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sábado, 2 de julho de 2011

Representação e representatividade no mundo dos super-heróis

Nesta semana, entre dos dias 29 e 30 de Junho, aconteceu, na UnB - Universidade de Brasília - o evento II Jornada de Estudos sobre Romances Gráficos. Entrou em debate temas como figuras femininas nos quadrinhos, os sons das palavras, relações entre quadrinhos e literatura, quadrinhos e identidade, heróis em foco e houve até a participação do cartunista Laerte. Além disso, o Rodrigo apresentou o tema Tempo nos Quadrinhos: subvertendo a ordem de leitura (que está sendo transcrito e será o próximo post), relacionado a posts anteriores dele aqui do blog, l'esprit d'escalier, (des)construção e card-comics e material inédito ainda.
Também apresentei um tema, sobre representação e representatividade nos quadrinhos dos super-heróis. Meu plano era o de escrever um post relacionado ao tema da palestra, já estava até com um rascunho quase pronto. Porém, como o Rodrigo não pôde estar na palestra e pediu para que filmasse, pensei: já que tenho a apresentação inteira gravada, posso fazer um post diferente. Em vez de texto e imagens, como sempre fizemos, áudio e filmagem. Sendo assim, coloco aqui para vocês a palestra na íntegra, que dura 21 minutos.














Meus agradecimentos à coordenação do evento, pela oportunidade, e meus parabéns, pelo sucesso. Lembrando que o evento contou com o apoio do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Pós-Graduação em Literatura da UnB, e foi organizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, cujo site é http://www.gelbc.com.br/ . Lá podem ser lidos os artigos referentes à I Jornada, e dentro de um pouco mais que um mês poderão ser lidos, no site, artigos dos palestrantes sobre os temas abordados na II Jornada.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Musa Nerd



Natalie Portman. Nascida há exatos 30 anos, em Jerusalém, como Natalie Hershlag. Oscar de melhor atriz de 2011 e vencedora do Globo de Ouro do mesmo ano, pelo excelente trabalho em Cisne Negro. Musa.
Neste post vou mostrar algumas razões que me levam a elegê-la Musa Nerd absoluta. Não só pela beleza, advinda da miscigenação tão própria de um estado como Israel (e o que a aproxima da beleza métis do Brasil também), mas também pelo seu trabalho.
Ainda bem novinha, perto dos 12 anos, conquistou o público na pele da pequena e eternamente lembrada Mathilda, contracenando ao lado de Jean Reno no cult filme O Profissional (1994). Mathilda era uma menina com uma trágica história que, ao ver toda a sua família assassinada, tem a forte presença de espírito de seguir em frente e fingir não conhecer ninguém. Assim ela acaba indo parar na casa de León, um matador profissional que a adota, o que leva a menina a seguir seus passos e querer se tornar ela mesma uma assassina profissional.

Na luta entra a manutenção da infância e a súbita passagem à vida adulta, Natalie nos mantém com maestria a tensão de menina-mulher na personagem de Mathilda. Ali a menina já dizia para o que veio, mostrando a ótima atriz que era (e que continuaria a ser).
Logo mais Natalie seria conhecida como a Princesa Amidala, que se envolveria com Anakin e se tornaria futuramente mãe de Leia e Luke Skywalker. Neste momento a jovem atriz chamaria a atenção do mundo nerd ao se lançar como a "nova Princesa Leia" no imaginário masculino de uma nova geração de cultuadores do universo de Guerra nas Estrelas (Star Wars).

Ao invés de se deixar levar pela fama, a atriz decidiu se afastar um tempo das telas e frequentou a prestigiada Harvard, onde cursou e se formou em Psicologia em 2003. Durante esse período, toda a experiência vivida e o conhecimento adquirido só a ajudaram a montar e compor seus futuros personagens. Um trabalho publicado pela menina pode ser lido aqui, em que aparece como coautora com seu nome verdadeiro, Natalie Hershlag (o sobrenome Portman ela retirou de sua avó), investigando a relação entre a consciência visual de crianças e o lóbulo frontal de seus cérebros. Segundo a moça, em entrevista dada à Rolling Stones, "Freud e seus seguidores são uma fraude."

Natalie, vegetariana desde a infância, viaja pelo mundo em campanhas sociais contra preconceito e pobreza, para ajudar mulheres, e também dando palestras sobre terrorismo. Vi certa vez uma entrevista dela falando sobre máscaras e todas suas alegorias e implicações, e ela demonstrou domínio do que falava, tudo bem embasado. Bonita, inteligente e engajada!

Depois de mostrar ao mundo como já estava bem crescidinha em Closer (2004), Natalie arrebatou também um monte de marmanjo não necessariamente ligado em cultura pop com sua provocante personagem stripper, sem deixar de mostrar todo seu talento artístico numa outra belíssima e marcante atuação no filme baseado numa peça de Patrick Marber.
"Saint spidersense, Spidey (ou 'santa espiadela, Tobey')!"

O carisma da moça só veio a aumentar quando, retornando ao mundo nerd, faz o papel da inglesa - com direito a sotaque e tudo - Evey na adaptação de V de Vingança (2006). Demonstrando coragem e maturidade, Natalie encarou a famosa cena em que raspa todo o cabelo. Não são todas as mulheres que conseguem ficar bem de cabelo curto, e Natalie ainda conseguiu se manter bela como sempre mesmo quase careca.

Após figurar ao lado da também belíssima Scarlett Johansson (que viria a fazer uma aparição marcante como Viúva Negra em Homem de Ferro 2) em A Outra (2008), recentemente a atriz voltou a figurar na mídia mundial ao encarnar a bailarina frágil e delicada que se transfigura em seu nêmesis numa bela interpretação em Cisne Negro, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro como melhor atriz. Mais que merecido no papel que mostra as angústias e obstinações por trás do glamour do mundo do balé*.


