Mostrando postagens com marcador Liga da Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liga da Justiça. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de agosto de 2013

Super Dia dos Pais

batman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
 Sequência de imagens feitas pelo ilustrador Andry Rajoelina para homenagear os heróis da Liga da Justiça levando seus filhos para a escola, como um presente especial neste dia dos pais para os fãs de HQ que já chegaram ou estão chegando nesta fase da vida também. 
superman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
aquaman liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
arqueiro verde liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família
É emblemático perceber que muitos dos "filhos" nada mais são que os herdeiros de tais heróis, muito condizente com a questão do Legado tão fortemente marcado nas histórias da DC Comics. O que nos traz a pergunta: "Será que a nossa imensa coleção que há tantos anos zelosamente guardamos será uma boa herança aos nossos filhos? Eles se interessarão por elas?"

Por outro lado, a imagem do Lanterna Verde levando um filho gerado apenas na força de vontade é bastante melancólica...
lanterna verde liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Em contraste, o superacelerado Flash só podia levar seu pimpolho, como não poderia deixar de ser... correndo, é claro!
flash liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Para finalizar, mesmo não sendo um pai, não podíamos deixar de mostrar a também icônica Mulher-Maravilha (e mais uma vez a representatividade majoritariamente masculina dos heróis é refletida nestas ilustrações, pois há apenas a imagem de uma heroína): 
mulher maravilha liga da justica Andry Rajoelina 600x600 Liga da Justiça edição família

Na verdade, a resposta para a pergunta que fiz acima pode ser resumida de tal forma: "Talvez eles não se interessem pelas revistas velhas e desgastadas, com folhas amareladas e cheirando a pó e mofo, mas os valores preconizados por estes heróis e suas virtudes serão sim um belo legado a deixar para os filhos".

Feliz dia dos pais!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Algumas leituras recentes

Fazia um tempo que não escrevia aqui, mas estou de volta. Vou aproveitar para comentar as histórias que li nesse período de ausência, partindo do princípio que sempre tem alguém que vê um encadernado nas lojas e gostaria de ter uma opinião. Bom, pelo menos eu sou assim. E como existem revistas novas e outra antigas nesse grupo de potenciais compras, vou simplesmente comentar tudo o que li nesses meses.

Oceano
Oceano é a primeira da lista porque foi a que mais gostei. Há que se considerar que eu já estava com vontade de comprá-la há um tempo, que eu gosto da estética do espaço sideral e que gosto de Warren Ellis. Mas nem por isso quer dizer que não teria senso crítico em relação a obra, além do que minha expectativa já estava alta, somando todos os fatores.
Para quem gosta de ficção futurista, principalmente as que se passam no espaço, essa é uma boa história, que no caso está no formato de quadrinhos. Poderia ser um livro, poderia ser um filme. Aliás, a linguagem que o autor usa nessa história é bastante cinematográfica. As imagens estão bem bonitas, souberam aproveitar a beleza do espaço sideral e dar a ele seu devido espaço (desculpe o trocadilho infame) nas páginas do encadernado. O tema é interessante: uma história de mistério entremeada por uma visão de futuro, da exploração espacial e da humanidade. Recomendo muito esse encadernado!

Transmetropolitan
Já que comecei com uma obra de Warren Ellis, vou dar sequência com outras. Transmetropolitan também se passa no futuro, mas esqueça as belas visões dos planetas e estrelas... Aqui o tema central é a Terra, mais precisamente uma imensa cidade, para a qual o protagonista é forçado a voltar após anos de isolamento. Os desenhos são sujos, representando a visão de futuro retratada, principalmente no que tange centros urbanos, diferenças econômicas e sociais, megaempresas, seitas religiosas (ou pseudorreligiosas)... Aparentemente Ellis dá vazão a todo o seu pessimismo em relação ao futuro da humanidade nessa história, e através da voz de Spider Jerusalem liberta todo o seu criticismo em relação aos asssuntos abordados. Boa história, aguardo a continuação...

RED
Também li RED, do mesmo autor. Trata-se de uma revista em 74 páginas sobre um ex-agente secreto, ex-mercenário ou ex-algo-do-tipo que tava quieto, curtindo uma folga, até mexerem com ele. Foi a história na qual se basearam para fazer o filme de mesmo nome (que, confesso, ainda não assisti). Bom, é uma história legal, mas é bem rápida. Em uma sentada você lê inteira. Não tem a mesma profundidade e riqueza que as obras do Ellis em geral têm, mas é divertida.

O Invencível Homem de Ferro: Extremis
Para fechar a sequência de obras do Warren Ellis, Extremis. OK, trata-se de uma história do Homem de Ferro, personagem que nunca me agradou muito nos quadrinhos, com exceção de uma certa saga da armadura viva. Acredito que escritor bom pega qualquer personagem e faz uma boa história. É o caso em Extremis. Não existe nada de muito diferente das histórias comuns do Homem de Ferro, no que tange a ambientação, mas tem a pegada do Ellis. Além disso, ele realmente transformou o Tony Stark em um verdadeiro homem-máquina. Não quero estragar a surpresa para quem ainda não leu...

Tocha Humana: Recriando uma Lenda

Saio das obras de Ellis, mas como falei no Homem de Ferro, começo a sequência Marvel, já com um grande autor, que é Alex Ross. Comentei em post anterior a qualidade de suas obras em uma das minhas favoritas, que é Os maiores super-heróis do mundo. Em Tocha, a arte não é dele, nem o roteiro, mas a história foi escrita por ele e Mike Carey. Não sei se por influência do pintor de quadrinhos ou não, a história ficou bem legal. Ele tira da sepultura (embora não tenha sido o primeiro) o Tocha Humana original (aquele da Segunda Guerra Mundial, que lutou ao lado do Capitão América e Namor) e remonta o quebra-cabeça de sua origem. Dá um novo ar ao personagem, que não retornou com sua compaixão, e um drama especial em relação a sua própria longevidade, além de colocá-lo dentro de uma história, no mínimo, peculiar. Vale a pena essa minissérie em duas edições, mesmo para aqueles que não acompanharam a história do Tocha original ou não se interessam muito pelo personagem, como eu.

