terça-feira, 19 de julho de 2011

O Tempo nas Histórias em Quadrinhos: subvertendo a ordem de leitura



“Não há futuro. Não há passado. Percebe? O tempo é simultâneo, uma joia intrincada que os humanos insistem em enxergar um lado por vez, embora a estrutura toda seja visível em todas as facetas.”
- Dr. Manhattan


Tive a oportunidade de dar uma palestra para a II Jornada de Romances Gráficos da UnB versando sobre Tempo nos Quadrinhos e Subversão da Ordem de Leitura. A apresentação foi um apanhado de alguns assuntos já comentados neste blog aqui e ali, mais alguns acréscimos que fiz especialmente para ela. Abaixo, tentarei transcrever um pouco do que apresentei; então, para os leitores do blog, perdoem-me se em algum momento me repetir o que já disse ou mostrei emposts anteriores. Para quem viu a palestra, perdoem-me se deixar de expor aqui algum comentário que fiz ao vivo (ao fim do post, acrescentei mais informações a partir de sugestões obtidas após a palestra). E obrigado por terem comparecido! Vamos lá (lembrando que os exemplos aqui não são exaustivos, mas meramente ilustrativos da infinidade de possibilidades existentes).


A frase que abre este post é retirada do capítulo IX de Watchmen. Dr. Manhattan se refere a sua própria percepção do tempo, mas eu digo que esta frase na verdade pode se referir a esta mídia específica chamada (no Brasil) de histórias em quadrinhos e diz respeito tanto à sua ordem de leitura quanto à sua passagem do tempo.



Segundo Scott McCloud, em seu livro Desvendando os Quadrinhos, nos quadrinhos a percepção da passagem do tempo se dá espacialmente. Explicarei isto melhor mais adiante. Neste excerto de Quadrinhos e Arte Sequencial acima, de Will Eisner, retiramos duas valiosas informações sobre o formato. A primeira informação é sobre o que chamamos de ordem canônica de leitura de quadrinhos (pelo menos no mundo ocidental, pois em mangás, por exemplo, rege a ordem exatamente inversa), da esquerda para a direita e de cima para baixo, algumas vezes desenhando essa marca do Zorro visível acima. A segunda informação, menos óbvia que a primeira, mas bastante interessante, é o que gosto de chamar de metaquadrinho: a página como um todo, responsável por conter todos os quadrinhos propriamente ditos em seu interior. Isto será visto mais à frente também.



Inicialmente, ao tratar da passagem no tempo nos quadrinhos, vamos falar da forma utilizada por Fernando Gonsales para alongar o tempo em uma de suas tiras de Níquel Náusea. Em vez de utilizar o padrão de três ou quatro painéis, o autor preferiu pegar um deles e dividi-lo em seis quadros menores, aumentando o "espaço" a ser percorrido pelo olhar do leitor, fazendo-o, assim, demorar-se mais enquanto acompanha quadro a quadro toda a trajetória lentamente percorrida pelo caramujo. O alongamento do tempo se dá devido à contemplação individual de cada leitor em cada painel desenhado.





Utilizando um exemplo de los hermanos argentinos, neste caso de Liniers, podemos verificar um caso em que a leitura não segue o padrão canônico apresentado por Eisner no início deste post. Nesta tirinha, chamada sugestivamente de Esquina, os dois personagens caminham em sentidos opostos até se encontrarem no meio. O tempo, neste exemplo, seguiria então a direção das bordas para o centro, onde o passado restaria nos extremos esquerdo e direito da tirinha, sendo o presente encontrado no centro de atenção do metaquadro. Ao leitor caberia a oportunidade de, prostrando-se de frente ao desenho por inteiro, voltar seu olhar tanto para a esquerda quanto para a direita, e desta forma acompanhar a trajetória de cada um dos personagens ao longo do tempo, do presente para o passado ou do passado até o fatídico beijo eternizado na esquina da diagramação proposta.




Falando em direções subversivas da ordem de leitura, remeto-me novamente ao super-herói curitibano O Gralha, cujas histórias podem apresentar tom de humor, aventura ou mesmo de experimentação pura. Como o caso exposto aqui por Antonio Eder, em que o herói parte em perseguição a um vilão, e esta corrida dita a ordem de leitura a ser seguida no decorrer da página. Reparem que, em determinado momento, o autor divide essa ordem de leitura quando os protagonistas se separam no decurso da narrativa, o vilão descendo do elevador um andar acima de onde sai o Gralha, mas logo mais à frente se encontram para continuar a perseguição em outra página (não mostrada agora mas já mostrada anteriormente no blog). Outro ponto curioso é a escolha do autor em preencher inclusive quadrinhos não utilizados pelo seguimento da história, como evidenciado pela janelas onde dois pássaros cantam um para o outro frente a frente.




Voltando para a obra de Scott McCloud, no capítulo de seu livro em que trata sobre o tempo nos quadrinhos, o autor nos apresenta esta imagem bastante alegórica acima. Todo o desenrolar dos eventos ao longo deste quadro único é desencadeado por um flash disparado pela máquina fotográfica do Tio Henry. Esta foto causa a reação do casal fotografado, o que por sua vez gera o comentário da senhora com o champanhe em mão, que por sua vez ocasiona a intervenção de sua filha, culminando no apontamento maldoso de um dos senhores jogando xadrez. Digo alegórica porque, apesar de à primeira vista este quadro aparentar, como uma fotografia, um momento congelado no tempo, na verdade não se trata de um momento único, mas sim de vários eventos capturados na mesma imagem, cada um com sua duração distinta do outro (denotada pelos balões de fala e o tempo gasto pelo leitor para ler cada um). Neste quadro específico, o leitor possui a capacidade de, tal qual o Dr. Manhattan, perceber no mesmo instante vários momentos diferentes, da esquerda para a direita, sendo exposto ao mesmo tempo ao passado e ao futuro, tanto à causa quanto a seus efeitos. Esta é uma característica marcante dos quadrinhos, a capacidade de expor uma narrativa tanto sequencial como simultaneamente.