Em maio último, a atriz apareceu como Jane Foster, a mortal que fisgou o coração do Deus do Trovão no filme do Thor. Para aumentar ainda mais sua ligação com o mundo geek, um fato pouco sabido por muitos é que a personagem Queda (Freefall) do Gen13, de acordo com seu cocriadorJ. Scott Campbell, teve sua aparência baseada em Natalie Portman. Na revista Gen13Zine (publicada pela Wildstorm) foi mostrado, inclusive, que as medidas da personagem são idênticas às medidas da atriz.
Natalie Portman se lançou neste ano ainda como garota-propaganda da Dior, num comercial veiculado aqui no Brasil durante os intervalos do Oscar. Vocês podem conferir o belíssimo vídeo apresentando a atriz em toda sua beleza e carisma nas sugestões abaixo.
A atriz comemora hoje seu aniversário de 30 anos - o mesmo dia do aniversário de minha mãe - , tendo nascido, coincidentemente, no mesmo ano em que eu mesmo nasci. Parabéns, Natalie. Parabéns, mãe!





Vídeo sugerido1: comercial da Dior estrelado por Natalie.
Vídeo sugerido 2: trailer com a cena não censurada de Natalie Portman.
* Livro sugerido: Dicionário de Nomes Próprios, de Amélie Nothomb.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Sobre Mês das Mulheres, machismo, movies, Movimentos e... mórmons (?!?)

Um amigo meu me mandou este link para ler e comentar, que tratava sobre as mulheres nas adaptações de quadrinhos para o cinema. Continuando o Mês das Mulheres aqui no blog, transcrevo de forma sucinta e resumida o breve diálogo que travamos eu, Guilherme e Chiko sobre o assunto (perdoem a nossa informalidade, hehehe):

Chiko: Para mim, vocês dois são OS CARAS dos quadrinhos, é uma mídia que eu boio um pouco, sou muito mais seguro em cinema, mas.... vi um texto e pensei, vou mandar pros caras, e perguntar o que eles acham. Deem uma lida:


Abraços!
Guilherme: Eu exploraria mais o paradoxo da Mulher Maravilha. Pois ela foi considerada uma personagem que representa o feminismo por ser a primeira super-heroína a ter suas próprias histórias. Já a personagem... Não só foi a precursora do modelo de uniforme mulher-objeto (bastante criticado por algumas feministas), como atendia a todos os fetiches de seu criador. Botinha, laço e bandeira americana... E o pior: você sabe qual era a fraqueza dela no início da carreira? Ser amarrada por homens. Apesar de toda sua força, quando era segurada por um homem, perdia os poderes. Sentiu?

Rodrigo: Eu ia falar exatamente isso! Parafraseando eu mesmo, de um post antigo do Ficção HQ: "Ícone feminista, é até de se estranhar esta escolha, visto a quantidade de fetiches que caracterizam a própria personagem. Uma semideusa grega, com corpo perfeito, vestida com a bandeira americana (estrelinhas e tudo), laçadeira, que perdia sua força quando presa por um homem!"

Realmente, o que o cara falou da Carol Ferris foi legal, ela era dona da da empresa e CHEFE do Hal Jordan! Isso em plena década de 60! Massa, né? Mas acho que nunca exploraram legal esse fato... vamos ver como o farão no filme do Lanterna. Realmente a Lois é a mais próxima de mulher independente e forte e tudo o mais que eles falam. Nunca gostei muito da Lois, talvez por tabela já que eu nunca gostei do Super, mas olhando assim até que ela é meio porreta, e afinal de contas, ela é a Escolhida, the chosen one, certo? Se o Super é o Salvador na Terra, o epítome da perfeição a ser alcançada, ser escolhida por ele deve dar uma moral da p*#&a pra ela, não?
Mas percebam bem, até hoje não lançaram um filme de uma heroína nos cinemas (Elektra se não me engano foi direto pra locadora, né?). Nunca deram destaque também nos filmes em que elas aparecem, como por exemplo uma Tempestade liderando os X-Men ou uma Vespa liderando os Vingadores. Elas ainda são relegadas a segundo plano e a estereótipos.
Paralelo a isso, eu mesmo tô até me surpreendendo com a quantidade absurda e cada vez maior de predileção minha particular por mulheres fortes nos quadrinhos. Desde a minha escolha da Mary Jane como uma das personagens at all mais queridas, até minha paixão por Jessica Jones e Mina Murray da Liga Extraordinária (a HQ, jamais o filme!).
Chiko: Saindo um pouco do assunto, mas ainda ficando no tema "mulheres e como são vistas no mundo do entretenimento": vocês sabiam que Hugh Hefner era influente nos movimentos políticos e sociais que marcaram o mundo nos anos 50, 60 e 70 ou mesmo às causas feministas? Ele se aproveitava que seu programa de tevê era produzido de forma independente, levou artistas e intelectuais negros à televisão numa época em que estes tinham espaço limitado, além de ajudar a romper a barreira que impedia comediantes negros de alcançar o mainstream (para isto, sua decisão de escalar Dick Gregory num show comprado por empresários sulistas foi crucial). Atuou para mudar leis que regulavam o aborto e impediam a comercialização de contraceptivos em vários estados dos Estados Unidos.
Voltando, bacana saber dessas histórias...
Interessante seria ver personagens como Lara Croft, que é "independente" mas não deixa de representar o fetiche masculino, já que deve ter sido criada por homem.
Isso me leva à "Saga Crepúsculo", li o primeiro livro e parei de ler o 2º, vi os dois filmes... e acho increvelmente irônico, um livro escrito por uma mulher e dirigido por outra ser tão "antifeminista", já que a personagem Bella só quer saber de correr atras do macho-alfa dela, e sempre é a "donzela" em perigo. Mais interessante é você perceber que a autora, como uma MÓRMON, prega a "abstinência" usando de metáfora o abraço vampírico (nada contra os mórmons, apenas apontando um fato).

