segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

(des) Construção

Olá!
Voltando ao tema da semana anterior, quando tratei sobre usos criativos do formato específico da mídia "quadrinhos" por meio de escadas desenhadas, ora se confundindo com os painéis da página, ora guiando o olhar do leitor e ditando a ordem de leitura pela tela, hoje apresento uma desconstrução desse mesmo formato.
Mas vamos começar por uma tira do início do século passado, do visionário Winsor McCay, intitulada Little Sammy Sneeze, que sempre girava em torno do pequeno Sammy do título espirrando e as consequências de sua poderosa e inconveniente esternutação. Mas eis que chega um ponto em que McCay se pergunta: e se o espirro de Sammy não afetasse as pessoas ou o ambiente ao seu redor, mas afetasse a própria noção de "ao seu redor" existente na tirinha? O resultado foi a excelente quebra da moldura da página (lembrando, isso se deu ainda na primeira década do séc. XX, por volta de 1904 a 1908)!
Do argentino Liniers, selecionei essas duas tirinhas de Macanudo. Na primeira, apenas uma maneira bem criativa de se aproveitar a forma da tira para narrar uma história, chamada Esquina. Simples, mas eloquente em sua simplicidade. Notem como a "ordem cronológica" dos acontecimentos nesta historinha não segue o padrão da esquerda para a direita, mas sim das bordas para o centro.
Nesta outra (ainda Macanudo, de Liniers), ele extrapola as margens de um quadro, e conta uma história a partir disso, brincando com a própria disposição da tira no formato de quadros sequenciais. Logo abaixo, uma outra versão baseada na mesma ideia ou conceito, mas retirada do hilário blog Um Sábado Qualquer, com Deus conversando com Adão.
Mais outra tira de Um Sábado Qualquer, usando duas linhas para dar um efeito diferenciado na descontrução do formato dos quadrinhos. Em baixo desta, outra com o tema parecido que encontrei na internet, chamada Borderline, de Adam Koford, com linhas coloridas em verde destacando cada parte da história sendo contada, de forma a melhorar seu entendimento (pois estamos tão condicionados com a forma padrão ou "canônica" de ler uma tira que quando nos vemos frente a uma forma diferenciada, achamos mais difícil compreendê-la).
Essas duas últimas nos remetem à primeira imagem de Madman no início deste post (já que falei de Madman, fiquem aqui com um uso bem criativo das "páginas" de uma edição, formando uma única imagem panorâmica ao longo de toda a revista). Exemplos como este há diversos, selecionei apenas alguns para demonstrar a desconstrução da ordem de leitura a que estamos acostumados.
Mas vamos partir agora para o estudo de caso que prometi. Com vocês, Sr. Alan Moore e toda a sua genialidade (mas não nos esqueçamos da importantíssima ajuda dos desenhos de Rick Veitch, sem os quais a história não teria sido possível). Tido como o responsável pela desconstrução do super-herói (com Watchmen), Moore no final do século iniciou o que ele chamou de reconstrução do gênero. Um dos selos responsáveis por isso foi America´s Best Comics (ou ABC), em que o mago barbudo lançou vários títulos, dentro da revista Tomorrow Stories, e entre eles Greyshirt, uma homenagem direta a The Spirit, do Eisner. Todas as histórias de Greyshirt não possuem foco no personagem em si, mas nos vilões que este enfrenta. É da segunda edição de Tomorrow Stories que retiro essa história. Atenção aos detalhes, abaixo.
A página é dividida em quatro quadros. Reparem que no canto esquerdo de cada quadro há uma data, de exatos 20 anos de diferença entre uma e outra, em ordem decrescente do alto até abaixo. Reparem na decadência do prédio, de baixo para cima, e na evolução do letreiro, onde vemos o nome Greyshirt (de modo bem eisneriano), ao longo das décadas.
Na segunda página, Moore, com a ajuda dos desenhos de Rick Veitch, utiliza o artifício de apresentar-nos o ano em questão dentro do próprio cenário em que transcorre a história. Reparem o calendário no primeiro quadro, um cartaz de um festival no segundo, outro calendário no terceiro, e, muy sutilmente, no canto inferior esquerdo da página, uma manchete de jornal indicando que Hitler invadiu a Polônia. Nesta página podemos perceber uma constante ao longo das décadas: um rapazinho/jovem/senhor/velho de roupas verdes e óculos de aros redondos.
Finalmente, já na terceira página, Moore e Veitch confiam que o leitor já tenha entendido o esquema e deixam de apresentar o ano em que cada painel é narrado. Reparem bem, exatamente como na história do Super-Homem com Lex Luthor do último post, os corpos das pessoas de épocas distintas se complementam na escadaria, numa ilusão de ótica entre os quadros 2 e 3 e entre 3 e 4 (desculpem, apareceu uma escada outra vez...).
Com a palavra, Alan Moore: "Em uma das histórias de Greyshit em Tomorrow Stories, nós fizemos algo bastante peculiar com o layout dos painéis. Um apartamento, num mesmo prédio, em cada página. Para adicionar outro elemento, nós fizemos com que os painéis do topo acontecessem em 1999, o segundo painel em cada página tomasse lugar em 1979, o painel de baixo deste em 1959, e na base de cada página se visse a base do edifício como era em 1939, quando ainda era um prédio novo. Nós fomos capazes de contar, por meio de uma complicada ginástica narrativa, uma interessante historinha apresentada através de 60 anos da história do edifício, com personagens ficando mais velhos dependendo em que painel e em que período de tempo eles estavam. Isto é algo que não se pode fazer em nenhum outro meio que não nos quadrinhos (comics)."
Alguém duvida do mestre Moore? É por estas e outras que o barbudo de Northampton é tido como um dos mais criativos e inovadores autores a explorar tão bem esta mídia, não só pelo conteúdo riquíssimo, como também pela forma inusitada. Se vocês notarem bem, esta história específica pode ser lida de várias maneiras possíveis. Pode ser lida da maneira usual, uma página seguida da outra, lendo os quadros de cima para baixo a como tradicionalmente estamos acostumados. Pode ser lida, ainda, tomando-se cada época individualmente, como por exemplo os quadros passados em 1999, e lendo-os em ordem (os primeiros quadros de cada página, depois os segundos quadros de cada página, os terceiros, e por fim lendo apenas os últimos quadros de cada página até o final). Pode ser lida também por ordem cronológica, ou seja, começando com a história isolada que transcorre em 1939, depois partindo para a história de 1959, até chegar à história mais recente, de 1999. Ou pode ser lida de baixo para cima em cada página (lendo o último quadro da página 1, depois o penúltimo, depois o segundo e finalmente o primeiro quadro; após isso repetindo esta ordem na página 2 e assim por diante). Todos esses modos trazem histórias fechadas entre si, o mais impressionante de tudo, todas as histórias, não importa a ordem em que forem lidas, ainda trarão elementos coesivos entre uma e outra, com a arte se complementando em vários pontos. A última página ainda traz uma "queda" conceitual através dos quadros e através das décadas. E toda essa riqueza em apenas 8 páginas de história...
Adoro essas quebras na narrativa, com várias possibilidades de sequenciamento sem manter a linearidade cartesiana. Adoro essas inovações, quando bem executadas, e essas desconstruções de padrões, sejam nos quadrinhos ou em qualquer outra mídia ou forma de arte. Isso força nosso cérebro a trabalhar de maneiras diferentes e não usuais, e serve como um bom exercício mental. Não concordam?