Outros exemplos do caráter simultâneo e sequencial desta mídia, mas bem mais antigos, de 1934, são de páginas dominicais de uma tirinha chamada Gasoline Alley, de Frank King. O autor escolheu ambientalizar sua história num mesmo cenário, fixo, em que se transcorreria toda sua narrativa (um buraco de piscina, no primeiro caso, e uma construção, no segundo) e inseriu seus personagens percorrendo todo o metaquadrinho ao longo do tempo (no segundo exemplo, um casal sendo perseguido* por um sujeito de chapéu). Importante salientar que, enquanto o segundo caso se foca na sequencialidade da perseguição, no primeiro há pequenas historietas autocontidas e fechadas em cada quadrinho, havendo o enfoque na simultaneidade. Neste último, novamente é como se o leitor, imbuído da percepção temporal única do Dr. Manhattan, percebesse simultaneamente os vários instantes percorridos pelos três amigos num mesmo espaço.




E, assim, remeto-os novamente ao exemplo já comentado aqui, da história de Greyshirt em Tomorrow Stories - promoção relâmpago não sei até quando na Comix, seis edições por apenas R$ 14,90 aqui --, por Alan Moore e Rick Veitch (acima). Trata-se de um edifício apresentado no metaquadrinho geral da página, em que cada andar situa-se numa época diferente, distante um do outro por exatas duas décadas. Fora alguns elementos gráficos usados para situar o leitor no período em que cada andar (ou cada painel da página) se encontra, como a marcação do ano à esquerda ou mesmo calendários, jornais e cartazes dentro dos quadrinhos, há ainda um elemento constante: a figura caricata de uma pessoa vestida sempre de verde com seus óculos de aros redondos. Dependendo de que ano está (ou em que painel aparece), esta pessoa encontra-se na sua infância, adolescência, adultez ou senescência. Nesta bem contada "ginástica narrativa", os autores entregam o poder de decidir a ordem de leitura para seus leitores, permitindo-os percorrer a história seja verticalmente, através das décadas (ou dos painéis), ou horizontalmente, mantendo-se sempre estacionado em um mesmo ano (ao longo das páginas). Mais uma vez, o leitor tem a capacidade de decidir a ordem da passagem do tempo que deseja, vislumbrando o todo nos distantes 60 anos que separam o primeiro painel do último e escolhendo se quer percorrê-los sincrônica ou diacronicamente.

*Curioso observar como os temas "perseguição" e "prédio" são recorrentes neste exemplos...

Para finalizar, apresento uma imagem, também bastante simbólica, de Promothea, por Alan Moore e o sempre excelente J.H.Williams. As duas personagens percorrem uma certa passarela em forma da Alça de Möbius (ou lemniscata), que representa o símbolo do infinito. Em determinado instante, uma das personagens percebe a sua presença em outro ponto da calçada, mas alguns minutos atrás, e chega a apontar para si mesma do passado. A outra personagem, noutro momento, comenta estar tendo uma sensação de déjà vu por achar já ter passado por aquele caminho antes. Cabe ao leitor, se assim o decidir, escolher ativamente mudar de página ou ficar revisitando este loop, apresentado tanto em sua totalidade (simultaneidade) quanto em suas particularidades (sequencialidade). Finalmente, uma das personagens se dá conta de que este loop em que se encontram serpenteia não só pelo espaço, como pelo tempo. E assim o ciclo se fecha, pois a metalinguagem presente neste metaquadrinho aponta diretamente à mídia em que se encontra, uma mídia cujo tempo se apresenta como espaço, e vice-versa, permitindo infinitas possibilidades àqueles autores que ousarem subverter e brincar com a passagem do tempo nos quadrinhos.


-THE END-



ADENDO:
Graças à sugestão da (também palestrante) Raquel Perrine, acrescento neste post passagens de outra obra de Alan Moore: Do Inferno. No início de seu segundo capítulo, há uma página inteira completamente no escuro (deixando também o leitor exatamente "no escuro"), com quadrinhos aparentemente non sequitur, havendo uma única constante: a misteriosa indagação "O que é a quarta dimensão?".

A medida que o capítulo transcorre, o leitor percebe que esta primeira página apresenta glimpses da vida do personagem William Gull, cada painel representando uma passagem ou momento específico que ele vivenciou. A repetição da pergunta indica ao leitor como o tempo está sendo manipulado aqui, retratado espacialmente numa única página. Mais à frente, é mostrada a teoria de C. Howard Hinton, filho de um dos personagens do diálogo abaixo, apresentada numa monografia intitulada O que é a quarta dimensão? Segundo ela, o tempo seria uma ilusão humana, pois "todas as eras coexistiriam no todo estupendo da humanidade", como "padrões quadridimensionais no interior do Monolito da Eternidade". A quarta dimensão, para Gull, seria uma espécie de arquitetura do tempo, dentro da qual diferentes níveis temporais seriam relacionados a outros. Quase como a estrutura da página de um quadrinho e sua relação com outros quadrinhos na história.

O Monolito da Eternidade nos remete, novamente, à joia intrincada preconizada por Dr. Manhattan no início deste post. Assim, recomendo também, obviamente, a leitura do capítulo IV de Watchmen, que dá ao leitor uma mostra (e um gostinho experimentá-lo) de como o Dr. Manhattan vê o mundo e percebe a passagem do tempo, num jogo de enquadramentos cuja experiência só os quadrinhos podem passar.

Agradecimentos:
À organização da Jornada de Estudos sobre Romances Gráficos da UnB, o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, pela oportunidade.
À minha esposa, Úrsula, pela paciência e ajuda com os slides.
À Gabi, pela ajuda com o power point.
Ao Guilherme, brother in arms deste blog (que também apresentou uma palestra, vide o post anterior), por ter me metido nesta enrascada.
Ao Ciro I. Marcondes, do Raio Laser (também palestrante), pela sugestão do livro Narrativa Cinematográfica.
A todos que assistiram a palestra, meu muitíssimo obrigado!