Rodrigo: Legal o lance do Hefner, não sabia (Stan Lee meio que fez um cameo em homenagem ao playboy no primeiro filme do Homem de Ferro, né?). Bom, se um dia tiverem colhões de lançar um filme ou seriado sobre Jessica Jones, por exemplo, os produtores com certeza se surpreenderão com a boa receptividade do público, não só feminino como masculino também! Super-herói não é só coisa de menino, e até os meninos gostam de ver uma saia com cérebro e atitude de vez em quando, certo?


terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres de Ficção e de HQs

   Bem-vindos a mais um Dia Internacional das Mulheres aqui no Ficção HQ. Assim como no ano passado prestamos uma homenagem a algumas beldades do sexo feminino nos quadrinhos, neste falarei um pouco sobre algumas outras, menos conhecidas, que ficaram de fora, mas que poderiam muito bem estar presentes na minha primeira lista, e o porquê de eu gostar delas.
Sue Dibny_ única coadjuvante a ser membro integral da Liga da Justiça, esta personagem foi marcante para aqueles que se lembram da versão Europa da Liga da Justiça Internacional. A esposa do Homem-Elástico era uma mulher forte, decidida, independente, perspicaz e sagaz, e -para mim pelo menos - sua morte foi o verdadeiro impacto da série Crise Identidade (sim, mais impactante até que as memórias apagadas). Nada mais a dizer, exceto a frase de seu marido, abaixo:


Outra esposa de super-herói que também apoia (ou apoiava; maldito Joe Quesada e seu One More Day) o marido sempre é Mary Jane Watson, a modelo internacional com que todo nerd gostaria de se casar. Bom, MJ é a MJ, e a ruivinha de covinhas merece um post só pra ela, por isso não vou me alongar mais aqui.

Promethea_ tudo o que a Mulher-Maravilha deveria ser mas não consegue, a mulher ideal (e quando falo ideal me refiro exatamente ao conceito platônico do Mundo das Ideias, ou sua versão alanmooreana: Imatéria). Heroína, deusa, mito, inspiração, musa, mulher. Essa personagem consegue reunir em si todas essas personas, e muito mais, por isso a pus nesta lista. Precisa falar mais?

Emma Frost_ talvez aqui eu entre em polêmica, mas vamos lá. Originalmente uma vilã para rivalizar o caráter docente de Charles Xavier, compartilhando com o professor os mesmos poderes, Grant Morrison a trouxe para o lado dos X-Men e a fez uma das mocinhas. Pior (ou melhor) ainda, tornou-a amante de Ciclope, e fez a personagem desbancar Jean, acabando com um dos relacionamentos mais engessados da história dos quadrinhos americanos. A partir de então o caráter dúbio da moça só evoluiu: amadureceu Scott tanto emotiva quanto sexualmente, tomou as rédeas do próprio Instituto, ocupou o lugar de Xavier como seu representante, mais recentemente apareceu fazendo parte da Cabala, a resposta vilanesca ao grupo dos Illuminati. Parabéns, Emma, conseguiu dividir os fãs dos mutantes entre aqueles que a odeiam e aqueles que a adoram, bem jus à sua própria dubiedade enquanto personagem fictícia. Eu sou do time pró-Emma, uma das grandes responsáveis por balançar e revolucionar o status quo mutante. E sua roupa a la dominatrix também ajuda...


Vespa_ dona de um poder bosta, a ex-mocinha cabeça vazia que só servia para ser resgatada pelos outros acabou tornando-se líder dos Vingadores, e uma de suas principais lideranças depois do Capitão América. Apanhou do marido, numa excelente mostra do amadurecimento dos quadrinhos de super-heróis e sua ligação com a realidade, e deu a volta por cima. Sua versão Ultimate é ótima, como representante mutante dos Supremos, embora mais dondoquinha, e suas características orgânicas expostas pelo marido num momento de fúria foi um ponto alto no primeiro arco dos "Vingadores militaristas pós-11 de setembro" que são os Supremos. Janet van Dyne ainda ostenta o recorde de possuir o maior número de uniformes da história dos quadrinhos!

Elektra_ uma filha de um milionário grego que é... ninja! Independente, sedutora, pancou quatro superskrulls sozinha durante a Invasão Secreta, controla o Tentáculo, encarou no mano a mano o Wolverine assassino durante o arco Inimigo do Estado, uma artista marcial excelente que

não precisa ter superpoderes para figurar entre os maiorais da Marvel. Elektra é um mistério perigosamente instigante...


Miraclewoman_ quem conhece a versão de Alan Moore e de Neil Gaiman para o personagem Miracleman (que é leitura OBRIGATÓRIA para qualquer um que goste de quadrinhos adultos de super-heróis) vai perceber que ela é a verdadeira cabeça por trás do Olympus e da Golden Age trazidos pelos heróis-deuses perfeitos, pois é a Miraclewoman quem controla Miracleman, o homem mais poderoso do mundo. Isso lhe dá um caráter duvidoso de heroína e vilã ao mesmo tempo, ao vermos como ela é manipuladora e titereira. Mas não forçada ou propositadamente, ela apenas o é, como muitas mulheres da vida real o são. Fisicamente perfeita, inteligente, com pensamentos "fora da caixa", foi a idealizadora do conceito testado na Terra para acabar com a eterna rixa entre as raças alienígenas dos Qys e dos Warpsmiths: "(ao invés das labutas estúpidas de uma guerra inútil) não seria melhor fazer sexo?" A vênus de "dedos que poderiam esmagar carvão até torná-lo diamante" e de "lábios que poderiam sugar o coração de uma estrela", criadora do voo nupcial - que abordarei em um post futuro - fala mais sobre isso ao lado...




Magia_ a irmã caçula de Colossus sempre foi uma personagem que me trouxe fascínio. Eu apreciava seu conceito de lado negro escondido, da bela moça virginal dos Novos Mutantes que escondia um lado perverso e demoníaco em seu interior, por conta de seu conturbado desenvolvimento de criança para mulher no Limbo quando foi raptada pelo demônio Belasco. Gostava também de seu caráter um pouco sexualizada, misto de infância junto com corrupção. Uma verdadeira metáfora para a adolescência em si, como é o aparecimento dos poderes mutantes no universo do homo superior da editora. Para quem conheceu a Illyana Rasputin no início, quando ainda era uma menininha que gostava que Kitty Pryde lhe contasse histórias de ninar, conhecê-la na forma de Magia, senhora e rainha do Limbo, onde seu poder era supremo, foi uma evolução marcante da personagem, que trouxe todos esses aspectos conflitantes à tona. Pena que ela nunca foi tão bem aproveitada quanto poderia...

Da mesma forma vejo Adaga, dona de um dos mais belos uniformes femininos, com sua relação esquisita fraterna/sexual/simbiótica e de codependência com Manto, misto de antagonismo e afeto recíproco, também uma metáfora para as drogas, fonte inclusive de seus poderes. Uma personagem triste, urbana, real, sem muito do glamour que geralmente acompanha as super-heroínas.

