMAN/MARVELMAN!

Era uma vez um personagem chamado Capitão Marvel. Assim como a grande maioria dos assim recém-nomeados "super-heróis", ele tinha à sua disposição um leque de poderes que incluía a famosa trindade voo/superforça/invulnerabilidade*. Porém, diferentemente das dezenas de outros super-heróis surgidos durante a Era de Ouro, o Capitão Marvel apresentava um desafio à altura do primeiro deles, Super-Homem, pois o alter ego de Billy Batson vendia, e muito - mais até que o Homem de Aço à época! Devido a isso, a National Comics (que depois se tornaria a famosa DC Comics) impetrou uma ação na justiça acusando o Mortal Mais Poderoso da Terra de plágio do Super, e assim a Fawcett Comics, que publicava o Capitão Marvel, não tendo tanto dinheiro como a National (DC), parou de publicá-lo (e toda a Família Marvel) em 1953.

Enquanto isso, no Reino Unido, a L. Miller & Son, responsável por publicar a Família Marvel na Inglaterra, não estava disposta a desistir de sua maior fonte de renda. Assim, solicitou ao criador Mick Anglo que achasse um substituto. A revista Capitão Marvel #24 foi sucedida no mês seguinte pela revista Marvelman #25. Numa jogada de mestre, Mick Anglo retirou a capa do personagem, mudou seu cabelo para loiro e alterou a frase de poder Shazam para Kimota (a aliteração de Billy Batson se manteve em Micky Moran). E assim nascia um novo super-herói. A revista Marvelman durou até 1963. Marvelman chegou a ser publicado no Brasil, juntamente com Capitão Marvel, mesmo durante as décadas de 50 e 60, e aqui nas terras tupiniquins recebeu o nome de Jack Marvel (?!?) - com as iniciais "MM" de seu peito muitas vezes apagadas.


Aproveitando o lapso deixado pelo nome e a marca, a editora Marvel Comics, durante a Era de Prata, pegou o nome "Capitão Marvel" e lançou seu próprio personagem, o herói alienígena da raça Kree que durante algum tempo trocava de corpos com o adolescente Rick Jones**. Desde 1967, a Marvel Comics é detentora dos direitos de estampar na capa uma revista chamada "Capitão Marvel". Para não perder os direitos do nome, a Marvel Comics sempre lança, periodicamente, alguma revista, minissérie ou personagem novo com o mesmo título, Captain Marvel no original (por isso a quantidade exagerada de personagens na editora que já dividiram o mesmo nom de guerre, incluindo algumas personagens femininas até).

Devido a isso, quando, em 1972, a DC Comics conseguiu comprar o personagem mítico da Fawcett Comics, não pode estampar seu nome nas capas das revistas em que era publicado, em seu lugar decidindo estampar o nome Shazam! E foi desta forma que o personagem da DC ficou conhecidíssimo, principalmente no Brasil, não como Capitão Marvel, mas como Shazam, como se este fosse seu verdadeiro nome. ***

Durante o início da década de 80, um escritor inglês debutante apaixonado pela Era de Ouro foi chamado pela revista britânica Warrior para trabalhar sobre um antigo personagem. Foi assim que Alan Moore começou sua legendária fase reidealizando Marvelman. Moore repaginou o personagem, imaginando um envelhecido Michael Moran tendo sonhos sobre antigas aventuras passadas há quase duas décadas nas quais tinha poderes sobre-humanos e a capacidade de voar. Dentro da história de Moore, o personagem Marvelman havia deixado de existir como tal em 1963 (ano da última publicação do personagem), recuperando sua memória e antigos poderes por volta de 1980 (quando começava a nova história), desconstruindo-o e reconstruindo-o totalmente. Alan Moore criou todo um background novo para explicar não só o sumiço do personagem neste ínterim como também para trazer uma noção mais realista ou verossímil das origens e poderes da Era de Ouro de acordo com visão moderna de super-heróis.


Ao mesmo tempo em que isso se dava, Moore também ficou a cargo das histórias do personagem Capitão Bretanha (ou, como ficou mais conhecido, Capitão Britânia) para a Marvel UK, divisão britânica da editora. Em uma de suas primeiras histórias, Alan Moore e Alan Davis fizeram uma homenagem ao personagem e o inseriram nas aventuras do Capitão Britânia, apenas para matá-lo logo em seguida. Para evitar problemas, nomearam esta aparição especial de Miracleman.


Esta mesma Marvel Comics que empregava Alan Moore para escrever Capitão Britânia entrou com um processo contra a Warrior impedindo que a revista estampasse a palavra "Marvel" em suas capas, e os donos da pequena Warrior não tinham dinheiro para ir legalmente contra a toda-poderosa editora americana.