Quadro sugerido: Paradise, de Lucas Cranach der Ältere.
Trabalho acadêmico sugerido: Alan Moore and Graphic Novel: confronting the fourth dimension, disponível aqui.

sábado, 2 de julho de 2011

Representação e representatividade no mundo dos super-heróis

Nesta semana, entre dos dias 29 e 30 de Junho, aconteceu, na UnB - Universidade de Brasília - o evento II Jornada de Estudos sobre Romances Gráficos. Entrou em debate temas como figuras femininas nos quadrinhos, os sons das palavras, relações entre quadrinhos e literatura, quadrinhos e identidade, heróis em foco e houve até a participação do cartunista Laerte. Além disso, o Rodrigo apresentou o tema Tempo nos Quadrinhos: subvertendo a ordem de leitura (que está sendo transcrito e será o próximo post), relacionado a posts anteriores dele aqui do blog, l'esprit d'escalier, (des)construção e card-comics e material inédito ainda.
Também apresentei um tema, sobre representação e representatividade nos quadrinhos dos super-heróis. Meu plano era o de escrever um post relacionado ao tema da palestra, já estava até com um rascunho quase pronto. Porém, como o Rodrigo não pôde estar na palestra e pediu para que filmasse, pensei: já que tenho a apresentação inteira gravada, posso fazer um post diferente. Em vez de texto e imagens, como sempre fizemos, áudio e filmagem. Sendo assim, coloco aqui para vocês a palestra na íntegra, que dura 21 minutos.














Meus agradecimentos à coordenação do evento, pela oportunidade, e meus parabéns, pelo sucesso. Lembrando que o evento contou com o apoio do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Pós-Graduação em Literatura da UnB, e foi organizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, cujo site é http://www.gelbc.com.br/ . Lá podem ser lidos os artigos referentes à I Jornada, e dentro de um pouco mais que um mês poderão ser lidos, no site, artigos dos palestrantes sobre os temas abordados na II Jornada.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Musa Nerd



Natalie Portman. Nascida há exatos 30 anos, em Jerusalém, como Natalie Hershlag. Oscar de melhor atriz de 2011 e vencedora do Globo de Ouro do mesmo ano, pelo excelente trabalho em Cisne Negro. Musa.
Neste post vou mostrar algumas razões que me levam a elegê-la Musa Nerd absoluta. Não só pela beleza, advinda da miscigenação tão própria de um estado como Israel (e o que a aproxima da beleza métis do Brasil também), mas também pelo seu trabalho.
Ainda bem novinha, perto dos 12 anos, conquistou o público na pele da pequena e eternamente lembrada Mathilda, contracenando ao lado de Jean Reno no cult filme O Profissional (1994). Mathilda era uma menina com uma trágica história que, ao ver toda a sua família assassinada, tem a forte presença de espírito de seguir em frente e fingir não conhecer ninguém. Assim ela acaba indo parar na casa de León, um matador profissional que a adota, o que leva a menina a seguir seus passos e querer se tornar ela mesma uma assassina profissional.

Na luta entra a manutenção da infância e a súbita passagem à vida adulta, Natalie nos mantém com maestria a tensão de menina-mulher na personagem de Mathilda. Ali a menina já dizia para o que veio, mostrando a ótima atriz que era (e que continuaria a ser).
Logo mais Natalie seria conhecida como a Princesa Amidala, que se envolveria com Anakin e se tornaria futuramente mãe de Leia e Luke Skywalker. Neste momento a jovem atriz chamaria a atenção do mundo nerd ao se lançar como a "nova Princesa Leia" no imaginário masculino de uma nova geração de cultuadores do universo de Guerra nas Estrelas (Star Wars).

Ao invés de se deixar levar pela fama, a atriz decidiu se afastar um tempo das telas e frequentou a prestigiada Harvard, onde cursou e se formou em Psicologia em 2003. Durante esse período, toda a experiência vivida e o conhecimento adquirido só a ajudaram a montar e compor seus futuros personagens. Um trabalho publicado pela menina pode ser lido aqui, em que aparece como coautora com seu nome verdadeiro, Natalie Hershlag (o sobrenome Portman ela retirou de sua avó), investigando a relação entre a consciência visual de crianças e o lóbulo frontal de seus cérebros. Segundo a moça, em entrevista dada à Rolling Stones, "Freud e seus seguidores são uma fraude."

Natalie, vegetariana desde a infância, viaja pelo mundo em campanhas sociais contra preconceito e pobreza, para ajudar mulheres, e também dando palestras sobre terrorismo. Vi certa vez uma entrevista dela falando sobre máscaras e todas suas alegorias e implicações, e ela demonstrou domínio do que falava, tudo bem embasado. Bonita, inteligente e engajada!

Depois de mostrar ao mundo como já estava bem crescidinha em Closer (2004), Natalie arrebatou também um monte de marmanjo não necessariamente ligado em cultura pop com sua provocante personagem stripper, sem deixar de mostrar todo seu talento artístico numa outra belíssima e marcante atuação no filme baseado numa peça de Patrick Marber.
"Saint spidersense, Spidey (ou 'santa espiadela, Tobey')!"

O carisma da moça só veio a aumentar quando, retornando ao mundo nerd, faz o papel da inglesa - com direito a sotaque e tudo - Evey na adaptação de V de Vingança (2006). Demonstrando coragem e maturidade, Natalie encarou a famosa cena em que raspa todo o cabelo. Não são todas as mulheres que conseguem ficar bem de cabelo curto, e Natalie ainda conseguiu se manter bela como sempre mesmo quase careca.

Após figurar ao lado da também belíssima Scarlett Johansson (que viria a fazer uma aparição marcante como Viúva Negra em Homem de Ferro 2) em A Outra (2008), recentemente a atriz voltou a figurar na mídia mundial ao encarnar a bailarina frágil e delicada que se transfigura em seu nêmesis numa bela interpretação em Cisne Negro, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro como melhor atriz. Mais que merecido no papel que mostra as angústias e obstinações por trás do glamour do mundo do balé*.


Em maio último, a atriz apareceu como Jane Foster, a mortal que fisgou o coração do Deus do Trovão no filme do Thor. Para aumentar ainda mais sua ligação com o mundo geek, um fato pouco sabido por muitos é que a personagem Queda (Freefall) do Gen13, de acordo com seu cocriadorJ. Scott Campbell, teve sua aparência baseada em Natalie Portman. Na revista Gen13Zine (publicada pela Wildstorm) foi mostrado, inclusive, que as medidas da personagem são idênticas às medidas da atriz.
Natalie Portman se lançou neste ano ainda como garota-propaganda da Dior, num comercial veiculado aqui no Brasil durante os intervalos do Oscar. Vocês podem conferir o belíssimo vídeo apresentando a atriz em toda sua beleza e carisma nas sugestões abaixo.
A atriz comemora hoje seu aniversário de 30 anos - o mesmo dia do aniversário de minha mãe - , tendo nascido, coincidentemente, no mesmo ano em que eu mesmo nasci. Parabéns, Natalie. Parabéns, mãe!