Cristal_ uma heroína geralmente deixada a escanteio, mas que certa época foi protagonista nos X-Men, a loirinha é uma cantora de sucesso, com um poder que tanto serve no combate ao crime quanto nas suas performances nos palcos (Cristal é muuuuito poderosa), o que poucos no Brasil tiveram a chance de saber é que, durante um curtíssimo período de tempo, Alison Blaire já foi arauto do próprio Galactus, que a escolheu por ser capaz de gerar luz dentro de um buraco negro. Além do mais, a mutante cantora também foi a preferida do Beyonder, quando este encarnou num corpo humano e passou a morar na Terra, e a selecionou dentre todas as mulheres do mundo. Pouca coisa ou não?

Arlequina_ atleta, psiquiatra, a vilã louquinha, por algum motivo, me cativou. Não sei se por sua obsessão por um dos criminosos mais insanos e perigosos, não sei se por sua "inocência sádica", se é que isso existe, ou apenas por sua loucura mesmo: uma mulher capaz de ser tão louca quanto o Coringa, a parceira perfeita para este. Sua representação no jogo Batman: Arkham Asylum está assustadora e psicoticamente bela:
Questão_ outra oriunda do universo do morcego que também conquistou meu apreço foi a policial Renee Montoya, desde a série Gotham City Contra o Crime, até depois, quando assumiu o legado para ser a nova Questã. Detetive séria, com um passado a lhe perseguir, essa latina foi uma das primeiras personagens a se mostrar publicamente lésbica nos quadrinhos, e o arco em que isso ocorre foi ganhador de vários prêmios. Mais um ponto a mais para a personalidade de Montoya, que tem a sorte de só pegar mulher mais linda que ela ainda!
Zatanna_ outra heroína que vem pouco a pouco me cativando. Quando a conheci ela ainda fazia parte de uma das primeiras formações da Liga, com um uniforme meio modernoso, bem mais ou menos. Mas ultimamente a maga tem recebido boa atenção por parte dos roteiristas, principalmente Paul Dini, e se mostrado uma das principais heroínas da DC. Muito boa sua história dentro dos Sete Soldados da Vitória, em que, mesmo sem usar seus superpoderes, ficamos por dentro da vida pessoal sempre conturbada dessa morena. Outra personagem cuja roupa fetichista ajuda a alavancar sua popularidade, se bem que Zatanna, por si só, por sua personalidade e complexidade, já poderia ser bem popular.
Júlia Kendall_ minha experiência anterior com fumetti era apenas e basicamente Tex. Até eu conhecer a Júlia. Sempre ouvia dizer nos fóruns pela internet o quanto esta série era boa, até finalmente eu ter em mãos alguns exemplares das Aventuras de uma Criminóloga. Sua imagem, inspirada abertamente em Audrey Hepburn, só ajuda a termos simpatia cada vez maior por esta personagem. Júlia além de linda é inteligente, sensível, intuitiva, meiga, profissional, frágil e ao mesmo tempo forte (é, parece que eu gosto mesmo de características conflitantes e paradoxais). A série mensal de Júlia aqui no Brasil está em perigo de cancelamento, por isso aderi à campanha:Salvem Júlia! Basta cada um que a conhecer comprar um exemplar das bancas e presentear alguém que você ache que vai gostar. É certeiro, não importa a edição do mês, a história é sempre de alto nível, e se assim conseguirmos angariar mais fãs para a criminóloga, talvez as vendas voltem a crescer e não correremos o risco de termos cancelada no Brasil uma das poucas séries de qualidade a serem lançadas mensalmente... Se você não conhece, compre! Se você gosta de histórias de mistério, de detetive, de psicologia, histórias policiais com um pouco de aventura, compre! Não vai se arrepender!
Barbarella_ clássico dos quadrinhos e do cinema, mídia em que foi interpretada pela belíssima Jane Fonda, muito pouca gente sabe que o début da personagem foi nas HQs. Criada por Jean-Claude Forest, antecipou a revolução sexual e liberação sexual da mulher. Mulher bem resolvida, conhecedora da própria beleza e do próprio corpo, usa e abusa da sexualidade, por vezes inocente, como recompensa aos que a ajudam, ou apenas para curtir um pouquinho. Cada uma das roupas usadas por Jane Fonda (apaixonante!) no filme é uma mais bela e sensual que a outra, excelente figurino para tão avançada personagem.
Hit-Girl_ mais uma presente tanto nos quadrinhos quanto nos cinemas, porém sua versão na telona é apaixonante! O filme de Kick-Ass, para mim, suplantou a HQ original sobretudo por causa da presença da personagem interpretada por Chloë Moretz, bonitinha e sanguinária. Ela rouba a cena todas as vezes em que aparece, cortando marmanjos ao meio e ainda com um sorrisinho feliz de quem está brincando estampado no rosto. Adoro os desenhos de John Romita Jr., mas tenho de confessar uma coisa: ele definitivamente não sabe desenhar crianças...
Lara Croft_ ainda em outras mídias, lembro muito bem dos jogos Tomb Raider, e do quanto gostava deles por dois motivos. O primeiro era a forma labiríntica de cada fase ou nível, em que deveríamos explorar todo o ambiente e desvendar uma maneira de prosseguir utilizando nosso raciocínio e percepção. O segundo motivo, é claro, era sua protagonista. Um dos protagonistas pioneiros protagonistas do sexo feminino, a voluptuosa Lara é atlética, rica, exploradora, sabe se vestir e manipular armas muito bem! Os dois filmes que fizeram com a personagem, apesar da sempre visualmente agradável Angelina Jolie, não foram lá essas coisas... Mas eu me lembro sim das roupinhas exploratórias de Lara em ambientes tão variados quanto dentro d'água ou no polo norte, quase sempre com as pernas de fora, empunhando uma arma em cada mão e fazendo movimento acrobáticos mil.

   A todas as mulheres, inocentes ou sensuais, mocinhas ou bandidas, inteligentes ou não, lindas ou não, atléticas ou não, insanas ou não, ideais ou não: Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!
(Há um motivo para, neste post, eu não ter escolhido nenhuma ruiva. Aguardem...)