(No próximo post: Mês das Mulheres!)



Videoclipe sugerido: Imitation of Life, de REM.
Filme sugerido 1: Amnésia (Memento, 2000).
Filme sugerido 2: Elefante (Elephant, 2003).
Música sugerida 1: Construção, de Chico Buarque.
Música sugerida 2: Borderline, da Madonna.
Link sugerido: arquitetura e quadrinhos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

L'esprit d'escalier


Devido às atribulações do final do ano passado, este blog ficou um tempo parado e sem muitas atualizações. Por conta disso, alguns momentos específicos propícios a uma postagem foram perdidos e alguns posts interessantes perderam o sentido de serem feitos após passada a época certa, ou o timing perfeito.
Em francês, há uma expressão comumente utilizada para representar essa sensação de arrependimento de poder ter usado um comentário inteligente no momento apropriado mas só perceber isso quando este momento já passou. (Troque a palavra "comentário" pela palavra "postagem", atualizando o termo para a nossa contemporaneidade, e você saberá mais ou menos o que eu quis dizer). Para o português, podemos traduzir a expressão l'esprit d'escalier como "o espírito da escada".
Em homenagem a esta expressão, farei um post sobre... escadas!
Sim, escadas, e como estas podem e foram usadas de maneiras bem criativas nos quadrinhos, aproveitando o próprio formato desta mídia.

Vamos começar pela criativa disposição da montagem de uma página feita por Frank Quitely, primeiramente na obra We3, escrita por Grant Morrison. Falar do argumento de Morrison é chover no molhado, eu mesmo o considero um dos três grandes autores da atualidade (ao lado dos unânimes Alan Moore e Neil Gaiman), mas agora chamo a atenção para a excelente narrativa gráfica desenvolvida pelos desenhos de Quitely. A página inteira serve de molde para o "bunker" dentro da casa, e cada quadro equivale a um andar, digamos assim.
Pouco depois o mesmo Frank Quitely (também ao lado de Morrison), agraciou-nos com mais uma bela página abusando da mídia "história em quadrinhos" na forma de contar e mostrar uma história, na edição número 5 de Grandes Astros: Superman, em que o Homem de Aço visita Luthor na prisão. O próprio cenário se funde com a diagramação e disposição dos quadros, e vice-versa. Reparem no cabeludo ao centro, na parte inferior da imagem, encostado na sarjeta que divide os quadros como se fosse uma viga da prisão onde se encontra. Reparem também, quando Lex desce a escada, como as pernas de um guarda complementam o desenho de outro quadro. Outro mestre nesta arte de fundir o quadro com o cenário é J. H. Williams III (de Batwoman e Promethea, como a ilustração no início do post).
Pesquisando na internet, encontrei essas duas tiras de 1934, chamadas Gasoline Alley, de Frank King. Adorei como a ação da história faz o olhar do leitor percorrer a página de uma forma não usual, sem seguir necessariamente a ordem linear a que estamos acostumados nos quadrinhos ocidentais (esquerda para direita, e de cima para baixo).