Mas eis que uma editora americana conhecida como Eclipse Comics passou a publicar o personagem, agora em cores, em solo americano, renomeando-o - adivinhem - como Miracleman para evitar possíveis processos judiciais. E foi assim que o personagem teve 24 edições publicadas, as 16 primeiras por Alan Moore, e as seguintes escritas por Neil Gaiman. Houve ainda algumas edições apócrifas, e o leque total de participantes (entre escritores e desenhistas) é invejável, figurando Mark Buckingham, um incipiente Alex Ross, Gary Leach, Alan Davis, Rick Veitch, John Totleben, Kurt Busiek, Matt Wagner, James Robinson e outros. A fase da Eclipse, sob o nome Miracleman, foi a pela qual o personagem mais ficou conhecido. Infelizmente, a editora faliu antes de concluir toda a saga proposta para o herói.

As questões legais de publicação do personagem nos Estados Unidos apenas com a alteração do nome para Miracleman foi um dos motivos pelos quais Alan Moore declarou nunca mais trabalhar para a Marvel Comics. Outros fatores foram a editora republicar sem sua permissão histórias do Capitão Bretanha (e algumas do Dr. Who) e usar uma chamada para atrair leitores com o slogan "Marvel tem Moore", mas referindo-se ao escritor John Francis Moore.

Na DC Comics, no entanto, Alan Moore fez diversos trabalhos, entre os quais um dos mais marcantes e conhecidos foi Watchmen, revisitando e repaginando antigos heróis da Charlton Comics, editora recém-comprada pela DC, mas alterando seus nomes e personalidades e poderes (Capitão Átomo virou Dr. Manhattan, Besouro Azul virou o Coruja, Questão virou Rorschach etc.). Porém, esta mesma obra foi o motivo pelo qual Alan Moore decidiu também deixar de trabalhar para a editora de Super-Homem. Pelas cláusulas contratuais, Watchmen e seus personagens pertencem à DC Comics, só passando a serem de Alan Moore e Dave Gibbons um ano após a editora parar de publicá-los. Ocorre que Watchmen nunca parou de ser publicada desde 1986, deixando seus direitos para sempre nas mãos da DC. Moore jurou nunca mais escrever tanto para a DC quanto para a Marvel. ****

Este litígio entre os detentores de direitos de personagens foi um dos motivos responsáveis pelo chamado "X-odus", o êxodo de diversos artistas, principalmente da Marvel Comics, para fundar a Image Comics. Entre eles, estavam Jim Lee e Todd Mcfarlane. Todd inventou o personagem Spawn, e em determinado momento chamou alguns escritores de peso para escreverem edições com o Soldado do Inferno. Alan Moore e Neil Gaiman estavam entre os convidados. Na edição número 9, Neil Gaiman introduziu três personagens ao universo do Spawn: Spawn Medieval, Cogliostro e a famosa Ângela. Todd Mcfarlane nunca pagou a Neil Gaiman o devido pelo uso destes personagens em outras publicações e outras mídias. Neil Gaiman entrou então com um processo na justiça para ter direitos sobre os personagens que criou.

Neste ínterim, Todd Mcfarlane comprou os espólios da Eclipse Comics, e se sentiu no direito de incluir os personagens da extinta editora em suas histórias do Spawn, chegando inclusive a lançar uma estatueta do personagem Miracleman com a seguinte inscrição abaixo: "Miracleman is a trademark of Todd McFarlane Productions, Inc. The Miracleman action figure is (copyright) 2003 Todd McFarlane Production". As decisões foram unânimes em favor de Neil Gaiman, e Todd - ironicamente cofundador da Image Comics num momento de reivindicação dos direitos dos personagens - transformou a figura que havia aparecido em sua linha Spawn rebatizado como Man of Miracles (?!?).

Neil Gaiman, para conseguir dinheiro para manter a causa na justiça, escreveu a minissérie 1602 para a Marvel Comics e fundou a Marvels and Miracles LLC. Assim, ficou-se acordado que os direitos sobre os personagens que Neil fez para Spawn permaneceriam com Todd, e em troca Neil deteria os direitos sobre Miracleman. Ao que parece, Neil e Alan Moore concordaram em doar todos os valores relativos ao personagem para Mick Anglo e sua família. Finalmente, o personagem voltou a seu criador.

Em 2009, durante a San Diego Comic Con, Joe Quesada deu a bombástica informação: a Marvel Comics havia adquirido os direitos sobre Miracleman diretamente de Mick Anglo. Assim, o personagem voltou ao seu antigo nome, tornando-se mais uma vez Marvelman. No final de 2011, Mick Anglo, criador do herói, faleceu. A expectativa agora é que a Marvel Comics, além de relançar todos as histórias antigas, relance ainda a fase de Alan Moore e Neil Gaiman escrita na década de 80 e de 90. Os fãs aguardam ansiosamente a publicação deste material de forma completa. Quem sabe, com Neil Gaiman escrevendo material inédito, as famosas fases Bronze Ages e Dark Ages que já havia previsto para o personagem e que nunca pôde concretizar.