Livro sugerido: O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder.
Filme sugerido: Barbarella (1968).
Atriz sugerida: Audrey Hepburn.
Fotos sugeridas: Ellen Roche como Lara Croft.
Jogo de videogame sugerido1: Batman: Arkham Asylum.
Jogos de videogame sugeridos: Tomb Raider (qualquer um).

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

de A a Z

Devido ao fato de os dois colaboradores deste blog estarem cursando sua segunda graduação, as coisas ficaram meio paradas por aqui neste final de semestre. Mas prometemos voltar à programação normal ano que vem!
Enquanto isso, fiquem com um recadinho da Zatanna para este final de ano e início de outro.
Feliz Ano-Novo!
Até 2011!!





Símbolo de renovação sugerido 1 (animal): Fênix.
Símbolo de renovação sugerido 2 (figura mítica): Ouroboros.
Símbolo de renovação sugerido 3: Suástica rúnica (a original, não a corrompida pelos nazistas).
Deus sugerido 1: Shiva.
Deus sugerido 2: Ganesh.
Deus sugerido 3: Janus.
Orixá sugerido: Oxumarê.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mulheres (im)Possíveis

Este post é em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (mas que, devido a uma monografia, não saiu antes, mas tando no mês da mulher ainda tá valendo!). Falarei sobre algumas representantes do sexo feminino que, por algum motivo, mais me atraem ou atraíram ao longo dessas décadas lendo HQs. E não, não só por sua beleza física e corpo escultural - afinal, que mulher nos quadrinhos NÃO possui beleza estonteante e corpo perfeito? (Bom, há uma, e ela está na minha lista).
Paradoxalmente, apesar de não haver muitas personagens femininas em quadrinhos, quando comecei a montar essa lista confesso que tive dificuldades para não torná-la maior do que já está. É, havia muitas personagens cativantes de algum modo, e tive de rifar muitas. Vamos lá:
Mulher-Maravilha,

Apesar de ser o "Super-Homem de saias", a escoteira, perfeitinha demais, Diana não poderia ficar de fora de qualquer lista que envolva as palavras mulheres e super-heroínas. Ícone feminista, é até de se estranhar a escolha, visto a quantidade de fetiches que caracterizam a própria personagem. Uma semideusa grega, com corpo perfeito, vestida com a bandeira americana (estrelinhas e tudo), laçadeira, que perdia sua força quando presa por um homem! Fala sério, vai dizer que o Dr. William Moulton Marston não tava fazendo isso por querer! Ótima descrição feita pela Lois sobre ela em DC 70 Anos: Mulher-Maravilha (Lois Lane, uma mulher, jornalista, sobre ela: "Então você a vê, e, ao contrário da maioria das pessoas, cuja REALIDADE NUNCA se compara a reputação... a PERFEIÇÃO dela deixa você no chão. Mulher Pós-Feminista-Pra-Valer. Com M maiúsculo. Arte em movimento. BELEZA. Ela é uma MULHER-MARAVILHA"). Mulher-MaravilhOSA, como diriam Besouro Azul e Gladiador Dourado. Não gosto tanto dela como personagem, mas gostaria de vê-la ao vivo, se existisse, na vida real. E quem não gostaria...

Tempestade,
Mulher, negra, africana, mutante. Tinha tudo para não ser bem-sucedida, mas, graças à predileção de Chris Claremont (praticamente o pai do universo mutante como o conhecemos) por ela, assim como John Byrne era apaixonado pela Mulher-Hulk, a personagem, que era tida como uma deusa na África, perdeu a inocência, virou radical, adotou corte de cabelo e estilo punk, ganhou a liderança dos Morlocks numa briga com Callisto, perdeu seus poderes e mesmo assim se manteve como a segunda maior líder dos X-men! Foi talvez uma das mutantes com maior evolução desde sua primeira apresentação, inclusive com complexidades acerca de seu passado como ladra no Cairo sendo adicionadas e enriquecendo seu histórico (quem não se lembra de sua fase "Tempestinha", em que trouxe Gambit, um dos X-men mais queridos da época). E nos cinemas foi interpretada pela beldade Halle Berry (que inclusive exigiu mais espaço para a personagem, julgando que a importância da mesma nos quadrinhos dignificava essa ação). E como dignificou! Por tudo isso, palmas para Ororo, que merece estar aqui também!

Mulher-Invisível,
Susan passou por vários arquétipos ao longo de sua carreira: primeiramente, de mocinha em apuros, parte mais fraca, virou a mais poderosa da equipe (aliás, esse é meio que um costume Marvel: vide Jean nos X-Men, Feiticeira Escarlate nos Vingadores, Tempestade também nos X-Men...), ela é o único elo que une todos os membros do Quarteto (percebam o quanto são raras as interações do Tocha diretamente com Richards, a não ser por meio da Sue). Tornou-se oficialmente esposa ao casar-se com Reed, depois mãe, papel pouco desempenhado por heroínas. Susan na verdade representa a mulher moderna, mulher profissional que trabalha fora mas que também cuida de casa, modelo não só de profissionalismo (se é que ser heroína é uma carreira), como também de mãe e esposa. Não é à toa que, ao final de The Pulse, Jessica Jones vá tratar diretamente com Susan sobre suas inseguranças, graças a Carol Danvers. Apesar de tudo, ainda é falha, foi dominada pela influência do Homem-Psíquico que aflorou seu lado ruim (Malice), tem seus momentos de fraqueza, principalmente quando um certo rei submarino está presente (a conversa dela com Alícia sobre Namor em Quarteto Fantástico 1234, de Grant Morrison, é ótima: "por que todos acham que sou tarada no corpo do Namor?"). Ainda assim, representa o sonho de todo nerd, afinal de contas o cara mais inteligente da escola no fim se casou com a menina mais bonita da turma, certo, Reed?