Mitos Marvel
Falando em origens, o encadernado Mitos Marvel apresenta uma releitura dos mais famosos heróis da Marvel, como Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Trata-se de um releitura mais atualizada, moderna... legal, mas também não traz nada de novo ou muito original. Para quem não conhece muito bem o mundo dos super-heróis da Marvel e estiver interessado em uma leitura sobre suas origens, é uma boa compra.


Magneto: Testamento
Um outro caso é Magneto: Testamento. Sua origem é remontada com bastante precisão histórica. Todos sabem que Magneto foi um refugiado judeu dos campos de concentração nazista, mas nunca tinham parado para contar como ele realizou essa proeza, principalmente levando em conta que só foi desenvolver seus poderes muito tempo depois. Na minha opinião, a maior qualidade da obra pode ser considerada também seu maior defeito. Como disse, Magneto não desenvolveu seus poderes no período. Então, os leitores que estiverem esperando o vilão fantasiado, ou mesmo um momento de fúria em que seus poderes se manifestam temporiamente, vão se frustrar. Por outro lado, a história é bem verossímil e poderia ser muito bem a narração de sobrevivência de um judeu qualquer, sem poderes.

Wolverine: Inimigo de Estado
Boa história. Ambientada no cenário mais atual da Marvel, com a retomada do conceito Wolverine: máquina de matar. Um tanto exagerada, como não é raro nos roteiros de Mark Millar. Enredo bem amarrado, conta com a participação também de outros personagens do universo Marvel e consegue prender a atenção e interesse do leitor. Fazia tempo que eu não lia Wolverine. Desde que ele se tornou o personagem megapop da Marvel, tendo história própria, nos X-Men e também nos Vingadores, enjoei um pouco. Wolverine: Inimigo de Estado, porém, valeu a pena.

Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado
Achei a leitura um pouco cansativa. E também houve uma quebra de expectativa, pois esperava ler as primeiras histórias do Surfista: o planeta sendo tomado por Galactus, ele se transformando em seu arauto, o ataque do devorador de mundos à Terra, a revolta do Surfista e sua prisão ao nosso planeta. Só que a Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado narra exatamente a fase posterior a isso, ou seja, ele preso à Terra e tentando escapar dela. Aparentemente foi o período de maior sucesso do personagem. As reflexões dele sobre os terráqueos também foram legais. Contudo, achei seus constantes pensamentos melodramáticos um tanto chatos, e as histórias não fluem muito bem. Enfim, essa leitura eu não recomendo, a não ser aos fãs incondicionais do Surfista Prateado, ou àqueles que conhecem essa fase específica e gostariam de ler.

Liga da Justiça por Grant Morrison
Muito boas as histórias desse encadernado. Bem ao estilo Liga da Justiça mesmo - grandiosas, ameças cataclísmicas -, com o estilo do Grant Morrison, autor que eu particularmente gosto. É verdade que só li as histórias porque foram escritas por ele (eu e o Rodrigo, atualmente, compramos mais pelos nomes dos autores do que pelos personagens da capa). Histórias de aventura, também um tanto exageradas, em uma formação da Liga com alguns dos personagens mais marcantes da DC. Já li algumas edições posteriores, que vão além do encadernado, e vejo que vale a pena. Tomara que não interrompam a publicação dos encadernados no Brasil, que a Liga da Justiça de Grant Morrison não fique apenas no volume 1.


Pixu
Pixu está numa linha mais alternativa de quadrinhos. Publicado pela Devir Livraria, narra uma história de terror com arte em preto e branco. Ou melhor, preto, branco e tons de cinza. Quando digo arte em preto, branco e tons de cinza, quero dizer que ela foi feita assim mesmo, nada a ver com aquelas versões econômicas de material estrangeiro. O uso dessa arte é, aliás, um de seus pontos fortes: dar um ar mais sombrio à obra. O enredo é interessante, original (bom, pelo menos para mim, mas não sou grande conhecedor de histórias de terror). O tipo de terror que eu gosto, em que o foco é na tensão, no suspense, no mistério. E é a história que te deixa apreensivo, não a quantidade de sangue. Leitura rápida também. Uma boa parte dos quadrinhos não tem texto, e mesmo que você passe lentamente por eles, não deve demorar mais que duas sentadas para terminar a leitura. Mas vale a pena.


EntreQuadros #1
Essa eu encontrei, por acaso, em um banca muito específica daqui de Brasília. Publicação independente de Mário César, com o selo Quarto Mundo. Algumas histórias curtas e divertidas, um tanto inusitadas e com uma boa dose de humor. Leitura rápida, bem rápida. De preço acessível, bem acessível (R$5,00). Não deve ser fácil encontrá-la em qualquer lugar para compra, por isso indico o site do Mário, http://www.masquemario.net/, a quem estiver interessado.

Zoo
Outra obra que li mais ou menos no mesmo período que as demais foi Zoo, de Nestablo Ramos, um autor aqui de Brasília. Porém, como já escrevi um post só sobre ela, quem quiser saber minha opinião sobre a obra pode ler o post mais antigo. Aqui, basta dizer que a obra ganhou o troféu Bigorna e que aguardo ansiosamente a continuação (prevista para Outubro, na Festcomics). E, como já me perguntaram onde comprar, em Brasília só vi a obra sendo vendida na Livraria Cultura. Indico também o site http://projetozoo.blogspot.com/, que tem um banner para compra.

Eu sou Legião
História de conspiração, envolvendo nazismo e o sobrenatural. Trama intrigante, bem amarrada, que mistura eventos totalmente verossímeis com o sobrenatural de uma maneira muito bem arquitetada. Um monte de personagens e bastante informação. Eu sou Legião é o tipo do encadernado que tem que ler com atenção aos detalhes, e preferencialmente ler mais de uma vez, para que após o final, algumas outras peças se encaixem na releitura. Leitura densa, mais lenta. Só não gostei muito das quebras de página, mas isso é um detalhe muito técnico, que de forma nenhuma prejudica a qualidade da obra.