* Apenas por curiosidade, pegue o encadernado de Projeto Superpowers e jogue na internet o nome de todos

os heróis da Era de Ouro que lá aparecem para comparar seus poderes. Cerca de 80% deles compartilha a

trindade voo/superforça/invulnerabilidade.

** Entenda todas as semelhanças/dessemelhanças entre os Capitães Marvel aqui em: http://ficcaohq.blogspot.com/2010/10/irreverencia-ou-copia.html

*** Agora em janeiro de 2012 o escritor Geoff Johns declarou que, como o público em geral já associa a palavra Shazam ao personagem Capitão Marvel, e para cortar qualquer ligação ao nome "marvel", no novo universo DC o alter ego de Billy Batson vai se chamar definitivamente SHAZAM.

**** Um dos estúdios fundadores da Image Comics, WildStorm, foi o responsável por publicar algumas das mais recentes HQs de Alan Moore, dentre as quais Promethea, Top10, Tom Strong e Liga Extraordinária, por meio do selo America´s Best Comics. Porém, com a venda da WildStorm para a DC Comics em 1999, indiretamente Alan Moore passou a escrever para a DC novamente, mesmo sem o saber.

Mais Miracleman / Marvelman em breve aqui no Ficção HQ!




Links sugeridos para saber mais a história toda:

http://www.worldsgreatestcritic.com/miraclemansaga.html

http://miraclemen.info/history/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marvelman

http://www.sedentario.org/colunas/miracleman-%E2%80%93-nada-se-cria-tudo-se-copia-comics-addicted-5-1673

http://omelete.uol.com.br/quadrinhos/miracleman-o-plagio-que-deu-certo/

http://www.marvunapp.com/Appendix/miracl.htm

http://www.leylander.org/intercom/marvelman/

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

O blog do Ficção HQ deseja a todos um feliz Natal e um ano novo cheio de realizações e surpresas positivas!

domingo, 20 de novembro de 2011

Quadrinhos na Cultura

   Ano passado participei do evento Quadrinhos na Cultura, quando aliás apresentei uma palestra sobre o tema O Simbolismo dos Super-heróis. Este ano o evento ocorrerá no período de 24 a 27 de Novembro (quinta à domingo), na Livraria Cultura do CasaPark. A proposta está diferente: diversos autores falarão sobre suas obras, o que não só  aproxima leitores e autores, como valoriza a produção nacional. Presença em massa da editora Barba Negra, com três autores na programação.
  
Quinta-feira


   O evento começará às 19h.30min., com André Dahmer comentando seu mais recente livro: Rei Emir Saad - O monstro de Zazanov. Trata-se de uma coletânea de tirinhas de humor negro sobre um "ditador à moda antiga", no fictício Ziniguistão. Na sequência, o autor abrirá uma sessão de autógrafos, assim como os demais autores presentes no evento.
   




Sexta-feira

  Será realizada uma palestra, com subsequente oficina, sobre o uso do Diário Gráfico em diversas artes. Ambas serão ministradas por Renato Alarcão.





Sábado

  A programação será cheia:
- 15h. Os vendedores da Cultura, fantasiados de personagens de quadrinhos, contarão histórias para a criançada.
- 16h. O quadrinista Carlos Ferreira comentará sua obra Kardec, um biografia em quadrinhos de Allan Kardec.
- 20h. Nestablo Ramos, responsável tanto pela história quanto pela arte na obra Zoo, já foi falado aqui no blog em mais de um post. No evento, ele comentará e autografará Zoo 2. Uma breve entrevista com esse autor de Brasília pode ser lida no post anterior.



Domingo

   A programação no domingo começará às 15h., com uma oficina de história em quadrinhos para crianças a partir de 7 anos. E o evento terminará com bate-papo com Gabriel Góes, às 16h., sobre a obra 1000-1, uma coletânea de história mudas feitas por diversos autores brasileiros.




   
A descrição completa das atividades pode ser acessada no site da Livraria Cultura, assim como na página do facebook do evento. Fica a dica!


sábado, 8 de outubro de 2011

Tá pra sair... Zoo 2


Já comentei aqui, em post anterior, aquela que considero a melhor história em quadrinhos de Brasília que já li, também uma das melhores nacionais: Zoo. A sequência da trilogia, publicada pela HQM editora, será lançada na 18ª Fest Comix, evento que ocorrerá em São Paulo, nos dias 14, 15 e 16 de Outubro. Como já estamos próximos da realização do evento, resolvi publicar aqui uma entrevista, concedida por Nestablo Ramos, o autor de Zoo (história e ilustrações), que serve como uma prévia para aqueles que, assim como eu, estão só esperando o lançamento para dar continuidade à leitura.
Sendo assim, vamos ao que interessa:

FICÇÃOHQ - A Zoo 1 terminou de uma forma um tanto enigmática, deixando os leitores curiosos acerca do que aconteceria em seguida. A Zoo 2 começa no ponto onde termina a primeira?