Kitty Pryde,

Orgulho dos X-men. Por essa daqui tenho um apreço particular. Talvez a única digna de deter o título de pertencer à Escola para Jovens Superdotados do Prof. Xavier. Verdadeira superdotada, inteligência acima da média, facilidade para lidar com equipamentos eletrônicos e computadores (assombrou Cifra e Capitão Britânia com seus conhecimentos), nunca foi a mascote do grupo, mesmo quando era a mais nova dos X-Men. Enfrentou sozinha um N´Garai dentro da Mansão X numa ótima história (Uncanny X-Men 143 ou Superaventuras Marvel 42), foi o pilar para a história Dias de Um Futuro Esquecido (uma das mais importantes do universo mutante), iniciou uma parceria com Wolverine que lhe valeu habilidades ninja (outro bom momento quando Kitty passou a rulear um internato para garotas no interior da Inglaterra quando fazia parte do Excalibur). Kitty teve um amadurecimento muito bom e precoce (quem não se lembra da memorável frase: "Professor Xavier é um idiota!"; grande personalidade, Katzen!), principalmente após o Massacre de Mutantes e após a ótima passagem em Surpreendentes X-Men de Joss Whedon. Não foi pra menos que uma personagem tão boa assim apareceu em X-Men 3 (uma das poucas coisas que se salvam no filme, na minha humilde opinião). Kitty provavelmente seria alguém com quem eu gostaria de bater um bom papo...

Velta,
Ela é loiraça, gostosa e tem dois metros de altura! Mas ela não é sueca, é brasuca, qualidade 100% nacional. Musa dos quadrinhos brasileira, Velta foi criada em 1973 por Emir Ribeiro. Embora com uma origem não tão original assim, a loira foi revolucionária, andando em trajes sumaríssimos e combatendo o crime na década de 70 por essas bandas tupiniquins. O que mais me atrai na personagem (tudo bem, não o que MAIS me atrai, mas a segunda coisa que mais me atrai) é que ela é de uma complexidade tal que daria ótimas histórias, se bem aproveitadas num enredo bem construído. Apesar deste corpaço e desses dois metros intimidantes (fetiche do próprio criador?), Velta na verdade é a tímida adolescente Kátia, sem idade pra dirigir ainda. Sedutora e virgem. Contradições e paradoxos numa mesma personagem. Boa ideia que poderia ser bem aproveitada. Mas fiquemos com sua imagem que já tá bom demais!

Mina Murray,
Essa é minha menina dos olhos... a verdadeira líder da Liga Extraordinária (esqueça por completo a porra do filme!). Imaginem o que é ser uma mulher da alta sociedade divorciada, sem marido, na era vitoriana. Essa é Mina Harker, que desbancou por completo o salto alto de Quartermain e de Nemo. Personalidade forte, corajosa, acostumada a encarar monstros e colocá-los no seu devido lugar. Botou Hyde nos eixos, sendo provavelmente a única que ele respeita. Extremamente inteligente, sacou logo de cara a identidade do benfeitor da Liga, o misterioso M. E, além de tudo, linda. Apaixonei. Sério mesmo. Depois que terminei de ler Liga Extraordinária, só pensava na Mina Harker, pra mim, de longe, a melhor personagem dos dois volumes até então já lançados em português. Frente a todos os demais protagonistas retirados da literatura mundial por Alan Moore, imaginem só, originalmente, na história de Bram Stoker, Mina é uma personagem secundária, a "mocinha" da história causadora dos conflitos na trama e que deve ser salva no final. Mas na Liga ela tomou a frente e destacou-se como protagonista na Inglaterra machista e preconceituosa da época. Mullher exemplar, quem não conhece, leia e veja com seus próprios olhos. Na minha lista pessoal, ela ficaria no Top 3.

Morte, Tudo bem, sei que esta aqui não é bem uma mulher, mas... Uma das maiores sagacidades de Neil Gaiman foi ter acabado com o estereótipo da caveira com foice nas mãos e ter apresentado uma Morte... cheia de vida! Simpática, alto astral, linda, cativante, apaixonante. Talvez sua criação tenha se tornado mais famosa que o personagem principal, ajudou a popularizar um dos acessórios mais utilizados pelas roqueirinhas de hoje que exibem ankhs por aí (a maioria talvez nem saiba o porquê!), graças à estilosa irmã mais velha de Morpheus. Inesquecível, e sob o traço limpo de Chris Bachalo, exuberante. Queria ser levado por uma antropomorfização da ceifadora linda e simpática assim quando chegasse minha hora...

Jessica Jones (Alias),
Minha maior surpresa ao folhear as páginas de Marvel Max. Pensava que iria achar Poder Supremo o melhor da revista, mas a grande descoberta foi Alias, e me rendi ao carisma de Jessica Jones. Extremamente humana, erra pra kct, mas aprende com erros, toma na cabeça e se levanta, e além de tudo, ousa. Inteligente, puta coração, madura, não usa mais uniforme colante colorido por, segundo palavras suas, já ter crescido e se tornado adulta (ou pelo menos não usava até Heroic Age, de acordo com os teasers liberados pela Marvel...). Histórica a lição que ela dá em J.J.Jameson em sua edição 10, imperdível, a guria dá de dez! Uma das melhores coisas que a Marvel fez foi ter impedido Michael Bendis de utilizar a Mulher-Aranha (Jessica Drew), como era sua intenção inicial, fazendo-o criar Jessica Jones. A pior coisa que a Marvel fez, devido ao sucesso perante o público, foi trazê-la pro universo normal da editora, quando a personagem foi sendo jogada pra escanteio e subutilizada... Jessica merece mais!

Branca de Neve,
Esqueçam o conto de fadas. A personagem principal de Fábulas (Vertigo), verdadeira líder das fábulas no exílio, aguentou o baque da traição do Príncipe Encantado com sua irmã Rosa Vermelha, teve um caso com o Lobo (é, ele mesmo, o Mau!), suportou uma gravidez esquisita, vingou-se fria e calculadamente dos anões e engabelou majestosamente o sultão de 1001 Noites (no especial de mesmo nome) que a mantinha cativa: não é à toa que Neve se recuperou de um tirombaço na cabeça dado por Cachinhos Dourados, por ser a fábula mais querida do mundo! Ultrapassou em muito o conceito inicial, grande abordagem da personagem feita por Bill Willingham. Nunca mais vejo o desenho da Disney sem respeitá-la pela inteligência prática que acumulou em sua longa vida cheia de percalços. Parabéns, Neve!