Um Sinal do Espaço
Muito bom. Apesar de antiga, a história é bem interessante, envolvente. Tem lá suas limitações ligadas ao tempo em que foi produzida, mas não deixa de ser atual. Praticamente um policial, com uma dose de conspiração. Vi algumas semelhanças com essa história e Contato (o filme. Ainda não li o livro, embora já o tenha. Me disseram que são bem diferentes...). O enredo flui e vai gerando uma curiosidade em relação ao próximo capítulo. Destaque especial para arte de Eisner, que trabalha sua técnica de não utilizar a divisão em "requadros rígidos" (o quadrinho convencional) de maneira inigualável. Em diversas páginas ele usa o que chama, no seu livro Quadrinhos e Arte Sequencial, de "página como metaquadrinho". Aí vemos coisas fantásticas, como o desenho de um túnel ou formato do interior de um avião sendo usados como delimitação do quadrinho, no lugar dos quadrinhos convencionais.
Pequenos Milagres
Will Eisner também, então já é de se esperar algo de qualidade. Em Pequenos Milagres, o autor narra quatro histórias que se passam em um bairro judeu. Como ele mesmo diz, na abertura do romance gráfico, "os contos neste livro se parecem com as histórias que meus pais chamavam de 'meinsas'. E, embora sem apócrifos, eles foram destilados das minhas lembranças, que eram um patrimônio comum da nossa família". Quatro histórias interessantes e, de alguma maneira, tocantes. Leitura rápida, e de boa qualidade.

The Spirit: As Novas Aventuras
The Spirit: as novas aventuras reúne histórias do personagem The Spirit, mas não as escritas por Eisner, seu criador. A proposta foi justamente pegar grandes nomes dos quadrinhos atuais para que eles pudessem escrever histórias com o personagem, em uma espécie de homenagem. Trata-se de uma compilação de histórias interessantes, com destaque especial para as primeiras, escritas por ninguém menos que Alan Moore. Não é preciso já conhecer The Spirit nem ter lido nada dele. Vale a pena!

The Boys: o Nome do Jogo
Uma visão completamente diferente dos super-heróis. Ou melhor, dos seres com superpoderes que se intitulam super-heróis, mas na verdade são pessoas muitas vezes vaidosas e prepotentes, quando não mimadas, que estão apenas interessadas no retorno de vendas dos seus produtos. E os "garotos" que dão o nome a obra, no caso, formam uma equipe com a incumbência de segurar esse pessoal. Para quem está afim de novidade, de um enfoque diferente sobre um planeta com superseres, The Boys é uma boa pedida.

Os escapistas
Taí uma revista que trabalha a metalinguagem já em sua proposta. Trata-se de uma história em quadrinhos sobre alguém que faz história em quadrinhos. A história real de sua luta incansável para produzir quadrinhos. Em determinados momentos, trechos do Escapista - personagem que ele resgatou do fundo do baú - em situações que representam o próprio autor, tentando se livrar das dificuldades e problemas que apareceram no caminho. Os escapistas retrata o verdadeiro sonho de muitos leitores de quadrinhos, que não é o impossível "ser um herói com superpoderes", e sim o de trabalhar com quadrinhos, ou criar seu próprio personagem e que ele faça sucesso. De quebra, ainda é uma miniautobiografia (acho que bati meu recorde de prefixos nessa) do autor. Recomendo para leitores que tenham esse sonho.

Então é isso! No momento estou lendo Do Inferno, não sei se vou escrever sobre essa obra, porque pretendo ainda fazer um post só sobre Alan Moore. Tenho aqui, além dele, o terceiro volume da Liga Extraordinária. Então, quem sabe em um post futuro eu comente essas duas obras, e outras que estão na minha prateleira, só esperando para serem lidas, tais como Jogos de Poder, The umbrella academy: A Suíte do Apocalipse, Camelot 3000, O Chinês Americano... Se alguém quiser que eu comente uma obra específica, diga o nome nos comentários que se eu já tiver lido ou um dia ler, comento em outro post.

sábado, 1 de maio de 2010

Os maiores super-heróis do mundo

Há não muito tempo comprei o encadernado Os Maiores Super-heróis do Mundo, da DC comics, confeccionado pela Panini Books. Eu sabia que os desenhos eram do Alex Ross, que pinta os quadrinhos como se fossem quadros, o que já valia o alto preço da revista. Porém, a qualidade das imagens, definitivamente, não é o único aspecto admirável do material. As histórias abordam um lado mais social dos super-heróis. Em nenhuma delas o foco é a ação. Não há combates físicos contra super-vilões. Apenas heróis, usando seus poderes para tentar fazer do mundo um lugar melhor.


Na primeira história – Super-homem: paz na Terra –, o Super-homem decide enfrentar um problema que está muito além de suas capacidades: a fome. Ele sabe que não poderá acabar com a fome no mundo. Entretanto, para dar o exemplo, já que ele em si é um ícone de referência para diversas pessoas, decide usar um dia de sua vida para transportar excedentes de comida por todo o planeta, usando seus poderes (superforça, supervoo) para carregar a maior quantidade de alimentos para a maior quantidade possível de países. As situações que ele enfrenta, as reações das pessoas, o que ele vê... tudo isso faz com a que a história seja tocante. Há até uma imagem do último kryptoniano sobrevoando o Rio de Janeiro (de duas páginas, em formato gigante), mas a que decidi escolher foi a de cima, que representa mais a impotência do mais imponente dos super-heróis diante de um problema tão complexo.

A segunda história do encadernado é Batman: guerra ao crime. A julgar pelo título, parece mais uma história de ação do homem-morcego. Entretanto, o que vemos nela não é um Batman espancando bandidos, e sim preocupado com um bairro pobre, os problemas sociais e financeiros que fazem com que as pessoas acabem caindo na marginalidade. De quebra, mostra como a luta contra o crime não depende só do herói, mas também de seu alter-ego, o milionário Bruce Wayne. Ele acaba vendo, na figura de um garoto cujos pais foram mortos por conta da violência urbana, como ele próprio poderia ter tomado o caminho errado, se não fosse a riqueza herdada e a educação prestado por Alfred.