NESTABLO RAMOS - Não. A história começa 3 meses depois, com o chimpanzé Sims desaparecido. No livro 1, ele descobre que as respostas que procura estão fora de Zoo, então decide ir atrás a qualquer custo. Mostrarei o que o espera em seu destino misterioso. Com os personagens que ficaram para trás, suas relações continuam bem tensas, principalmente entre Sabu e Naiana.

FICÇÃOHQ - Pelo visto, personagens da Zoo 1 voltam a aparecer na 2... O foco na história gira mais em torno de algum deles?

NESTABLO RAMOS - Sim, os personagens do primeiro estão de volta para o segundo livro, mas novas caras vão surgir, umas não muito boas e outras piores ainda! (risos). O foco será nos personagens que ficam em Zoo, como eles estão lidando com o sumiço de Sims e o que farão em relação aos fatos ocorridos no primeiro livro, especialmente Sabu e Naiana.

FICÇÃOHQ - Estou vendo que a história do Sabu com a Naiana promete. Mas e o Sims, que é personagem central da história? Ele não aparece na 2? Ou haverá alguma novidade em relação a ele?

NESTABLO RAMOS - Sim, o leitor vai descobrir mais sobre o passado dele, seus princípios e motivações. Perguntas sobre a paternidade dele com a Jiyan serão respondidas, mas não de forma direta. Espero que fiquem todos atentos! (risos).

FICÇÃOHQ - E quanto a essas caras novas que você mencionou? Existe algum personagem novo que você criou e que terá mais destaque na Zoo 2?



NESTABLO RAMOS - Sim, Hardock é uma das caras novas que vai pintar. Por hora só posso dizer que ele é um lutador de Vale-Tudo e que chegou pra arrebentar! Literalmente! (risos). Tem também Sabin, um babuíno sinistro com intenções misteriosas. Só lendo pra ver, cara! (risos).


FICÇÃOHQ - Atiçando a curiosidade da galera, hein? Para terminar, na minha opinião, a primeira Zoo foi marcada por algumas reviravoltas, a partir de revelações que foram feitas ao longo da história. Existem muitas revelações na Zoo 2? Que mudam o que o leitor está acreditando acerca da história?


NESTABLO RAMOS - Sim, existem reviravoltas e muitas surpresas, marca registrada de Zoo. Algumas revelações sobre o primeiro livro serão mostradas, é preciso estar atento a tudo, pois algumas estão nas entrelinhas. Para quem gosta de mistérios, é uma boa hora de deixar o Sherlock interior vir à tona! (risos). Está na hora de pensarem mais sobre suas teorias e formular algumas novas, se colocar no lugar dos personagens e pensar no que fariam no lugar deles. Acho que é bem por aí!


FICÇÃOHQ - Mais alguma coisa que queira dizer aos leitores?


NESTABLO RAMOS - Espero que Zoo esteja trazendo novas perspectivas a todos sobre os temas abordados e que seja apreciado com o mesmo carinho que foi criado. Abração a todos e nos vemos na Zoo 2!!!








Agradeço a colaboração de Nestablo Ramos, respondendo nossas perguntas e disponibilizando algumas imagens inéditas de divulgação do novo álbum: Zoo - Jogos de caçadores. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Nona Arte

