Ele está presente nos piores momentos do Batman. Destrói o personagem como nenhum outro, atacando da forma mais vil possível: acabando com a reputação do herói. Não, eu não estou falando do Coringa. Este é o melhor inimigo do Batman, a ponto de roubar a cena do Cavaleiro das Trevas nas telonas. Estou falando do PIOR inimigo do Batman: o Robin.
A tradição dos parceiros mirins data de vários anos. A principal influência foi a Família Marvel, que acompanhava o Capitão Marvel, na época um personagem de estrondoso sucesso que colocou no chinelo a até então insuperável popularidade do Super-Homem. O Capitão ainda era da Fawcett, e constituía basicamente o único personagem popular da editora. Aí alguém (provavelmente um espertinho do marketing) teve a brilhante ideia de multiplicar o personagem para multiplicar as vendas, criando versões do mesmo personagem, com a diferença de serem mais novos, mulher ou até animal. O problema é que deu resultado (as pessoas realmente parecem gostar de mais do mesmo), o que desencadeou um processo de criação de outras "famílias" pelo universo super-heroico afora. Daí que o Super-homem também teve seu Superboy, Supermoça, Krypto (o supercão) e por aí vai. O mesmo ocorreu com o Batman. Só que o tempo passou e os personagens apêndices foram sendo descartados, até mesmo porque os quadrinhos aos poucos deixavam de ter um público infanto-juvenil para ter um público adulto. E essa visão de personagens adolescentes podia ser muito divertida para quem podia fantasiar-se no papel daquele herói juvenil, mas não se encaixava em um cenário mais adulto. Simplesmente não é crível! Assim, nas reformulações da DC, os personagens foram transformados ou, de alguma forma, aposentaram. O Krypto nunca existiu (para isso existe um recurso chamado continuidade retroativa). O Kid Flash envelheceu e assumiu o lugar do Flash, quando este morreu. Um dos poucos casos de mirins na Marvel, o Bucky, não foi "ressuscitado" junto com o Capitão América quando este foi trazido de volta ao universo da editora (pelo menos não na época). O primeiro Robin - Dick Grason - envelheceu e tornou-se o herói Asa Noturna. Legal... A DC estava se ajustando. O problema é que o Robin é um fantasma que persiste!
Pense comigo: você um super-herói. Portanto, sua preocupação é proteger as pessoas. Você, herói, enfrenta ameaças a própria vida em nome desse ideal. Arrisca-se, machuca-se, enfrenta situações extremamente difíceis, de grande impacto físico e psicológico. Entretanto, você não é uma pessoa qualquer, é um herói, dispõe-se a enfrentar tudo isso e manter-se em sua incessante luta contra a vilania e a injustiça, por ter enraigado dentro de você um grande senso de dever e responsabilidade. Aí aparece um adolescente na sua frente e diz que quer ser seu parceiro. Você diz que tudo bem? Vai expor um adolescente a todo esse impacto psicológico, a toda espécie de dano físico e constante risco de morte? O Bucky em si é uma incoerência narrativa, assim como qualquer outro mirim.
O Robin é ainda pior, porque o Batman não tem nada a ver com parceiros-mirins. Aliás, o Batman não gosta de parceiros. Mesmo na Liga da Justiça, ele não está sempre presente, e quando está, fica nas trevas, à parte dos outros membros. Em muitas ocasiões, deixa de se envolver em algum problema porque está cuidando dos seus próprios (ou seja, Gotham City). E com frequência age paralelamente ao grupo, traçando seus próprios planos (muitas vezes, de contingência), agindo de sua própria maneira etc. Ele é um cruzado solitário! Mas... tudo bem. Ele também age constantemente com a equipe e até tem um histórico de parceria com o Super-Homem. Um Robin é outra coisa... Primeiro, porque o Batman não gosta de parceira, só faz por necessidade. Segundo porque ele não precisa de alguém para guardar suas costas (na Liga, ele que guarda as costas dos demais). Terceiro, ele é sorrateiro, move-se nas sombras. É meio ridículo fazer isso acompanhado de um pivete com um uniforme todo colorido. Quarto, ele é responsável. Assume cargas até maiores do que pode suportar, para não arriscar os demais. Quinto, ele é sombrio. Não combina com um trapezista jovial... Enfim! São vários os motivos, dentro do perfil do personagem, que faz com que ele não tenha um parceiro mirim.