A terceira história é Shazam! O poder da esperança. Nesta o Capitão Marvel visita crianças doentes, conta a elas histórias de suas aventuras e realiza alguns de seus desejos, como voar pelos céus e conhecer animais selvagens de outro país. Além de protegê-las dos perigos não só de super-vilões, como de vilões que pegam um taco de beisebol para bater no próprio filho.

A história seguinte é da Mulher-maravilha, cujo subtítulo é O espírito da verdade. Existem sim as cenas de aventura e combate da super-heroína, porém, também há momentos em que ela compara o mundo dos homens com Themyscira, a ilha das amazonas, muito mais avançada em termos filosóficos e sociais. O que pode fazer para que aquela sociedade seja mais parecida com esta? Além disso, na história é abordada sua função de embaixadora da paz e como, apesar de todo o reconhecimento, ela ainda é discriminada por ser mulher. Uma observação interessante: ela se envolve em problemas em países do extremo oriente e árabes.


E então, vem uma pequena história, chamada Origens Secretas, sobre alguns dos legionários e suas origens: o que os deu poderes ou o que os tornou heróis. É só uma pausa nas reflexões, já que as histórias anteriores todas começavam com a origem do herói em questão.

Por fim, vem a história Liberdade e Justiça, da Liga da Justiça. Nela o tema central é a sensação do Caçador de Marte em relação ao nosso mundo, como a aparência é algo importante. Além disso, a Liga da Justiça combate... uma doença. Não, não é um super-vilão, é uma doença mesmo, que está se espalhando pela África. Existe uma série de delicadezas políticas que fazem com que essa missão não seja muito fácil de se cumprir. Como de praxe, todos os justiceiros dão o máximo de si não só para não deixar a doença espalhar, mas também para salvar os já contaminados.


Enfim, um prato cheio! Aconselho o encadernado a qualquer leitor, seja da DC, seja de outras editoras. Aconselho até àqueles que não são leitores de quadrinhos, pois mostra uma abordagem diferente do conceito de herói. Foi o encadernado mais caro que eu já comprei, até hesitei antes de concluir a compra. No entanto, depois de ler, acredito que valeu cada real.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Teoria da Variação dos superpoderes


Que os super-heróis e os supervilões têm superpoderes, todo mundo sabe. O que nem todo mundo reparou é que os poderes dos heróis varia, de acordo com a situação e circunstância. Não estou falando sobre motivação, como o esforço da Mulher-invisível para manter o campo de força, ou o empenho heroico do Thor, que lhe permite arrancar forças de uma pequena fagulha de seu ser. Esses são motivos plausíveis, do ponto de vista narrativo. Legal. Estou falando de outra coisa...

Adequação ao oponente
Uma variação que acontece constantemente é o herói se adequar ao vilão, ou o vilão ao herói. É quando um vilão não muito poderoso enfrenta um herói bem melhor e mesmo assim a porrada é acirrada. O Super-homem mesmo é megapoderoso. É o mais forte de todos, é invulnerável, voa mais rápido que todos, dispara uma visão de calor que corta e derrete todos! E ainda percebe o inimigo chegando à distância, porque ele enxerga mais longe do que todos (e através das coisas), e ouve todos os sons que todos os seres fazem em todos os países. O cara é uma apelação com um S no peito e as cores dos Estados Unidos! E não se deparou, ao longo dos anos, com inimigos muito inferiores a ele? E eles não deram trabalho? Ele não apanhou bastante até conseguir vencer?
Talvez o Super-homem seja realmente o maior cavalheiro do mundo (mais uma para sua lista de recordes). Para não humilhar muito os oponentes, dá uma chance, se coloca mais no nível do vilão. É covardia usar todo seu poder contra um vilão mais fraco. O que explica, então, o Pantera Negra rendendo o Surfista Prateado com uma chave-de-braço? Veja bem: Estou falando do Pantera Negra vencendo o SURFISTA PRATEADO!!!!!! Aquele cujo nome é oficialmente escrito em letras maiúsculas e com pelo menos cinco exclamações. Não sei... talvez os heróis e vilões estejam se tornando muito profissionais, que nem os times de futebol, e aí fica todo mundo mais pareado e dá essas zebras... Eu, particularmente, invisto na teoria da variação do poder. Veja o segundo caso, logo abaixo, para averiguar se estou certo...

Membro de uma superequipe
Esse caso é ainda mais recorrente que a adequação aos oponentes. Basta um superser entrar para uma equipe e seu poder automaticamente diminui. Quer um exemplo clássico entre os vilões? O Sexteto Sinistro. O Homem-aranha pena para vencer o Doutor Octopus no mano-a-mano. Quando ele monta uma equipe, com vários dos principais inimigos do Aranha, não é que o herói vence também? Estou dizendo, os poderes diminuem quando se faz parte de uma equipe.
Já ouvi a explicação de que os vilões não sabem agir em equipe, acabam se atrapalhando e o Aranha, tirando proveito disso, consegue vencer todos eles. É o que provavelmente os defensores do Homem-aranha estão pensando agora... E os heróis? Não treinam pra cacete? Não procuram sempre agir em equipe, com ataques coordenados? Pois os casos dos super-heróis cujos poderes diminuem ao fazer parte de uma superequipe são ainda muito mais frequentes que no caso dos vilões. A Liga da Justiça mesmo... quantos dos inimigos que elas enfrentam não poderiam, honestamente, ser derrotados pelo Super-homem sozinho? Tá, tudo bem, o Super-homem é muito gentil, e não quero dar a impressão de que estou enchendo o saco do maior ídolo dos quadrinhos. Que tal os Vingadores? Quando o Visão foi criado por Ultron, não foi uma ameaça para toda a equipe? Não lutou contra todo o grupo de igual para igual? E depois, que se tornou membro dos próprios Vingadores, seus poderes não se reduziram? O que nos leva a uma segunda conclusão. Pela lógica utilizada nessa argumentação e pela observação prática das histórias, podemos concluir que: todo herói tem seus poderes reduzidos quando fazem parte de uma equipe, a não ser quando este mesmo herói se volta contra a própria equipe.
Puxa! Até o Homem-formiga já derrotou todos os Vingadores sozinho quando enlouqueceu... Não é querendo menosprezá-lo, só porque eu (confesso) não gosto dele, mas... ele não é exatamente o mais poderoso membro dos Vingadores que já existiu. Não estou falando do Gigante, nem outra de suas identidades, estou falando do Homem-formiga mesmo. Ele derrotou o Capitão América, o Pantera Negra, a Feiticeira Escarlate, o Magnum e o Visão juntos! Isso mesmo! Sozinho ele venceu o mesmo Pantera Negra que derrotou o SURFISTA PRATEADO!!!!!! e o mesmo Visão que deu trabalho para a equipe inteira no passado.