Conforme adições à classificação das artes segundo Ricciotto Canudo , os quadrinhos (banda desenhada, comics, fumetti) receberam a nona posição na numeração. Hoje em dia, assim como o cinema às vezes é chamado de Sétima Arte, os quadrinhos se identificam com o título de Nona Arte.
Dito isto, foi boa a proposta da Marvel, em 2009, de aproximar mais seu principal produto às grandes artes clássicas, no caso a pintura, quando do aniversário de 35 anos de um de seus mais conhecidos personagens: Wolverine.
Neste post rápido, muito mais imagético que palavreado, vou expor algumas capas que a editora lançou, cada uma homenageando um quadro, um pintor ou um estilo de pintura.
EXILES #1 Wolverine Art Appreciation variant cover by Jason Chan in the style of Rene Magritte
Wolverine em homenagem ao belga René Magritte, com o rosto coberto aludindo ao quadro Le Fils de l'Homme e à ideia do autor de que tudo o que vemos esconde outra coisa - aquilo que queremos ver que é escondido pelo que vemos -, assim como a um tema recorrente do mesmo, o guarda-chuvas. Logan é um personagem que possui muitos mistérios ocultos em seu vasto passado, apesar de atualmente os roteiristas só se aproveitarem de seu lado mais combativo e violento e se esquecerem do interessante recurso de que têm à disposição.
AMAZING SPIDER-MAN #592 Wolverine Art Appreciation variant cover by Paolo Rivera in the style of Salvador Dali
Homenagem clara ao excelente e excêntrico surrealista Salvador Dali, com elementos de seu famosíssimo quadro La persistencia de la memoria - quadro também utilizado em Watchmen, por Moore e Gibbons -, bem como uma imagem de um ovo, outro motivo apreciado por Dali em suas obras. Reza a lenda que a inspiração para os relógios derretendo veio ao pintor quando este viu, numa tarde de verão, um queijo camembert derretendo à temperatura ambiente. O metal derretido nesta imagem remete ao adamantium líquido que foi utilizado para cobrir seus ossos e garras, tornando-os indestrutíveis. Há ainda a sutil referência à origem de Logan com a folha de maple tree sobre sua máscara.
MOON KNIGHT #29 Wolverine Art Appreciation variant cover by Juan Doe in the style of Pablo Picasso
Outro famoso pintor a ser homenageado foi o compatriota de Dali, Pablo Picasso, com seu estilo cubista característico que veio bem a calhar com o personagem retratado, denotando toda a tensão e a raiva contida do mutante canadense invocado. Os tons vermelhos lembram todo o sangue que o baixinho invocado derramou em sua história de fúria e incompreensão. Talvez a psiquê fraturada de seus anos com memórias falsas implantadas também seja evocada com a perspectiva fraturada do desenho acima.
X-MEN: LEGACY #223 Wolverine Art Appreciation variant cover by Morry Hollowell, using the art of Frank Miller, in the style of A
A pop art de Andy Warhol foi captada nesta capa, que remete a seus trabalhos mostrando personalidades famosas como Marilyn Monroe ou Che Guevara. Esta capa é bastante icônica, pois Wolverine é, atualmente, um dos super-heróis mais conhecidos do mundo, possivelmente alçando o status de popstar atualmente (mas deixemos o processo de wolverinização para um próximo post). A imagem escolhida, por sua vez, também é uma ilustração bastante conhecida feita por Frank Miller. Warhol é querido pelo mundo dos quadrinhos, tendo aparecido, entre outros, também no filme Watchmen, mostrando um quadro do Coruja, e como personagem do excelente Miracleman, quando Neil Gaiman esteve à frente deste (infelizmente) obscuro personagem.
UNCANNY X-MEN #508 Wolverine Art Appreciation variant cover by Laura Martin in the style of Vincent Van Gogh
Neste exemplo a ironia toma ares de humor negro. Fazendo referência ao famoso autorretrato de Vincent Van Gogh, a capa utiliza uma das características mais marcantes de Wolverine, suas garras, para trazer à tona um fato infeliz da biografia do pintor neerlandês: cerca de um ano antes de seu suicídio, Van Gogh se automutilou, retirando a própria orelha. Pena não dispor das mesmas propriedades regenerativas do X-Man aqui retratado...
RUNAWAYS #9 Wolverine Art Appreciation variant cover by David Lafuente in the style of Alphonse Mucha
Apresento agora um talvez desconhecido do grande público, Alfons Mucha, um checo dos mais influentes no movimento Art Nouveau. Seu estilo é imitado em diversas capas, principalmente de heroínas (Promethea, Voodoo) e algumas do Dr. Estranho e outras desenhadas por Joe Quesada, e uma de suas pinturas foi referenciada em Sandman ao retratar o próprio Lorde Morpheus: o pôster da peça Gismonda, com Sarah Bernhardt.

SECRET WARRIORS #3 Wolverine Art Appreciation variant cover by Gerald Parel in the style of Gustav Klimt
Outro artista que também teve homenagem rendida nas páginas de Sandman foi o austríaco Gustav Klimt, cujo estilo foi tomado emprestado nesta capa, reconhecível através (sim, literalmente "através") das roupas e dos padrões de tecido das figuras neste desenho, que por sua vez remete-nos à ligação de Logan-san com o Japão.
AGENTS OF ATLAS #3 Wolverine Art Appreciation variant cover by Gerald Parel in the style of Edvard Munch
O norueguês Edvard Munch foi homenageado com esta capa acima. Munch é conhecido mundialmente pelo seu quadro expressionista O Grito, obra que revela angústia e desespero existencial, talvez como o que Logan vivencia quando deixa seu lado fera dominar seu lado humano, ou quando não tem certeza sobre quais memórias suas são reais e quais são meros implantes inventados.
AMAZING SPIDER-MAN #590 Wolverine Art Appreciation variant cover by Paolo Rivera in the style of C.M. Coolidge
Outro norte-americano, assim como Warhol, homenageado, foi C.M. Coolidge. Na verdade, sua série de obras, conhecidas coletivamente como Dogs Playing Poker, é que são homenageadas, fazendo uma brincadeira com algumas aparências e alguns uniformes que Wolverine teve ao longo destas três décadas e meia de existência. O mais curioso desta capa é que, diferentemente das obras originais na qual foi baseada, em que se mostrava cães antropomorfizados em seus comportamentos e hábitos (inclusive os mais péssimos hábitos humanos) jogando e fumando, Logan, um fumante inveterado e contumaz, não é apresentado em nenhuma versão com seu habitual charuto.
Mais algumas homenagens podem ser acessadas aqui, no site da Marvel Comics. Lá pode-se descobrir ainda nas capas de quais revistas mensais saiu cada uma destas homenagens. Mostrei aqui apenas algumas das quais mais gostei e mais achei representativas, de um modo ou outro. Relembrando a reflexão levantada por Magritte na primeira imagem deste post, La Trahison des Images, conforme Scott McCloud bem lembrou em seu ótimo livro Desvendando os Quadrinhos, nenhuma destas capas se liga diretamente aos respectivos quadros originais, mas são somente imagens digitalizadas das cópias impressas dos desenhos representativos das cópias de cada arte original.
Mas são arte.
A 9ª Arte.