Já ouvi que Robin se mantém pelo simbolismo que ele representa na vida do herói. A infância de Batman foi arrancada dele na ocasião da morte de seus pais. Ali, a criança morreu. O Robin representaria, então, a infância perdida do Batman (veja aqui neste post do Rodrigo uma visão interessante sobre "a função" do Robin). Legal... Só que essa infância está em constante ameaça. Se a questão é preservar a infância, ou mesmo resgatá-la, mais um motivo para o Batman pensar: "De jeito nenhum! Eu até posso ter algum parceiro, mas em hipótese nenhuma um adolescente. Não quero que ele perca a infância que eu não tive". E não é isso que o Batman faz? Tenta dar a oportunidade para que as pessoas tenham o que ele não teve? Sua motivação não é algo como evitar que outros passem pelo sofrimento que ele passou?
A morte de um dos Robins pelas mãos do Coringa é uma prova do risco a que o Batman expõe qualquer um de seus parceiros mirins. O Coriga matou Jason Todd (o segundo Robin) às marretadas (Batman - morte em família). E isso não foi, na minha visão, apenas mais uma maluquice do palhaço. Foi um aviso! O Batman está realmente disposto a assumir essa responsabilidade? Na visão de Grant Morrison, aparentemente, o herói sabe disso. Em uma alucinação, Batman sonha com um futuro em que o Coringa diz: "Quantos Robins preciso matar pro velhote se tocar...?" (Os Melhores do Mundo nº15).
Tudo isso, porém, só caracteriza a incoerência e a falta de verossimilhança na existência e persistência do Robin. Não o coloca na posição de pior inimigo. Por que, então, eu disse isso? Simples: onde o Robin aparece, estraga tudo. E não estou falando das aventuras. Vamos começar de bastante tempo... A antiga série de TV do Batman. Era ele e o Robin, não era? Foi um clássico da TV, tudo bem, mas não é exatamente a visão mais fidedigna do Cavaleiro das Trevas. E mesmo os fãs de Batman fazem piadas da série, não só porque ela é antiga, mas por ser paspalhona mesmo. Aliás, um dos grandes chamarizes para as piadas é justamente quem? Vamos pegar também a primeira sequência de filmes do Batman que lançaram... O primeiro foi bom. Muito bom! O segundo também foi legal, manteve a mesma linha. Foi no terceiro - Batman Eternamente - que a coisa começou a desandar... E qual é o personagem que surge nele? O quarto foi uma bosta, digna de pena! Seu título? Batman e Robin. Teve até um desenho animado relativamente recente... Não estou falando do Batman do futuro, mas passava na mesma época na TV. Era um outro, em que as histórias, embora voltadas para o público infantil e principalmente adolescente, eram um pouco sombrias, criavam um clima (atenuado) de terror. Os vilões, em sua maioria, foram reformulados. Era até legalzinho. Estava indo bem, até quem dar as caras na história? Novamente, o Robin mata as histórias do Batman. Até Batman - Bravos e Destemidos, que tem uma abordagem mais infantil e faz referências à visão mais antiga e menos sombria do personagem, corre o risco de extinção no caso de o Robin aparecer. Vamos torcer para que esse fantasma não assombre a nova sequência de filmes do homem-morcego. Não sei se resistiria a um ataque tão devastador...
Tudo isso, porém, só caracteriza a incoerência e a falta de verossimilhança na existência e persistência do Robin. Não o coloca na posição de pior inimigo. Por que, então, eu disse isso? Simples: onde o Robin aparece, estraga tudo. E não estou falando das aventuras. Vamos começar de bastante tempo... A antiga série de TV do Batman. Era ele e o Robin, não era? Foi um clássico da TV, tudo bem, mas não é exatamente a visão mais fidedigna do Cavaleiro das Trevas. E mesmo os fãs de Batman fazem piadas da série, não só porque ela é antiga, mas por ser paspalhona mesmo. Aliás, um dos grandes chamarizes para as piadas é justamente quem? Vamos pegar também a primeira sequência de filmes do Batman que lançaram... O primeiro foi bom. Muito bom! O segundo também foi legal, manteve a mesma linha. Foi no terceiro - Batman Eternamente - que a coisa começou a desandar... E qual é o personagem que surge nele? O quarto foi uma bosta, digna de pena! Seu título? Batman e Robin. Teve até um desenho animado relativamente recente... Não estou falando do Batman do futuro, mas passava na mesma época na TV. Era um outro, em que as histórias, embora voltadas para o público infantil e principalmente adolescente, eram um pouco sombrias, criavam um clima (atenuado) de terror. Os vilões, em sua maioria, foram reformulados. Era até legalzinho. Estava indo bem, até quem dar as caras na história? Novamente, o Robin mata as histórias do Batman. Até Batman - Bravos e Destemidos, que tem uma abordagem mais infantil e faz referências à visão mais antiga e menos sombria do personagem, corre o risco de extinção no caso de o Robin aparecer. Vamos torcer para que esse fantasma não assombre a nova sequência de filmes do homem-morcego. Não sei se resistiria a um ataque tão devastador...