Reparem como esta inovadora maneira de se seguir a ordem de leitura se parece com aquela apresentada por Antonio Eder, mais recentemente, com o personagem O Gralha, conforme visto abaixo.
Antonio Eder depois fez uma autorreferência (parece feio, mas agora "autorreferência" se escreve assim após o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, ok?) quando participou do encadernado MSP 50, conforme mostrei aqui no blog há algum tempo. Reparem como o caminho percorrido pelos personagens em perseguição é que guiam a ordem de leitura não linear de cada quadro.

Isto tudo me faz lembrar do Monte Olimpo - inspirado em Escher, talvez? - como imaginado por George Pérez e John Byrne, quando a Mulher-Maravilha o visitava (local onde o senso de direção e gravidade não lineares deixaram até mesmo o Super-Homem confuso). As escadas de Hogwarts não se comparam a isso...
São inovações assim que fazem dos quadrinhos uma mídia única, pois tais efeitos são impossíveis de serem reproduzidos em literatura ou no cinema, por exemplo.
As histórias em quadrinhos possuem um diferencial muito grande em relação a essas citadas mídias. Enquanto nos cinemas uma imagem é seguida de outra, nos quadrinhos eles se apresentam simultaneamente, e é esse caráter simultâneo e ao mesmo tempo sequencial que diferencia esta mídia específica. O leitor, assim, tem o controle sobre a ordem em que quer ver cada imagem, podendo subir, descer, correr com os olhos e voltar quando quiser para onde quiser. A literatura também permite a releitura, mas não tem o poder da imagem à sua disposição. Uma pena que poucos autores e desenhistas usem essa possibilidade narrativa que os quadrinhos apresentam às suas mãos. Os casos que apresentei aqui são poucos, usando apenas o apoio "cenográfico" de escadas na montagem dos painéis de uma página, mas a ousadia pode ser muito maior.
Fiquem aqui com um exemplo criado por Frank Miller para a revista Elektra.

No próximo post, vou apresentar mais quebras da linearidade usando e ousando os aspectos próprios da mídia (sem mostrar escada alguma!), e também um estudo de caso com uma pequena obra de Alan Moore...





Música sugerida: Stairway to Heaven, Led Zeppelin.
Obra de arte sugerida 1: Relativity, de M.C.Escher.
Obra de arte sugerida 2: House of Stairs, de M.C.Escher.
Links sugeridos: Greatest spiral stairs
Prateleira dos sonhos:




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

TRONitruante

Há algumas semanas fui ao cinema assistir Tron: O Legado. Minha expectativa era pouca com relação ao filme, não lembrava quase nada do primeiro (também pudera, fora lançado em 1982, eu tinha um aninho de vida!), mas fui mesmo assim.
Não sei se devido a essa falta de expectativa, mas eu me amarrei no filme! Muito! Sério mesmo, sei lá, eu devia estar num dia bom, achando tudo legal, mas gostei bastante. É claro que o filme ainda tem lá seus clichês hollywoodianos, tem muitas falhas de roteiro, em algumas partes é meio previsível, não está nada preocupado com qualquer plausibilidade (po, o mínimo possível de plausibilidade para garantir a suspensão da descrença, né?), mas me cativou por um motivo simples: a ambientação.

Adorei o clima gerado no mundo dentro da Grade (ou Rede), não só os efeitos visuais, o contraste das roupas fluorescentes e negras, o "cenário" de desolação do mundo sem sol, mas também devido à ambientação e à atmosfera gerada pela música. Parabéns à sonografia e à soundtrack do filme. Só por isso o filme já vale, mas gostei também da interpretação de Jeff Bridges.

Eu comecei falando tudo isso porque - e quem anda frequentando as bancas nestas últimas semanas pode ter reparado - algumas revistas Marvel recentes têm apresentado capas variantes, ou capas B, mesclando o Universo Marvel ao Universo de Tron.

É um redesenho de alguns uniformes de personagens conhecidos da editora imaginados como seriam dentro do mundo virtual do filme, com as partes fluorescentes e tudo o mais. Vocês podem conferir nas edições Homem-Aranha 109, Homem-de-Ferro & Thor 09, Wolverine 74, e Novos Vingadores 83, estampadas ao longo deste post. Boa jogada da Panini ao fazer isto aqui no Brasil, estão de parabéns!

