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sábado, 8 de outubro de 2011

Tá pra sair... Zoo 2


Já comentei aqui, em post anterior, aquela que considero a melhor história em quadrinhos de Brasília que já li, também uma das melhores nacionais: Zoo. A sequência da trilogia, publicada pela HQM editora, será lançada na 18ª Fest Comix, evento que ocorrerá em São Paulo, nos dias 14, 15 e 16 de Outubro. Como já estamos próximos da realização do evento, resolvi publicar aqui uma entrevista, concedida por Nestablo Ramos, o autor de Zoo (história e ilustrações), que serve como uma prévia para aqueles que, assim como eu, estão só esperando o lançamento para dar continuidade à leitura.
Sendo assim, vamos ao que interessa:

FICÇÃOHQ - A Zoo 1 terminou de uma forma um tanto enigmática, deixando os leitores curiosos acerca do que aconteceria em seguida. A Zoo 2 começa no ponto onde termina a primeira?

NESTABLO RAMOS - Não. A história começa 3 meses depois, com o chimpanzé Sims desaparecido. No livro 1, ele descobre que as respostas que procura estão fora de Zoo, então decide ir atrás a qualquer custo. Mostrarei o que o espera em seu destino misterioso. Com os personagens que ficaram para trás, suas relações continuam bem tensas, principalmente entre Sabu e Naiana.

FICÇÃOHQ - Pelo visto, personagens da Zoo 1 voltam a aparecer na 2... O foco na história gira mais em torno de algum deles?

NESTABLO RAMOS - Sim, os personagens do primeiro estão de volta para o segundo livro, mas novas caras vão surgir, umas não muito boas e outras piores ainda! (risos). O foco será nos personagens que ficam em Zoo, como eles estão lidando com o sumiço de Sims e o que farão em relação aos fatos ocorridos no primeiro livro, especialmente Sabu e Naiana.

FICÇÃOHQ - Estou vendo que a história do Sabu com a Naiana promete. Mas e o Sims, que é personagem central da história? Ele não aparece na 2? Ou haverá alguma novidade em relação a ele?

NESTABLO RAMOS - Sim, o leitor vai descobrir mais sobre o passado dele, seus princípios e motivações. Perguntas sobre a paternidade dele com a Jiyan serão respondidas, mas não de forma direta. Espero que fiquem todos atentos! (risos).

FICÇÃOHQ - E quanto a essas caras novas que você mencionou? Existe algum personagem novo que você criou e que terá mais destaque na Zoo 2?



NESTABLO RAMOS - Sim, Hardock é uma das caras novas que vai pintar. Por hora só posso dizer que ele é um lutador de Vale-Tudo e que chegou pra arrebentar! Literalmente! (risos). Tem também Sabin, um babuíno sinistro com intenções misteriosas. Só lendo pra ver, cara! (risos).


FICÇÃOHQ - Atiçando a curiosidade da galera, hein? Para terminar, na minha opinião, a primeira Zoo foi marcada por algumas reviravoltas, a partir de revelações que foram feitas ao longo da história. Existem muitas revelações na Zoo 2? Que mudam o que o leitor está acreditando acerca da história?


NESTABLO RAMOS - Sim, existem reviravoltas e muitas surpresas, marca registrada de Zoo. Algumas revelações sobre o primeiro livro serão mostradas, é preciso estar atento a tudo, pois algumas estão nas entrelinhas. Para quem gosta de mistérios, é uma boa hora de deixar o Sherlock interior vir à tona! (risos). Está na hora de pensarem mais sobre suas teorias e formular algumas novas, se colocar no lugar dos personagens e pensar no que fariam no lugar deles. Acho que é bem por aí!


FICÇÃOHQ - Mais alguma coisa que queira dizer aos leitores?


NESTABLO RAMOS - Espero que Zoo esteja trazendo novas perspectivas a todos sobre os temas abordados e que seja apreciado com o mesmo carinho que foi criado. Abração a todos e nos vemos na Zoo 2!!!