Vídeo sugerido1: comercial da Dior estrelado por Natalie.
Vídeo sugerido 2: trailer com a cena não censurada de Natalie Portman.
* Livro sugerido: Dicionário de Nomes Próprios, de Amélie Nothomb.


terça-feira, 24 de maio de 2011

Algumas leituras recentes

Fazia um tempo que não escrevia aqui, mas estou de volta. Vou aproveitar para comentar as histórias que li nesse período de ausência, partindo do princípio que sempre tem alguém que vê um encadernado nas lojas e gostaria de ter uma opinião. Bom, pelo menos eu sou assim. E como existem revistas novas e outra antigas nesse grupo de potenciais compras, vou simplesmente comentar tudo o que li nesses meses.

Oceano
Oceano é a primeira da lista porque foi a que mais gostei. Há que se considerar que eu já estava com vontade de comprá-la há um tempo, que eu gosto da estética do espaço sideral e que gosto de Warren Ellis. Mas nem por isso quer dizer que não teria senso crítico em relação a obra, além do que minha expectativa já estava alta, somando todos os fatores.
Para quem gosta de ficção futurista, principalmente as que se passam no espaço, essa é uma boa história, que no caso está no formato de quadrinhos. Poderia ser um livro, poderia ser um filme. Aliás, a linguagem que o autor usa nessa história é bastante cinematográfica. As imagens estão bem bonitas, souberam aproveitar a beleza do espaço sideral e dar a ele seu devido espaço (desculpe o trocadilho infame) nas páginas do encadernado. O tema é interessante: uma história de mistério entremeada por uma visão de futuro, da exploração espacial e da humanidade. Recomendo muito esse encadernado!

Transmetropolitan
Já que comecei com uma obra de Warren Ellis, vou dar sequência com outras. Transmetropolitan também se passa no futuro, mas esqueça as belas visões dos planetas e estrelas... Aqui o tema central é a Terra, mais precisamente uma imensa cidade, para a qual o protagonista é forçado a voltar após anos de isolamento. Os desenhos são sujos, representando a visão de futuro retratada, principalmente no que tange centros urbanos, diferenças econômicas e sociais, megaempresas, seitas religiosas (ou pseudorreligiosas)... Aparentemente Ellis dá vazão a todo o seu pessimismo em relação ao futuro da humanidade nessa história, e através da voz de Spider Jerusalem liberta todo o seu criticismo em relação aos asssuntos abordados. Boa história, aguardo a continuação...

RED
Também li RED, do mesmo autor. Trata-se de uma revista em 74 páginas sobre um ex-agente secreto, ex-mercenário ou ex-algo-do-tipo que tava quieto, curtindo uma folga, até mexerem com ele. Foi a história na qual se basearam para fazer o filme de mesmo nome (que, confesso, ainda não assisti). Bom, é uma história legal, mas é bem rápida. Em uma sentada você lê inteira. Não tem a mesma profundidade e riqueza que as obras do Ellis em geral têm, mas é divertida.

O Invencível Homem de Ferro: Extremis
Para fechar a sequência de obras do Warren Ellis, Extremis. OK, trata-se de uma história do Homem de Ferro, personagem que nunca me agradou muito nos quadrinhos, com exceção de uma certa saga da armadura viva. Acredito que escritor bom pega qualquer personagem e faz uma boa história. É o caso em Extremis. Não existe nada de muito diferente das histórias comuns do Homem de Ferro, no que tange a ambientação, mas tem a pegada do Ellis. Além disso, ele realmente transformou o Tony Stark em um verdadeiro homem-máquina. Não quero estragar a surpresa para quem ainda não leu...

Tocha Humana: Recriando uma Lenda

Saio das obras de Ellis, mas como falei no Homem de Ferro, começo a sequência Marvel, já com um grande autor, que é Alex Ross. Comentei em post anterior a qualidade de suas obras em uma das minhas favoritas, que é Os maiores super-heróis do mundo. Em Tocha, a arte não é dele, nem o roteiro, mas a história foi escrita por ele e Mike Carey. Não sei se por influência do pintor de quadrinhos ou não, a história ficou bem legal. Ele tira da sepultura (embora não tenha sido o primeiro) o Tocha Humana original (aquele da Segunda Guerra Mundial, que lutou ao lado do Capitão América e Namor) e remonta o quebra-cabeça de sua origem. Dá um novo ar ao personagem, que não retornou com sua compaixão, e um drama especial em relação a sua própria longevidade, além de colocá-lo dentro de uma história, no mínimo, peculiar. Vale a pena essa minissérie em duas edições, mesmo para aqueles que não acompanharam a história do Tocha original ou não se interessam muito pelo personagem, como eu.

Mitos Marvel
Falando em origens, o encadernado Mitos Marvel apresenta uma releitura dos mais famosos heróis da Marvel, como Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Trata-se de um releitura mais atualizada, moderna... legal, mas também não traz nada de novo ou muito original. Para quem não conhece muito bem o mundo dos super-heróis da Marvel e estiver interessado em uma leitura sobre suas origens, é uma boa compra.


Magneto: Testamento
Um outro caso é Magneto: Testamento. Sua origem é remontada com bastante precisão histórica. Todos sabem que Magneto foi um refugiado judeu dos campos de concentração nazista, mas nunca tinham parado para contar como ele realizou essa proeza, principalmente levando em conta que só foi desenvolver seus poderes muito tempo depois. Na minha opinião, a maior qualidade da obra pode ser considerada também seu maior defeito. Como disse, Magneto não desenvolveu seus poderes no período. Então, os leitores que estiverem esperando o vilão fantasiado, ou mesmo um momento de fúria em que seus poderes se manifestam temporiamente, vão se frustrar. Por outro lado, a história é bem verossímil e poderia ser muito bem a narração de sobrevivência de um judeu qualquer, sem poderes.

Wolverine: Inimigo de Estado
Boa história. Ambientada no cenário mais atual da Marvel, com a retomada do conceito Wolverine: máquina de matar. Um tanto exagerada, como não é raro nos roteiros de Mark Millar. Enredo bem amarrado, conta com a participação também de outros personagens do universo Marvel e consegue prender a atenção e interesse do leitor. Fazia tempo que eu não lia Wolverine. Desde que ele se tornou o personagem megapop da Marvel, tendo história própria, nos X-Men e também nos Vingadores, enjoei um pouco. Wolverine: Inimigo de Estado, porém, valeu a pena.

Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado
Achei a leitura um pouco cansativa. E também houve uma quebra de expectativa, pois esperava ler as primeiras histórias do Surfista: o planeta sendo tomado por Galactus, ele se transformando em seu arauto, o ataque do devorador de mundos à Terra, a revolta do Surfista e sua prisão ao nosso planeta. Só que a Enciclopédia Marvel: Surfista Prateado narra exatamente a fase posterior a isso, ou seja, ele preso à Terra e tentando escapar dela. Aparentemente foi o período de maior sucesso do personagem. As reflexões dele sobre os terráqueos também foram legais. Contudo, achei seus constantes pensamentos melodramáticos um tanto chatos, e as histórias não fluem muito bem. Enfim, essa leitura eu não recomendo, a não ser aos fãs incondicionais do Surfista Prateado, ou àqueles que conhecem essa fase específica e gostariam de ler.

Liga da Justiça por Grant Morrison
Muito boas as histórias desse encadernado. Bem ao estilo Liga da Justiça mesmo - grandiosas, ameças cataclísmicas -, com o estilo do Grant Morrison, autor que eu particularmente gosto. É verdade que só li as histórias porque foram escritas por ele (eu e o Rodrigo, atualmente, compramos mais pelos nomes dos autores do que pelos personagens da capa). Histórias de aventura, também um tanto exageradas, em uma formação da Liga com alguns dos personagens mais marcantes da DC. Já li algumas edições posteriores, que vão além do encadernado, e vejo que vale a pena. Tomara que não interrompam a publicação dos encadernados no Brasil, que a Liga da Justiça de Grant Morrison não fique apenas no volume 1.


Pixu
Pixu está numa linha mais alternativa de quadrinhos. Publicado pela Devir Livraria, narra uma história de terror com arte em preto e branco. Ou melhor, preto, branco e tons de cinza. Quando digo arte em preto, branco e tons de cinza, quero dizer que ela foi feita assim mesmo, nada a ver com aquelas versões econômicas de material estrangeiro. O uso dessa arte é, aliás, um de seus pontos fortes: dar um ar mais sombrio à obra. O enredo é interessante, original (bom, pelo menos para mim, mas não sou grande conhecedor de histórias de terror). O tipo de terror que eu gosto, em que o foco é na tensão, no suspense, no mistério. E é a história que te deixa apreensivo, não a quantidade de sangue. Leitura rápida também. Uma boa parte dos quadrinhos não tem texto, e mesmo que você passe lentamente por eles, não deve demorar mais que duas sentadas para terminar a leitura. Mas vale a pena.


EntreQuadros #1
Essa eu encontrei, por acaso, em um banca muito específica daqui de Brasília. Publicação independente de Mário César, com o selo Quarto Mundo. Algumas histórias curtas e divertidas, um tanto inusitadas e com uma boa dose de humor. Leitura rápida, bem rápida. De preço acessível, bem acessível (R$5,00). Não deve ser fácil encontrá-la em qualquer lugar para compra, por isso indico o site do Mário, http://www.masquemario.net/, a quem estiver interessado.

Zoo
Outra obra que li mais ou menos no mesmo período que as demais foi Zoo, de Nestablo Ramos, um autor aqui de Brasília. Porém, como já escrevi um post só sobre ela, quem quiser saber minha opinião sobre a obra pode ler o post mais antigo. Aqui, basta dizer que a obra ganhou o troféu Bigorna e que aguardo ansiosamente a continuação (prevista para Outubro, na Festcomics). E, como já me perguntaram onde comprar, em Brasília só vi a obra sendo vendida na Livraria Cultura. Indico também o site http://projetozoo.blogspot.com/, que tem um banner para compra.

Eu sou Legião
História de conspiração, envolvendo nazismo e o sobrenatural. Trama intrigante, bem amarrada, que mistura eventos totalmente verossímeis com o sobrenatural de uma maneira muito bem arquitetada. Um monte de personagens e bastante informação. Eu sou Legião é o tipo do encadernado que tem que ler com atenção aos detalhes, e preferencialmente ler mais de uma vez, para que após o final, algumas outras peças se encaixem na releitura. Leitura densa, mais lenta. Só não gostei muito das quebras de página, mas isso é um detalhe muito técnico, que de forma nenhuma prejudica a qualidade da obra.


Um Sinal do Espaço
Muito bom. Apesar de antiga, a história é bem interessante, envolvente. Tem lá suas limitações ligadas ao tempo em que foi produzida, mas não deixa de ser atual. Praticamente um policial, com uma dose de conspiração. Vi algumas semelhanças com essa história e Contato (o filme. Ainda não li o livro, embora já o tenha. Me disseram que são bem diferentes...). O enredo flui e vai gerando uma curiosidade em relação ao próximo capítulo. Destaque especial para arte de Eisner, que trabalha sua técnica de não utilizar a divisão em "requadros rígidos" (o quadrinho convencional) de maneira inigualável. Em diversas páginas ele usa o que chama, no seu livro Quadrinhos e Arte Sequencial, de "página como metaquadrinho". Aí vemos coisas fantásticas, como o desenho de um túnel ou formato do interior de um avião sendo usados como delimitação do quadrinho, no lugar dos quadrinhos convencionais.
Pequenos Milagres
Will Eisner também, então já é de se esperar algo de qualidade. Em Pequenos Milagres, o autor narra quatro histórias que se passam em um bairro judeu. Como ele mesmo diz, na abertura do romance gráfico, "os contos neste livro se parecem com as histórias que meus pais chamavam de 'meinsas'. E, embora sem apócrifos, eles foram destilados das minhas lembranças, que eram um patrimônio comum da nossa família". Quatro histórias interessantes e, de alguma maneira, tocantes. Leitura rápida, e de boa qualidade.