Esquecimento súbito
Outra coisa que tenho observado, que é uma variação da diminuição do poder, é seu súbito esquecimento. Não sei... Acho que é tanta gente lutando que o próprio personagem fica desnorteado e esquece de um poder. O Caçador Marciano mesmo é pego e não consegue escapar de alguns vilões durante algum tempo, até que uma hora ele se pensa: “Hum! Acabei de me lembrar que posso ficar intangível! São tantos os meus poderes que não me ocorreu antes...” E também vimos várias vezes um poder, que o personagem sabe que tem, só ser usado quando ele está a um triz de ser derrotado. Diante da iminente derrota, ele lembra: “Ah! Vou usar tal poder de tal forma, como já fiz diversas vezes e deu certo! Acho que esse vilão mesmo eu já derrotei assim... não lembro direito... preciso comer mais peixe”. Existem certos personagens aí que podem usar uma certa visão de calor associada a uma certa visão além do alcance para derrotar os inimigos à quilômetros de distância, sabe... mas quase nunca recorre a esse poder... Não quero dizer o nome do personagem para não ser acusado injustamente de perseguição.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ideia de Um Milhão

Quem quer um milhão?
A DC quer. Era 1998, e alguém na editora teve a ideia de supor: “se a revista Action Comics, de 1938 (aquela em que aparece o Super-Homem pela primeira vez), seguisse sua continuidade mensal, quando será que ela chegaria ao número um milhão?” E eles chegaram ao ano 85.271. E resolveram fazer uma saga sobre isso. E esta saga de dez anos atrás já continha DICAS SOBRE O FINAL DE BLACKEST NIGHT. O quê? Isso mesmo. Voltemos a isso depois...
Grant Morrison, então levando o título da Liga da Justiça, foi o responsável por escrever a minissérie principal, que repercutiu por todas as publicações da DC. O que mais ressalta, primeiramente, nessa saga, foi o fato de que ela não se estendeu ao longo de vários e vários meses. Inovadoramente, ela foi feita toda em apenas um mês, abarcando cerca de 40 edições. Pois é, todas as edições da DC de novembro daquele ano estamparam a numeração 1.000.000 em suas capas, retomando sua sequência normal no mês seguinte.

O plot da história é fraquíssimo: no século 853 (!), a Legião da Justiça Alfa, formada por descendentes da atual Liga (!!), resolve convocar a Liga da Justiça de hoje para participar de uns joguinhos olímpicos meta-humanos no futuro (!!!) para homenagearem o primeiro Super-Homem, que está vivo (!!!!) naquela época e vai retornar de seu exílio no Sol (!!!!!). Apesar desse mote ridículo, a execução da ideia é bem rápida, dinâmica, e quero neste post resgatar alguns bons conceitos apresentados em DC Um Milhão. E falar como ela já predizia o futuro de Blackest Night.

Muito boa, por exemplo, a descrença inicial de Caçadora, Oráculo e de Zauriel, que perguntam qual seria a probabilidade de haver vida humana, que dirá descendentes deles, daqui a tanto tempo. E, é claro, a atitude de Batman frente a essa historinha mal contada de jogos e desafios no futuro: “O presente é que me preocupa” (vide a mesma atitude na obra Terra 2, também do Morrison):Mas o Batman Um Milhão decide que ele deve ir, mesmo à força, e derrota o atual usando uma técnica de luta física e psíquica, mandando sua essência ao futuro. Diana não nega sua ascendência grega e fica toda excitadinha com a perspectiva de olimpíadas de superseres... Outra ideia bem bacana é o simbolismo dos heróis da Legião da Justiça, cada um radicado num planeta do sistema solar, espelhando a visão morrisoniana do panteão da DC: Flash, o mais rápido, é o guardião de Mercúrio; Mulher-Maravilha é de Vênus; Netuno, é claro, fica com Aquaman; Batman monitora Plutão, o planeta-prisão do sistema (punidor como o Hades); Saturno (Cronos) fica com o Homem-Hora, que já havia aparecido anteriormente numa história da Liga de Morrison; Júpiter, com sua grandiosidade, é sede da LJA Um Milhão; Starman opera em Urano (o Céu); e mais tarde descobrimos que Marte ainda é vigiado por Ajax, claro.
A Legião da Justiça Alfa diz que ficará na nossa época para manter o mundo a salvo, e assim fica a deixa pra história se espalhar para outros títulos, a fim de os leitores conhecerem os poderes (apelativos) dos heróis do século 853. Super Um Milhão, por exemplo, além de dez novos supersentidos (adquiridos pela Dinastia Super quando o Super-Homem do séc. 67 casou-se com uma ser da 5ª Dimensão), da super-hipnose e da supertelecinese, capaz de soprar uma lua de órbita e de calcular bilhões de probabilidades simultaneamente, é descrito como “mais rápido que um táquion, mais poderoso que a gravidade de um buraco negro, capaz de transpor anos-luz com um salto”. Mas, sem o supersol de sua era para abastecer seus poderes, começa a perdê-los um a um no presente... (boa jogada dos argumentistas para trabalharem um carinha tão fuderoso).

É claro que a coisa toda ia dar merda. Assim que são mandados para o futuro, descobrimos que Solaris, o computador solar, na verdade havia mandado um vírus para infectar toda a humanidade no passado para enfim conseguir sua vingança contra a Dinastia Super-Homem e substituir o sol, mancomunado com o imortal Vandal Savage. Agora me digam: pra que diabos um supercomputador iria querer substituir o sol??? Uaréva...