Nos Estados Unidos, as capas alternativas também apresentaram versões Tron de mais outros personagens. Não sei se a Panini exibirá todas as demais imagens em outras edições, então quem gostou ou tiver curiosidade, estão aí as outras (destaque para a Mulher-Aranha, sempre linda, e pro Motoqueiro Fantasma pilotando uma Lightcycle):


Esse filme do Tron me fez relembrar a década de 80 e a visão sci-fi da época. Não sei, mas pra mim a década de 80 foi meio bizarra, ao mesmo tempo em que era um período meio dark, meio depressivo, sombrio, também era um período que se firmava como promessa futurista, talvez devido aos avanços (na época) da informática e sua incipiente popularização, sei lá. Tenho essa impressão. Daí o visual futuro-gótico do filme.


Taí o teste trava-língua pro trovador não trocar:
e tome o trovejante Thor todo tonitruante em Tron!

Aliterações trava-línguas à parte, devemos nos lembrar também da profusão de filmes de ficção científica e futuristas durante essa fase. Sugiro alguns deles logo embaixo (se alguém se lembrar de algum outro que eu não contemplei, estejam à vontade nos comentários).
O Cavaleiro da Lua portando os discos de informação também ficou bem bacana. A própria roupa do Homem-Aranha na primeira imagem lá em cima ficou bem legal, poderia até ser um novo uniforme mais estiloso. Só não gostei muito da imagem da Miss Marvel, abaixo, quase não parece ter sido "tronificada".

As capas variantes foram lançadas nas seguintes edições originais norte-americanas (respectivamente): Amazing Spider-man #651 (com Homem-Aranha, arte de Mark Brooks), Captain America #612 (Capitão América, por Mark Brooks), Invincible Iron Man #33 (Homem de Ferro, por Brandon Petersen), Wolverine #4 (Wolverine, por Brandon Petersen), Avengers #7 (Mulher-Aranha, por Brandon Petersen), Incredible Hulks #618 (Motoqueiro Fantasma, por Mark Brooks), Avengers Academy #7 (Mercúrio, por Brandon Petersen), Thor #617 (Thor, por Brandon Petersen), Secret Avengers #7 (Cavaleiro da Lua, por Mark Brooks), New Avengers #7 (Miss Marvel, por Mark Brooks).
Só senti falta de um personagem nessa homenagem (ou seria propaganda?), mas não é um herói e sim um vilão:
UlTRON...




Filme sugerido 1: Tron: O Legado (TRON: Legacy, 2010), obviamente.

Filme sugerido 2: Tron (TRON, 1982).

Filme sugerido 3: O Passageiro do Futuro (The Lawnmower Man, 1992).

Filme sugerido 4: Pesadelos Diabólicos (Nightmares, 1983); são quatro contos, mas recomendo um deles, "O Bispo da Batalha", que me fez ficar um bom tempo sem jogar fliperama/arcade...

Filme sugerido 5: O Último Guerreiro das Estrelas (The Last Starfighter, 1984).

Desenho animado (anime) sugerido: Voltron (ゴライオン Goraion, 1984).

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

de A a Z

Devido ao fato de os dois colaboradores deste blog estarem cursando sua segunda graduação, as coisas ficaram meio paradas por aqui neste final de semestre. Mas prometemos voltar à programação normal ano que vem!
Enquanto isso, fiquem com um recadinho da Zatanna para este final de ano e início de outro.
Feliz Ano-Novo!
Até 2011!!





Símbolo de renovação sugerido 1 (animal): Fênix.
Símbolo de renovação sugerido 2 (figura mítica): Ouroboros.
Símbolo de renovação sugerido 3: Suástica rúnica (a original, não a corrompida pelos nazistas).
Deus sugerido 1: Shiva.
Deus sugerido 2: Ganesh.
Deus sugerido 3: Janus.
Orixá sugerido: Oxumarê.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Zoo

Zoo era a história em quadrinhos mais cara da mesa de HQs brasilienses da Livraria Cultura. Relutei... Olhei a capa, me parecia interessante... Olhei o interior, bem acabado, bom material, desenhos limpos com cores vibrantes... Dei uma olhada na contra-capa, onde há um macaco carregando um bebê e a frase “Em um mundo onde os humanos são os animais, ainda há quem lute por eles”. Era a mais cara, mas a mais bem produzida e também me parecia a mais interessante. Decidi comprar.
Confesso: quando pego obras nacionais, e ainda mais, regionais, não gero uma expectativa muito grande, pois sei das dificuldades de se produzir e colocar no mercado um material bom. Entretanto, Zoo, da HQM Editora, superou minhas expectativas e me fez repensar essa postura. Eu sou chato. Eu sou muito chato! A ponto de ficar puto em perceber que uma editora acabou com o suspense de uma página ao colocar a revelação de página inteira na página da direita. Todo mundo olha primeiro a página da direita, passando reto pela página da esquerda, ainda mais esta sendo composta exclusivamente por imagens, sem diálogos. Esperava encontrar pequenos defeitos em Zoo. Não que procurasse, encontraria naturalmente, em virtude desse criticismo ao estilo House.
À medida que fui lendo, fui automaticamente analisando a obra. A questão narrativa é a minha especialidade, e percebi, de cara, uma coisa: o livro não é uma cópia de Planeta dos Macacos. Refiro-me a sequência de cinco filmes produzidas há algum tempo e à relativamente mais recente versão de Tim Burton. Macaco na capa, protegendo humanos, pensei: essa história eu já conheço. Tudo bem, a inspiração certamente veio de lá, mas penso o conceito de originalidade não como algo completamente novo (se é que isso existe!). Se você usa uma mesma ideia básica e a trabalha de maneira bem distinta, é original para mim. Zoo não é uma cópia, nem uma história muito parecida com Planeta dos Macacos. Foi minha primeira quebra de expectativa.
Continuei a leitura e percebi que o narrador – Nestablo Ramos – foi guardando surpresas, revelações ao longo da história. Zoo surpreende, e não é apenas no final. Mais um ponto para Nestablo. Em termos de ritmo de narração, condução do leitor, suspensão da descrença, reflexão, ação e suspense (eu disse que era chato), mais uma vez Nestablo é bem-sucedido, assim como na construção de personagens. E o tema abordado é universal, não se prende nem à Brasília, nem ao Brasil.