Arsênica (Gert),
Gertrude Yorkes, ou Gert, dos Fugitivos. A mais irônica, sarcástica, cética, dos filhos do Orgulho. Uma personagem feminina única, por ser heroína e... gordinha! Pois é, exceção de todas super-heroínas, talvez mostra-se a mais real de todas: não é porque você ganhou superpoderes (ou, no caso dela, um dinossauro) que de uma hora para outra você se torna miss universo! Gert é a mais culta e inteligente dos Fugitivos, rivalizando apenas com Alex Wilder (ela era a primeira a entender os planos de Alex enquanto este era líder do grupo), descobriu por si própria como funcionava a capa do Manto e ajudou a salvá-lo. Uma geniazinha pra sua idade. Sua versão do futuro, como vista no volume dois dos Fugitivos, é líder dos próprios Vingadores! Fala sério, por tudo isso, Gert merece estar nesta lista, quebrando todos os paradigmas super-heroísticos! Uma pena ter tido destino tão trágico...

E parabéns a todas as mulheres, reais ou não, que encantam nossos dias, por um motivo ou outro, e que nos agraciam com suas belezas, inteligências, forças e presenças! Feliz dia internacional da mulher! Ou semana! Ou mês!


Filme sugerido 1: 8 Mulheres (8 Femmes, 2002)

Filme sugerido 2: Fargo (1996).

Música sugerida: Girls just wanna have fun, Cindy Lauper.

Ponto turístico sugerido: Isla Mujeres.

Obra de arte sugerida: O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli.

domingo, 24 de janeiro de 2010

LOCAL


Chegou às livrarias e às bancas há não muito tempo a revista LOCAL – fim da jornada, que fecha a história. São apenas dois encadernados, o primeiro é o ponto de partida.

Alternativo

A história não é de nenhuma das duas grandes (Marvel e DC), também não fala de super-heróis, aventuras nem nada do tipo, por isso é duplamente alternativa. Mais alternativo que isso só Persépolis, que além dessas duas características não é estadunidense (leia o post Da Pérsia, com carinho para mais informações). LOCAL fala da história de uma garota comum, que vive viajando pelos Estados Unidos em busca de um lugar para ficar.


A proposta

Uma das coisas bem legais nos encadernados é que, ao final de cada um dos capítulos (são doze, no total), há comentários do desenhista e roteirista. Bom, pelo menos é legal para quem escreve roteiros para história em quadrinhos – como eu – e para pessoas que se interessam pelo processo de criação. Lá pelo início o roteirista solta que a proposta de LOCAL é retratar as características culturais presentes nas cidades pela qual a personagem principal, Megan, passa. Isso porque cada capítulo é um ano da vida dela (ele também revela isso), vivido em um lugar diferente.


Infelizmente...

A proposta não é atingida. Nem todas as histórias mostram aspectos culturais das cidades por onde ela passa, embora todas elas estejam mergulhadas dentro do contexto cultural (duas coisas diferentes). Em alguns capítulos a personagem principal mal aparece, portanto não se sente mudança em sua vida. Com isso, o leitor fica solto:

parece um compêndio de histórias diversas, que às vezes só tem uma remota relação com a personagem principal.


Porém...

A história é muito boa! Mesmo assim. Boa porque foge à mesmice. Boa porque alguns capítulos enfatizam bem as características locais, e outros enfatizam bem a história da personagem principal. Boa, principalmente, porque as histórias dos capítulos, tendo relação ou não, são boas histórias.


Conclusão

No segundo encadernado, em especial, o leitor conhece um pouco melhor a personagem, entende por que ela fica mudando de lugar. O roteirista remete a coisas que aconteceram no passado em alguns capítulos, amarrando toda a história. E o último capítulo realmente fecha a história da Megan. Quer uma opinião? Vá até uma livraria, procure LOCAL – ponto de partida e leia a primeira história. Você vai gastar só alguns minutos, o capítulo é rápido. Se gostar, leve para casa.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Da Pérsia, com carinho

Aproveitando a visita que o presidente do Irã, Ahmadinejad, fez mês passado ao Brasil, vou falar sobre algo relacionado ao seu país, como o conheci por meio de Marjane Satrapi, em sua obra Persépolis.
Esta é uma daquelas obras despretensiosas, mas reveladoras, ou pelo menos o foi para mim. Assim como O Caçador de Pipas nos mostra um Afeganistão tão parecido e ao mesmo tempo tão diferente do nosso país, Persépolis faz o mesmo ao nos aproximar tanto do povo persa (e não árabe, como no Caçador de Pipas), paradoxalmente mostrando-nos o quão distante aquele país está do nosso também. Paralelo que traço também com o livro De Cuba, com Carinho, nas palavras da blogueira Yoani Sánchez (que retrata por sua vez sua própria ilha): "Se não fosse pelo véu negro sobre o cabelo e a presença constante da religião, pensaria que Persépolis conta a história da Cuba onde eu tenho vivido. Especialmente no que se refere à tensão, à constante menção do inimigo externo e à hagiografia em torno dos caídos". Marjane Satrapi começa com sua infância, em que estava durante a Revolução Islâmica de 1979, quando, de um ano para o outro, subitamente se viu obrigada a vestir véu em público e se viu afastada de seus amigos meninos na escola. E nos conta a sua visão pessoal, de uma menina, sem entender tudo aquilo que era obrigada a aceitar. A sorte da menina era que seus pais tinham uma boa condição de vida, eram cultos e estudados, e tinham uma consciência política muito forte, um pensamento à frente e moderno que muitos de seus conterrâneos e contemporâneos não possuíam. Sendo assim, a menina não cresceu alienada e foi educada lendo sobre Descartes, Marx, Gandhi, Fidel e muitos outros, além da boa educação em francês que obteve, futuramente importante em sua vida.

Uma infância normal, assim como a de qualquer garoto daqui do Brasil, com suas brincadeiras, seus amiguinhos, sua família. Mas marcada pela presença da ditadura repressora do regime pós-revolução. Interessante ver as restrições e proibições impostas, como o não uso de gravatas, símbolo ocidental, e a exposição mínima do corpo da mulher.

E assim acompanhamos o desenvolvimento autobiográfico da autora, numa época tumultuada por que passava, apresentando-nos o dia a dia no Irã enquanto crescia. Como conheceu um tio, de quem se orgulhava, e como este foi executado como se fosse "um espião russo". Como se desfez de alguns sonhos de infância quando a embaixada norte-americana foi fechada ou quando fecharam as universidades do país. E a tão conhecida guerra Irã-Iraque, que perdurou durante tanto tempo e acompanhou uma boa parte de sua vida.