- Quadros e pinturas sugeridas: TODAS as de todos os autores aqui apresentados
(Magritte, Picasso, Dali, Warhol, Van Gogh, Mucha, Klimt, Munch, Coolidge).

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Tempo nas Histórias em Quadrinhos: subvertendo a ordem de leitura



“Não há futuro. Não há passado. Percebe? O tempo é simultâneo, uma joia intrincada que os humanos insistem em enxergar um lado por vez, embora a estrutura toda seja visível em todas as facetas.”
- Dr. Manhattan


Tive a oportunidade de dar uma palestra para a II Jornada de Romances Gráficos da UnB versando sobre Tempo nos Quadrinhos e Subversão da Ordem de Leitura. A apresentação foi um apanhado de alguns assuntos já comentados neste blog aqui e ali, mais alguns acréscimos que fiz especialmente para ela. Abaixo, tentarei transcrever um pouco do que apresentei; então, para os leitores do blog, perdoem-me se em algum momento me repetir o que já disse ou mostrei emposts anteriores. Para quem viu a palestra, perdoem-me se deixar de expor aqui algum comentário que fiz ao vivo (ao fim do post, acrescentei mais informações a partir de sugestões obtidas após a palestra). E obrigado por terem comparecido! Vamos lá (lembrando que os exemplos aqui não são exaustivos, mas meramente ilustrativos da infinidade de possibilidades existentes).


A frase que abre este post é retirada do capítulo IX de Watchmen. Dr. Manhattan se refere a sua própria percepção do tempo, mas eu digo que esta frase na verdade pode se referir a esta mídia específica chamada (no Brasil) de histórias em quadrinhos e diz respeito tanto à sua ordem de leitura quanto à sua passagem do tempo.



Segundo Scott McCloud, em seu livro Desvendando os Quadrinhos, nos quadrinhos a percepção da passagem do tempo se dá espacialmente. Explicarei isto melhor mais adiante. Neste excerto de Quadrinhos e Arte Sequencial acima, de Will Eisner, retiramos duas valiosas informações sobre o formato. A primeira informação é sobre o que chamamos de ordem canônica de leitura de quadrinhos (pelo menos no mundo ocidental, pois em mangás, por exemplo, rege a ordem exatamente inversa), da esquerda para a direita e de cima para baixo, algumas vezes desenhando essa marca do Zorro visível acima. A segunda informação, menos óbvia que a primeira, mas bastante interessante, é o que gosto de chamar de metaquadrinho: a página como um todo, responsável por conter todos os quadrinhos propriamente ditos em seu interior. Isto será visto mais à frente também.



Inicialmente, ao tratar da passagem no tempo nos quadrinhos, vamos falar da forma utilizada por Fernando Gonsales para alongar o tempo em uma de suas tiras de Níquel Náusea. Em vez de utilizar o padrão de três ou quatro painéis, o autor preferiu pegar um deles e dividi-lo em seis quadros menores, aumentando o "espaço" a ser percorrido pelo olhar do leitor, fazendo-o, assim, demorar-se mais enquanto acompanha quadro a quadro toda a trajetória lentamente percorrida pelo caramujo. O alongamento do tempo se dá devido à contemplação individual de cada leitor em cada painel desenhado.





Utilizando um exemplo de los hermanos argentinos, neste caso de Liniers, podemos verificar um caso em que a leitura não segue o padrão canônico apresentado por Eisner no início deste post. Nesta tirinha, chamada sugestivamente de Esquina, os dois personagens caminham em sentidos opostos até se encontrarem no meio. O tempo, neste exemplo, seguiria então a direção das bordas para o centro, onde o passado restaria nos extremos esquerdo e direito da tirinha, sendo o presente encontrado no centro de atenção do metaquadro. Ao leitor caberia a oportunidade de, prostrando-se de frente ao desenho por inteiro, voltar seu olhar tanto para a esquerda quanto para a direita, e desta forma acompanhar a trajetória de cada um dos personagens ao longo do tempo, do presente para o passado ou do passado até o fatídico beijo eternizado na esquina da diagramação proposta.




Falando em direções subversivas da ordem de leitura, remeto-me novamente ao super-herói curitibano O Gralha, cujas histórias podem apresentar tom de humor, aventura ou mesmo de experimentação pura. Como o caso exposto aqui por Antonio Eder, em que o herói parte em perseguição a um vilão, e esta corrida dita a ordem de leitura a ser seguida no decorrer da página. Reparem que, em determinado momento, o autor divide essa ordem de leitura quando os protagonistas se separam no decurso da narrativa, o vilão descendo do elevador um andar acima de onde sai o Gralha, mas logo mais à frente se encontram para continuar a perseguição em outra página (não mostrada agora mas já mostrada anteriormente no blog). Outro ponto curioso é a escolha do autor em preencher inclusive quadrinhos não utilizados pelo seguimento da história, como evidenciado pela janelas onde dois pássaros cantam um para o outro frente a frente.




Voltando para a obra de Scott McCloud, no capítulo de seu livro em que trata sobre o tempo nos quadrinhos, o autor nos apresenta esta imagem bastante alegórica acima. Todo o desenrolar dos eventos ao longo deste quadro único é desencadeado por um flash disparado pela máquina fotográfica do Tio Henry. Esta foto causa a reação do casal fotografado, o que por sua vez gera o comentário da senhora com o champanhe em mão, que por sua vez ocasiona a intervenção de sua filha, culminando no apontamento maldoso de um dos senhores jogando xadrez. Digo alegórica porque, apesar de à primeira vista este quadro aparentar, como uma fotografia, um momento congelado no tempo, na verdade não se trata de um momento único, mas sim de vários eventos capturados na mesma imagem, cada um com sua duração distinta do outro (denotada pelos balões de fala e o tempo gasto pelo leitor para ler cada um). Neste quadro específico, o leitor possui a capacidade de, tal qual o Dr. Manhattan, perceber no mesmo instante vários momentos diferentes, da esquerda para a direita, sendo exposto ao mesmo tempo ao passado e ao futuro, tanto à causa quanto a seus efeitos. Esta é uma característica marcante dos quadrinhos, a capacidade de expor uma narrativa tanto sequencial como simultaneamente.




Outros exemplos do caráter simultâneo e sequencial desta mídia, mas bem mais antigos, de 1934, são de páginas dominicais de uma tirinha chamada Gasoline Alley, de Frank King. O autor escolheu ambientalizar sua história num mesmo cenário, fixo, em que se transcorreria toda sua narrativa (um buraco de piscina, no primeiro caso, e uma construção, no segundo) e inseriu seus personagens percorrendo todo o metaquadrinho ao longo do tempo (no segundo exemplo, um casal sendo perseguido* por um sujeito de chapéu). Importante salientar que, enquanto o segundo caso se foca na sequencialidade da perseguição, no primeiro há pequenas historietas autocontidas e fechadas em cada quadrinho, havendo o enfoque na simultaneidade. Neste último, novamente é como se o leitor, imbuído da percepção temporal única do Dr. Manhattan, percebesse simultaneamente os vários instantes percorridos pelos três amigos num mesmo espaço.




E, assim, remeto-os novamente ao exemplo já comentado aqui, da história de Greyshirt em Tomorrow Stories - promoção relâmpago não sei até quando na Comix, seis edições por apenas R$ 14,90 aqui --, por Alan Moore e Rick Veitch (acima). Trata-se de um edifício apresentado no metaquadrinho geral da página, em que cada andar situa-se numa época diferente, distante um do outro por exatas duas décadas. Fora alguns elementos gráficos usados para situar o leitor no período em que cada andar (ou cada painel da página) se encontra, como a marcação do ano à esquerda ou mesmo calendários, jornais e cartazes dentro dos quadrinhos, há ainda um elemento constante: a figura caricata de uma pessoa vestida sempre de verde com seus óculos de aros redondos. Dependendo de que ano está (ou em que painel aparece), esta pessoa encontra-se na sua infância, adolescência, adultez ou senescência. Nesta bem contada "ginástica narrativa", os autores entregam o poder de decidir a ordem de leitura para seus leitores, permitindo-os percorrer a história seja verticalmente, através das décadas (ou dos painéis), ou horizontalmente, mantendo-se sempre estacionado em um mesmo ano (ao longo das páginas). Mais uma vez, o leitor tem a capacidade de decidir a ordem da passagem do tempo que deseja, vislumbrando o todo nos distantes 60 anos que separam o primeiro painel do último e escolhendo se quer percorrê-los sincrônica ou diacronicamente.

*Curioso observar como os temas "perseguição" e "prédio" são recorrentes neste exemplos...