Só que minha análise, quando se trata de quadrinhos, não se restringe ao aspecto narrativo, embora ele seja o que mais considero até mesmo por ser eu mesmo um autor literário. Analiso alguns aspectos mais técnicos, como o exemplo que dei de revelação em página inteira, que sempre deve estar na página da esquerda da revista. Os desenhos são limpos, as cores são vibrantes, isso já tinha dado para ver naquele folhear indeciso antes de comprar. Só que o desenho é também muito expressivo, trabalhado eficazmente na condução da história. Os personagens animais expressam bem as personalidades, as imagens provocam o leitor, principalmente na transmissão da mensagem que Nestablo quer passar.


Entrando em alguns detalhes, as páginas são limpas, claras, não fazem a gente franzir as sobrancelhas e ficar tentando adivinhar o que está desenhado ali (como já vi acontecer em histórias até da grande Marvel). A distribuição dos quadrinhos dentro das páginas, os destaques nas cenas, a emoção que passam, até a posição dos balões em relação ao desenho e a maneira como os diálogos conduzem o leitor... tudo perfeito. Eu que esperava encontrar um monte de defeitos...
Qual foi minha surpresa ao descobrir, em conversa com o autor, que ele fez absolutamente tudo na obra: roteiro, desenho, cor e letra. Com toda essa qualidade? É, meu caro Nestablo, você é uma prova de que é possível fazer história em quadrinhos nacional de extrema qualidade. Deve haver outros autores por aí, espalhados por todo o Brasil, escondidos em suas cidades. Basta uma empresa disposta a investir nesses potenciais ou nesses profissionais (uma salva de palmas para a HQM Editora), porque talento a gente tem para produzir material com qualidade suficiente para vender aqui dentro e no exterior. Se alguém duvida, leia Zoo.



domingo, 10 de outubro de 2010

Irreverência ou Cópia?

Vocês já imaginaram um confronto entre o Sentinela da Marvel contra o Super-Homem da DC? Eu lhes digo que este embate já ocorreu! Conto mais ao fim deste... e de quebra ainda dou um cube papercraft único e exclusivo do Overman!
Como o Guilherme já bem disse em um post anterior (há um ano), há personagens que são bastante parecidos com outros. Há alguns casos que são por coincidência, há alguns que são verdadeiramente plagiados (conscientemente ou não), e há outros cujas semelhanças são propositada e intencionalmente forçadas. Bom, não sei em quais casos cada um que apresentarei abaixo se enquadra, mas busquei sortear um elenco que apresente casos curiosos e até versões engraçadas de outros personagens, inclusive em outras mídias que não quadrinhos (ou BD ou comics).


Capitães Marvel
Um jovem que adora usar jeans e roupinhas datadas que, após descobrir acidentalmente algo incomum numa caverna, ao emitir determinado comportamento (verbal ou gestual), é tomado por forças desconhecidas e troca de corpo com uma versão super-heroica adulta mais forte, mais resistente, capaz de voar e dotado de uma consciência ou sabedoria acima da de qualquer ser humano. E essa versão "aprimorada" responde pela alcunha de Capitão Marvel. Bom... qual dos dois? Os dois! Durante uma intriga sobre os direitos do Capitão Marvel entre a DC Comics e a Fawcett Comics (a primeira alegava ser o Capitão uma versão do Super-Homem), a Marvel conseguiu os direitos sobre o nome Capitão Marvel e publicou seu próprio personagem, obrigando a DC a lançar seu personagem, após adquiri-lo, sob o título de Shazam em suas capas (daí a famosa confusão de muitos acharem que Shazam é o nome do herói). E por conta disso também, a Marvel é obrigada a lançar a cada ano ou dois alguma publicação com o título Captain Marvel na capa para não perder seu direito sobre o nome (daí a quantidade de personagens diferentes na própria Marvel usando o mesmo pseudônimo). A única distinção entre a versão da DC e a da Marvel é que esta última trocou as características místicas/divinas por habilidades científicas/alienígenas.