Agradeço a colaboração de Nestablo Ramos, respondendo nossas perguntas e disponibilizando algumas imagens inéditas de divulgação do novo álbum: Zoo - Jogos de caçadores. 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Zoo

Zoo era a história em quadrinhos mais cara da mesa de HQs brasilienses da Livraria Cultura. Relutei... Olhei a capa, me parecia interessante... Olhei o interior, bem acabado, bom material, desenhos limpos com cores vibrantes... Dei uma olhada na contra-capa, onde há um macaco carregando um bebê e a frase “Em um mundo onde os humanos são os animais, ainda há quem lute por eles”. Era a mais cara, mas a mais bem produzida e também me parecia a mais interessante. Decidi comprar.
Confesso: quando pego obras nacionais, e ainda mais, regionais, não gero uma expectativa muito grande, pois sei das dificuldades de se produzir e colocar no mercado um material bom. Entretanto, Zoo, da HQM Editora, superou minhas expectativas e me fez repensar essa postura. Eu sou chato. Eu sou muito chato! A ponto de ficar puto em perceber que uma editora acabou com o suspense de uma página ao colocar a revelação de página inteira na página da direita. Todo mundo olha primeiro a página da direita, passando reto pela página da esquerda, ainda mais esta sendo composta exclusivamente por imagens, sem diálogos. Esperava encontrar pequenos defeitos em Zoo. Não que procurasse, encontraria naturalmente, em virtude desse criticismo ao estilo House.
À medida que fui lendo, fui automaticamente analisando a obra. A questão narrativa é a minha especialidade, e percebi, de cara, uma coisa: o livro não é uma cópia de Planeta dos Macacos. Refiro-me a sequência de cinco filmes produzidas há algum tempo e à relativamente mais recente versão de Tim Burton. Macaco na capa, protegendo humanos, pensei: essa história eu já conheço. Tudo bem, a inspiração certamente veio de lá, mas penso o conceito de originalidade não como algo completamente novo (se é que isso existe!). Se você usa uma mesma ideia básica e a trabalha de maneira bem distinta, é original para mim. Zoo não é uma cópia, nem uma história muito parecida com Planeta dos Macacos. Foi minha primeira quebra de expectativa.
Continuei a leitura e percebi que o narrador – Nestablo Ramos – foi guardando surpresas, revelações ao longo da história. Zoo surpreende, e não é apenas no final. Mais um ponto para Nestablo. Em termos de ritmo de narração, condução do leitor, suspensão da descrença, reflexão, ação e suspense (eu disse que era chato), mais uma vez Nestablo é bem-sucedido, assim como na construção de personagens. E o tema abordado é universal, não se prende nem à Brasília, nem ao Brasil.


Só que minha análise, quando se trata de quadrinhos, não se restringe ao aspecto narrativo, embora ele seja o que mais considero até mesmo por ser eu mesmo um autor literário. Analiso alguns aspectos mais técnicos, como o exemplo que dei de revelação em página inteira, que sempre deve estar na página da esquerda da revista. Os desenhos são limpos, as cores são vibrantes, isso já tinha dado para ver naquele folhear indeciso antes de comprar. Só que o desenho é também muito expressivo, trabalhado eficazmente na condução da história. Os personagens animais expressam bem as personalidades, as imagens provocam o leitor, principalmente na transmissão da mensagem que Nestablo quer passar.


Entrando em alguns detalhes, as páginas são limpas, claras, não fazem a gente franzir as sobrancelhas e ficar tentando adivinhar o que está desenhado ali (como já vi acontecer em histórias até da grande Marvel). A distribuição dos quadrinhos dentro das páginas, os destaques nas cenas, a emoção que passam, até a posição dos balões em relação ao desenho e a maneira como os diálogos conduzem o leitor... tudo perfeito. Eu que esperava encontrar um monte de defeitos...
Qual foi minha surpresa ao descobrir, em conversa com o autor, que ele fez absolutamente tudo na obra: roteiro, desenho, cor e letra. Com toda essa qualidade? É, meu caro Nestablo, você é uma prova de que é possível fazer história em quadrinhos nacional de extrema qualidade. Deve haver outros autores por aí, espalhados por todo o Brasil, escondidos em suas cidades. Basta uma empresa disposta a investir nesses potenciais ou nesses profissionais (uma salva de palmas para a HQM Editora), porque talento a gente tem para produzir material com qualidade suficiente para vender aqui dentro e no exterior. Se alguém duvida, leia Zoo.