Para finalizar, apresento uma imagem, também bastante simbólica, de Promothea, por Alan Moore e o sempre excelente J.H.Williams. As duas personagens percorrem uma certa passarela em forma da Alça de Möbius (ou lemniscata), que representa o símbolo do infinito. Em determinado instante, uma das personagens percebe a sua presença em outro ponto da calçada, mas alguns minutos atrás, e chega a apontar para si mesma do passado. A outra personagem, noutro momento, comenta estar tendo uma sensação de déjà vu por achar já ter passado por aquele caminho antes. Cabe ao leitor, se assim o decidir, escolher ativamente mudar de página ou ficar revisitando este loop, apresentado tanto em sua totalidade (simultaneidade) quanto em suas particularidades (sequencialidade). Finalmente, uma das personagens se dá conta de que este loop em que se encontram serpenteia não só pelo espaço, como pelo tempo. E assim o ciclo se fecha, pois a metalinguagem presente neste metaquadrinho aponta diretamente à mídia em que se encontra, uma mídia cujo tempo se apresenta como espaço, e vice-versa, permitindo infinitas possibilidades àqueles autores que ousarem subverter e brincar com a passagem do tempo nos quadrinhos.


-THE END-



ADENDO:
Graças à sugestão da (também palestrante) Raquel Perrine, acrescento neste post passagens de outra obra de Alan Moore: Do Inferno. No início de seu segundo capítulo, há uma página inteira completamente no escuro (deixando também o leitor exatamente "no escuro"), com quadrinhos aparentemente non sequitur, havendo uma única constante: a misteriosa indagação "O que é a quarta dimensão?".

A medida que o capítulo transcorre, o leitor percebe que esta primeira página apresenta glimpses da vida do personagem William Gull, cada painel representando uma passagem ou momento específico que ele vivenciou. A repetição da pergunta indica ao leitor como o tempo está sendo manipulado aqui, retratado espacialmente numa única página. Mais à frente, é mostrada a teoria de C. Howard Hinton, filho de um dos personagens do diálogo abaixo, apresentada numa monografia intitulada O que é a quarta dimensão? Segundo ela, o tempo seria uma ilusão humana, pois "todas as eras coexistiriam no todo estupendo da humanidade", como "padrões quadridimensionais no interior do Monolito da Eternidade". A quarta dimensão, para Gull, seria uma espécie de arquitetura do tempo, dentro da qual diferentes níveis temporais seriam relacionados a outros. Quase como a estrutura da página de um quadrinho e sua relação com outros quadrinhos na história.

O Monolito da Eternidade nos remete, novamente, à joia intrincada preconizada por Dr. Manhattan no início deste post. Assim, recomendo também, obviamente, a leitura do capítulo IV de Watchmen, que dá ao leitor uma mostra (e um gostinho experimentá-lo) de como o Dr. Manhattan vê o mundo e percebe a passagem do tempo, num jogo de enquadramentos cuja experiência só os quadrinhos podem passar.

Agradecimentos:
À organização da Jornada de Estudos sobre Romances Gráficos da UnB, o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, pela oportunidade.
À minha esposa, Úrsula, pela paciência e ajuda com os slides.
À Gabi, pela ajuda com o power point.
Ao Guilherme, brother in arms deste blog (que também apresentou uma palestra, vide o post anterior), por ter me metido nesta enrascada.
Ao Ciro I. Marcondes, do Raio Laser (também palestrante), pela sugestão do livro Narrativa Cinematográfica.
A todos que assistiram a palestra, meu muitíssimo obrigado!


Quadro sugerido: Paradise, de Lucas Cranach der Ältere.
Trabalho acadêmico sugerido: Alan Moore and Graphic Novel: confronting the fourth dimension, disponível aqui.

sábado, 2 de julho de 2011

Representação e representatividade no mundo dos super-heróis

Nesta semana, entre dos dias 29 e 30 de Junho, aconteceu, na UnB - Universidade de Brasília - o evento II Jornada de Estudos sobre Romances Gráficos. Entrou em debate temas como figuras femininas nos quadrinhos, os sons das palavras, relações entre quadrinhos e literatura, quadrinhos e identidade, heróis em foco e houve até a participação do cartunista Laerte. Além disso, o Rodrigo apresentou o tema Tempo nos Quadrinhos: subvertendo a ordem de leitura (que está sendo transcrito e será o próximo post), relacionado a posts anteriores dele aqui do blog, l'esprit d'escalier, (des)construção e card-comics e material inédito ainda.
Também apresentei um tema, sobre representação e representatividade nos quadrinhos dos super-heróis. Meu plano era o de escrever um post relacionado ao tema da palestra, já estava até com um rascunho quase pronto. Porém, como o Rodrigo não pôde estar na palestra e pediu para que filmasse, pensei: já que tenho a apresentação inteira gravada, posso fazer um post diferente. Em vez de texto e imagens, como sempre fizemos, áudio e filmagem. Sendo assim, coloco aqui para vocês a palestra na íntegra, que dura 21 minutos.














Meus agradecimentos à coordenação do evento, pela oportunidade, e meus parabéns, pelo sucesso. Lembrando que o evento contou com o apoio do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Pós-Graduação em Literatura da UnB, e foi organizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, cujo site é http://www.gelbc.com.br/ . Lá podem ser lidos os artigos referentes à I Jornada, e dentro de um pouco mais que um mês poderão ser lidos, no site, artigos dos palestrantes sobre os temas abordados na II Jornada.