Mads and Freaks

Personagem cômico, com nome que lembra algo louco ou esquisito, de pele azul, uniforme inteiriço monotônico, com uma exclamação no peito como emblema, e com uma espécie de raiozinho estilizado na testa ou cabelo, que ganhou reflexos extraordinários após um tipo de acidente. Segundo o criador de Madman, Mike Allred, ao criar Freakazoid, Bruce Timm o informou que Madman era uma das fontes inspiradoras de seu personagem. A controvérsia ocorreu quando Allred percebeu que, fora isso, nenhuma outra referência ou crédito foram feitos após a exibição do desenho animado, o que o chateou um pouco e o deixou um pouco desconfortável, apesar de reconhecer que seu próprio personagem, Madman, também é influenciado por muitas outras fontes. Mas a exclamação no peito ainda o perturba...


Harry Hunter ou Timothy Potter

Um garoto inglês mediano, franzino, de cabelos escuros e despenteados e óculos de armação plástica escura e redonda, órfão, que em seu aniversário de 12 anos descobre ter uma origem secreta que não conhecia e possuir um potencial (ou está destinado a) para ser o (ou um dos) mais poderoso(s) mago(s) quando crescer, ao ser abordado por indivíduos já experientes com magia, que ganha como presente destes uma coruja de estimação, e a partir daí tem acesso a um mundo cheio de criaturas fantásticas e misticismo. Óbvio que as semelhanças acabam por aí, mas como são muitas! Os rumos que Harry Potter toma em sua série de livros infanto-juvenis não se comparam com os que Tim Hunter toma em Livros da Magia, sob o selo adulto da Vertigo (apesar de que, em determinado momento da série, o autor Peter Gross brincou com as similitudes fazendo com que um irmão de criação de Tim, ao usar um artefato que o faz ficar parecido com Tim, tome um trem na plataforma 9 1/2 da estação King’s Cross, fazendo-o assim uma versão alternativa de Harry Potter). Digno de gentleman o comentário do Sr. Gaiman sobre o suposto plágio de sua obra, dizendo que ambos apenas beberam das mesmas fontes: "Não fui o primeiro autor a criar um jovem mago com potencial, nem Rowling foi a primeira a mandá-lo para a escola. Não são as ideias que importam e sim o que você faz com elas."



Sandmare

Ente místico ou abstrato, solitário, pálido, alto e magro, de cabelos negros desgrenhados que costuma trajar uma capa, reina na dimensão dos sonhos com capacidade de mandar pesadelos aos mortais, porém sendo dependente destes para existir, com poder ilimitado em seu reino, mas que às vezes se arrisca no mundo desperto. Será que só eu via semelhança entre os dois? Tudo bem que um é sombrio e do mal, e o outro... não, mais ou menos, sei lá. Pesadelo, vilão da Marvel, e Sandman, "herói" da DC. Curioso observar que as vestes de cada um refletem a época em que foram concebidos, sendo o uniforme do Pesadelo meio lisérgico, típico do pensamento dos anos 60, em contraste com o gótico cru e mais punk de Sandman, da década de 80. Mais engraçado que isso, porém, é o fato de a entidade maléfica usar roupa colorida verde e a entidade mais "boazinha" (se é que esses termos se aplicam) abusar do preto sóbrio...


Halloween Mask
Personagem mezzo sádico/mezzo cômico, sem inibições psicológicas ou sociais, insano, característico por sua face verde emoldurando um largo sorriso, vestido de terno, com poderes de mudança de forma limitada apenas por sua imaginação, reflexos aumentados, que frequentemente parece ignorar a gravidade, cuja origem está associada de alguma forma com o Deus Loki. Um é o famosíssimo Máskara (cuja origem relacionada a Loki só existe na versão cinematográfica), e o outro é o não tão conhecido Halloween Jack, da também não tão conhecida linha 2099 do Universo Marvel.




Nightspawn
Um negro que foi imbuído de poderes mas sabe que seu fim está próximo e que se vê obrigado a usá-los, usa uma máscara que cobre toda a face e uma longa capa vermelha quase viva, que lhe confere, assim como sua veste, uma variedade de capacidades, tais como planar no ar, curar feridas, aumentar seus reflexos. Olhem bem pro design do uniforme dos dois aí em cima. Nightwatch foi um personagem secundário (ou seria terciário ou quaternário?) que apareceu em algumas brevíssimas histórias do Homem-Aranha aqui no Brasil - pouco depois que Todd McFarlane deixou de desenhá-lo -, e que não fez muito sucesso. Ganhou seu uniforme tecnológico de uma versão futura de si mesmo que estava prestes a morrer. Spawn é a cria mais conhecida de Todd McFarlane - desenhista que alavancou durante um bom tempo a popularidade do Aranha enquanto o desenhava -, um dos carro-chefes da Image quando fora criada logo após a saída de McFarlane da Marvel. É um soldado do inferno que possui um traje simbiótico e que, quanto mais usa seus dons, mais se aproxima de ter sua alma destinada ao inferno.
Agora vejam o traje e a pose do Gatuno, inimigo do Aranha, desenhado por Todd McFarlane, pouco antes de criar o Spawn, enquanto ainda desenhava o Amigão da Vizinhança pela Marvel, ao lado... Sucessão de coincidências?