Destaque especial deve ser dado, entre todas as edições, para a Starman 1.000.000, a melhor história individual da saga. O Starman do futuro conversa com Ted Knight, o Starman original, e conta como, durante uns três milênios, não houve nenhum Starman, e como alguns da linhagem até mesmo foram vilões. Ponto para James Robinson (escritor da ótima fase do Starman), e maior ainda quando diz que sua "cria", Jack Knight, NÃO é o maior Starman, e que na verdade foi até esquecido no futuro... coragem do autor, e humildade, visto que quem já leu concorda que acontece justamente o contrário com Jack Knight.

Os conceitos legais extraídos de DC Um Milhão: os ícones que dão superpoderes. Achei muito boa a ideia, bastante significativa, principalmente no universo DC, em que os próprios heróis são bastante emblemáticos e icônicos. É só ver o quanto os escudos de cada superser representam e são seguidos, com vários carregando o S estilizado, e outros com o morcego no peito. No ano 85.271, vestir um relâmpago amarelo com fundo vermelho lhe dá supervelocidade momentânea! A própria Legião dos Super-Heróis ("só" mil anos no futuro a partir daqui), já utilizava bastante esse conceito das imagens representando seus heróis e poderes. Todo o universo DC é focado nestes símbolos heroicos, como visto nessa imagem idealizada para Crise de Identidade:

Outro conceito legal: daqui a tanto tempo, a própria noção de espaço vai ser diferente. A humanidade descobriu como manipular espaços tesseracts, de quarta dimensão, para fazer megalópoles inteiras superpopulosas caberem em espaços exíguos conservando o meio ambiente.
E a própria noção de informação como riqueza na comunicação mais rápida que a luz. O planeta Mercúrio, colonizado no futuro, é uma infocracia, quem detém informação detém o poder, e a própria se desatualiza muito rapidamente, ainda mais num futuro em que sua troca é multiplicada por um milhão! Globalização nada, "Sistema-Solarização" é o futuro! E a Neuronet, sintonizada diretamente em seu cérebro, seria o canal de informações no séc. 853. Bem bacana.

Outra proposta muita boa é a que justifica a presença de Robin, o droide-prodígio parceiro do Batman Um Milhão. Ele guarda a essência de seu mestre de antes do massacre que matou sua família e milhares de inocentes. Robin seria então a inocência, a pureza de Batman, uma neurocópia otimista de sua infância preservada no droide para sempre lembrá-lo de equilibrar as trevas com a luz ainda não corrompida neste inferno que se tornou Plutão. Interessante essa visão de parceiros-mirins...

Curioso observar como Grant Morrison já plantou, há mais de dez anos, elementos que depois ele mesmo resgataria, agora que é um dos caras que mandam na DC. Por exemplo, o conceito da Dinastia Super-Homem, o sol tirânico Solaris e o próprio Super do séc. 853 reaparecem na sua obra Grandes Astros: Superman, assim como o Super-Homem primordial exilado dentro do Sol.

Até mesmo uma ideia não tão boa assim, como o "punching time", teve sua origem aqui. Se alguém se lembra (e não gostou) do Superboy Primordial alterando a realidade através de socos em Crise Infinita, saibam que o Super Um Milhão atravessou a barreira do tempo através de socos anos antes:


Num especial publicado um ano depois da saga, inédito no Brasil, chamado DC One Million 80-Page Giant, são apresentadas pequenas histórias ambientadas no ano 85.271, e assim descobrimos a origem do Eléktron Um Milhão (muito legal a história), sabemos um pouco mais sobre a Legion of Executive Familiars, liderada por Kryto-9, e uma boa história chamada Crisis One Million, em que a Legião da Justiça Alfa encontra sua contraparte do universo de Qward. Curioso observar o uniforme da híbrida Mulher-Coruja (ao lado, lembra quem?), e perceber como algo parecido com o gerador de azar gerando sorte no reversoverso de Qward seria novamente utilizado em Terra 2. Além do mais, percebam a presença de outras versões, como Batman de 1889, Batmirim, Super do Reino do Amanhã e de Red Son, entre outros, já antevendo a Crise Final e o Multiverso de Morrison (?), na história:

Falando em antever, a PREVISÃO PARA BLACKEST NIGHT: em Martian Manhunter 1.000.000, ficamos sabendo que Ajax ainda está vivo no séc. 853, e se tornou uno com o solo marciano. E aqui ele faz uma revelação a Kyle Rayner: "Foi você, afinal, quem me resgatou quando tudo estava enegrecido." E continua: "Há uma mensagem que quero que entregue ao meu eu de sua época"...Hmmmm, quando tudo estiver enegrecido... quer uma referência mais óbvia a Blackest Night? Já que sabemos que o marciano está do lado negro agora, nos States, resta esperar. Será que Kyle é quem vai salvá-los e trazê-los de volta? Vamos aguardar a resposta em alguns meses... mas não um milhão deles!

- Filme sugerido 1: Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire, 2008).

- Filme sugerido 2: Timecrimes (Los Cronocrímenes, 2007).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Isso é um trabalho para o Super...?

Um dia desses, estávamos eu e minha esposa na casa de um casal amigo nosso jogando um desses joguinhos de conhecimento geral e cultura inútil bem legais, quando caiu uma pergunta ou dica mais ou menos assim: também sou chamado de Mianmá. Eu prontamente respondi: "Birmânia". Eu errei. Bom, segundo a fichinha do jogo. Lá dizia que a resposta era Burma. Já há algum tempo, vi uma notícia sobre atentados ocorrendo em Mumbai. Pensei comigo mesmo "Mumbai, olha só, acabei de conhecer mais uma cidade indiana pra entrar para o meu acervo de cidades indianas de que eu já ouvi falar, composta por Nova Délhi, Calcutá e Bombaim"... No ano passado, todos sabem, houve Olimpíadas. Mas ela foi onde mesmo? Ah, é, foi em Beijing... mas não era em Pequim?
Peraí. Burma é uma forma inglesa algumas vezes utilizada para se referir ao país que, em português, recebe o nome de Mianmá (e suas variações com y no meio e r no final) ou Birmânia. Mumbai é outro nome que se dá para a cidade que, em português transliterado do inglês, é chamada de Bombaim. E Beijing é a forma como a China quer que o mundo conheça sua já tão conhecida e manjada Pequim.
Aonde eu quero chegar com essa zona toda? Eu quero chegar no Super-Homem. Ou seria no Superman?