Enquanto o país se acabava (e acabava com seus jovens) na guerra, Marjane nos mostra o mundo por trás de tudo, a vida real, como sua primeira festinha de rock, vestida de punk, em seu auge na época. Isso é um ponto alto da história: mesmo com costumes por vezes tão distintos dos nossos, em muito o povo iraniano era igualzinho ao brasileiro, ou a qualquer outro do mundo. A portas fechadas, as famílias faziam festas e chamavam os amigos, nas quais bebiam vinho, coca-cola e ouviam música para dançar. Vemos como, mesmo com a repressão do regime contra tudo o que fosse ocidental, e portanto decadente e desmoralizante, ainda havia um "tráfico ilícito" de fitas cassete de Michael Jackson, da Madonna, do Pink Floyd, ou até mesmo de hambúrgueres e salsichas. Engraçada, de tão cotidiana, a passagem em que seus pais trouxeram escondidos um pôster do Iron Maiden para a menina.

"O que é isso? Michael Jackson, o símbolo da decadência?"
"É Malcom X, líder dos negros muçulmanos americanos."
"Está zombando de mim? É o Michael Jackson!"
"Quem? Não conheço..."
"Naquela época o Michael ainda era negro."

Como todo regime totalitário, o iraniano usava de dissimulação e falseava fatos, fingindo vitórias nas batalhas contra o vizinho Iraque e enaltecendo grandes bombardeios ao inimigo. O pai de Marjane, desconfiado, sempre verificava a veracidade das informações oficiais ouvindo a BBC. Num desses bombardeios, uma casa no fim de sua rua foi destroçada, e assim ela teve seu primeiro contato direto com a morte.

Com a linha-dura do regime se fortalecendo cada vez mais, seus pais decidem mandá-la para a Europa, onde ela vai estudar em um liceu francês em Viena. A partida foi dolorosa para pais e filha. Aqui começa outra fase de sua história, em que passa a morar sozinha, ainda adolescente, num outro continente, sem saber falar o alemão, sendo muitas vezes discriminada por lá.

Na Áustria ela conheceu gente de todo lugar do mundo, e atraiu interesse de muitos, "alternativos", por já ter conhecido a guerra e já ter visto a morte de perto. Interessante a relação dela com um pseudointelectualoide revolucionário-wannabe: o garoto adorava posar de superior em cima de todo mundo, expondo a futilidade da vida capitalista de todos frente ao grande panorama mundial, e toda aquela retórica ideológica vazia e demagógica a que nos acostumamos ouvir na universidade (sempre tem um tipinho assim), mas ficava pianinho perto da Marjane. O que ele tinha só de teoria, ela tinha vivenciado na prática, e perto dela costumava sempre calar a boca.

Lá ainda ela passa pelos descobrimentos da adolescência, descobrimento do próprio corpo, da sexualidade, do mundo, das drogas, etc. Muito boa sua reação à "primeira festa anarquista" de que participou. Nada de engajamentos de revolucionários, apenas um bando de jovens e adultos brincando e correndo uns atrás dos outros... Hilária também a passagem em que demonstra para nós as transformações pelas quais passou entre os 14 aos 18 anos, e como seu corpo "se deformou", alterando proporções e tudo o mais. Quando foi visitá-la, sua mãe chegou mesmo a não reconhecê-la. O desenho de Marjane é simples, sem grandes pretensões, mas funciona para ilustrar sua história.

Sozinha e estrangeira, com a ajuda das drogas e de decepções amorosas, acompanhamos como ela foi ao fundo do poço e quase faleceu. Ela decide então voltar. Com tanta bagagem já adicionada em seu histórico pessoal, e com tão pouco em comum com aquela garota que partiu, a volta foi dura e penosa. Acostumada a certas liberdades europeias não permitidas no Irã, a readaptação também foi difícil. Principalmente com relação à falsa moralidade existente do regime. Por exemplo, enquanto corria para pegar um ônibus, os guardiões da revolução a pararam e pediram para parar de correr, pois "seu traseiro fazia movimentos impudicos":

Andando por Teerã, não se via cartazes de promoções espalhados pelos prédios, mas cartazes exaltando os mártires de guerra. Suas amigas, adultas agora, todas maquiadas, com penteados e permanentes, querendo parecer as mais ocidentais e modernas possíveis, mas escondendo tradicionalistas enrustidas por dentro, invejosas das experiências vividas por Marjane na Europa, algumas vezes tratando-a como puta. Depois de alguns anos, não se sentindo mais parte daquele lugar, ela decide ir morar na França, com o apoio dos pais e da avó. Mas desta vez a despedida não foi em tom de tristeza, mas em tom de alegria. Assim é Persépolis, a história de vida de uma iraniana que passou pela revolução, passou pelo exílio, e passou pelos costumes duros de seu país para com as mulheres. Uma história de vida, cheia de drama, mas também de humor, como qualquer outra, repleta de realismo e veracidade, mas cujo contexto nos apresenta uma bagagem cultural enorme sobre o Irã e o povo persa, e de certa forma sobre o mundo da época.

"Quanto mais o tempo passava, mais eu tomava consciência do contraste entre a representação oficial do meu país e a vida real das pessoas, aquela que acontecia atrás das paredes."

Marjane mora hoje na França, de onde escreveu e desenhou Persépolis, primeiramente em francês, mas que depois foi traduzido para vários idiomas, tornando-se conhecida como a primeira quadrinhista iraniana. Persépolis virou animação em 2007, recebendo prêmios em Cannes, e sendo indicada ao Oscar de melhor animação. Recentemente, dois jovens iranianos, com a autorização de Marjane Satrapi, utilizaram os desenhos de Persépolis e criaram uma versão "2.0", denunciando as fraudes nas eleições presidenciais do Irã, em que venceu Mahmoud Ahmadinejad (por coincidência, se não me engano o presidente iraniano esteve no Brasil no dia do aniversário da autora).


- Livro sugerido 1: O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini.

- Livro sugerido 2: De Cuba, com Carinho, de Yoani Sánchez.

- Blog sugerido: Generacíon Y (www.desdecuba.com/generaciony).

- Animação sugerida: Persépolis (Persepolis, 2007).

- Jogo sugerido: Prince of Persia.