Os Patos

Um pato meio humanoide, falante, que usa roupas (mas não usa calças!), gravata, chapéu azul, bravo e de pavio curto. Donald é um dos mais conhecidos e queridos personagens de Walt Disney, e dispensa apresentações. Howard também é muito querido pelos fãs que o conhecem, um personagem que infelizmente foi severamente boicotado no Brasil. Apesar de já ter atuado ao lado do Homem-Aranha, do Dr. Estranho, do Homem-Coisa, da Mulher-Hulk, entre outros, e ter ganhado uma minissérie pelo selo adulto da Marvel, Marvel Max, nunca teve uma história sequer publicada no Brasil. Sua única aparição em uma edição nacional só ocorreu numa história isolada durante a Guerra Civil e em duas páginas da saga Invasão Secreta, juntamente com outras dezenas de personagens ao redor (e assim não poderiam tirá-lo da cena), sem nenhuma menção ou explicação qualquer. Suas histórias geralmente apresentam sátiras sociais, paródias com outras ficções, e é quase existencialista, além de bem humoradas. Como a Disney reivindicava muitas semelhanças entre os personagens, a Marvel decidiu então fazer com que o cínico pato Howard usasse calças, para diferenciá-los... Uma pena tal personagem nunca ter tido oportunidade aqui no Brasil.


Sentriumph
Herói loiro, poderosíssimo, capaz de derrotar o Super-Homem*, manipula o espectro eletromagnético, garantindo-lhe ampliada percepção sensorial, superforça, invulnerabilidade, voo, geração de rajadas de energia pelas mãos ou olhos, um dos maiores se não o maior herói de sua época, ajudou (em retcon) a fundar a maior equipe de super-heróis do planeta, esquecido por estes mesmos heróis e apagado da memória de todos como se nunca tivesse sido, e relegado ao esquecimento. Quando voltou a reencontrar seus antigos companheiros, estava mentalmente instável, ora tornando-se supervilão, ora se redimindo. Pois é, essa é a premissa do Sentinela, herói que causou um verdadeiro furor quando surgiu, devido a seu imenso poder e sua grande tragédia. Mas é também a mesma premissa de Triunfo, personagem pequeno que algumas - poucas - vezes atuou ao lado da Liga da Justiça. Sensação de déjà vu...
*Para quem gostaria de ver um combate entre Sentinela e o Super-Homem, ele já aconteceu sim! É só buscarem a Liga da Justiça de Grant Morrison, no arco Crise Interdimensional. Neste arco, com a participação especial do Capitão Marvel (Shazam) e de alguns gênios da 5ª dimensão, Triunfo enfrenta o Último Filho de Krypton.
Além de citar o caso, já mostrado lá em cima no início do post, do "super-herói" brasileiro Overman e de Space Ghost, ambos com identidades mais que secretas debaixo de uma máscara que nunca tiram, não poderia deixar de falar também dos Amigos da Justiça!
O patriótico Major Glory (pastiche tanto do Capitão América quanto do Super-Homem), the Infraggable Krunk (versão em negativo do Incrível Hulk), and Valhallen - palavra-valise ou portmanteau de Valhalla e Van Halen -, Deus Viking do Rock (alusão ao deus nórdico do trovão, Thor), formam um grupo desajustado de heróis do desenho animado apresentado pelo canal de TV a cabo Cartoon Network.


Os Ratos
Para finalizar, uma tirinha bem antiga de Fernando Gonsalez, com seu personagem-título, uma ratazana de esgoto, Níquel Náusea, encontrando seu parônimo(?) mais guti-guti, Mickey Mouse!
E aí, faltou alguma irreverência/referência que eu deixei de citar?


Filme sugerido: O Homem que Copiava (2003), de Jorge Furtado.
Comemoração ou tradição sugerida: festa de halloween.
Música sugerida: "Jump", de Van Halen.
Série de livros sugeridos: Harry Potter (a heptalogia).
Cubecraft sugerido: Overman (inédito, autoria própria).
HQ online sugerida: Tio Patinhas e Pato Donald em Dream of a Life Time (que talvez tenha inspirado o filme A Origem - Inception).
Posts sugeridos: Influências e Semelhanças do blog Alternative Prison.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Verifique se o Mesmo encontra-se neste andar