The Spirit: As Novas Aventuras
The Spirit: as novas aventuras reúne histórias do personagem The Spirit, mas não as escritas por Eisner, seu criador. A proposta foi justamente pegar grandes nomes dos quadrinhos atuais para que eles pudessem escrever histórias com o personagem, em uma espécie de homenagem. Trata-se de uma compilação de histórias interessantes, com destaque especial para as primeiras, escritas por ninguém menos que Alan Moore. Não é preciso já conhecer The Spirit nem ter lido nada dele. Vale a pena!

The Boys: o Nome do Jogo
Uma visão completamente diferente dos super-heróis. Ou melhor, dos seres com superpoderes que se intitulam super-heróis, mas na verdade são pessoas muitas vezes vaidosas e prepotentes, quando não mimadas, que estão apenas interessadas no retorno de vendas dos seus produtos. E os "garotos" que dão o nome a obra, no caso, formam uma equipe com a incumbência de segurar esse pessoal. Para quem está afim de novidade, de um enfoque diferente sobre um planeta com superseres, The Boys é uma boa pedida.

Os escapistas
Taí uma revista que trabalha a metalinguagem já em sua proposta. Trata-se de uma história em quadrinhos sobre alguém que faz história em quadrinhos. A história real de sua luta incansável para produzir quadrinhos. Em determinados momentos, trechos do Escapista - personagem que ele resgatou do fundo do baú - em situações que representam o próprio autor, tentando se livrar das dificuldades e problemas que apareceram no caminho. Os escapistas retrata o verdadeiro sonho de muitos leitores de quadrinhos, que não é o impossível "ser um herói com superpoderes", e sim o de trabalhar com quadrinhos, ou criar seu próprio personagem e que ele faça sucesso. De quebra, ainda é uma miniautobiografia (acho que bati meu recorde de prefixos nessa) do autor. Recomendo para leitores que tenham esse sonho.

Então é isso! No momento estou lendo Do Inferno, não sei se vou escrever sobre essa obra, porque pretendo ainda fazer um post só sobre Alan Moore. Tenho aqui, além dele, o terceiro volume da Liga Extraordinária. Então, quem sabe em um post futuro eu comente essas duas obras, e outras que estão na minha prateleira, só esperando para serem lidas, tais como Jogos de Poder, The umbrella academy: A Suíte do Apocalipse, Camelot 3000, O Chinês Americano... Se alguém quiser que eu comente uma obra específica, diga o nome nos comentários que se eu já tiver lido ou um dia ler, comento em outro post.

domingo, 8 de maio de 2011

Card Comics



   Li recentemente no site dos Melhores do Mundo que a Marvel vai lançar, juntamente com a Upper Deck, uma revista inteira no formato de cards. Ou melhor, vai vender vários cards que, juntos, irão compor uma revista, com cinco histórias inéditas. A ambientação das histórias se dará durante a Guerra Kree-Skrull (estimulando ainda mais os boatos de que o futuro filme dos Vingadores abordará essa trama e a adaptará para as telonas), como pode ser visto aqui. Não sabia que os cards estavam voltando (para mim eles saíram de moda tão rápido quanto chegaram com força total, durante a década de 90).

   Mas isto me lembrou, imediatamente, de uma história de Alan Moore - sempre ele! - que eu li há algum tempo. Era em uma revista inédita no Brasil chamada Tom Strong Terrific Tales, desdobramento da série original que continha sempre três histórias em cada edição: uma girando em torno de personagens da família Strong, sempre com algum tom mais humorístico ou experimental, outra do Jovem Tom Strong, e uma terceira sobre Jonni Future (descendente feminina do herói Johnny Futuro, que já apareceu no Brasil no encadernado Tom Strong - No Final dos Tempos). Na edição de número 4 de Terrific Tales, há uma história contada inteiramente por meio de cards, "Collect the Set".
   Por ser frente e verso, a página estava espelhada, de modo que as ilustrações ficavam nas páginas pares e, atrás, estava o enredo da história. No alto de cada os números dos cards ajudavam o leitor a seguir a ordem correta de leitura. Numa bela jogada de metalinguagem, Rei Salomão, no verso de seu card, explica não só à família Strong como também a nós, leitores, que "quando se combinam, todos esses cromos acabam contando uma espécie de história".
   E é o que percebemos, pois na próxima página (ou próxima sessão de cards), aparece o vilão e há várias cenas de ação. As cenas são narradas no verso de cada cromo, seguindo a lógica dos números e dos títulos de cada um. Reparem nas imagens acima e abaixo.


   A história toda se desenvolve desta forma, no que poderíamos chamar não mais de histórias em quadrinhos, e sim histórias em cromos, ou "card comics". Porém, diferentemente da recente iniciativa da Marvel, em que vários cards montam uma história, nesta aventura de Tom Strong uma história é apresentada por vários cards. O leitor não vai comprar um pacote de figurinhas para ter uma história, o leitor comprou uma revista e ela veio dividida em vários cromos.

   Há até uma sugestão, se vocês olharem bem, para que se corte a revista com o auxílio de uma tesoura, individualizando cada card, reparem. Daí ficaria à escolha do freguês: decidir manter a revista no formato padrão ou manter essa história na forma de vários cards distintos. O próprio Alan Moore já havia feito algo parecido em sua última edição de Promethea (a de número 32). Cada página da revista era na verdade uma imagem única, sem divisão em painéis ou quadrinhos. O leitor, como era sugerido, deveria recortar cada página e montá-la como um gigantesco painel, pois as 32 páginas juntas formavam um pôster (ou melhor, dois, um de frente e outro de verso), cuja holoimagem só era revelada ao se juntar todos. Ademais, a história poderia ser lida na ordem em que quisesse, coisas de Alan Moore. Neste caso, cada página completa poderia ser considerada um cromo gigante, que combinadas formariam o álbum (o pôster de Promethea). Infelizmente, no Brasil ainda não foram publicadas as últimas edições de Promethea, que por aqui só contou com um encadernado (ironicamente, chamado Promethea Volume 1).
   Antes mesmo de Alan Moore escrever esta história de Tom Strong já houve uma tentativa de se misturar cards e histórias em quadrinhos. Em 1993 a série Plasm (ou Warriors of Plasm, como ficou conhecida depois), de Jim Shooter, sob a editora Deviant, lançou algo parecido para a edição zero do supracitado título.
   Até mesmo aqui no Brasil já fora lançado um livro ilustrado - ou álbum de figurinhas - da Turma da Mônica chamado A Volta do Capitão Feio, em 2005. Vocês podem encontrar uma resenha aqui.
   Voltando ao lançamento da Marvel: cada card representará dois quadrinhos ou painéis da história, um em frente e outro no verso, cerca de nove cards compondo uma página inteira. No site dos MdM o autor do post explica matematicamente o custo para se ter a história inteira, já que cada pacote com 9 cards custará o mesmo que a média de custo de uma revista mensal qualquer nos EUA: 2,99 dólares. E isso se você "manipular as probabilidades igual a Feiticeira Escarlate" para não comprar nenhum card repetido dentro dos 190 no total!
   A primeira história será de 20 páginas (formada por 90 cards), contando com Capitão América, Thor, Homem de Ferro e Visão; outra história, de 8 páginas (com 36 cards), mostrará Mercúrio e Feiticeira Escarlate; uma história de 6 páginas (com 27 cards) estrelará Nick Fury; e por fim outras duas histórias, de 4 páginas (e 18 cards) cada, apresentando respectivamente o Super-Skrull e o Capitão América.

   Esta notícia me fez lembrar de um velho amigo que comprava e traduzia cards. Graças a isso, tornou-se autodidata em inglês. Hoje ele fala ainda francês e alemão, já tendo morado na África e na Europa. E tudo começou com cards... Este post vai em sua homenagem, meu velho.


Card game de estratégia sugerido: Dominion (Rio Grande Games), e suas expansões.
Card game online sugerido 1: Necronomicon (Games of Cthulhu).
Card game online sugerido 2: Necronomicon - Book of Dead Names (Games of Cthulhu).

domingo, 24 de abril de 2011

Parceria com a Livraria Cultura

Olás!
   Esta postagem é só uma espécie de aviso a todos vocês, leitores. Provavelmente alguns já repararam... O ficção HQ firmou uma parceria com a Livraria Cultura. Agora as obras que eu e o Rodrigo comentamos aqui, ou simplesmente citamos, contêm links diretos para os produtos no portal da Livraria Cultura. Fizemos isso não somente para que vocês possam comprar as obras, caso se interessem, mas também para que tenham acesso a informações sobre os quadrinhos comentados, tais como preço, quantidade de páginas, autor, imagem da capa etc. Além dos quadrinhos, estamos colocando links também em livros e filmes citados.


   Tenho alterado nossas últimas postagens, para se adequarem a esse novo padrão, mas ainda não consegui alterar tudo. Vocês vão reparar que, daqui pra frente, as postagens seguirão esse modelo. E, em geral, os nomes das obras virão com links para a Cultura. Em alguns casos, colocamos a logomarca da Cultura, mas quando o link está no meio do texto, para não polui-lo, apenas colocamos o no próprio nome da obra.
  Devo confessar que essa iniciativa também visa retorno financeiro. Portanto, peço encarecidamente a quem se interessar em comprar a obra visualizada no portal da Cultura, que a compre usando o link presente no blog. Ganhamos uma pequena comissão de vendas quando esta se realiza pelo uso do nosso link, e vocês não pagam absolutamente nada a mais por isso.

   Abraços a todos!

sábado, 2 de abril de 2011

Calvin, o sábio

   Fiz uma pequena seleção de frases genais do Calvin. Retirei de alguns dos encadernados do Calvin e Haroldo, então existem várias que ficaram de fora porque eu não conheço. Além disso, para o post não ficar excessivamente longo, tive que cortar várias. Sei que as tirinhas de Watterson estão bem voltadas para o humor, mas aqui quero evidenciar o lado mais sábio do personagem. Então aí vai algumas das frases mais inteligentes e interessantes - na minha opinião - que esse pirralho já falou:

- No princípio, não havia nada... e, então, havia Calvin!

- Caro futuro Calvin, eu escrevi esta carta alguns dias antes de você recebê-la. Você fez coisas que eu não fiz. Viu coisas que eu não vi. Sabe coisas que eu não sei. Seu sortudo de uma figa! Seu camarada, Calvin.

- Olhe todas aquelas estrelas! O universo se estende pelo infinito afora! Faz a gente se perguntar por que o homem se considera assim tão importante. É por isso que ficamos dentro de casa, com nossos aparelhos.

- Fui programado com sucesso para obedecer a todas as suas diretrizes. Não tenho vontade própria... própria... própria...

- Grande parte da vida é uma rotina chata. Preciso de mais emoção. (...) Naturalmente, grande parte da vida são surpresas horripilantes. A rotina pode ser reconfortante.

- É difícil ficar bravo com alguém que sente saudades suas enquanto você dorme.

- Ei, formiga, você está trabalhando feito uma maníaca, e o que é que ganha com isso? O que a colônia tem feito por você ultimamente? E os seus sonhos?

- Meu pai enche a minha paciência com os valores dele, por isso eu encho a dele com os meus.

- Se as pessoas pudessem prender arco-íris em zoológicos, elas o fariam.

- Hostilidade vende.

- Se ninguém te obriga, conta como diversão.

- Como uma coisa pode parecer tão plausível na hora e tão idiota olhando em retrospecto?

- Já reparou que as pessoas sempre tentam fazer duas coisas ao mesmo tempo? Falam ao telefone enquanto dirigem, veem TV enquanto comem, ouvem música enquanto trabalham... Nunca se concentram em aproveitar bem uma coisa ou fazê-la bem feito.

- Está uma tarde linda! Eu não vou desperdiçá-la fazendo trabalhos ridículos para a escola!

- Eu digo que, se a vida te dá um limão, jogue de volta na hora e ainda atire mais alguns por sua conta.

- Como se os adultos tivessem fazendo um excelente trabalho.

- Ninguém me pergunta como é que as coisas deveriam ser. Eu tenho um montão de ideias!

- Eu sou mais uma criança consumidora dos recursos naturais em um país superpovoado, educada em larga e assustadora medida, pela publicidade e por Hollywood, a postos, juntamente com meus companheiros cínicos e alienados, para controlar o mundo quando você estiver velho e fraco.

- Está sugerindo que este aparelho não me irritou de forma premeditada?

- Ah, a arrogância da juventude! Aos três anos, eu achava que sabia tudo.

- É estranho. Sei que sou eu, mas não sinto nenhuma ligação com esta imagem. Tudo está tão diferente agora. Não é estranho que o passado de alguém possa parecer tão irreal? Parece que estou olhando a foto de outra pessoa.

- A curto prazo, o que me deixaria feliz seria brincar lá fora. A longo prazo, eu ficaria feliz se fosse bem na escola e fosse bem-sucedido. Mas em muito longo prazo eu sei as experiências que renderão as melhores lembranças.

- Às vezes acho que aprendo mais quando não vou à escola.

- Há uma relação inversa entre o quanto algo faz bem pra você e o quanto é divertido.

- Confiar nos pais pode ser prejudicial à saúde.

- Se você já acha que seu problema é horrível, adicione um pouco de culpa e veja o que acontece!

- Eu sempre me esqueço. Se você consulta uma mãe, ela sempre imagina o pior.

- Quer me ajudar a testar a teoria da relatividade? A ideia é simples: quanto mais rápido a gente for, mais devagar o tempo passa. (...) Bom, parece que o Einstein é uma fraude, não acha?

- Tem sempre alguém te dizendo o que fazer ou o que não fazer.

- Você acredita que nosso destino é determinado pelas estrelas? (...) Ah, eu acredito. (...) A vida é bem mais divertida quando você não é responsável pelos seus atos.

- Sabe, às vezes parece que as coisas passam rápido demais. Nós estamos tão ocupados nos preocupando com o que está por vir que não paramos para aproveitar o momento em que estamos. Os dias passam quase despercebidos por nós. A vida se torna um borrão. Muitas vezes é preciso uma tragédia para nos fazer viver no presente. Então, de repente, nós acordamos e enxergamos todos os erros que cometemos, mas é tarde demais para mudar.


- Você já se perguntou alguma vez se a pessoa na poça (de água) é real e você é só o reflexo dela?

- Você acha que os adultos vão ter arrumado o planeta até o dia de passar ele pra gente?

- Você tem lido os jornais? Os adultos estão realmente transformando o mundo num caos. Chuva ácida, lixo tóxico, buracos na camada de ozônio, esgoto nos oceanos e não para por aí! O único lado bom de tudo isso é que vai chegar uma hora em que não irá restar um único pedaço do planeta pelo qual valerá a pena guerrear.

- Certamente, todos somos parte de uma criação maior. Nem mais nem menos importantes do que qualquer coisa no universo. Certamente tudo se encaixa e tem um propósito, uma razão para existir.

- É, Marte pode ser meio monótono, mas é melhor que a Terra. Temos um planeta inteiro pra nós. Novinho e intacto. Nada de poluição, nem de pessoas.

- Nós temos que consertar nosso próprio planeta, antes de sair por aí mexendo no planeta dos outros.

- Eu acho que as pessoas se preocupam demais com coisas pequenas. Tudo o que conseguem com isso é ficar infelizes. Por que ganhar uma úlcera se atormentando com coisas que não importam de verdade?

- Eu sempre me esqueço que regras são só para pessoas pequenas e civilizadas.

- Sabe, pai, logo, logo vou crescer. Um dia você vai se perguntar para onde foram todos esses anos.

- Olha, outra latinha jogada no chão. Puxa vida, isso me deixa furioso! Caramba, quando as pessoas não estão enterrando lixo tóxico ou testando armas nucleares, elas estão emporcalhando tudo!

- Dizem que os poluentes que lançamos no ar irão reter o calor do sol e derreter as calotas polares! Claro que você já vai ter batido as botas, mas eu não. Que belo planeta vocês estão deixando para mim, hein?


- Relaxa, pai. É só uma bola na calha. Eu não estou roubando dinheiro nem matando alguém, né? Você não está feliz que eu não seja um ladrão ou assassino?

- O tempo não para quando seu relógio para?

- Vou para a escola, mas nunca aprendo o que quero saber.

- E se a mamãe e o papai não me aceitarem de volta porque rompi relações com eles? E se eles disserem que não posso voltar à família? Eles têm que me aceitar de volta! Eu sou o idiota do filho deles, certo? Certo! ...sendo “idiota” a palavra-chave.

- As garotas são como lesmas. Elas devem ter alguma utilidade, mas é difícil saber qual.

- O Moe fica me batendo sem motivo na escola. Ele é malvado só por diversão. Ainda bem que você é um animal. Os animais fazem muito mais sentido do que as pessoas.

- Essa história toda de Papai Noel não faz sentido. Por que todo o segredo? Por que todo o mistério? Se o cara existe, por que ele não aparece e prova de uma vez? E se ele não existe, qual o sentido disso tudo? (...) Eu tenho as mesmas dúvidas sobre Deus.


- Querido Papai Noel, antes de submeter minha vida à sua inspeção moral, eu quero saber quem fez de você o senhor do meu destino?

- Essa história de Papai Noel me incomoda... principalmente porque ele é júri e juiz. Quem nomeou o papai Noel? Como a gente sabe que ele é imparcial? Que critérios ele usa para determinar o que é bom e o que é mau?

- Todos nós queremos um sentido para nossa vida. Buscamos isso em tudo que fazemos. Mas suponha que não exista sentido! Que a vida é absurda por definição.

- Puxa, Haroldo, e se eu não ganhar presentes esse ano porque duvidei da existência do Papai Noel?

- Bom, decidi que acredito em Papai Noel, não importa quão absurdo isso pareça. (...) Quero presentes. Quero muitos presentes. Para que arriscar tudo por uma mera questão de crença? Que se dane, eu acredito no que eles quiserem.

- Não é triste ver que as pessoas se agarram à vida tão precariamente que aceitam qualquer delírio absurdo em vez de encarar uma verdade sombria e ocasional?

- O que você acha que representa a verdadeira felicidade?

- Ninguém nunca me paga um centavo pelos meus pensamentos.




Fiquem à vontade para acrescentar as suas frases preferidas de Calvin e Haroldo nos comentários...




Leituras sugeridas (ou Referências Bibliográficas):