Colecionei HQs entre meados da década de 80 até meados da década de 90, quando parei de ler e só voltei em 2000 e alguma coisa. Nesse hiato, algo engraçado aconteceu. Eu parei de ler Super-Homem, mas quando voltei, voltei a ler Superman (reparem como ele é chamado, por exemplo, nas versões de Reino do Amanhã da Abril e da Panini). Nunca gostei muito do personagem, sempre disse que as melhores histórias do Super-Homem não são histórias do Super-Homem (explico isso melhor em outros posts futuros), mas reconheço a importância do que ele representa. Mas o lance aqui não é sobre o personagem, e sim sobre o seu nome.

Aliás, tradução de nomes aqui no Brasil sempre foi algo, no mínimo, curioso. Vejam a matéria do Eudes, do Rapadura Açucarada, sobre isso aqui (Peter Parker pra Pedro Prado, fala sério...).

Ele cita casos como do Ricardito (Speedy, no original), e do Joel Ciclone (Flash I). Cara, Joel Ciclone, não sei por que, mas pra mim ficou legal. Deu um ar mais antiquado ao personagem, bem característico dele, que é da Era de Ouro. Mas Ricardito? De onde veio isso? Outro também que eu sou louco pra parar na frente do cara que deu seu nome e perguntar: Ajax. Eu sei da explicação do porquê não se utilizar Caçador de Marte toda vez, por causa do espaço dos balões de diálogo na história, já que na tradução do inglês para o português o texto geralmente fica maior, nossa língua usa mais espaço. Mas sair de Martian Manhunter para Ajax, tipo, do nada?!? O que que tem a ver???

Li uma vez um artigo do Jotapê Martins falando sobre o primeiro filme dos X-Men, e falando de um dos vilões do filme, o Groxo. Nesse artigo o Jotapê faz seu mea-culpa (literalmente), explicando que, depois do filme, o Sapo (seu nome é Toad no original) "não poderá mais ser chamado de Groxo como ocorre nas revistas". Boa, Jotapê. Reconheceu o erro, pediu desculpas, gostei*. Tudo bem que, da primeira vez que vi o Groxo, com aquela roupinha ridícula de bobo-da-corte-assistente-de-cientista-maluco-da-idade-média, achei que o nome... cabia bem na figura feia e saltitante. Mas você não tinha como prever que ele no futuro teria uma mutação secundária que o faria ficar mais anuro ainda como pedia seu nome original. É, tô falando da bendita língua que aparece, e é bem utilizada, por sinal, no filme (e não aquela mostrada por Phil Jimenez no arco Planeta X dos Novos X-men, da espessura de um punho, permanentemente para fora e inútil; como é que ele conseguia falar, e muito, com isso saindo da boca?). Tudo bem.

Outro caso, tão esquisito quanto o do Ajax, é o do... Magnum! Tudo bem, concordo que traduzir Wonder Man ia ficar no mínimo ridículo, e ia acabar com toda a seriedade e masculinidade do cara. Quem ia levar a sério um fortão no grupo chamado de Homem-Maravilha? Putz... Tiveram a boa ideia de não traduzir o nome literalmente, daí resolveram rebatizá-lo. Mas, hum, vamos ver, o que poderia ser mais másculo que maravilha e melhor pra refletir os poderes dele, hein? Já sei! Magnum! Hã? WTF?!? Seria por causa dos óculos escuros, lembrando o galã que, talvez, na época, fazia tanto sucesso (pelo menos para o tradutor) com o ator Tom Selleck (quem se lembra desse seriado, hein)? Po, deixava o cara com o primeiro nome que deram pra ele, quando ainda era vilão, apesar de ser um nome bem clichê de supervilão: Poderoso, ou Homem-Poderoso, sei lá. Mas, Magnum? Não...

E o Super, como fica? Por que deixou de ser homem e virou man? Reflexo do imperialismo cultural norte-americano? Talvez. Tendência da maior anglicanização do português num processo natural de desenvolvimento da língua? Duvido. Imposição econômica do mercado? Provável. Sei que fizeram isso com Guerra nas Estrelas. Quem chama a primeira trilogia de Guerra nas Estrelas é da época dela, ou até da geração anos 80 (meu caso). A segunda trilogia hoje só é chamada de Star Wars (ainda mais pelos fanboys dos anos 90 em diante), e foi devido a imposição da marca mesmo. Decidiu-se que os subtítulos dos filmes poderiam ser traduzidos (Ameaça Fantasma, Guerra dos Clones, etc.), mas o título principal deles, em qualquer lugar do mundo, deveria ser, sem exceção, Star Wars. Ao que parece, algo semelhante ocorreu com o escoteirão de Krypton. As importadoras de produtos como bonecos, lancheiras, camisas e outros produtos com a marca do famoso S não quiseram mais gastar com adaptações e novas embalagens, e quiseram unificar o nome usado no mundo todo visto que a fabricação desses itens se dá geralmente num único país e exportado aos demais. Por isso essa pressão cada vez maior em se utilizar Superman ao invés do já tradicional e bem aceito Super-Homem em português.

Fui, certa vez, na casa de uns primos, e seus filhos estavam assistindo um DVD do desenho da Liga da Justiça. Peguei a capa do DVD e perguntei para os moleques se eles sabiam quem era cada um ali mostrado na capa. Chegando na figura verde do marciano, falei que era o Ajax, ao passo que eles fizeram cara de estranhamento e disseram "não, é o Jon-Jonz!" Fiquei com cara de tacho, parecendo que tava mentindo pra eles, mas a mãe deles pegou a capa do DVD e na sinopse dele estava escrito algo como "Batman, Flash, Mulher-Maravilha... e Ajax: sete dos mais poderosos heróis..." Confiram a descrição do DVD à venda no Submarino. Repararam no nome do Ajax, apesar de no desenho em nenhum momento ele ser chamado assim? Outra coisa, repararam que na sinopse Kal-El foi chamado de Super-HOMEM?

Vou apresentar algumas contradições encontradas entre o nome dado ao personagem e o texto de algumas de suas histórias, advindas da nova nomenclatura que pretendem dar ao personagem. Primeiramente em três revistas em que o personagem é chamado exaustivamente de Superman, mas aí chega uma hora do texto em que não dava mais pra manter isso, senão seria perdido o jogo de palavras.

- Em Superman Paz na Terra, na antepenúltima página (4ª de trás pra frente): "Vejo agora que assumir essa responsabilidade foi ambicioso demais para um homem, mesmo sendo um Super-Homem.” Ué, até há pouco ele era Superman, na verdade ao longo de muitas páginas, mas nesta única frase ele voltou a ser Super-Homem rapidinho!

- Outra, em Cavaleiro das Trevas II, a Mulher-Maravilha pergunta: “Onde está o herói que me lançou ao chão e me tomou como um prêmio merecido? Onde está o deus cuja paixão destroçou o topo de uma montanha? Onde está esse homem? Onde está esse Super-Homem?” É, né, Diana, na hora do vamuvê ele deixa de ser Superman e vira um Super-Homem, né, safadinha?

- No arco de histórias de Lex Luthor Homem de Aço (muito bom por sinal, como eu disse as melhores histórias do Super-Homem não são histórias do Super-Homem), capítulo 5, últimas páginas, Lex fala: “Você não pode (ver minha alma). Pois, se a enxergasse, veria um homem que optou por negar a felicidade a si mesmo (...) pelo mundo. Um mundo sem um 'super-homem'.” Poxa, ficou legal, não? Dá mais sentido às palavras de Luthor quando se representa o adjetivo do nome de Kal-El, um qualificante de seu poderio e de sua posição no mundo.

- Agora, o lado contrário, quando decidiram que não ficaria legal martelar a cabeça do leitor com o nome Superman em toda a revista e só numa única frase desdizer tudo de antes e jogar sua versão traduzida. Pegue seu exemplar de Maiores Histórias Superman DC 70 anos, vá até a página 90 e leia: “Pelos próximos 72 anos, homem e supermen colonizaram os céus.” Horrível, não? E separei só uns poucos casos, com certeza há mais parecido com isso por aí (não acompanho a revista do Azulão mensalmente para mostrar mais).

Retomando Pequim. Há estudiosos que defendem o uso da palavra Pequim para se referir à cidade, visto seu uso já consagrado no português, inclusive com palavras derivadas, como a raça pequinês, por exemplo. Não vamos mudar o nome da raça para beijingnês, obviamente. O mesmo caso eu digo do Super: percebam que, todas as vezes em que órgãos de mídia se referem ao último filho de Krypton, chamam-no de Super-Homem. Perguntem para seus familiares, sejam pais, avós, ou mesmo primos de mesma idade, mas que não conheçam bem ou não leiam HQ: eles vão falar Super-Homem. Até mesmo referências dentro da cultura pop, inclusive seriados com bastantes afinidades com quadrinhos, como Heroes ou The Big Bang Theory, citam o herói como Super-Homem, e não Superman. O conceito de Nietzche, já consagrado em nosso idioma pátrio, é o do super-homem, não o do superman. Cara, passamos mais de 5 décadas chamando o cara de Homem, e agora sem mais nem menos vamos chamá-lo de Man? São pelo menos 50 anos ouvindo seu nome em português para abandoná-lo assim!

Conclamo todos nós a usarmos simplesmente aquilo a que nos fomos acostumados a ouvir a vida inteira. Não é mais simples usar aquilo que sempre usamos? Para que nos rendermos a uma imposição artificial e engolirmos o termo americanizado, se já temos nosso termo próprio? Entendo que as línguas evoluem, adaptam-se, mudam com o tempo e aceitam incursões de outros idiomas; adição de estrangeirismo é perfeitamente normal. Mas somente quando não temos um termo específico em nosso idioma para aceitá-lo. Usar uma forma estrangeira forçada goela abaixo em detrimento de um termo já tão bem traduzido e arraigado culturalmente em nosso idioma há décadas... isso para mim sim é antinatural!

Ou vamos agora mudar tudo? Afinal de contas, ainda falamos Homem-Aranha, e não Spiderman. Até quando? Falamos Homem de Ferro, e não Iron Man. Por quanto tempo? Vamos ver o futuro filme dos Vingadores, ou o filme dos Avengers? Quarteto Fantástico ou Fantastic Four? Mulher-Maravilha ou Wonder Woman? Podemos continuar assim ad aeternum...

Vocês podem até falar "poxa, mas são ordens editoriais e tal...", mas vamos lembrar comigo o caso do Shazam. Quer dizer, do Capitão Marvel. Viu, muita gente confunde o nome do cara, achando que é Shazam. Isso deveu-se a problemas de direitos autorais; quando a DC adquiriu os direitos do personagem, a Marvel já era detentora da marca Capitão Marvel. Logo, a DC teve de publicar seu herói usando na capa de suas revistas o título Shazam. Fica aí minha sugestão. Panini (ou qualquer outra que possa publicá-lo por aqui), que tal mostrar o título da revista como Superman, mas à parte isso, dentro dela, em todo o seu conteúdo, chamar o personagem da nossa forma tão conhecida, Super-Homem mesmo? Deixa os personagens dentro da história, ou o texto lá dentro, usando homem, só na capa se manteria o man. Não atrapalharia a questão da marca, e manteria a nossa tradição linguística na versão aportuguesada, além de evitar problemas como os expostos nos exemplos que dei lá em cima. Isso seria muito trabalhoso, seria tão difícil?


Seria um trabalho para o Super... Homem?




Vídeo sugerido: Eu tinha que ser um Super-Homem?