Meu irmão me deu de presente recentemente o álbum Mesmo Delivery, de Rafael Grampá, pela Desiderata. Já havia lido anteriormente, mas gostei de ter ganhado e mantive o presente. Porque a HQ do Grampá é muuuuito boa! A história em si é boazinha, nada de mais, mas principalmente pelos desenhos e pela narrativa, fenomenais.
O enredo segue um caminhão da empresa Mesmo Delivery, sua misteriosa carga e dois de seus funcionários através de uma autoestrada pelo deserto, parando em um motel de posto de beira de estrada para um rápido descanso. Sim, o clima e o cenário são tipicamente norte-americanos (fora o fato de ser originalmente escrita em português, a única coisa que denuncia a brasilidade do escritor e desenhista gaúcho é uma moedinha de um real deixada no balcão pelo motorista), denunciados pelas placas todas em inglês e também pelo conteúdo da fala do personagem Sangrecco, sobre Elvis:
Aqui cabem dois adendos: reparem como Sangrecco confunde o nome Shazam com o personagem Capitão Marvel, e também como, apesar de lançada em 2008, ele se refere ao Super-HOMEM, não a Superman. Corrobora muito do que eu disse anteriormente, não? E, na verdade, Elvis gostava era do Capitão Marvel Jr., não do Capitão Marvel (confiram neste ótimo post do I-Néscia).

O clima de road movie ajuda a dar o tom da história, e as cenas quase sem diálogos, apenas mostrando o ambiente, são muito bem aproveitadas. Aliás, muito rico o grau de detalhamento dos cenários criados por Grampá. O autor disse ter se inspirado, entre outras fontes, nos episódios de Além da Imaginação que assistia quando criança. Talvez não pelo caráter insólito, mas sim no twist ending que nos aguarda ao final (um pouco previsível, talvez). A paleta de cores escolhida para a história também ajuda nessa caracterização, dando um ar meio vintage, sei lá.

Mas é na arte que o talento de Grampá dá um show. Confesso que, inicialmente, não gostei muito de seu desenho sujo e meio caricato. Mas me rendi a suas tomadas impossíveis e a seus ângulos absurdos . Reparem nesse enquadramento desconcertante: Muito criativos, muito dinâmicos, e muito bem desenhados. A sequência das páginas 36 e 37 são de tirar o fôlego, literalmente! Animal mesmo, não há como descrever, só vendo e admirando! Na introdução da obra, ao falar do traço de Grampá, Lourenço Mutarelli fica reticente em usar o termo "sequência cinematográfica" pois, de acordo com o mesmo, "no fundo, o cinema bebe muito mais nos quadrinhos do que o inverso". Mas é impossível não imaginar como ficariam todas essas vistas e tomadas nas telonas com seus posicionamentos de câmera (e parece que os direitos já foram vendidos para virar filme).

Outra característica que admirei bastante foi o uso de onomatopeias como elementos de cena, seja na música preenchendo o fundo do cenário e embalando a cena, seja risos ou outros sons devidamente alocados nos quadros. Talvez Grampá tenha bebido um pouco da fonte dos mangás nesse quesito, assim como algumas cenas lentas, arrastadas, meio contemplativas. Mas não entendam mal: a HQ é altamente ágil e dinâmica, e violenta ao extremo, por mais paradoxal que isso seja. Só conferindo o material para confirmar. Grampá é brasileiro, e ganhador do prêmio Eisner pela antologia "5", e agora que a Dark Horse comprou os direitos e lançou Mesmo Delivery em inglês, só podemos ansiar por mais histórias desse grandíssimo artista. Ele foi convidado para ilustrar uma história de John Constantine escrita por Brian Azzarello pelo selo Vertigo, e fez uma capa para a revista Strange Tales, em que roteiriza e desenha uma história de Wolverine, pela Marvel Comics. O próximo projeto do autor é a revista Furry Waters, que nomeia seu blog.
Questionado sobre a escolha do nome da empresa, Mesmo Delivery, o autor emendou hilariamente o quanto ficava assustado com aquelas plaquinhas presentes em portas de elevador, que lhes serviram como inspiração:
ANTES DE ENTRAR NO ELEVADOR,
VERIFIQUE SE O MESMO
ENCONTRA-SE PARADO NESTE ANDAR.
Abaixo, deixo-os com uma ótima ilustração de Grampá do Demolidor, com seu estilo sujo que cai bem ao herói urbano, e sua explicação sobre a composição da imagem:
"Matt Murdock é filho de boxeador e por isso minha versão pro personagem é uma mistura de super-herói, boxeador e lutador wrestler. Eu nunca gostei dos gráficos em estilo “eletrônico” que alguns artistas desenham para representar o radar do personagem. Ele não é uma máquina e sempre imaginei que a representação desse radar deveria ser mais orgânica, e foi o que tentei fazer."


Artista sugerido: Elvis Presley.

Seriado sugerido: Além da Imaginação (The Twilight Zone), série clássica de 1959.

Filme sugerido 1: Encurralado (Duel, 1971), de Steven Spielberg.

Filme sugerido 2: Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, 2007), dos irmãos Ethan e Joel Cohen.
Filme sugerido 3: Inferno na Estrada (Retroactive, 1997), Louis Morneau.

Comunidade do orkut sugerida: